Programa - Comunicação Oral - CO9.3 - Agora Tem Especialista, em educação popular: transformando processos formativos e participativos
19 DE SETEMBRO | SÁBADO
13:10 - 14:40
13:10 - 14:40
ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO POPULAR EM SAÚDE: UMA AÇÃO NACIONAL PARA O FORTALECIMENTO DA POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO POPULAR EM SAÚDE – PNEPS-SUS
Comunicação Oral
1 Ministério da Saúde
Contextualização
O Curso de Especialização em Educação Popular em Saúde foi idealizado na retomada da Pneps-SUS por meio da articulação entre a Coordenação-Geral de Educação Popular em Saúde (Cgeps) do Departamento de Gestão Interfederativa e Participativa(Dgip) da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde, instituições de ensino e movimentos sociais e populares. Esta política estava desativada em suas ações institucionais, entretanto, durante o período de 2017 a 2022, diversas organizações mantiveram ações em educação popular em saúde, retornando ao campo institucional a partir de 2023.
Descrição
O curso teve abrangência nacional nas 5 regiões distribuído em 6 polos regionais, sendo dois na região nordeste e um nas demais regiões. Realizado na modalidade presencial com 6 encontros presenciais bimensais de 20h/aula, 12 encontros virtuais síncronos e atividades nos territórios, totalizando 360h. Os conteúdos executados em trilhas confluentes foram organizados a partir dos eixos da Pneps-SUS: participação, gestão participativa e controle social; cuidado em saúde; intersetorialidade e diálogos multiculturais; formação, comunicação, produção de conhecimento e metodologias de pesquisa. A seleção contemplou as diversas origens dos educandos, com pontuação de cotas, apoio para o deslocamento e permanência dos educandos nos momentos presenciais. Cada turma contou com 40 vagas, sendo 20 da cidade sede e arredores e 20 de locais mais distantes (no mesmo estado ou em estados da região). Foi realizado em parceria entre Cgeps/Dgip/SE e Fiocruz Brasília.
Período de Realização
O curso foi idealizado em 2023, planejado de forma participativa em 2024 com a realização de oficinas de planejamento nos 6 polos e executado no período de 2025/2026.
Objetivo
Formar especialistas em Educação Popular em Saúde no Brasil, reafirmando o campo de práxis.
Resultados
Foram ofertadas 240 vagas com educandas/os de 24 estados e o DF (exceto Rondônia, Roraima e Acre que não tiveram candidatos) com 197 educandos concluindo a especialização. As produções dos trabalhos de conclusão revelaram uma diversidade de temas, de escritas, envolveram os territórios onde foram realizadas as atividades cartográficas, relatos e sistematização das experiências. A taxa de evasão foi de 18%, baixa considerando por vezes viagens distantes. Um curso de formação de facilitadores de aprendizagem e coordenações estaduais que desenvolveram o acompanhamento nos encontros presenciais e nas ações nos territórios em cirandas de aprendizagem, foi outro resultado do projeto.
Aprendizado e Análise Crítica
A riqueza da experiência está primeiro na diversidade do corpo discente e docente e territorial. Os participantes vieram de movimento sociais e populares do campo e da cidade, trabalhadores de saúde, da educação, da assistência, direitos humanos, entre outros. O planejamento do processo realizado a partir de oficinas na escuta das diferenças regionais, com atores diversos de cada território fortaleceu a proposta. A construção curricular se deu de forma coletiva a partir do planejamento participativo entre o grupo de apoiadores e dos coordenadores regionais. A formação dos educadores ao longo do curso e o debate do corpo docente na produção dos encontros, a diversidade dos docentes convidados nas aulas virtuais, todos esses elementos contribuíram para uma formação crítica, calcada na realidade local, com a produção de um conhecimento coletivo, de saberes compartilhados.
FORMAÇÃO DE EDUCADORES E EDUCADORAS POPULARES DE SAÚDE NOS TERRITÓRIOS DA AMAZÔNIA LEGAL E DO PANTANAL SUL-MATO-GROSSENSE
Comunicação Oral
1 EPSJV/FIOCRUZ
Contextualização
Em 2024, o projeto de ensino integrante do Programa de Formação de Educadores Populares em Saúde (AgPopSUS), desenvolvido pelo Ministério da Saúde, por meio do TED nº 111/2024, coordenado pela Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS/MS) em parceria com a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), formou 192 educadores e educadoras populares de saúde integrantes de movimentos sociais nos territórios da Amazônia Legal e do Pantanal Sul-Mato-Grossense.
Descrição
Cada movimento social aprovado ficou responsável pela indicação de uma dupla de educadores populares responsável pela condução das atividades formativas, sendo obrigatória a participação desses sujeitos no curso de formação realizado nas capitais dos estados envolvidos. A seleção dos educadores considerou critérios específicos, tais como: (1) disponibilidade para realização das turmas; (2) experiência comprovada em educação popular em saúde; (3) garantia de paridade de gênero e raça; (4) vinculação com populações do campo, da floresta e das águas, conforme diretrizes da Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, da Floresta e das Águas (PNSIPCFA); e (5) trajetória de participação em lutas sociais, conhecimento do território e compreensão do direito à saúde e do Sistema Único de Saúde (SUS).
Destaca-se que, desde a 1ª oficina político-pedagógica realizada em agosto de 2024 – que contou com a participação dos 53 movimentos sociais, além de trabalhadores da EPSJV e representantes da SAPS/MS –, evidenciou-se um forte engajamento e mobilização em torno do projeto. O AgPopSUS foi reconhecido como uma conquista histórica no âmbito do SUS e da Política Nacional de Educação Popular em Saúde (PNEPS-SUS), configurando-se como um verdadeiro “encontro das águas”: expressão da potência, diversidade e força dos territórios, evocando a imagem da pororoca como metáfora da confluência de saberes e práticas populares no cuidado em saúde.
Período de Realização
Foram realizadas oito turmas de formação ao longo de seis meses, entre o final de 2024 e o primeiro semestre de 2025, nos estados de Rondônia, Maranhão, Pará, Tocantins, Mato Grosso, Amapá, Amazonas e, novamente, Pará (com foco nos movimentos do Marajó). As turmas foram compostas por representantes de movimentos sociais aprovados na Chamada Pública nº 01/2024 da EPSJV/Fiocruz. Ao todo, 53 movimentos sociais foram selecionados, totalizando 181 turmas a serem desenvolvidas nos seus respectivos territórios.
Objetivo
A composição dos educadores/as/es do AgPopSUS nos territórios da Amazônia Legal e do Pantanal Sul-Mato-Grossense revela a expressiva diversidade e heterogeneidade de perfis sociodemográficos. Tal diversidade está diretamente relacionada à atuação junto a distintos segmentos de movimentos sociais, marcados por especificidades de luta e formas próprias de articulação territorial, esses movimentos abrangem tanto contextos urbanos quanto rurais, envolvendo populações quilombolas, povos originários, movimento negro, movimento de migrantes, movimento de mulheres, trabalhadores rurais – camponeses e agricultores familiares, pescadores, grupos vinculados à saúde, atingidos por barragens, estudantes, juventude popular e população LGBTQIAPN+, entre outros sujeitos coletivos que historicamente constroem práticas de cuidado em saúde e resistência nos seus respectivos territórios.
Para além da construção de indicadores sociodemográficos ou da produção de relatórios técnico-administrativos, buscou-se evidenciar dimensões mais amplas dessa experiência ao longo do processo formativo. Identificou-se que os educadores populares já desenvolviam práticas educativas em seus territórios muito antes da institucionalização do projeto, reafirmando o caráter histórico, político e enraizado da educação popular em saúde.
Resultados
Em relação ao perfil sociodemográfico dos educadores formados pelo projeto, a análise preliminar evidencia a centralidade de grupos historicamente silenciados e subalternizados, apontando para novos horizontes na construção do AgPopSUS. Observou-se que, quanto à raça/etnia, a maioria dos educadores se autodeclara preta e parda (41,8%), seguida por brancos (12,7%) e indígenas (3,8%). No que se refere à identidade de gênero, verificou-se predominância de mulheres (69,2%), seguidas por homens (29,1%), pessoas não binárias (0,8%) e pessoas transgênero (0,8%), evidenciando uma forte participação de mulheres e de pessoas com identidades dissidentes de gênero.
Aprendizado e Análise Crítica
Embora esses dados não permitam generalizações – em função do caráter não probabilístico e intencional do grupo – eles são relevantes para compreender o perfil dos sujeitos que protagonizam a educação popular em saúde nos territórios. Os achados reforçam a importância de reconhecer quem são os sujeitos que constroem, no cotidiano, as práticas populares de cuidado e o próprio SUS, evidenciando que a produção do cuidado e da vigilância popular em saúde está diretamente vinculada às suas trajetórias, pertencimentos e lutas sociais.
TECENDO CUIDADO E (DES)CONSTRUÇÕES DE MASCULINIDADES: EXPERIMENTAÇÕES DA EDUCAÇÃO POPULAR EM SAÚDE COM HOMENS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NA BAHIA
Comunicação Oral
1 UNEB
Contextualização
A experiência emerge no contexto das desigualdades históricas que atravessam gênero, classe e acesso ao cuidado no âmbito do Sistema Único de Saúde. No campo da Saúde Coletiva, reconhece-se que homens, especialmente aqueles inseridos em contextos de vulnerabilidade social, tendem a acessar menos os serviços de saúde e a produzir práticas de cuidado marcadas por padrões hegemônicos de masculinidade, que valorizam a invulnerabilidade, o silêncio emocional e a negação do adoecimento. Nesse cenário, a Educação Popular em Saúde se apresenta como um caminho ético-político potente, ao afirmar o diálogo, a problematização e a construção compartilhada do conhecimento como fundamentos para a transformação das práticas de cuidado e das relações sociais.
Descrição
A inserção da experiência teve início em 2023, junto a homens matriculados no programa de Educação de Jovens e Adultos de uma escola municipal localizada em um bairro periférico de Salvador, articulada ao Programa Saúde na Escola de uma Unidade de Saúde da Família do território. A aproximação com a escola e com a unidade de saúde se deu a partir de um componente curricular obrigatório, de caráter interprofissional, que envolve seis cursos da área da saúde de uma universidade pública de Salvador. Nesse contexto, estudantes desses cursos atuaram como monitores de ensino, compondo o processo formativo e extensionista. Foram realizados sete encontros por ano, organizados em rodas de cultura, com convite aberto a todos os homens vinculados à EJA. Metodologicamente, as ações foram orientadas pelos princípios da Educação Popular, com valorização dos saberes dos participantes e construção coletiva dos temas e debates. As rodas de cultura abordaram temas como machismo estrutural, infecções sexualmente transmissíveis, gênero e identidades de gênero, sexualidade, trabalho e saúde, riscos ocupacionais, projeções de vida, imunizações, ciclos fisiológicos de corpos vaginados e métodos contraceptivos, incluindo a discussão sobre possibilidades de métodos hormonais e não hormonais fálicos/masculinos. As atividades foram conduzidas de forma horizontalizada, com uso de dinâmicas participativas, narrativas de experiências e problematizações coletivas, favorecendo a construção de um espaço de escuta, acolhimento e reflexão crítica sobre as próprias trajetórias e práticas de cuidado.
Período de Realização
Maio de 2023 a dezembro de 2025
Objetivo
Descrever e problematizar as experimentações da Educação Popular em Saúde desenvolvidas com homens da Educação de Jovens e Adultos na Bahia, com foco nos processos de (des)construção das masculinidades e na produção de novos modos de cuidado de si, de relações coletivas e de existência, no âmbito da extensão universitária.
Resultados
Como resultados, observou-se a ampliação da capacidade reflexiva dos participantes acerca de suas vivências e a problematização de padrões normativos de masculinidade, com abertura para novas formas de expressão emocional e relacional. Houve relatos de maior reconhecimento do cuidado como dimensão legítima da vida dos homens, bem como maior aproximação com os serviços de saúde do território. No âmbito formativo, a experiência contribuiu para a qualificação de estudantes e docentes envolvidos, fortalecendo práticas interprofissionais e uma atuação comprometida com os princípios do SUS e da Educação Popular. A articulação entre universidade, escola e unidade de saúde evidenciou a potência da extensão universitária como espaço de produção de conhecimento situado e de intervenção social.
Aprendizado e Análise Crítica
Os aprendizados decorrentes da experiência reforçam a centralidade do diálogo, da escuta sensível e da construção de vínculos como dispositivos fundamentais para a produção de cuidado. Evidenciou-se que a abordagem das masculinidades demanda tempo, confiança e respeito às singularidades dos sujeitos, bem como abertura para tensionar normas sociais profundamente enraizadas. A presença contínua dos encontros ao longo dos anos possibilitou a construção de processos mais consistentes de reflexão e transformação.
A análise crítica do trabalho aponta sua potência em tensionar modelos hegemônicos de masculinidade e cuidado, promovendo deslocamentos nas formas de ser homem e de se relacionar com a saúde. Entretanto, também evidencia limites, como a dependência de iniciativas extensionistas para a sustentação das ações, a necessidade de maior institucionalização dessas práticas nas políticas públicas e o desafio de ampliação para outros territórios. Ainda assim, a experiência reafirma a Educação Popular em Saúde como estratégia fundamental para a construção de práticas emancipatórias, intersetoriais e comprometidas com a equidade e a produção da vida.
SÉRIE DE WEBINÁRIOS PARA O CONTROLE SOCIAL DO SUS-MG: UMA AGENDA DIALÓGICA, DEMOCRÁTICA E POPULAR DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE
Comunicação Oral
1 ESP-MG
Contextualização
A participação da comunidade é uma das diretrizes que compõem, fundamentalmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil. Sua previsão na Constituição Federal de 1988 é reforçada pela legislação infraconstitucional, com destaque para a Lei 8.142/1990, e se expressa, de forma geral, pelo controle social exercido via Conselhos de Saúde e pelas Conferências de Saúde. A Política Nacional de Educação Popular em Saúde no SUS (PNEPS-SUS), por sua vez, foi concebida com a finalidade de, entre outras questões, contribuir com o fortalecimento da participação popular, da gestão participativa e da democracia na saúde, por meio de uma série de estratégias, entre as quais se inclui a construção compartilhada de conhecimentos em saúde, envolvendo pessoas pertencentes a movimentos populares e usuários do SUS.
Descrição
A presente experiência sob relato busca compartilhar uma das ações pedagógicas construídas pela Escola de Saúde Pública de Minas Gerais (ESP-MG) para alcançar as pessoas conselheiras de saúde do estado, assim como a sociedade em geral, promovendo uma formação orientada à atuação dessas atrizes e atores nas dinâmicas interativas do controle social do SUS. Trata-se de uma série de webinários mensais com temáticas diversas, relevantes para a atuação cidadã no campo da saúde coletiva, com fundamento nos pressupostos da educação permanente em saúde (EPS) e da educação popular. Os temas são sugeridos pelo Conselho Estadual de Saúde de Minas Gerais (CES-MG) a partir das demandas percebidas nas mais diversas situações de contato com as pessoas conselheiras. Essa ação, ainda, faz parte de um conjunto maior de ações educacionais em parceria da ESP-MG com o CES-MG, reforçando o compromisso da Escola com o fortalecimento do controle social no SUS em Minas Gerais.
Período de Realização
A série de webinários teve início no final de 2024, sendo realizada até o presente momento (2026).
Objetivo
O objetivo principal da série de webinários é fortalecer o controle social do SUS-MG, a partir de uma estratégia de capacitação que possa contribuir com a emancipação das pessoas conselheiras e cidadãos interessados em geral. Como objetivos secundários, podem-se citar a promoção de espaços de diálogo e reflexão sobre temas da saúde e do controle social e o atendimento às necessidades de formação apontadas pelas próprias pessoas conselheiras.
Resultados
Foram realizados, até o momento, 11 webinários com temas como “educação popular em saúde”, “instrumentos de gestão do SUS”, “organização e funcionamento dos conselhos” e “conferências”. Eles contaram com 1.968 participantes em tempo real, de quase 300 municípios. A avaliação geral tem sido positiva (mais de 93% de satisfação). Além disso, os webinários são gravados e os vídeos disponibilizados na plataforma Youtube da ESP-MG, que conta com mais de 3000 visualizações das produções específicas dos webinários.
Aprendizado e Análise Crítica
A série de webinários tem se mostrado uma estratégia importante de alcance das pessoas conselheiras em Minas Gerais, considerando a realidade de um estado com desafios importantes para a capilarização das ações (mais de 20 milhões de pessoas dispersas em 853 municípios). Esse alcance tem particular relevância para o segmento de usuários, tendo em vista sua maior restrição de tempo para dedicar-se a participar de ações educacionais presenciais e de maior duração, uma vez que são geralmente pessoas com menor flexibilidade e impossibilidade de renúncia de compromissos laborais e familiares, diferente do que se observa nos segmentos das pessoas conselheiras da gestão e dos trabalhadores (que têm mais facilidade em serem liberadas dos compromissos profissionais para dedicar-se ao conselho ou a atividades formativas). Nesse sentido, os webinários têm funcionado como instrumento de mobilização de saberes e promoção de um espaço de construção compartilhada de conhecimentos, contribuindo com a atuação de pessoas conselheiras de saúde na sua atuação como agentes de controle social do SUS. Entendemos que esse movimento acontece de forma alinhada com os preceitos da PNEPS-SUS, que destaca a centralidade do fortalecimento da participação no SUS e o aprofundamento da democratização do próprio sistema de saúde.
Realização: