Programa - Comunicação Oral Curta - COC13.9 - Promoção do cuidado, hesitação vacinal e APS
18 DE SETEMBRO | SEXTA-FEIRA
08:30 - 10:00
08:30 - 10:00
CUIDADOS DE ENFERMAGEM AS PESSOAS EM CONDIÇÕES CRÔNICAS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
Comunicação Oral Curta
1 UFRR
Apresentação/Introdução
As Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) constituem um dos maiores desafios de saúde pública contemporâneos, tanto no cenário global quanto no brasileiro. Caracterizadas por uma evolução lenta, longa duração e múltiplos impactos biopsicossociais, essas condições são as principais causas de morbimortalidade, com destaque para a hipertensão arterial, diabetes mellitus, doenças cardiovasculares e neoplasias. No Brasil, a transição epidemiológica consolidou as DCNTs como responsáveis pela maior carga de óbitos, exigindo estratégias robustas de prevenção e manejo precoce. Nesse contexto, a Atenção Primária à Saúde (APS) emerge como o nível prioritário para o acompanhamento longitudinal e integral, fundamentada nos princípios da universalidade e equidade do Sistema Único de Saúde (SUS). O enfermeiro, inserido nas Redes de Atenção à Saúde (RAS), desempenha um papel estratégico na gestão dessas condições, utilizando ferramentas como a consulta de enfermagem e o Plano Terapêutico Singular (PTS) para garantir a continuidade do cuidado.
Objetivos
Analisar o papel e a relevância dos cuidados de enfermagem no manejo de pessoas com condições crônicas no âmbito da Atenção Primária à Saúde, destacando as estratégias assistenciais, os desafios regionais e a importância da sistematização da assistência para a promoção da qualidade de vida.
Metodologia
Trata-se de uma revisão narrativa de literatura desenhada para resgatar as evidências científicas disponíveis acerca das Redes de Atenção à Saúde no Brasil. O levantamento dos artigos foi realizado por meio de busca eletrônica em sites e bases de dados de acesso público, incluindo as bibliotecas virtuais SciELO Brasil (Scientific Electronic Library Online), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) que abrange bases como LILACS e Medline, Google Acadêmico e o Portal de Periódicos da Capes. A coleta de dados ocorreu no período de agosto a outubro de 2025. Para a busca dos estudos, foram utilizados descritores padronizados conforme os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): “Redes de Atenção à Saúde”, “Sistema Único de Saúde” e “Doença Crônica”. Como critérios de inclusão, foram considerados artigos científicos disponíveis na íntegra, publicados entre os anos de 2020 e 2025, no idioma português e relacionados à temática proposta. Foram excluídos os estudos que não apresentavam relação direta com o tema investigado.
Resultados e Discussão
Os resultados indicam que a organização do cuidado às condições crônicas é estruturada por meio das Redes de Atenção à Saúde (RAS) e da Rede de Atenção às Pessoas com Doenças Crônicas (RCPDC). O enfermeiro atua como protagonista na estratificação de risco e na condução da consulta de enfermagem, que deve abordar de forma integral os aspectos físicos, psicológicos e sociais do usuário. A discussão ressalta que o Processo de Enfermagem — composto pelas etapas de Avaliação, Diagnóstico, Planejamento, Implementação e Evolução — é o instrumento científico que assegura a qualidade e a segurança da assistência.
Observou-se que a adesão ao tratamento e o fortalecimento do autocuidado apoiado são potencializados por ações educativas e visitas domiciliares. Contudo, persistem desafios significativos, como as desigualdades regionais. No estado de Roraima, por exemplo, as doenças do aparelho circulatório e neoplasias representam a maioria dos óbitos prematuros, evidenciando a necessidade de fortalecer a APS em regiões com baixa densidade populacional e barreiras geográficas. Para populações indígenas, o cuidado exige sensibilidade cultural e a integração com lideranças comunitárias e Agentes Comunitários de Saúde (ACS). O uso de tecnologias de informação, como o e-SUS AB e a telemedicina, surge como uma estratégia inovadora para superar distâncias e qualificar o monitoramento clínico, embora demande infraestrutura e capacitação contínua.
Conclusões/Considerações Finais
O cuidado de enfermagem às pessoas com condições crônicas na APS é um pilar indispensável para a sustentabilidade e resolutividade do SUS. A atuação do enfermeiro, quando alicerçada em evidências científicas e protocolos clínicos, é capaz de reduzir a mortalidade prematura e melhorar a qualidade de vida da população. Conclui-se que o enfrentamento das DCNTs exige não apenas competência técnica, mas também articulação intersetorial, valorização profissional e a adoção de estratégias que respeitem as diversidades regionais e culturais. O fortalecimento da APS e a sistematização da assistência de enfermagem permanecem como os caminhos mais eficazes para garantir um cuidado contínuo, integral e equânime frente ao crescente ônus das doenças crônicas no Brasil.
SISTEMATIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO CLÍNICA NO PROGRAMA ACADEMIA CARIOCA: PROPOSTA DE FLUXOGRAMA OPERACIONAL PARA A GESTÃO DO CUIDADO
Comunicação Oral Curta
1 SMS-RJ/UCB
2 SMS-RJ
Apresentação/Introdução
O Programa Academia Carioca (PAC) é uma política pública de promoção da saúde consolidada em 92% das unidades de Atenção Primária à Saúde (APS) do município do Rio de Janeiro. Para além da oferta de atividade física, o PAC se constitui como um importante eixo de vigilância em saúde. No entanto, a sistematização do monitoramento fisiológico (sinais vitais) durante as atividades coletivas enfrenta desafios operacionais devido à rotatividade de profissionais e à alta demanda do serviço. Este trabalho fundamenta-se na necessidade de estabelecer protocolos claros de segurança clínica para garantir a resolutividade da APS e prevenir eventos adversos, alinhando-se às diretrizes da Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS). A ausência de um fluxo padronizado de registro e conduta diante de alterações clínicas pode comprometer a integração do profissional de Educação Física com a equipe de referência. Portanto, a organização desses processos de trabalho é essencial para transformar as práticas corporais em um dispositivo robusto de gestão do cuidado e vigilância em saúde na APS.
Objetivos
Propor um fluxograma operacional padronizado para o monitoramento clínico e a vigilância em saúde no âmbito do Programa Academia Carioca, visando qualificar a sistematização da informação clínica e garantir a segurança dos usuários atendidos na rede de Atenção Primária.
Metodologia
Trata-se de um produto técnico-tecnológico desenvolvido como requisito final do Curso de Especialização em Gestão em Saúde na Atenção Primária (UCB/PPGSAP). A metodologia envolveu revisão documental das normativas vigentes, como a Carteira de Serviços da SMS-RJ, o Guia Prático de Hipertensão Arterial e a PNPS. Utilizou-se o referencial teórico da gestão de coletivos de Gastão Wagner de Sousa Campos e o conceito de "trabalho vivo em ato" de Emerson Merhy para estruturar a proposta de cogestão do cuidado entre o profissional de Educação Física e a equipe de referência da unidade de saúde.
Resultados e Discussão
O resultado é um fluxograma operacional que organiza o itinerário do usuário: desde a chegada via ACS, passando pela aferição de sinais vitais pela enfermagem, até o registro obrigatório no prontuário eletrônico (PEC). O fluxo estabelece critérios de decisão: liberação para a prática (sinais normais), observação ou direcionamento médico (alterados) e "Vaga Zero" (casos graves). A sistematização permite que o profissional de Educação Física atue com segurança clínica e que a gestão utilize os dados para monitoramento de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT). A discussão reforça que a falta de registro clínico adequado mascara a eficácia do programa como indicador de redução de internações sensíveis à APS. A discussão reforça que a falta de registro clínico adequado mascara a eficácia do programa como indicador de redução de internações sensíveis à Atenção Primária (APS). A implementação deste fluxo visa reduzir a fragmentação do cuidado na Atenção Primária, promovendo uma integração real entre as ações de promoção da saúde e o monitoramento clínico, essencial para a sustentabilidade de programas de práticas corporais no SUS em cenários de alta densidade demográfica, como o Rio de Janeiro.
Conclusões/Considerações Finais
A proposta de fluxograma qualifica a gestão do cuidado ao integrar o Programa Academia Carioca à lógica da vigilância em saúde. O produto fortalece a interdisciplinaridade e a segurança do paciente, garantindo que a promoção da saúde não seja dissociada do monitoramento clínico rigoroso. Conclui-se que a padronização das informações clínicas é essencial para a sustentabilidade do programa e para a valorização do profissional de Educação Física como agente clínico dentro do SUS.
QUALIFICAÇÃO DO MANEJO DE CONDIÇÕES CRÔNICAS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA EM SAÚDE (APS): AVALIAÇÃO DE CURSO SOBRE HIPERTENSÃO E DIABETES PARA PROFISSIONAIS DA APS
Comunicação Oral Curta
1 -
2 HMV
3 Ministério da Saúde do Brasil
Apresentação/Introdução
O cuidado a pessoas com doenças crônicas, como diabetes mellitus (DM) e hipertensão arterial sistêmica (HAS) constitui um dos principais desafios para a gestão do cuidado na Atenção Primária à Saúde (APS) no Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente diante das desigualdades sociais que influenciam o acesso, a adesão ao tratamento e os resultados em saúde. Na perspectiva do Modelo de Atenção às Condições Crônicas (MACC), garantir que profissionais estejam qualificados para manejar essas condições é essencial para fortalecer a articulação do cuidado dentro da rede de saúde. Nesse contexto, o projeto “Manejo Clínico na APS”, desenvolvido no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), tem como objetivo capacitar os profissionais das equipes da APS no manejo da HAS e DM na lógica da Rede de Atenção à Saúde e com base no MACC. O curso contempla temas centrais no manejo dessas condições, como determinantes sociais em saúde, autocuidado apoiado e questões étnico-raciais, reconhecendo que o manejo das condições crônicas exige abordagens sensíveis às desigualdades sociais e às diferentes realidades vivenciadas pelos usuários do SUS, representando uma iniciativa relevante para qualificar a atenção às pessoas que vivem com condições crônicas.
Objetivos
Avaliar como a participação no curso de aperfeiçoamento “Manejo Clínico na APS” influencia o conhecimento de profissionais da APS sobre o cuidado clínico de pessoas com DM e HAS.
Metodologia
Estudo quase-experimental do tipo antes e depois. O curso de aperfeiçoamento foi desenvolvido de forma híbrida com carga horária de 180 horas, com a proposta de fortalecer competências clínicas e pedagógicas, preparando profissionais para atuarem como facilitadores em oficinas voltadas ao manejo clínico dessas condições e ao autocuidado apoiado, articulando conteúdos teóricos com prática clínica e atividades de treinamento aplicado. A avaliação do conhecimento antes e após o curso se deu através da aplicação de questionário eletrônico composto por 7 questões relativas ao manejo de indivíduos com HAS e 7 relativas ao manejo de indivíduos com DM. As questões foram elaboradas com base nas competências definidas para profissionais da APS, e tiveram seu conteúdo validado por cinco experts no manejo clínico destas condições e em APS, garantindo alinhamento com as práticas esperadas no manejo clínico dessas condições. Os profissionais de nível superior foram recrutados através de edital específico, com requisito para a participação estar atuando na APS. As respostas individuais para cada questão antes e após o curso de aperfeiçoamento foram analisadas de forma qualitativa e pareadas por meio do teste de McNemar.
Resultados e Discussão
Foram incluídos 106 profissionais, de nível superior, de diferentes áreas de formação, atuantes na APS nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Na análise qualitativa das questões individuais, a análise pareada demonstrou melhora do desempenho após o curso. Em 3 das 7 questões sobre manejo da HAS, observou-se migração significativa de participantes da categoria ‘erro’ no pré-curso para ‘acerto’ no pós-curso, com proporção de mudança variando de 8% a 26% nas questões individuais (p<0,05). Nas questões relativas ao manejo de DM, houve significativa mudança da categoria ‘erro’ no pré-curso para ‘acerto’ no pós-curso em 6 das 7 questões, com a proporção de mudança variando entre 6% e 46% nas questões individuais (p<0,005). A melhora no desempenho dos profissionais sugere que intervenções educacionais estruturadas podem promover melhora do conhecimento, reforçando o papel da educação permanente em saúde como estratégia para qualificar a gestão do cuidado na APS, ampliando a capacidade das equipes em lidar com a complexidade das condições crônicas em diferentes territórios. No âmbito do MACC, esse tipo de capacitação constitui um mecanismo importante para articular cuidados, otimizar fluxos na rede de APS e prestar atendimento de forma mais efetiva, equitativa e qualificada.
Conclusões/Considerações Finais
O curso de aperfeiçoamento aumentou significativamente o conhecimento dos profissionais da APS, especialmente relativo ao manejo da DM. Além de confirmar a educação permanente como eixo central no cuidado às pessoas que vivem com condições crônicas, a abordagem do curso contextualizada à APS, a inclusão de temas transversais e o uso de metodologias ativas podem ter contribuído para os resultados observados, sugerindo elementos relevantes para iniciativas de capacitação profissional no SUS alinhadas aos princípios de integralidade e equidade na APS.
AVALIAÇÃO REGIONAL DAS INTERNAÇÕES POR CONDIÇÕES SENSÍVEIS À ATENÇÃO PRIMÁRIA EM MINAS GERAIS
Comunicação Oral Curta
1 UNIMONTES
Apresentação/Introdução
As Internações por Condições Sensíveis à Atenção Primária constituem um importante indicador da qualidade e da resolutividade da Atenção Primária à Saúde (APS) no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Essas internações são caracterizadas por agravos que poderiam ser evitados ou minimizados por meio de ações eficazes no nível primário, como prevenção, diagnóstico precoce e manejo adequado de doenças. Dessa forma, a análise das ICSAP permite avaliar indiretamente o acesso e a efetividade dos serviços de saúde ofertados à população (alfradique et al., 2009).
Estudos demonstram que, no Brasil, ao longo das últimas décadas, houve redução significativa dessas internações em decorrência do aumento da cobertura da ESF, especialmente entre os anos de 2000 e 2015. Essa redução reflete avanços no acompanhamento de condições crônicas e no fortalecimento das ações preventivas, embora ainda existam disparidades importantes entre diferentes regiões do estado (Macinko; Dourado; Aquino, 2011; mendonça et al., 2018).
Do ponto de vista epidemiológico, observa-se que as ICSAP afetam principalmente populações mais vulneráveis, como idosos e indivíduos com doenças crônicas não transmissíveis. Tais condições são amplamente reconhecidas como passíveis de prevenção ou controle no âmbito da APS, o que reforça a importância de intervenções oportunas e contínuas (Alfradique et al., 2009; Batista et al., 2012).
A ocorrência dessas internações está associada a múltiplos fatores, incluindo aspectos estruturais do sistema de saúde e determinantes sociais. Além disso, fatores como renda, escolaridade e infraestrutura sanitária influenciam diretamente os padrões de adoecimento e a utilização dos serviços de saúde. Dessa forma, a análise das ICSAP deve considerar não apenas a organização dos serviços, mas também o contexto socioeconômico da população (Macinko; Guanais; Souza, 2006).
Objetivos
Objetivo Geral
Analisar as Internações por Condições Sensíveis à Atenção Primária (ICSAP) no estado de Minas Gerais, com foco nas desigualdades regionais e na evolução temporal dessas internações ao longo da última década.
Objetivos Específicos:
- Identificar a distribuição espacial das ICSAP nas diferentes regiões de Minas Gerais.
- Verificar quais regiões apresentam as menores taxas de ICSAP e quais evidenciam as maiores reduções nos últimos dez anos.
- Avaliar a relação entre desigualdades socioeconômicas e os padrões de ocorrência das ICSAP no estado.
Metodologia
Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa observacional, baseada em dados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) do Departamento de Informática do SUS (DATASUS), vinculado ao Ministério da Saúde. Com o objetivo de investigar os efeitos da regionalização sobre as Internações por Condições Sensíveis à Atenção Primária (ICSAP), será realizada uma análise detalhada tanto dos municípios quanto das mesorregiões de Minas Gerais, permitindo identificar padrões territoriais e potenciais disparidades na ocorrência dessas internações.
Resultados e Discussão
As Internações por Condições Sensíveis à Atenção Primária (ICSAP) configuram-se como um instrumento essencial para a análise do desempenho do sistema de saúde em Minas Gerais, uma vez que podem refletir não apenas a qualidade e a resolutividade da atenção básica, mas também as desigualdades socioeconômicas e estruturais presentes no estado.
Minas Gerais apresenta grande heterogeneidade territorial, que se traduz em diferenças expressivas nos indicadores de saúde entre municípios e mesorregiões. Áreas economicamente mais desenvolvidas, como a Região Metropolitana de Belo Horizonte, viabilizam melhor acesso a serviços de saúde, infraestrutura mais consolidada e maior cobertura da ESF. Por outro lado, regiões economicamente vulneráveis, como o Vale do Jequitinhonha e o Norte de Minas, ainda apresentam maior dificuldade de acesso geográfico aos serviços de saúde e limitações na infraestrutura local.
Dessa forma, o fortalecimento da APS em Minas Gerais deve ser pensado de maneira regionalizada, considerando as particularidades de cada território. Investimentos estratégicos, como a qualificação contínua das equipes multiprofissionais e o aprimoramento da coordenação entre níveis de atenção, são fundamentais para reduzir as internações evitáveis. Além disso, políticas intersetoriais voltadas à melhoria das condições socioeconômicas, educação em saúde e mobilidade urbana podem contribuir significativamente para minimizar as desigualdades regionais.
Conclusões/Considerações Finais
A consolidação da Atenção Primária à Saúde em Minas Gerais, aliada a uma abordagem territorializada e equitativa, permanece como elemento central não apenas para a redução das ICSAP, mas também para a promoção da qualidade de vida da população e para a sustentabilidade do Sistema Único de Saúde. Somente com a integração entre ações de cuidado clínico, prevenção e políticas sociais será possível alcançar uma atenção à saúde mais eficaz, equitativa e capaz de reduzir as disparidades históricas entre as diferentes regiões do estado.
A ENFERMAGEM NA VIGILÂNCIA EM SAÚDE NA ATENÇÃO PRIMÁRIA: ESTRATÉGIAS PARA A PREVENÇÃO DE AGRAVOS E PROMOÇÃO DA SAÚDE NO TERRITÓRIO
Comunicação Oral Curta
1 UFRR
2 UFLA
Apresentação/Introdução
As Redes de Atenção à Saúde (RAS) configuram-se como um modelo organizacional fundamental para a efetividade do Sistema Único de Saúde (SUS), visando à integralidade e continuidade do cuidado. Nesse contexto, a Atenção Primária à Saúde (APS) atua como o centro de comunicação e coordenadora do cuidado, enquanto a Vigilância em Saúde (VS) emerge como um componente essencial para a proteção, promoção e prevenção, integrando ações epidemiológicas, sanitárias, ambientais e de saúde do trabalhador. A articulação entre APS e VS dentro das RAS é estratégica para a identificação precoce de riscos, o monitoramento de eventos e a elaboração de intervenções adequadas à realidade local.
A VS, em suas diversas dimensões, desempenha um papel crucial na APS e na dinâmica territorial das RAS, permitindo o mapeamento de vulnerabilidades, determinantes sociais e fatores de risco, e a construção do perfil epidemiológico da comunidade. A enfermagem, como parte integrante das equipes de saúde, assume um protagonismo essencial por meio da territorialização e do diagnóstico situacional, promovendo a busca ativa, o monitoramento de indicadores e a aplicação de medidas de prevenção e controle, assegurando a proteção de grupos vulneráveis e a coordenação do cuidado.
No âmbito das RAS, a vigilância sanitária atua na fiscalização e promoção de ambientes saudáveis, a vigilância ambiental monitora riscos ambientais e a saúde do trabalhador foca na prevenção de agravos ocupacionais, integrando-se às equipes da APS para garantir a integralidade do cuidado. A utilização de tecnologias de informação, como e-SUS AB, SINAN e SISAB, fortalece a gestão e amplia a efetividade das ações, consolidando a APS como espaço de cidadania e corresponsabilização pela saúde dentro das RAS.
Objetivos
O objetivo geral deste trabalho é resgatar e sistematizar as evidências científicas disponíveis acerca das Redes de Atenção à Saúde (RAS) no Brasil, por meio de uma revisão narrativa de literatura. Busca-se, ainda, analisar a integração da Atenção Primária à Saúde (APS) e da Vigilância em Saúde (VS) no contexto das RAS, com foco no papel da enfermagem, a fim de identificar desafios e potencialidades para a consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS).
Metodologia
Trata-se de uma revisão narrativa de literatura desenhada para resgatar as evidências científicas disponíveis acerca das Redes de Atenção à Saúde no Brasil. O levantamento dos artigos foi realizado por meio de busca eletrônica em sites e bases de dados de acesso público, incluindo as bibliotecas virtuais SciELO Brasil (Scientific Electronic Library Online), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) que abrange bases como LILACS e Medline, Google Acadêmico e o Portal de Periódicos da Capes. A coleta de dados ocorreu no período de agosto a outubro de 2025. Para a busca dos estudos, foram utilizados descritores padronizados conforme os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): “Atenção Primária à saúde”, “Vigilância em saúde saúde” e “Enfermagem na atenção primária”. Como critérios de inclusão, foram considerados artigos científicos disponíveis na íntegra, publicados entre os anos de 2020 e 2025, no idioma português e relacionados à temática proposta. Foram excluídos os estudos que não apresentavam relação direta com o tema investigado.
Resultados e Discussão
A literatura revisada destaca a centralidade das Redes de Atenção à Saúde (RAS) para a organização do SUS, com a Atenção Primária à Saúde (APS) como seu componente estruturante e coordenador do cuidado. A Vigilância em Saúde (VS) emerge como eixo transversal, e a integração APS-VS é estratégica para a efetividade das RAS, permitindo a identificação precoce de riscos e a elaboração de intervenções locais. A enfermagem é um ator chave nessa integração, atuando na territorialização, diagnóstico situacional, busca ativa e monitoramento de indicadores, garantindo a integralidade do cuidado. Estratégias como planejamento local, educação em saúde, mobilização comunitária e o uso de tecnologias de informação (e-SUS AB, SINAN, SISAB) qualificam a gestão e ampliam a efetividade das ações. Os estudos identificam desafios como a subnotificação de agravos, a sobrecarga assistencial e a fragmentação entre vigilância e atenção. Contudo, apontam potencialidades como a incorporação de tecnologias digitais e metodologias participativas. A literatura corrobora, assim, a relevância da integração APS-VS nas RAS e o papel insubstituível da enfermagem para a efetivação dos princípios do SUS.
Conclusões/Considerações Finais
A revisão narrativa reforça que a integração APS-VS é essencial para as Redes de Atenção à Saúde (RAS) e o SUS. A enfermagem é crucial na qualificação do cuidado, atuando na territorialização, diagnóstico e coordenação de ações. Desafios como subnotificação e fragmentação exigem aprimoramento contínuo. Potencialidades incluem tecnologias digitais e participação social. A articulação intersetorial e educação permanente são fundamentais para um SUS equitativo e responsivo, com a enfermagem como agente transformador.
COBERTURA VACINAL INFANTIL NA REGIÃO NORTE: UMA ANÁLISE DOS DETERMINANTES SOCIAIS E AMBIENTAIS DA HESITAÇÃO VACINAL EM CONTEXTOS DE VULNERABILIDADE
Comunicação Oral Curta
1 UFAM
Apresentação/Introdução
A vacinação infantil é uma das estratégias mais eficazes na prevenção de doenças e na redução da mortalidade infantil, sendo fundamental para a saúde pública. No Brasil, apesar da robustez do Programa Nacional de Imunizações (PNI), observa-se queda nas coberturas vacinais, com maior impacto na Região Norte. Populações vulneráveis, como famílias em situação de pobreza, comunidades indígenas, ribeirinhas e áreas de difícil acesso, enfrentam determinantes sociais e ambientais que dificultam o acesso aos serviços de saúde. Nesse contexto, a hesitação vacinal configura-se como fenômeno multifatorial, influenciado não apenas por desinformação e baixa percepção de risco, mas também por condições estruturais e socioeconômicas. Analisar a cobertura vacinal infantil em contextos de vulnerabilidade na Região Norte é essencial para compreender essas iniquidades e subsidiar estratégias de fortalecimento das políticas de imunização.
Objetivos
Analisar a cobertura vacinal infantil em contextos de vulnerabilidade, à luz dos determinantes sociais e ambientais da saúde, buscando compreender como esses fatores influenciam a hesitação vacinal e contribuem para a persistência e reemergência de doenças imunopreveníveis na Região Norte.
Metodologia
Trata-se de uma revisão de literatura de caráter descritivo, realizada por meio de busca sistematizada nas bases PubMed, Google Acadêmico e SciELO. Foram utilizados descritores relacionados a “vacinação infantil”, “determinantes sociais”, “vulnerabilidade” e “hesitação vacinal”, combinados por operadores booleanos (AND e OR). Incluíram-se estudos em inglês, português e espanhol que abordassem a relação entre cobertura vacinal infantil e contextos sociais e ambientais de vulnerabilidade. Excluíram-se relatos de caso e estudos sem dados consistentes. A seleção ocorreu por leitura de títulos, resumos e textos completos. A análise foi conduzida à luz dos determinantes sociais e ambientais da saúde, com enfoque nas desigualdades territoriais.
Resultados e Discussão
Os dados analisados de 10 estudos publicados entre 2013 e 2026 mostram que, mesmo com um programa nacional robusto, a cobertura vacinal infantil na região Norte permanece desigual, refletindo o impacto das condições de vulnerabilidade. Barreiras estruturais, como longas distâncias até unidades de saúde, transporte limitado, horários restritos, falta de profissionais e distribuição desigual de serviços, dificultam o acesso físico às vacinas, especialmente para famílias em áreas rurais, comunidades indígenas e ribeirinhas. Determinantes sociais, incluindo baixa escolaridade parental, vulnerabilidade socioeconômica, moradias precárias e desemprego, associam-se fortemente à não adesão ao calendário vacinal. Além disso, fatores culturais e comportamentais, como desinformação, influência de redes sociais e percepção reduzida de risco, afetam de maneira diferenciada essas populações. Crianças de famílias mais vulneráveis são particularmente impactadas, pois o acesso limitado a informações confiáveis amplifica a hesitação vacinal. A interação entre barreiras estruturais, sociais e comportamentais resulta em menores índices de cobertura vacinal na Região Norte, frequentemente inferiores à meta de 95% preconizada pelo Ministério da Saúde, aumentando o risco de reemergência de doenças imunopreveníveis. Assim, estratégias baseadas apenas em informação ou conscientização são insuficientes. É necessário implementar ações que enfrentem barreiras estruturais e sociais, como longas distâncias até unidades de saúde, baixa escolaridade parental, vulnerabilidade socioeconômica e condições de moradia precárias, além de fortalecer a confiança das comunidades nos serviços de imunização e priorizar grupos populacionais mais vulneráveis, promovendo equidade e ampliando a efetividade do PNI na região Norte.
Conclusões/Considerações Finais
A hesitação vacinal infantil na Região Norte é um fenômeno complexo, profundamente influenciado por determinantes sociais e ambientais que afetam populações vulneráveis. Baixa escolaridade parental, vulnerabilidade socioeconômica, condições precárias de moradia, dificuldades de transporte e acesso limitado a serviços de saúde condicionam o acesso, a confiança e a adesão às vacinas. Reconhecer essas condições é essencial para desenvolver estratégias integradas que reduzam desigualdades, promovam equidade e fortaleçam a cobertura vacinal, garantindo proteção efetiva às crianças em contextos de maior vulnerabilidade e prevenindo a reemergência de doenças imunopreveníveis. Nesse contexto, a Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, da Floresta e das Águas apresenta fragilidades na sua implementação, especialmente diante de limitações na gestão e na organização dos serviços de imunização nesses territórios. A baixa efetividade dessa política na ampliação da cobertura vacinal evidencia desafios na atuação dos gestores, relacionados ao planejamento, à alocação de recursos e à garantia de acesso equitativo às ações de vacinação.
A UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE IDEAL SEGUNDO AS VIVÊNCIAS E EXPECTATIVAS DE ADOLESCENTES
Comunicação Oral Curta
1 Instituto Fernandes Figueira/FIOCRUZ
Apresentação/Introdução
Esta pesquisa de mestrado em saúde coletiva encontra-se em andamento e pretende compartilhar resultados preliminares de um estudo que visa compreender as expectativas e perspectivas de adolescentes periféricos sobre a Unidade Básica de Saúde (UBS) ideal. A pesquisa considera as particularidades dos adolescentes periféricos como diversa dentro do conceito de adolescências, dados os vários atravessamentos vivenciados a partir dos marcadores sociais da diferença. Neste contexto, a proposição de um modelo orientador para o atendimento aos adolescentes na Atenção Primária à Saúde (APS), por organismos internacionais, inspira a pesquisa, direcionando a escuta a esses adolescentes. Dialogamos com o percurso de elaboração de políticas orientadas aos adolescentes, com a construção de estigmas sociais a respeito desta etapa do curso de vida, e refletimos sobre a atuação da APS na atenção integral à saúde do adolescente.
Objetivos
O objetivo geral do estudo é compreender as vivências, expectativas e necessidades de adolescentes em relação aos serviços de Atenção Primária à Saúde (APS). Os objetivos específicos são: a) Discutir o espaço da saúde do adolescente no SUS; b) Analisar as propostas de uma “unidade de saúde amiga do adolescente” que estão em discussão no país e c) Identificar atributos e práticas que tornam um serviço de saúde espaço de cuidado na perspectiva dos adolescentes.
Metodologia
Trata-se de uma pesquisa qualitativa que utilizará a estratégia metodológica de grupo focal orientada às vivências, perspectivas e necessidades de adolescentes em relação aos serviços de APS. Na perspectiva do interacionismo simbólico, a socióloga Rosaline S. Barbour enfatiza a construção ativa do significado a partir das interações sociais, focando não apenas em pensamentos individuais, mas em como são formadas e transformadas as visões no debate com o outro. De forma não diretiva, o moderador facilita a comunicação para que vários pontos de vista surjam espontaneamente, de forma sustentada pelo grupo. Os participantes serão acionados por uma liderança da comunidade Vila Kennedy no Rio de Janeiro para a participação no grupo no mês de junho. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição do curso de pós-graduação.
Resultados e Discussão
Várias iniciativas se intercruzam no campo da APS em relação à saúde do adolescente. A partir de um longo percurso de movimentos para elaboração da Política de Atenção Integral à Saúde dos Adolescentes e Jovens (PNAISAJ), ainda não publicada, surgem documentos orientadores da assistência para os profissionais. Estes, por sua vez, referem dificuldades no acolhimento de adolescentes, e sofrem influências das modificações na Política Nacional da Atenção Básica (PNAB), que reorientaram o modelo e burocratizaram o cuidado. No mesmo lócus, Organizações da Sociedade Civil cofinanciadas pelo Estado, realizam projetos de promoção do protagonismo juvenil, ampliando o diálogo e acolhendo perspectivas de adolescentes de comunidades periféricas. Ainda neste âmbito, organismos internacionais estruturam propostas de parceria com o Estado, implementando projetos piloto e treinamentos, com o objetivo de orientar a assistência, através de modelos pré-definidos de atenção à saúde do adolescente; e este principal ator permanece, ao longo de quase três décadas, sendo assistido de forma programática, numa perspectiva biologicista e orientada ao risco, distanciada do protagonismo juvenil. Percebemos que adolescentes reconhecem a importância do acolhimento de suas demandas, para além do direcionamento dos protocolos de saúde, além de valorizarem discussões sobre temáticas de seu interesse em espaços de livre expressão. O protagonismo juvenil é favorecido em atividades de troca de experiências entre pares, ganhando potência com a inclusão de atividades artísticas (música, teatro, dança, etc).
Conclusões/Considerações Finais
O estudo reforça a necessidade de compreender, a partir da perspectiva dos adolescentes periféricos, qual seria o modelo ideal de Unidade Básica de Saúde. Inseridos de forma capilarizada na APS, campo de diversas disputas e tensões políticas, necessitam de espaços de escuta e promoção do protagonismo real, em que seus desejos sejam a premissa essencial na construção dos modelos de assistência. É preciso encontrar o caminho de volta à época da reforma sanitária, em que a construção de planejamentos ascendentes era feita COM os sujeitos.
REFERÊNCIA PARA A ATENÇÃO ESPECIALIZADA EM SAÚDE BUCAL NO AMAZONAS: DESAFIOS E OPORTUNIDADES
Comunicação Oral Curta
1 Doutorado Acadêmico em Saúde Pública na Amazônia – DASPAM/Fiocruz/UFAM/UEA e Secretaria Municipal de Saúde de Manaus – SEMSA Manaus
2 Doutorado Acadêmico em Saúde Pública na Amazônia – DASPAM/Fiocruz/UFAM/UEA, Instituto Leônidas e Maria Deane – ILMD Fiocruz Amazônia e Universidade do Estado do Amazonas – UEA
3 Universidade Federal do Oeste do Pará – UFOPA
4 Doutorado Acadêmico em Saúde Pública na Amazônia – DASPAM/Fiocruz/UFAM/UEA e Universidade Federal do Amazonas – UFAM
Apresentação/Introdução
A Política Nacional de Saúde Bucal propõe a reorientação do modelo assistencial, tendo como pressuposto a qualificação da Atenção Primária à Saúde (APS), fundamentada na atuação das Equipes de Saúde Bucal (eSB), a qual deve estar articulada à atenção ambulatorial especializada, com destaque para os Centros de Especialidades Odontológicas (CEO). Apesar da expansão das ações de promoção, prevenção e recuperação da saúde bucal, ainda existem entraves na organização dos serviços, privando uma parte da população da assistência odontológica. Na saúde, os estudos avaliativos são uma ferramenta para compreender a dinâmica e orientar o planejamento e a organização das ações e serviços em saúde. Em 2024, a realização do Censo Nacional das Unidades Básicas de Saúde (UBS) possibilitou a construção de uma ampla base de dados quantitativos sobre a APS. Na Amazônia, a consolidação do SUS implica no reconhecimento da diversidade de ocupações e modos de vida influenciados pelos elementos naturais, exigindo análises que considerem sua historicidade e sua organização territorial. Apesar das diferenças entre a leitura epidemiológica e a compreensão em profundidade das ciências sociais, a interação dialógica entre essas áreas constitui um avanço significativo para a compreensão dos problemas de saúde.
Objetivos
Considerando as regiões de saúde do Amazonas, este estudo teve como objetivo analisar as contribuições dos achados do Censo das UBS referentes à distribuição das unidades de saúde que dispõem de assistência odontológica na APS e à disponibilidade de serviços especializados de referência para encaminhamento dos usuários.
Metodologia
Foram avaliadas as 656 unidades de saúde respondentes do Amazonas, as quais foram agrupadas segundo a capital Manaus e as regiões de saúde. Conforme o Plano Estadual de Saúde da Amazonas, na pactuação do novo arranjo regional, foram definidas nove regiões de saúde, compreendendo: Manaus, Entorno e Alto Rio Negro; Rio Negro e Solimões; Rio Purus; Rio Madeira, Médio Amazonas; Baixo Amazonas; Rio Juruá, Triângulo e Alto Solimões (Amazonas, 2020). As unidades de saúde foram avaliadas conforme a presença de pelo menos 1 eSB e/ou 1 Cirurgião-Dentista (CD) e quanto à disponibilidade de CEO ou Serviço de Especialidades em Saúde Bucal (Sesb) como referência para o encaminhamento de usuários. Os dados foram submetidos à análise descritiva.
Resultados e Discussão
No Amazonas, das 656 unidades respondentes do estado, 531 delas possuíam pelo menos 1 eSB e/ou 1 CD. Manaus apresentou a maior concentração dessas unidades com 125 (23,5%), seguida da Região Entorno e Alto Rio Negro com 106 (20,0%) e a região Rio Negro e Solimões com 60 (11,30%). As regiões Purus (21; 4,0%), Juruá (23; 4,3%) e Triângulo (28; 5,3%) apresentaram as menores quantidades de unidades com ESB e/ou CD. Com relação à disponibilidade de serviços da atenção especializada para o encaminhamento de usuários, observou-se variações regionais. Na capital, quase a totalidade (96,8%) das unidades informou haver serviço de referência para a atenção especializada. Em contraste, nas regiões do Juruá, Rio Negro, Solimões e Rio Madeira, a disponibilidade de atenção especializada para referência dos usuários foi observada em apenas 8,7%, 20% e 30,2% das unidades, respectivamente. Esses dados evidenciam as desigualdades territoriais do estado e refletem um desafiador processo para aprimorar a operacionalização das redes de atenção e da regionalização da saúde. Com relação à assistência odontológica, é importante aprofundar a análise da organização dos serviços de saúde, buscando compreender as assimetrias na sua distribuição em um contexto onde a dinâmica dos territórios desafia as lógicas convencionais de organização do sistema e que, se incorporadas ao planejamento, podem contribuir para a consolidação dos princípios e diretrizes do SUS. Além disso, é fundamental que inquéritos e estudos de abrangência nacional dialoguem com as peculiaridades e características sócio-históricas de cada região do país. Esse aprofundamento exige articulação entre os dados mensurados e a compreensão de toda a complexidade dos fenômenos sociais, concomitantemente com os conceitos disciplinares, de tal forma que possam ser confrontados e enriquecidos transversalmente.
Conclusões/Considerações Finais
A assistência em saúde bucal no Amazonas, enfrenta o desafio de oferecer um cuidado que contemple a equidade e a integralidade, incluindo a efetiva organização da rede de atenção em saúde bucal. Para consolidar e fortalecer as ações em saúde bucal, é necessário enfrentar os vazios assistenciais. No contexto amazônico, a articulação entre a epidemiologia e as ciências sociais pode contribuir com intervenções mais sensíveis às especificidades locais e à dinâmica da vida amazônica, contribuindo para a formulação de políticas de saúde mais equânimes territorialmente.
ELABORAÇÃO DA METODOLOGIA PARA FORMULAÇÃO DAS POLÍTICAS ESTADUAIS DE PROMOÇÃO DA SAÚDE
Comunicação Oral Curta
1 CEDAPS/ UFRJ
2 UFSC
3 UNB
4 PUC
5 UFSC/SES-SC
6 FIOCRUZ
7 UVA
Apresentação/Introdução
No ano de 2026, a Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS) completa 20 anos de sua elaboração, consolidando-se como o principal instrumento normativo brasileiro para o fortalecimento da promoção da saúde. Essa política tem como princípios a integralidade, a equidade, a participação social, a autonomia, o empoderamento, a intrasetorialidade, a intersetorialidade, a sustentabilidade e a territorialização.
A territorialização do planejamento ocupa posição central, ao reconhecer que a produção da saúde está diretamente relacionada aos contextos sociais, culturais, econômicos e ambientais de cada território. Nesse sentido, as Políticas Estaduais de Promoção da Saúde (POEPS) representam a materialização da política nacional nos estados, devendo ser adaptadas às realidades geográficas, sociodemográficas, epidemiológicas e institucionais de cada local.
Essas políticas assumem funções estratégicas, como o apoio aos municípios na implementação de ações. No entanto, apesar dos 20 anos da política nacional, sua institucionalização no âmbito estadual ainda é limitada. Estudos indicam que das 27 Unidades Federativas, apenas seis (cerca de 22%) possuem Política Estadual de Promoção da Saúde elaborada, com diferentes níveis de implementação.
Objetivos
Elaborar uma metodologia/tecnologia social para a formulação das Políticas Estaduais de Promoção da Saúde.
Metodologia
Este relato integra os resultados de uma pesquisa multicêntrica sobre metodologia para formulação e apoio à implementação de Políticas Estaduais de Promoção da Saúde, vinculada à Chamada CNPq/MS/SAPS/DEPROS nº 05/2023.
Para a construção da metodologia/tecnologia social, foram desenvolvidas quatro etapas de levantamento de dados: revisão de escopo sobre metodologias de formulação e implementação de políticas em países com sistemas publíco de saúde; análise documental dos estados com POEPS; entrevistas com atores-chaves e círculos reflexivos com representantes dos seis estados que já possuem políticas estaduais.
Visando identificar desafios, potencialidades e estratégias para a formulação das políticas estaduais. Todo o processo foi orientado pelo ciclo de políticas públicas e pela teoria da coalizão.
Resultados e Discussão
A partir das etapas de levantamento de dados, identificou-se que não existe uma metodologia única para a formulação de Políticas de Promoção da Saúde. Com base nas experiências dos estados e na metodologia utilizada na revisão da PNPS, foi elaborada uma proposta de metodologia/tecnologia social estruturada em duas etapas.
A primeira consiste na realização de oficinas regionais com municípios, organizadas nas regiões de saúde dos estados. Essas oficinas têm como objetivo mapear as ações já desenvolvidas no território e, a partir delas, identificar princípios, valores, diretrizes, temas e eixos operacionais de cada região. As informações coletadas são sistematizadas e dão origem a uma matriz de consolidação, que orienta a etapa seguinte. Antes da realização das oficinas, os facilitadores participam de uma oficina de formação, com o objetivo de qualificá-los para a condução das atividades e garantir maior alinhamento metodológico.
A segunda corresponde a oficina de consolidação estadual, que tem como objetivo refletir sobre as diversidades e necessidades identificadas anteriormente. Por meio de estratégias de priorização, são definidas as principais diretrizes a serem incluídas na política, resultando na minuta da POEPS.
A metodologia foi validada em duas etapas: a primeira, por meio de oficinas no estado do Amazonas; e a segunda, por avaliação de especialistas. Todo o processo foi sistematizado em um guia para formulação de políticas estaduais.
Os resultados da validação indicam que a proposta apresenta alto impacto para as políticas públicas e impacto social relevante, com 100% de avaliação positiva quanto à relevância, aceitabilidade e utilidade metodológica. Os especialistas também destacaram a consistência teórico-metodológica da proposta e sua possibilidade de reaplicação em diferentes contextos.
Conclusões/Considerações Finais
A elaboração da metodologia/tecnologia social para a formulação das POEPS contribui para o fortalecimento da institucionalização da PS no âmbito estadual, ao oferecer um caminho estruturado, participativo e adaptável às diferentes realidades territoriais.
A proposta desenvolvida demonstra que a construção coletiva, ascendente, baseada na escuta ativa dos territórios e na articulação entre diferentes atores, é fundamental para garantir maior aderência, legitimidade e efetividade das políticas. Além disso, reforça a importância da territorialização como elemento central no planejamento em saúde.
Os resultados da validação evidenciam a relevância, consistência e aplicabilidade da metodologia, destacando seu potencial de replicação em outros estados brasileiros. Dessa forma, o guia elaborado configura-se como um instrumento estratégico para apoiar gestores e equipes técnicas na formulação e implementação das POEPS, contribuindo para a ampliação e consolidação da política no país.
Realização: