Programa - Comunicação Oral Curta - COC9.2 - Contextos da Educação popular em saúde: territórios , gênero e lutas
19 DE SETEMBRO | SÁBADO
08:30 - 10:00
08:30 - 10:00
A EDUCAÇÃO POPULAR EM SAÚDE COMO PRÁTICA TERRITORIAL NO ENFRENTAMENTO DA TUBERCULOSE
Comunicação Oral Curta
1 IESC/UFRJ
Contextualização
A tuberculose permanece como um importante problema de saúde pública no mundo e o Brasil é considerado pela OMS como um dos países prioritários para o enfrentamento da doença, especialmente em grandes centros urbanos como o estado do Rio de Janeiro, onde o contexto epidemiológico desfavorável se articula a profundas desigualdades sociais e territoriais. Para além dos investimentos e intervenções biomédicas e terapêuticas, cabe destacar as iniciativas visando melhorar as ações de educação em comunicação em saúde que considere os contextos de desigualdades sociais e a importância do protagonismo popular nesse processo. Nesse cenário, a informação em saúde não se restringe à transmissão de conteúdos, configurando-se como um campo de disputa de sentidos, no qual se produzem e reproduzem narrativas sobre a doença. A Educação Popular em Saúde, ao valorizar saberes territoriais e promover práticas dialógicas, apresenta-se como estratégia importante para a construção compartilhada de conhecimentos e para o enfrentamento do estigma. A articulação com a comunicação popular, por meio de atores inseridos nos territórios, possibilita a circulação de informações comprometidas com as realidades locais e com o enfrentamento das barreiras de acesso que a população enfrenta.
Descrição
A experiência descreve uma das 5 oficinas realizadas no município do Rio de Janeiro com midiativistas e influenciadores de territórios que apresentam alta incidência de tuberculose. O objetivo foi instrumentalizar os participantes a desenvolverem ações de comunicação popular em seus territórios. As oficinas fazem parte de uma parceria entre a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro e a ONG Criar Brasil – Centro de Imprensa, Assessoria e Rádio, que tem por finalidade construir uma rede de comunicação popular para irradiação de informações sobre a doença. Quinze pessoas participaram dessa oficina, que teve a duração de 2 horas e consistiu na problematização e discussão de temas disparadores como: “Você conhece alguém que teve tuberculose?”, “Como se pega?”, “Tem cura?”, “Quais os direitos de quem tem tuberculose?”, “Como prevenir?”.
Período de Realização
A oficina foi realizada no dia 01 de outubro de 2025.
Objetivo
Descrever e analisar o processo de formação de midiativistas e influenciadores digitais de territórios com alta incidência de tuberculose, a partir da educação popular em saúde.
Resultados
A oficina possibilitou identificar que os participantes possuíam conhecimentos prévios sobre a doença, além de referências a experiências próximas com a tuberculose.
A discussão coletiva evidenciou que o tema mobilizou experiências e percepções marcadas por elementos de estigmatização, associados tanto ao desconhecimento quanto a representações sociais da doença. Esses aspectos também emergiram ao longo da dinâmica “Pega ou Não Pega”, na qual situações cotidianas foram utilizadas para problematizar formas de transmissão. A atividade favoreceu a interação entre os participantes e permitiu problematizar algumas concepções, especialmente relacionadas ao contágio em contextos de convivência social.
Ao final da atividade, os participantes foram convidados a propor ideias iniciais para a produção de conteúdos voltados a seus públicos e territórios. As propostas apresentadas indicaram a valorização de linguagens acessíveis, o uso de referências locais e a preocupação em dialogar com públicos específicos, evidenciando a potencialidade de construção de estratégias de comunicação popular contextualizadas[N.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência evidencia a importância do uso de metodologias problematizadoras na condução de processos formativos em saúde, orientadas pela Educação Popular em Saúde. A utilização de dinâmicas participativas e de recursos lúdicos favoreceu o engajamento dos participantes e a construção coletiva do conhecimento. Observou-se, contudo, que a abordagem de múltiplos conteúdos relacionados à tuberculose, ainda que relevantes, pode gerar sobrecarga de informações, dificultando a apropriação dos temas. Nesse sentido, destaca-se a importância de se considerar o caráter processual da aprendizagem e talvez a necessidade de uma maior carga horária para tal.
No que se refere à análise crítica, a experiência suscita reflexões sobre o próprio objetivo de “irradiação de informações” como estratégia de enfrentamento da tuberculose. Considerando a complexidade dos temas que atravessam a doença, aponta-se a necessidade de repensar a fecundidade de abordagens centradas exclusivamente na transmissão de informações, valorizando processos mais contextualizados. Nesse sentido, o enfrentamento do estigma e a incorporação das especificidades territoriais emergem como estratégias para a construção de narrativas mais propositivas e problematizadoras. Ademais, as discussões evidenciaram que a compreensão da tuberculose pelos participantes está profundamente relacionada às dinâmicas territoriais e aos determinantes sociais do adoecimento.
ACUENDA! SAÚDE BUCAL, TERRITÓRIO E INTERCULTURALIDADE: UMA EXPERIÊNCIA DE CONSTRUÇÃO COMPARTILHADA DE UM PROJETO DE SAÚDE BUCAL PARA PESSOAS TRANS
Comunicação Oral Curta
1 UFC
2 FIOCRUZ CE
3 ATRAC
4 IBRAT
Contextualização
A população trans enfrenta múltiplas barreiras no acesso à saúde bucal, atravessado por violências, despreparo profissional e invisibilização de demandas específicas, o que se expressa em maiores índices de problemas bucais, evasão dos serviços e risco aumentado para cárie e doença periodontal. A importância do acesso e da garantia da saúde bucal no Brasil vem sendo construída há mais de 30 anos, desde a 1ª Conferência Nacional de Saúde Bucal. Entretanto, para a população trans, esse direito ainda permanece como um desafio.
Descrição
As experiências foram realizadas no município de Fortaleza-CE e construídas de forma territorializada e participativa, a partir da articulação com a Associação de Travestis e Mulheres Transexuais do Ceará (ATRAC) e com o Instituto Brasileiro de Transmasculinidades-Núcleo Ceará (IBRAT-CE), além de um cirurgião-dentista e um estudante de Odontologia. Houve mobilização comunitária para aquisição de 60 kits de higiene bucal, posteriormente distribuídos aos participantes das ações, e escolha conjunta dos cenários de prática: uma Unidade Básica de Saúde reconhecida pelo vínculo com a população LGBTQIA+ e que possibilita a realização de ações abertas a esse público, mesmo este não sendo do território adscrito da unidade, e um centro de referência para atendimento jurídico e social LGBTQIA+. As atividades foram direcionadas a pessoas trans, mobilizadas por meio de redes sociais e de suas redes de apoio. As ações incluíram rodas de conversa, círculos de cultura e atividades de educação em saúde bucal, fundamentadas na educação popular em saúde. O nome do projeto provém do dialeto pajubá e configura-se como acrônimo sugerido pelos próprios movimentos sociais.
Período de Realização
Janeiro de 2026, mês da visibilidade trans
Objetivo
Nesse contexto, e em consonância com a Política Nacional de Saúde Integral LGBT, que objetiva promover a saúde integral dessa população, e com a Política Nacional de Saúde Bucal, que reafirma o compromisso com a ampliação do acesso e a equidade no cuidado, especialmente para populações historicamente vulnerabilizadas, este estudo objetiva relatar e analisar criticamente as duas primeiras ações do Projeto ACUENDA! (Atividades de Cuidados Dentários em Ação).
Resultados
Observou-se adesão da população trans, participação ativa e produção de vínculos, evidenciando a potência de estratégias que deslocam o foco do procedimento técnico para a escuta qualificada e o reconhecimento das experiências dos sujeitos. A abertura de dois equipamentos públicos para a realização do projeto mostrou-se estratégica, tanto para sua viabilidade logística, por estarem localizados em pontos acessíveis da cidade, quanto para a afirmação do direito à saúde da população trans, fortalecida pela ocupação desses espaços institucionais. Como desdobramento, destaca-se o convite da escola de saúde pública do município para apresentação da experiência a profissionais e gestores, ampliando sua circulação e potencial formativo. Há previsão de continuidade e ampliação do projeto em parceria com coletivos trans, grupos de extensão universitária e órgãos públicos.
Aprendizado e Análise Crítica
Como aprendizados, destaca-se que a perspectiva freireana contribuiu para compreender o cuidado em saúde como prática relacional e emancipatória, na qual usuários deixam de ser objetos de intervenção para se constituírem como sujeitos do processo. Além disso, ao se construir em diálogo com movimentos sociais e saberes situados, o projeto aproxima-se de abordagens decoloniais ao reconhecer e legitimar conhecimentos historicamente subalternizados, problematizando a centralidade do modelo biomédico como referência única de produção de verdade no campo da saúde e evidenciando como determinadas formas de existência e cuidado são sistematicamente invisibilizadas ou deslegitimadas. Ao deslocar o lugar de enunciação do cuidado para os sujeitos e seus territórios, a experiência contribui para a construção de práticas mais plurais e sensíveis às diferenças, nas quais o conhecimento emerge do encontro e da escuta, e não apenas da prescrição técnica.
Esse movimento articula-se ao horizonte ético-político do Bem Viver, ao valorizar formas de cuidado baseadas na coletividade, na interdependência e na sustentabilidade das relações, rompendo com lógicas individualizantes, produtivistas e normativas que historicamente estruturam os serviços de saúde. Nesse sentido, o cuidado em saúde bucal deixa de ser compreendido apenas como intervenção clínica e passa a ser situado como prática relacional, atravessada por dimensões culturais, sociais e afetivas, reforçando a necessidade de reconfiguração dos modos de produzir cuidado na saúde.
Conclui-se que iniciativas como o Projeto ACUENDA! contribuem para tensionar modelos hegemônicos de atenção, reafirmando o SUS como espaço de produção de cuidado comprometido com a equidade, a diversidade e os territórios, ao mesmo tempo em que apontam para a necessidade de transformação das práticas profissionais e dos modos de produção do cuidado na saúde.
AÇÕES DO PET-SAÚDE EQUIDADE NO ENFRENTAMENTO DO ASSÉDIO MORAL E ESGOTAMENTO LABORAL DE PROFISSIONAIS DA SAÚDE DO MUNICÍPIO DE TERESÓPOLIS, RJ
Comunicação Oral Curta
1 Centro Universitário Serra dos Órgãos (Unifeso)
Contextualização
A equidade como um dos princípios do sistema de saúde brasileiro deve ser aplicável aos usuários desse sistema, mas também ao corpo profissional que o sustenta. Assim, apresenta-se o relato de experiência da promoção de ações de saúde mental e orientação jurídica aos trabalhadores da saúde do município de Teresópolis, RJ.
Descrição
A experiência descrita ocorre no âmbito da atenção básica à saúde, em duas unidades de saúde de Teresópolis, RJ, localizadas nos bairros da Beira Linha e Araras. Nesse contexto, profissionais de diferentes áreas da saúde frequentemente lidam com condições de trabalho caracterizadas por sobrecarga, pressões institucionais e conflitos no ambiente profissional, elementos que podem afetar diretamente sua saúde mental e qualidade de vida.
As ações do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde) Unifeso Equidade têm sido desenvolvidas com o propósito de ampliar a conscientização sobre os direitos desses trabalhadores, sobretudo no enfrentamento do assédio moral no ambiente laboral, além de incentivar práticas voltadas à prevenção do esgotamento profissional. A iniciativa busca integrar a educação em direitos com estratégias de promoção da saúde mental, contribuindo para a construção de ambientes de trabalho mais saudáveis e agradáveis.
Trata-se de uma experiência de caráter interdisciplinar e extensionista, que envolve a participação de estudantes, preceptores e docentes de uma instituição de ensino superior sediada em Teresópolis. Entre as ações realizadas, destacam-se a elaboração e distribuição de cartilhas informativas, a produção de um episódio de podcast sobre assédio moral, bem como a oferta de atividades como sessões de relaxamento corporal, ginástica laboral, palestras e rodas de conversa sobre saúde mental, sobre os direitos dos trabalhadores e o enfrentamento do assédio no ambiente de trabalho.
Período de Realização
Em curso desde abril de 2025.
Objetivo
Concentra-se em evidenciar as ações desenvolvidas pelo PET-Saúde Unifeso Equidade com vista à promoção da saúde mental de trabalhadores da área da saúde municipal e na difusão de informações acerca de seus direitos no ambiente de trabalho, especialmente no que se refere à prevenção e ao enfrentamento do assédio moral e esgotamento profissional.
Resultados
A intervenção realizada nas duas Unidades Básicas de Saúde (UBS) mostra que ações educativas e preventivas são essenciais para aumentar a compreensão dos trabalhadores do Sistema Único de Saúde. O projeto conseguiu esclarecer o que é o assédio moral e os impactos do esgotamento profissional (Burnout), ajudando a dar visibilidade a esses problemas no setor público. Considerando o público das duas UBS, tivemos até o presente um número de 32 profissionais participantes nas atividades propostas pelo programa.
Aprendizado e Análise Crítica
As ações aqui apresentadas não apenas reduzem riscos individuais, mas também contribuem para mudanças mais amplas na saúde pública. Ao promover um ambiente de respeito e o cumprimento das normas, a iniciativa pode servir de exemplo para a criação de novas políticas voltadas ao bem-estar dos trabalhadores, garantindo que o cuidado oferecido à população venha de um ambiente de trabalho mais humano e seguro.
As ações realizadas mostram que divulgar informações sobre direitos trabalhistas é fundamental para fortalecer e conscientizar os trabalhadores. Ao facilitar o acesso a esse conhecimento, essas iniciativas vão além de apenas informar, pois ajudam os profissionais a identificar situações de assédio moral mais precocemente e a buscar os meios institucionais de proteção.
Nessa perspectiva, a experiência destaca a importância de abordagens interdisciplinares na promoção da saúde no trabalho. A integração entre as áreas do Direito e da Saúde contribui para ampliar o entendimento sobre as relações de trabalho e enfrentar seus desafios. Essa articulação permite compreender melhor como surgem os problemas psicossociais e como o ambiente de trabalho afeta a saúde mental. Dessa forma, a adoção dessas práticas no dia a dia das instituições ajuda a combater culturas que toleram abusos e favorece a construção de ambientes de trabalho mais saudáveis e produtivos.
DIGNIDADE MENSTRUAL COMO DIREITO À SAÚDE: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE AÇÃO COMUNITÁRIA INTERDISCIPLINAR BASEADA EM EDUCAÇÃO POPULAR
Comunicação Oral Curta
1 UEA
2 CEUNI-FAMETRO
3 UFAM
4 UNINILTONLINS
Contextualização
A menstruação é um processo fisiológico inerente ao ciclo reprodutivo, contudo permanece permeada por tabus, estigmas e desigualdades estruturais que impactam diretamente a qualidade de vida, o bem-estar e o acesso a direitos básicos. Nesse cenário, a pobreza menstrual configura-se como um importante problema de saúde pública, especialmente em populações em situação de vulnerabilidade social, refletindo limitações no acesso a produtos de higiene, informações adequadas e condições dignas para o manejo menstrual. No Brasil, o Programa Dignidade Menstrual (Lei nº 14.214/2021) foi instituído com o propósito de ampliar a garantia de direitos relacionados à saúde menstrual.
Descrição
Trata-se de um relato de experiência de uma ação comunitária de caráter educativo, extensionista e interdisciplinar, vinculada ao Programa de Extensão em Saúde Digital da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), institucionalizado em 2022. O programa desenvolve, de forma contínua, diversas ações voltadas à promoção da saúde e à educação em saúde em diferentes territórios.
A atividade descrita foi realizada em parceria com o Programa Saúde na Escola (PSE), a partir da identificação de demandas locais relacionadas à saúde menstrual, com foco na promoção da dignidade menstrual e na redução de estigmas associados à menstruação.
As atividades foram estruturadas por meio de metodologias ativas, incluindo rodas de conversa, dinâmicas participativas, exposições dialogadas e espaços de escuta, promovendo a construção coletiva do conhecimento no contexto das ações extensionistas desenvolvidas pelo programa. A abordagem valoriza saberes populares e incentiva a participação ativa de todos os envolvidos, que puderam compartilhar vivências, dúvidas e percepções sobre o ciclo menstrual e o autocuidado.
Foram utilizados recursos educativos acessíveis, como materiais ilustrativos e linguagem adequada ao público, com ênfase na compreensão dos aspectos fisiológicos da menstruação e práticas de higiene. Como estratégia complementar de enfrentamento à pobreza menstrual, foram distribuídos kits de higiene contendo absorventes e itens essenciais.
A ação fundamentou-se nos princípios da educação popular em saúde, promovendo o protagonismo das participantes e favorecendo o desenvolvimento da autonomia. Além disso, possibilitou a identificação de barreiras sociais, culturais e econômicas relacionadas à vivência menstrual, contribuindo para uma abordagem mais integral e sensível às necessidades do território.
Período de Realização
A ação integra um conjunto de atividades desenvolvidas pelo Programa de Extensão em Saúde Digital da UFAM desde sua institucionalização em 2022, sendo realizada no ano de 2025 e com continuidade prevista por meio de novas edições.
Objetivo
Relatar uma ação educativa comunitária, vinculada a um programa institucional de extensão universitária, voltada à promoção da dignidade menstrual como direito fundamental à saúde e ao autocuidado, por meio do acesso a informações cientificamente embasadas, criação de espaços de diálogo, compartilhamento de experiências e fortalecimento da autonomia.
Resultados
Observou-se, durante a realização das atividades nas escolas, uma procura ativa das participantes por informações relacionadas à saúde menstrual, evidenciada pela participação nas rodas de conversa, pelo compartilhamento de dúvidas e pela busca espontânea por orientação. Esse movimento indica a existência de curiosidade e interesse sobre o tema, ao mesmo tempo em que revela a ausência ou insuficiência de espaços seguros e acessíveis para discussão da menstruação.
A ação fortaleceu o diálogo comunitário em um ambiente acolhedor, estimulou o protagonismo das participantes e evidenciou o potencial de estratégias educativas acessíveis e interdisciplinares para o enfrentamento de estigmas, promovendo um diálogo mais humanizado, crítico e alinhado às necessidades da população atendida.
Ademais, a experiência reforça o papel dos programas institucionais de extensão universitária como estratégias fundamentais para a promoção da equidade em saúde e para a aproximação entre universidade e comunidade.
Aprendizado e Análise Crítica
A ação educativa comunitária demonstrou ser uma estratégia eficaz e viável para ampliar o debate sobre dignidade menstrual, reduzir tabus e fortalecer o autocuidado e a autonomia, especialmente em contextos de vulnerabilidade social. Evidenciou-se, ainda, o potencial das ações baseadas na educação popular em saúde para uma abordagem integral do tema.
Destaca-se a importância da interdisciplinaridade e da participação comunitária na construção de intervenções mais resolutivas, contextualizadas e socialmente sensíveis. Como limitação, reconhece-se a necessidade de continuidade e ampliação dessas iniciativas para garantir impacto sustentável. Nesse sentido, recomenda-se a expansão de ações interdisciplinares com participação ativa da comunidade, bem como o fortalecimento de políticas públicas e iniciativas institucionais que consolidem a saúde menstrual como componente essencial do direito à saúde.
EDUCAÇÃO POPULAR COMO FERRAMENTA PARA A TROCA DE SABERES EM SAÚDE BUCAL EM UM MUNICÍPIO DO NORTE FLUMINENSE
Comunicação Oral Curta
1 UFRJ
2 SMS-CONCEIÇÃO DE MACABU – RJ
Apresentação/Introdução
A presente pesquisa utiliza a perspectiva teórico-metodológica da Educação Popular em Saúde como ferramenta para a troca de saberes em saúde bucal no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), na Estratégia Saúde da Família (ESF) de um município do Norte Fluminense. A justificativa para este estudo baseou-se no fato de a educação em saúde bucal no município ocorrer por meio de ações de ensino verticalizadas, centradas na figura do profissional, em que este é o detentor do saber, e não há espaço, ou tempo, para o diálogo com os saberes presentes na comunidade. Parte-se do pressuposto freiriano de que a educação se constitui por meio da relação dialógica entre conhecimentos científicos e saberes populares e do fortalecimento de laços comunitários para uma construção coletiva do cuidado em saúde bucal.
Objetivos
O objetivo do estudo foi identificar os saberes populares sobre cuidados bucais, construídos nas vivências em comunidade no referido município.
Metodologia
Para tanto, utilizou-se a metodologia de rodas de conversa, com roteiro semiestruturado, as quais foram audiogravadas, transcritas e analisadas. As rodas foram realizadas em 3 bairros em área rural do município, sendo desenvolvida 1 roda de conversa em cada bairro, ou seja, foram realizadas, no total, 3 rodas entre os meses de março e abril de 2025. Foram convidados para cada roda, 6 moradores, além de um(a) cirurgião(ã) - dentista e um(a) agente comunitário(a), totalizando 8 pessoas. Para a análise das transcrições dos materiais, utilizou-se a metodologia de Análise de Conteúdo de Bardin (1977).
Resultados e Discussão
Nesses encontros, emergiram práticas e saberes populares relacionados ao cuidado com a saúde bucal, especialmente, o uso de ervas medicinais e outros insumos naturais empregados pela comunidade no alívio de dores e inflamações, além de histórias e relatos, trazendo métodos de higiene da boca com conhecimentos transgeracionais. A apreciação dessas experiências revelou a potência da educação popular como instrumento de valorização dos saberes ancestrais, localizados e territorializados, ao mesmo tempo em que apontou caminhos para a integração entre o conhecimento científico e esses saberes, que são transmitidos majoritariamente pela oralidade e que contribuem para (re)pensar a educação em saúde no âmbito do SUS.
Conclusões/Considerações Finais
Concluiu-se que as rodas de conversa se configuraram como espaços privilegiados de escuta, aprendizagem e construção coletiva, nas quais a comunidade pôde interagir em uma dinâmica horizontal e dialógica com os profissionais, rompendo com a lógica da educação bancária de transmissão unilateral do conhecimento, além de contribuir para a valorização dos saberes populares em saúde bucal presentes no município, colaborando para o fortalecimento da saúde coletiva.
EDUCAÇÃO POPULAR EM SAÚDE NA INFÂNCIA: EXPERIÊNCIA INTERDISCIPLINAR E FORMATIVA SOBRE SEGURANÇA DOS ALIMENTOS EM CMEIS DO INTERIOR DE GOIÁS
Comunicação Oral Curta
1 Universidade Estadual de Goiás, Campus Oeste- Sede São Luís de Montes Belos, GO
2 Graduanda, bolsista de extensão, Universidade Estadual de Goiás, Campus Oeste- Sede São Luís de Montes Belos, GO
3 Graduanda, bolsista permanência na modalidade quilombola, Universidade Estadual de Goiás, Campus Oeste- Sede São Luís de Montes Belos, GO
4 Graduando, extensionista, Universidade Estadual de Goiás, Campus Oeste- Sede São Luís de Montes Belos, GO.
Contextualização
A Educação Popular em Saúde configura-se como um campo teórico-prático comprometido com a valorização dos saberes populares, a participação social e a construção compartilhada do conhecimento, especialmente em territórios marcados por desigualdades. No âmbito da saúde coletiva, a interiorização das práticas educativas torna-se fundamental para a promoção da equidade e ampliação do acesso ao conhecimento. Nesse contexto, este trabalho sistematiza uma experiência desenvolvida no município de São Luís de Montes Belos, no interior de Goiás, caracterizado como cidade de pequeno porte, com aproximadamente 35 mil habitantes, evidenciando a importância da atuação em territórios historicamente menos assistidos.
Descrição
A experiência foi realizada em instituições públicas de educação infantil (CMEIs), envolvendo crianças de 4 e 5 anos, a partir de práticas pedagógicas fundamentadas nos princípios da Educação Popular, como diálogo, escuta sensível e valorização dos saberes prévios. Destaca-se que a ação contou com a participação de um bolsista permanente quilombola, uma bolsista de extensão e um estudante de graduação em Medicina Veterinária, evidenciando o potencial da integração ensino-serviço-comunidade e a inserção de estudantes em processos educativos em saúde desde a formação inicial. As atividades foram desenvolvidas por meio de estratégias lúdicas e participativas, incluindo dinâmicas educativas, utilização de recursos visuais e práticas demonstrativas sobre higienização das mãos e dos alimentos, promovendo o protagonismo infantil e a construção coletiva do conhecimento.
Período de Realização
A experiência ocorreu no período de fevereiro a dezembro de 2025, em articulação com educadores/as, em uma abordagem interdisciplinar e territorializada.
Objetivo
Fomentar práticas de cuidado relacionadas à segurança dos alimentos, estimulando a autonomia das crianças e a incorporação de hábitos de higiene no cotidiano.
Resultados
Observou-se maior engajamento das crianças nas práticas de higiene, especialmente no hábito de lavar as mãos antes das refeições, além da ampliação da compreensão sobre cuidados com os alimentos. Evidenciou-se também o potencial multiplicador da ação, com a disseminação dos aprendizados no contexto familiar e comunitário. No âmbito formativo, a participação dos estudantes contribuiu para o desenvolvimento de competências relacionadas à educação em saúde, ao trabalho em equipe e à atuação em territórios diversos, com sensibilidade às questões sociais e culturais.
Aprendizado e Análise Crítica
Os aprendizados destacam a relevância de metodologias participativas, dialógicas e culturalmente situadas para a efetividade das ações educativas em saúde. A experiência reafirma a potência da Educação Popular como estratégia de formação crítica e emancipatória, tanto para as crianças quanto para os estudantes de graduação envolvidos. Do ponto de vista crítico, evidencia-se a importância da interiorização das ações de educação em saúde como estratégia de enfrentamento das iniquidades territoriais, bem como a necessidade de fortalecimento de políticas públicas que articulem saúde, educação e formação profissional. Destaca-se ainda o papel da inclusão de sujeitos historicamente marginalizados, como estudantes quilombolas, na produção de práticas mais equânimes e interculturais, em consonância com os princípios da Educação Popular em Saúde.
VACINAÇÃO CONTRA O HPV ENTRE ADOLESCENTES: DIÁLOGOS SOBRE CUIDADO, GÊNERO E PREVENÇÃO EM ESCOLAS PÚBLICAS NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO POPULAR EM SAÚDE
Comunicação Oral Curta
1 FCMSCSP
2 FESPSP
Apresentação/Introdução
A vacinação contra o HPV constitui uma estratégia fundamental de prevenção em saúde, especialmente entre adolescentes, incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2014 no Brasil, com foco inicial em meninas e posteriormente ampliada para meninos em 2017. No entanto, a hesitação vacinal em relação a essa vacina ainda é atravessada por desinformação, crenças morais e religiosas, medos e desigualdades de gênero. À luz da Educação Popular em Saúde, inspirada na perspectiva dialógica de Paulo Freire, compreende-se que o enfrentamento dessas barreiras exige processos educativos baseados no diálogo, na escuta e na problematização crítica da realidade. Nesse sentido, as escolas públicas configuram-se como territórios estratégicos para a construção de saberes e para o desenvolvimento de práticas educativas críticas e transformadoras.
Objetivos
Analisar as percepções juvenis sobre cuidado e prevenção, com ênfase nas relações de gênero implicadas na aceitação e hesitação vacinal.
Metodologia
Trata-se de relato de pesquisa qualitativa desenvolvido em quatro escolas públicas do município de São Paulo. Em 2025, foram realizados 16 Grupos Focais com estudantes do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental, organizados por faixa etária e gênero, totalizando cerca de 128 participantes. Os encontros ocorreram em espaços escolares, com duração média de 1h30, e abordaram temas como conhecimentos sobre HPV e infecções sexualmente transmissíveis, percepções sobre vacinas, influências familiares, fontes de informação em saúde e o papel da escola na educação afetiva-sexual. As discussões foram gravadas, transcritas e submetidas à análise de conteúdo, valorizando a expressão dos saberes e experiências dos adolescentes. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética da FCMSCSP (Parecer nº 6.894.052).
Resultados e Discussão
Os resultados evidenciam que os adolescentes possuem conhecimentos sobre vacinação, ainda que marcados por lacunas e informações imprecisas, frequentemente mediadas por redes sociais e pelo contexto familiar. A hesitação vacinal associa-se ao medo de efeitos adversos, à circulação de desinformação e à influência de responsáveis. Observam-se diferenças de gênero nas percepções de cuidado: meninas relatam maior responsabilização pela prevenção, incluindo o HPV, enquanto meninos expressam menor engajamento com práticas de cuidado, refletindo assimetrias e desigualdades na valorização do cuidado e da saúde. Os grupos focais configuraram-se como espaços potentes de diálogo, possibilitando a problematização crítica de informações e a construção coletiva de sentidos sobre saúde e prevenção. A experiência reafirma a escola (especialmente a escola pública) como território privilegiado para práticas de Educação Popular em Saúde, favorecendo a circulação de saberes e o fortalecimento da autonomia juvenil. A pesquisa também aponta para a importância das aulas e professores de ciências, bem como projetos integradores realizados pelas escolas, para garantir a reflexão crítica sobre saúde, doença e cuidado.
Conclusões/Considerações Finais
Estratégias baseadas no diálogo, na valorização dos saberes juvenis e na problematização das assimetrias e desigualdades de gênero mostram-se fundamentais para ampliar a adesão à vacinação contra o HPV no âmbito do SUS, especialmente entre os meninos. No campo da Saúde Coletiva, tais estratégias reforçam a importância de práticas orientadas pelos princípios da equidade e da universalidade, articuladas à Educação Popular em Saúde. Assim, a articulação entre escola, serviços de saúde, professores e comunidade mostra-se fundamental para promover práticas de cuidado mais equânimes, contextualizadas e culturalmente sensíveis nos territórios escolares e juvenis, especialmente em escolas públicas.
FORMAÇÃO PROFISSIONAL EM NUTRIÇÃO MEDIANTE A EDUCAÇÃO POPULAR EM SAÚDE ESTÍMULO AO PROTAGONISMO JUVENIL
Comunicação Oral Curta
1 UFT
2 ETSUS
Apresentação/Introdução
A educação popular em saúde promove metodologias e tecnologias que fortalecem o SUS estimulando a consciência, a participação democrática e emancipação que possibilita a redução das desigualdades. As juventudes emergem como sujeitos plurais ativos da transformação social. O movimento estudantil é a representação de classe, que possui o protagonismo juvenil gerador de mudanças e fortalecimento da formação profissional e do SUS. Porém, os centros acadêmicos (CA) vem apresentando dificuldades em sua atuação por falta de conhecimento ou inexperiência, e dificuldades de continuidade na gestão.
Objetivos
Investigar as percepções dos estudantes sobre saúde, formação do profissional, e o papel cidadão do movimento estudantil e no processo formativo do nutricionista; Identificar as práticas e estratégias formativas desenvolvidas pelo Centro Acadêmico de Nutrição (CANUT) com os discentes do Curso de Nutrição da UFT.
Metodologia
Este trabalho faz parte do Projeto de Pesquisa Institucional intitulado "Saúde coletiva, políticas e processos educativos: inovações na formação em saúde a partir de experiências da Especialização Nacional em Educação Popular em Saúde" (Parecer: 7.787.536), onde desenvolveu-se o Trabalho de Conclusão de Curso "Educação popular e Centro Acadêmico de Nutrição: emancipação do protagonismo juvenil". Realizou-se pesquisa qualitativa de pesquisa-ação. A população estudada foram discentes do Curso de Nutrição da UFT participantes do CANUT na Gestão 2025-2026. Esse relato de pesquisa faz parte da primeira etapa da pesquisa-ação de Planejar, onde há a avaliação da situação problema e elaboração de plano de ação. Foi realizada uma roda de conversa a fim de propiciar o diálogo e a construção de saberes, discutindo tema a partir do princípio ético e problematizador. As perguntas geradoras foram adaptadas do roteiro do Tempo Comunidade da Especialização. Ainda, foram identificadas demandas dos discentes e outras propostas foram realizadas pela pesquisadora, que propiciaram o planejamento inicial.
Resultados e Discussão
Participaram da roda de conversa 8 integrantes do CANUT, em 2 encontros realizados em agosto e setembro de 2025. Inicialmente buscou-se a compreensão do funcionamento do CA por meio de eleição da comissão gestora, por com quórum mínimo dos discentes que não tem obrigação de voto. A eleição desta gestão foi com chapa única após uma tentativa sem votos suficientes. A composição do CA ocorre com estudantes de todos os períodos e sem exigência de ações afirmativas, restringindo a coordenação para quem está nos 2 últimos períodos do curso. A vigência do mandato é de 1 ano, iniciando em janeiro, mês em que todos estão de férias e já começam as atividades com a recepção de calouros. O CA tenta orientar a nova gestão em dezembro e não ocorria apoio nas primeiras atividades. Refletiu-se sobre as dificuldades que a passagem de gestão gerava como não compreensão do funcionamento e atribuições do CA, das instâncias colegiadas de estudantes e da instituição de ensino superior (IES). O grupo compreendia as fragilidades existentes e resolveram buscar grupo de apoiadores que se engajassem melhor no CANUT. As atividades realizadas eram de assistência estudantil, semana do calouro e acompanhamento de demandas da IES quando solicitados. Assembleias não eram realizadas, somente atendimentos individuais e as reuniões do CANUT eram online. Os discentes não compreendiam a relevância das assembleias para o levantamento de demandas estudantis e apresentação do que está acontecendo na IES. A ocorrência de vacância de CA, DA e DCE foi relatada como frequente e sem mobilização. Percebeu-se a desarticulação do movimento estudantil, sem compreender que este surge da organização do ensino que atenda a demandas sociais e de saúde, necessitando de reflexão da práxis que permita a luta pelos interesses estudantis, pela construção de uma sociedade mais justa, humana e democrática. Relatou-se da necessidade de revisão do Regimento Interno; e de registrar a história do CANUT, uma vez que muitos documentos foram perdidos, e que alguns acontecimentos eram conhecidos por falas dos professores. Os estudantes demonstraram interesse em realizar o Encontro Nacional de Estudantes de Nutrição em 2026 na UFT, e neste momento souberam que este já havia acontecido na IES. Torna-se relevante conhecer a história para construção de uma sociedade e uma democracia participativa, do refazer a sociedade e a si mesmo, não permitindo somente ser representado. Ainda, havia a necessidade de ter uma sala do CA, que foi perdida no passado.
Conclusões/Considerações Finais
Verificou-se a relevância da dialogicidade para a superação de problemas. O resgate da história e da memória permite a organização dos estudantes no seu território. Realizou-se plano de ação para a continuidade do projeto de pesquisa-ação com a finalidade de emancipar o movimento estudantil, propiciar um coletivo comprometido com a sociedade e com ações que possibilitem mudanças no processo de ensino, na formação profissional e na atenção à sociedade.
INTERSETORIALIDADE E EDUCAÇÃO POPULAR: ACOLHIMENTO E SUPERAÇÃO DO ESTIGMA DA GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA NO CONTEXTO ESCOLAR
Comunicação Oral Curta
1 UEA
2 SEMECD
Contextualização
A gravidez na adolescência, sob a ótica da Saúde Coletiva, não deve ser lida apenas como um evento biológico isolado, mas como um fenômeno inserido em um complexo campo de vulnerabilidades e potências territoriais. No contexto do Amazonas, essas especificidades são acentuadas pelas distâncias geográficas e dinâmicas sociais próprias da região. A consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS), pautada na diretriz de integralidade, exige que a saúde não seja vista apenas dentro das unidades básicas, mas sim como um direito social que demanda a articulação intersetorial entre Educação e Saúde. O relato emerge de uma necessidade urgente em uma escola de Rio Preto da Eva,AM onde a gestão escolar identificou que o aumento de estudantes gestantes vinha acompanhado de um perigoso cenário de estigmatização, silenciamento e risco de evasão escolar, o que exigiu uma resposta institucional que fosse além do monitoramento de notas, focando no acolhimento psicossocial.
Descrição
A intervenção foi realizada por uma equipe multiprofissional da educação, composta por psicólogo e assistente social. A metodologia pautou-se na realização de rodas de conversa e atendimentos psicossociais, estruturando-se através do pensamento da complexidade de Edgar Morin. As atividades foram divididas em etapas, a primeira focada exclusivamente nas adolescentes, criando um espaço seguro de fala sobre o processo gestacional e fluxos da rede de saúde. A segunda etapa, foi estendida aos familiares e redes de apoio, visando transformar o estigma em um processo de apropriação de direitos e autocuidado, respeitando as particularidades socioculturais da região amazônica.
Período de Realização
A experiência foi desenvolvida durante os meses de agosto e setembro de 2024.
Objetivo
Relatar e refletir sobre a intervenção focada no acolhimento e na orientação de adolescentes gestantes e seus familiares, visando à desconstrução do estigma e ao fortalecimento do vínculo com a rede de proteção social e de saúde no território.
Resultados
A estratégia dialógica permitiu a identificação de demandas subjetivas que raramente emergem em consultas clínicas convencionais. A inclusão das famílias foi crucial para reduzir ruídos na comunicação doméstica e fortalecer a permanência das jovens na escola. Além disso, a mediação da psicologia e do serviço social facilitou o acesso precoce e humanizado aos serviços de pré-natal do município, garantindo o suporte necessário no território.
Aprendizado e Análise Crítica
A análise crítica fundamenta-se na Política Nacional de Educação Popular em Saúde (PNEPS-SUS), reafirmando que o território escolar é um espaço estratégico de democracia e promoção da saúde. O aprendizado central desta experiência demonstra que a intersetorialidade não é apenas um conceito teórico, mas uma ferramenta prática de gestão, quando Educação e Saúde dialogam, as políticas públicas tornam-se mais eficazes e humanas.
A intervenção provou que a escuta qualificada e a horizontalidade onde o saber popular amazônico das famílias é respeitado em pé de igualdade com o saber técnico-científico são chaves para a emancipação social. Conclui-se que a superação de estigmas sociais só é possível quando os profissionais de saúde e educação se dispõem a acolher as singularidades culturais do território, transformando o que seria uma "crise" em uma oportunidade de reafirmar a equidade e o compromisso com o bem-viver das populações locais.
O JARDIM COMO TERRITÓRIO DE SAÚDE E SABERES: AVALIAÇÃO PARTICIPATIVA EM HORTO DE PLANTAS MEDICINAIS
Comunicação Oral Curta
1 UnB
Contextualização
O projeto de extensão de um Horto de Plantas Medicinais no Parque Ecológico Olhos d'Água (DF) articula universidade e comunidade, norteado pela Educação Popular em Saúde (EPS), valorização de saberes tradicionais e equidade territorial. Compreendendo o território como espaço de produção de subjetividades, a EPS exige processos avaliativos que superem a mensuração quantitativa, alcançando a escuta sensível das experiências. A potência do horto como espaço de integração social e pertencimento demanda metodologias que devolvam aos participantes o protagonismo na análise e construção da própria jornada.
Descrição
Trata-se de um relato de experiência pautado em processos participativos de avaliação e planejamento (Freire), realizado com extensionistas e frequentadores do horto. A dinâmica utilizou a técnica do "Mural de Avaliação" com post-its coloridos, dividida em três eixos: "Oficinas de Formação", "Pesquisa" e "Atividade Semanal". Os participantes registraram suas considerações nas categorias "Que Bom" (fortalezas), "Que Pena" (fragilidades) e "Que Tal" (sugestões). A sistematização consistiu em categorizar esses registros escritos em eixos temáticos. Por se tratar de um relato decorrente de avaliação interna e pedagógica do projeto, com dados agregados e anônimos, a atividade dispensa registro no sistema CEP/CONEP, conforme a Resolução CNS nº 510/2016 (Art. 1º, inciso VIII).
Período de Realização
A oficina de avaliação participativa foi realizada no final do ciclo anual de atividades do projeto, em dezembro de 2025.
Objetivo
Sistematizar a experiência e as percepções comunitárias sobre um projeto de extensão em Educação Popular em Saúde, utilizando os resultados de uma dinâmica de avaliação participativa para guiar um planejamento equânime e sensível às demandas territoriais.
Resultados
Em "Que Bom", o eixo da "Atividade Semanal" destacou-se como um "território de cura e pertencimento". Expressões como "acolhimento", "comunhão" e "troca horizontal de saberes" evidenciaram o horto como uma Prática Integrativa e Complementar em Saúde (PICS) orgânica. Em "Que Pena", as tensões emergiram na "Logística e Comunicação": relataram-se dificuldades de transporte (desafios de equidade no acesso) e baixa adesão em horários comerciais, o que acaba excluindo os trabalhadores. Em "Que Tal", o planejamento apontou para a necessidade de consolidar o horto como um ponto de rede. Sugeriu-se diversificar horários (turnos flexíveis e fins de semana), aprimorar a comunicação inclusiva e intensificar os vínculos institucionais com as Unidades Básicas de Saúde (UBS) locais, fortalecendo a EPS na atenção primária.
Aprendizado e Análise Crítica
A dinâmica provou ser uma ferramenta de gestão sensível, ética e robusta para acessar o cuidado imaterial gerado na extensão. O principal aprendizado foi perceber que, muito além do compartilhamento conteudista para o uso racional das plantas medicinais, o horto atua como um dispositivo vital de saúde mental e coesão comunitária. A análise crítica dos resultados evidencia que iniciativas de saúde em espaços públicos precisam constantemente rever suas barreiras invisíveis: a falta de flexibilidade de horários e as falhas de comunicação reproduzem iniquidades, afastando a classe trabalhadora. Assim, o processo avaliativo permitiu transpor a lógica produtivista da academia para uma lógica de escuta ativa, garantindo que as próximas ações corrijam as falhas de acesso e materializem a Educação Popular em Saúde como uma política verdadeiramente viva, plural e integrada ao território.
Realização: