Programa - Comunicação Oral Curta - COC9.3 - Educação popular e suas multiterritorialidades: atuando nos desafios do cotidiano
18 DE SETEMBRO | SEXTA-FEIRA
08:30 - 10:00
08:30 - 10:00
AÇÃO INTERSETORIAL DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE ENTRE UNIVERSIDADE PÚBLICA, SAMU E SEGURANÇA PÚBLICA NA SIMULAÇÃO DE ACIDENTES DE TRÂNSITO
Comunicação Oral Curta
1 UFMG
Contextualização
Os acidentes de trânsito são importante causa de mortalidade por causas externas no Brasil, atingindo sobretudo jovens de 5 a 29 anos, majoritariamente do sexo masculino (Malta et al., 2022). Entre sobreviventes, destacam-se impactos relacionados aos anos vividos com incapacidade, evidenciando problemas social relevante e de alto impacto na saúde pública. Seu enfrentamento demanda ações de promoção, prevenção e vigilância em saúde (Malta; Da Silva; Barbosa, 2012). Nesse contexto, foi criado o Simulado de Acidente de Trânsito, evento extensionista anual do curso de Gestão de Serviços de Saúde da UFMG, vinculado às disciplinas Rede de Atenção às Urgências e Modelos de Atenção em Saúde. A iniciativa promove educação em saúde por meio da simulação do atendimento a vítimas, envolvendo diferentes atores. A cada edição, novos roteiros ampliam a compreensão dos fatores de risco. A ação possui caráter transdisciplinar, com participação de órgãos públicos como Corpo de Bombeiros, polícias, guardas municipais, agentes de trânsito, SAMU, hospital de referência, além de estudantes de Gestão e Enfermagem, que atuam na simulação da rede e do atendimento. Voltada a estudantes do ensino fundamental, cursos técnicos em enfermagem e comunidade, fortalece a integração entre teoria e prática e contribui para a promoção da saúde, em consonância com a Meta 3.6 dos ODS.
Descrição
Trata-se de ação extensionista baseada em metodologias ativas por simulação, realizada no Campus Saúde da UFMG durante a Semana Nacional de Trânsito. A atividade foi planejada, executada e avaliada com base em instrumentos de gestão participativa, como matriz FOFA e plano de ação estruturado (o quê, porquê, onde, quando, por quem e como), permitindo definir objetivos, responsabilidades, recursos e riscos. A iniciativa contou com parceria da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais, Corpo de Bombeiros Militar, SAMU, escolas, instituições técnicas, comunidade e cursos de Enfermagem e Gestão de Serviços de Saúde da UFMG, garantindo execução integrada. O tema segue diretrizes do Departamento Nacional de Trânsito. Estudantes de Gestão atuaram na coordenação da Rede de Atenção às Urgências, enquanto os de Enfermagem participaram pela Liga de Urgência. O planejamento envolveu organização da rede, definição de cenários, dimensionamento de equipes e articulação com escolas. No evento, realizaram-se etapas como acionamento dos serviços, sinalização da via, triagem, atendimento pré-hospitalar e remoção das vítimas. A participação da comunidade e estudantes teve caráter educativo, com foco na identificação de riscos, acionamento da rede e primeiros socorros.
Período de Realização
Ação desenvolvida anualmente desde 2017.
Objetivo
Descrever a ação intersetorial de educação em saúde entre universidade pública, SAMU e segurança pública na simulação de acidentes de trânsito.
Resultados
A simulação configurou-se como experiência formativa relevante, articulando mobilização acadêmica, intersetorial e comunitária. Integrada à disciplina Rede de Atenção às Urgências da UFMG, consolidou a indissociabilidade entre teoria e prática, constituindo-se como instrumento pedagógico no ensino em saúde. Nessa perspectiva, aproxima-se do pensamento de Paulo Freire ao promover aprendizagem contextualizada. Estudantes de Gestão assumiram protagonismo no planejamento e gestão da rede, enquanto discentes de Enfermagem atuaram no atendimento inicial e na simulação das vítimas, conferindo realismo ao cenário. Essa dinâmica favoreceu aprendizagem interprofissional, crítica e colaborativa. A participação da comunidade e de estudantes da educação básica ampliou o alcance educativo, promovendo construção compartilhada do conhecimento por meio da problematização de situações reais. Tal abordagem valoriza o diálogo, a troca de saberes e o desenvolvimento da consciência crítica. Reconhecida por sua relevância acadêmica e social, a iniciativa integra o calendário da Semana Nacional de Trânsito em Minas Gerais. Como prática extensionista contínua, reafirma o papel da universidade pública ao articular ensino e serviço na promoção da cidadania, da vida e dos direitos humanos.
Aprendizado e Análise Crítica
O Simulado de Acidente de Trânsito constitui estratégia relevante de educação em saúde ao integrar ensino, extensão e participação social. Por meio de abordagem prática e interativa, contribui para a conscientização da população e formação acadêmica dos estudantes. Ademais, a articulação entre universidade, órgãos públicos e comunidade evidencia o potencial das ações intersetoriais na promoção da segurança no trânsito, reforçando a importância de sua continuidade.
ARTE: POTENCIALIZADORA DA TRANSFORMAÇÃO DAS CONCEPÇÕES E PRÁTICAS NOS AMBIENTES DE PROMOÇÃO À SAÚDE
Comunicação Oral Curta
1 UFES
Contextualização
No âmbito da Vigilância em Saúde e das políticas de Equidade do SUS, a arte apresenta-se como dispositivo político-pedagógico capaz de romper com modelos tradicionais e normatizadores. Esta experiência ocorreu durante o Projeto PET-Saúde Equidade em Vitória/ES, vinculada ao Núcleo de Prevenção da Violência e Promoção da Saúde (NUPREVI), integrando saberes acadêmicos e populares para enfrentar vulnerabilidades no território.
Descrição
A experiência fundamenta-se na Educação Popular em Saúde. Foram realizadas por estudantes de graduação na área da saúde, educação, comunicação e ciências ciências humanas, sob supervisão de tutoras e preceptoras, ações educativas junto a trabalhadores da saúde, educação e assistência social, como também para jovens de comunidades.. Para as ações, foram produzidas e utilizadas linguagens artísticas como poesia, colagem, vídeo e documentário como mediadoras de círculos de cultura e formações. As ações pautaram temas complexos: saúde do trabalhador; prevenção e notificação de violências, com destaque para a violência sexual; saúde sexual e reprodutiva e prevenção de gravidez na adolescência; parentalidades; e masculinidades. A arte atuou como ferramenta de problematização, permitindo que temas áridos fossem discutidos a partir da sensibilidade e da realidade vivida pelos sujeitos.
Período de Realização
Maio de 2024 a Abril de 2026 (Ciclo PET-Saúde Equidade).
Objetivo
Relatar a potência dos elementos artísticos e da EPS na promoção do diálogo intersetorial e da equidade, visando a sensibilização de temas complexos e sensíveis sobre a saúde do trabalhador, combate às violências, em especial a sexual infantojuvenil, saúde sexual e reprodutiva e prevenção de gravidez na adolescência, parentalidades e masculinidades, sob uma perspectiva interseccional na saúde coletiva
Resultados
A adoção de uma comunicação alternativa e artística fomentou a construção compartilhada do conhecimento, resultando em uma educação em saúde mais democrática e acessível. Observou-se uma sensibilização profunda dos participantes, que passaram a questionar práticas cotidianas a partir das reflexões geradas pelos elementos visuais e audiovisuais reflexivos. O processo promoveu o fortalecimento do trabalho interprofissional e a ampliação da sensibilidade ética dos envolvidos, consolidando a arte como um elo eficaz entre o serviço de saúde e a subjetividade da comunidade. Ademais, promoveu aumento da capacidade criativa e melhora na comunicação entre os membros do grupo.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência evidencia que a arte, ao convergir com a EPS, tem a capacidade de "fissurar" saberes hegemônicos, deslocando o cuidado de um lugar puramente técnico para um campo de troca humana e cultural. O principal aprendizado é que a equidade no SUS não se faz apenas com normas, mas com a criação de espaços de fala onde o saber popular é validado. A análise crítica revela que linguagens sensíveis reduzem as assimetrias de poder e permitem que o território se reconheça como protagonista na produção de sua própria saúde, superando a fragmentação do cuidado.
AS CADEIAS DE IMPACTOS COMO CAMINHOS INTERCULTURAIS PARA A COMPREENSÃO DOS EFEITOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS NOS TERRITÓRIOS
Comunicação Oral Curta
1 UnB
2 IAM/Fiocruz
Apresentação/Introdução
As mudanças climáticas representam uma das maiores ameaças à saúde coletiva no século XXI, isso representa um desafio crescente e gera impactos desiguais, principalmente, entre populações que se encontram em condições de vulnerabilidade social, ambiental e institucional (COELHO, 2024). Esses efeitos se manifestam de forma mais evidente e concreta nos territórios, impactando modos de vida, saberes locais e práticas de cuidado, especialmente durante eventos extremos, como inundações e ondas de calor (BARBIERI, 2024; IPCC, 2022).
A Cadeia de Impacto (Impact Chain) tem sido utilizada como ferramenta analítica para compreender as relações existentes entre os riscos, perigos climáticos, exposições, vulnerabilidades e impactos em saúde (WATTS, 2023), bem como na análise da capacidade de resiliência dos serviços de saúde frente a esses eventos. Embora seja definida como uma ferramenta analítica que ajuda a entender melhor as causas e os efeitos que direcionam o risco climático em um dado contexto (TRIDELLO, 2023), sua aplicação tem sido majoritariamente técnico-institucional, com pouca incorporação das experiências, saberes populares e dinâmicas culturais dos territórios.
Diante dessa lacuna, a Educação Popular em Saúde, ancorada na perspectiva freireana, é entendida como uma abordagem teórico-metodológica que possibilita processos dialógicos, interculturais e participativos (SPOHR, 2021), integrando saberes científicos e tradicionais, fundamentais para a compreensão ampliada dos determinantes da saúde e para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
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Objetivos
O presente trabalho teve como objetivo discutir as contribuições da Educação Popular em Saúde para a ressignificação da Cadeia de Impacto como ferramenta participativa e territorializada na análise dos efeitos das mudanças climáticas, destacando seu potencial para a construção de processos interculturais e equânimes em saúde coletiva.
Metodologia
Foi realizado um estudo teórico-reflexivo, fundamentado em revisão narrativa (CUNHA & MENDES, 2021) da literatura sobre Cadeia de Impacto, vulnerabilidade climática e Educação Popular em Saúde, incluindo documentos institucionais, produções acadêmicas e experiências no campo da saúde coletiva. A análise foi orientada pela identificação de pontos de convergência entre essas abordagens, com ênfase nos conceitos de território, participação social, interculturalidade e produção compartilhada do conhecimento e nos conceitos que fundamentam a construção da Cadeia de Impacto enquanto metodologia: risco, exposição, perigo, vulnerabilidade e impacto (ZEBISCH, 2021). Foram consideradas, ainda, experiências descritas na literatura que articulam metodologias participativas à análise de riscos climáticos.
Resultados e Discussão
Os resultados evidenciam que a incorporação dos princípios da Educação Popular em Saúde amplia significativamente o potencial analítico e político da Cadeia de Impacto. Ao incluir os sujeitos dos territórios como protagonistas na construção das cadeias, é possível reconhecer saberes locais, práticas culturais e percepções comunitárias sobre riscos e vulnerabilidades, frequentemente invisibilizadas em abordagens tradicionais (ROVANI, 2025). Esse movimento favorece a identificação de fatores de exposição, sensibilidade e capacidade adaptativa a partir da realidade vivida, permitindo uma leitura mais situada e complexa dos impactos climáticos.
A interculturalidade assume um papel central nesse processo, na medida em que possibilita a construção de um diálogo efetivo entre os conhecimentos científicos e os saberes populares presentes nos territórios (WALSH, 2009). A partir dessa interação, as práticas de cuidado se tornam mais consistentes e contextualizadas, mais próximas, alcançáveis e compreensíveis, ao mesmo tempo em que se fortalecem estratégias de adaptação que são construídas de forma coletiva, levando em consideração as experiências, necessidades e realidades dos diferentes sujeitos envolvidos.
Além disso, a Cadeia de Impacto, quando apropriada como ferramenta pedagógica, contribui para processos de formação crítica de trabalhadores da saúde, usuários e gestores, fortalecendo a participação social, o controle democrático e a gestão compartilhada do SUS (IPCC, 2022; ZEBISCH, 2021).
Conclusões/Considerações Finais
a articulação entre Cadeia de Impacto e Educação Popular em Saúde constitui uma estratégia potente para a produção de análises mais integradas, participativas e comprometidas com os territórios. Ao deslocar a metodologia de um uso estritamente técnico para uma abordagem político-pedagógica, é possível ampliar sua capacidade de contribuir para a equidade em saúde e para o enfrentamento das mudanças climáticas a partir das realidades locais.
No entanto, é fundamental que se destaque a necessidade de desenvolvimento de experiências empíricas que operacionalizem essa integração, valorizando práticas interculturais e fortalecendo o protagonismo dos sujeitos na construção de respostas coletivas no âmbito da saúde pública.
CICLO DE FORMAÇÃO CRÍTICA: A LUTA PELO DIREITO À SAÚDE EM PERSPECTIVAS GLOBAIS E BRASILEIRAS
Comunicação Oral Curta
1 Escola de Saúde Pública - SES - RS e Movimento pela Saúde dos Povos - Brasil
2 Movimento pela Saúde dos Povos - Brasil
3 Universidade Federal do Rio de Janeiro e Movimento pela Saúde dos Povos - Brasil
Contextualização
O Movimento pela Saúde dos Povos (MSP) é uma aliança global de movimentos sociais pelo direito à saúde que existe desde 2001, com referências em mais de 60 países (Baum, et.al., 2020). Constitui-se no principal ator global, a nível de movimentos sociais organizados na luta pelo direito à saúde tendo seus princípios definidos na Carta dos Povos pela Saúde (MSP, 2000). No Brasil o MSP tem um círculo local e atua em parceria com Centro Brasileiro de Estudos em Saúde (CEBES). Existe uma tradição no movimento de formação ativistas pelo direito à saúde nos cinco continentes por meio da Universidade Internacional pela Saúde dos Povos. O Círculo brasileiro do MSP vem organizando anualmente um Ciclo de Formação Crítica, na perspectiva de fortalecer os debates e ferramentas de ativistas de diversos movimentos sociais e ampliar nossa interlocução com parceiros implicados na luta pelo direito à saúde a nível nacional. Em 2025 ocorreu a segunda edição do ciclo.
Descrição
A proposta do Ciclo de Formação Crítica parte das produções do movimento concentrando temáticas na perspectiva de fomentar trocas de saberes, experiências considerando a realidade local e as grandes pautas globais. O curso acontece na modalidade online utilizando plataforma de videoconferência e comunicações aos alunos por e-mail. O ciclo vem sendo realizado pelo Movimento pela Saúde dos Povos – Brasil em parceria com a Escola de Saúde Pública do Rio Grande do Sul. Foram utilizadas metodologias participativas e houveram sugestões de leitura prévias. Os próprios membros do MSP conduziram os encontros baseados em seus conhecimentos prévios. A partir dos principais eixos de trabalho do movimento, o Ciclo de Formação foi composto por 6 encontros tendo como temáticas de cada encontro, os seguintes temas: introdução ao MSP: história, princípios, estratégias e ações; Lutas pela consolidação dos sistemas públicos de saúde, contra a privatização e precarização; modelos de desenvolvimento, crise climática e saúde; soberania alimentar e nutricional; racismo e saúde: iniquidades históricas; lutas feministas pelo direito à saúde; Educação Popular em Saúde.
Período de Realização
Outubro a Dezembro de 2025
Objetivo
· Fortalecer a capacidade dos participantes de analisar criticamente o processo de determinação social da saúde;
· Propor alternativas emancipatórias e solidárias para a promoção da saúde;
· Apresentar a história, estratégias de ação, linhas políticas e produções do movimento pela saúde dos povos;
· Articular as lutas globais em saúde com a realidade brasileira, construindo pontes entre o global e o local;
Resultados
Os participantes puderam aprofundar o conhecimento sobre temas relevantes e emergentes para a saúde, tais como: economia política da saúde; sistemas de saúde universais; gênero, raça, sexualidade e saúde; crise ambiental e saúde; conflitos armados, migração e saúde pública; saberes populares e ancestrais no cuidado em saúde. Houve importantes depoimentos dos participantes envolvendo suas experiências pessoais e militantes e entrelaçando-as com os temas estudados. Além disso, foi possível estabelecer redes de articulação e cooperação entre os participantes e as organizações e movimentos sociais que atuam na área da saúde. O público foi formado majoritariamente por ativistas de movimentos sociais e trabalhadores do SUS, incluindo movimentos quilombolas, associações de moradores, participantes do controle social. Quinze pessoas frequentaram de maneira regular o Ciclo, enquanto outras quinze pessoas estiveram em pelo menos um encontro.
Aprendizado e Análise Crítica
Consideramos que processos de formação política são estratégias que devem ser acionadas de forma permanente na perspectiva de formular posições propositivas e estratégias de luta em rede entre os diversos movimentos sociais. Foi possível no trajeto do Ciclo de Formação Crítica pelo Direito à Saúde construir conexões entre as experiências internacionais de luta pela saúde e a realidade brasileira, fortalecendo a capacidade de análise crítica dos participantes. A partir desse processo também foi possível fortalecer nossa presença e interlocução enquanto MSP nos diferentes cenários do movimento sanitário brasileiro, permitindo uma maior aproximação dos espaços e atores estratégicos.
CURSO DE FORMAÇÃO DE AGENTES POPULARES PROMOTORES DE SEGURANÇA E SOBERANIA ALIMENTAR NO CONTEXTO DAS COZINHAS SOLIDÁRIAS
Comunicação Oral Curta
1 LAVSA/EPSJV/Fiocruz
2 Fórum de Cozinhas Solidárias
Contextualização
O curso de Formação de Agentes Populares Promotores de Segurança e Soberania Alimentar, desenvolvido pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio/Fiocruz em parceria com o Fórum Estadual de Cozinhas Solidárias do Rio de Janeiro, insere-se no contexto do enfrentamento estrutural da fome no Brasil, compreendida como expressão das desigualdades sociais, econômicas e territoriais. Reconhece-se as cozinhas solidárias como tecnologias sociais que articulam produção e distribuição de alimentos com mobilização comunitária, educação popular e defesa de direitos, constituindo espaços de cuidado, formação política e fortalecimento de vínculos sociais.
Descrição
A construção do plano de curso vem sendo realizada de forma participativa desde outubro de 2025, por meio de oficinas que reuniram equipe técnica, educadores e representantes das cozinhas solidárias. Esse processo coletivo teve como base a escuta dos territórios e a valorização dos saberes locais e experiências comunitárias. Destaca-se a realização da Oficina de Alinhamento Pedagógico e de Pesquisa, em fevereiro de 2026, no âmbito do projeto, que integrou a construção do curso e da pesquisa com inserção direta nos territórios. A atividade possibilitou o alinhamento conceitual e metodológico, subsidiando a definição da estrutura curricular, das estratégias pedagógicas e do eixo de pesquisa-ação.
Período de Realização
O processo de construção do plano de curso ocorreu entre outubro de 2025 e março de 2026, com destaque para a oficina de alinhamento realizada em fevereiro de 2026.
Objetivo
Sistematizar a experiência de construção participativa de um plano de curso voltado à formação de agentes populares de alimentação, destacando os processos pedagógicos, territoriais e coletivos que orientam sua elaboração.
Resultados
O processo resultou na elaboração de um plano de curso com carga horária de 188 horas, estruturado em módulos teóricos e práticos sobre soberania alimentar, cultura alimentar, agroecologia, economia solidária, saúde pública e gestão das cozinhas, além de um eixo transversal de pesquisa-ação com diagnóstico territorial e sistematização de experiências. A construção coletiva possibilitou incorporar as demandas dos territórios, fortalecer a integração entre formação e pesquisa e consolidar uma proposta pedagógica fundamentada na educação popular e na pedagogia do território.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência evidenciou a importância da construção participativa e do diálogo entre saberes técnicos e populares na elaboração de processos formativos. Destaca-se o papel das oficinas como espaços de escuta, troca e produção coletiva de conhecimento, bem como a centralidade da articulação entre formação, território e prática social. O processo fortaleceu o protagonismo dos sujeitos envolvidos e ampliou a compreensão sobre a formação como prática política.
A construção do plano de curso revela desafios relacionados à articulação entre diferentes tempos institucionais, saberes e dinâmicas territoriais. No entanto, evidencia a potência da educação popular, da pedagogia do território e da pesquisa participativa como estratégias de formação crítica e transformadora. O curso busca fortalecer lideranças populares, fomentar práticas emancipatórias e contribuir para a construção de alternativas aos modelos hegemônicos dos sistemas alimentares. Ao articular formação e prática, reafirma-se o papel das cozinhas solidárias como espaços estratégicos no enfrentamento das causas estruturais da fome, como desigualdade de renda, acesso à terra e impactos das mudanças climáticas.
DA LAMA AO CAOS: EDUCAÇÃO POPULAR EM SAÚDE E A CONSTRUÇÃO DO INÉDITO VIÁVEL DIANTE DAS INJUSTIÇAS CLIMÁTICAS NA PERIFERIA DO RECIFE
Comunicação Oral Curta
1 UFPB
2 Coletivo Praça do Cristo
Contextualização
A Educação Popular em Saúde (EPS), fundamentada na pedagogia crítica de Paulo Freire, configura-se como teoria-método orientadora de práticas emancipatórias no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), ao articular participação social, diálogo de saberes e fortalecimento da autonomia. No contexto contemporâneo, marcado pelo agravamento das mudanças climáticas e pela distribuição desigual de seus impactos, especialmente em territórios periféricos, o racismo ambiental se expressa na maior exposição de populações pretas, pardas e historicamente vulnerabilizadas a riscos e danos socioambientais. Nesse cenário, a EPS, no âmbito da Atenção Primária à Saúde, particularmente na Estratégia Saúde da Família, apresenta-se como estratégia potente para problematizar as iniquidades socioambientais e fomentar respostas coletivas orientadas pela justiça climática, entendida como a distribuição equânime de riscos e da proteção da vida, e pelo Bem Viver, como horizonte ético-político centrado na sustentabilidade da vida, na coletividade e na harmonia entre sociedade e natureza.
Descrição
Trata-se de um relato de experiência, de abordagem qualitativa, construído a partir da realização de seis círculos de cultura no contexto do tempo-comunidade da Especialização em Educação Popular em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz/Brasília), articulado ao percurso investigativo do Doutorado em Saúde da Família da Universidade Federal da Paraíba. A experiência foi desenvolvida em um bairro periférico da cidade de Recife/PE, numa parceria entre a Estratégia Saúde da Família do território e o Coletivo Praça do Cristo, criado em 2015 a partir da mobilização comunitária frente a uma obra pública no Canal Guarulhos que não solucionou as inundações e os alagamentos. Desde então, o coletivo tem contribuído como espaço de articulação política, cuidado coletivo e defesa de direitos. As atividades, envolvendo comunitários adultos e adolescentes, possibilitaram o mapeamento participativo das ameaças e potencialidades do território, das práticas populares de cuidado, das experiências de Bem Viver e da trajetória histórica de organização comunitária diante das recorrentes inundações e alagamentos associados ao transbordamento do Canal Guarulhos. Como estratégia metodológica, utilizou-se a cartografia social, integrando dimensões técnicas e simbólicas para leitura do território.
Período de Realização
A experiência foi desenvolvida entre julho de 2025 e fevereiro de 2026.
Objetivo
Sistematizar uma experiência de Educação Popular em Saúde em um território periférico de Recife/PE, analisando o cuidado, a participação popular e as vulnerabilizações associadas a inundações e alagamentos no contexto das injustiças climáticas e racismo ambiental.
Resultados
Os resultados evidenciam que as inundações e os alagamentos expressam processos históricos de desigualdade, relacionados ao racismo ambiental e à injustiça climática, incidindo de forma mais intensa sobre populações periféricas historicamente vulnerabilizadas, majoritariamente pretas e pardas, além de ampliarem riscos à saúde, como doenças associadas à água contaminada, agravos emocionais (sofrimento psíquico, ansiedade e estresse), situações de perigo, como afogamentos e choques elétricos, e a ocorrência de acidentes com animais, como escorpiões, ratos e cobras. Nesse contexto, observou-se o fortalecimento da participação popular e da organização comunitária, com destaque para práticas que articulam cuidado, solidariedade, mobilização social e incidência política. Destaca-se a emergência da Vigilância Popular em Saúde como prática territorializada, capaz de identificar riscos, produzir cuidado e tensionar omissões institucionais, ao mesmo tempo em que fortalece a consciência crítica e a organização comunitária.
Aprendizado e Análise Crítica
Evidencia-se que a construção coletiva do conhecimento, ancorada no diálogo de saberes, fortalece a consciência crítica, a identidade comunitária e a capacidade de enfrentamento das iniquidades. A valorização dos saberes populares e das experiências territoriais mostrou-se central para a produção de respostas contextualizadas e sustentáveis, reafirmando o território como espaço de produção da vida, cuidado e resistência. Destacam-se limites relacionados à atuação tardia ou insuficiente do Estado, à descontinuidade da participação social em massa e à presença de práticas políticas clientelistas, que fragilizam processos organizativos e produzem desmobilização. Tais elementos evidenciam a necessidade de fortalecimento de políticas públicas intersetoriais e de estratégias baseadas na Educação Popular em Saúde, capazes de ampliar a participação, a corresponsabilização e a incidência política nos territórios. Conclui-se que a EPS, ao articular teoria e prática na leitura crítica da realidade, contribui para a construção do inédito viável, configurando-se como caminho para o enfrentamento das injustiças climáticas e para o fortalecimento do SUS, a partir de práticas territoriais comprometidas com a equidade, a democracia e o direito à vida.
EDUCAÇÃO POPULAR EM SAÚDE: EXPERIÊNCIA NA FORMAÇÃO DE CONSELHEIROS(AS) PARA A DEMOCRATIZAÇÃO DA GESTÃO E DEFESA DOS DIREITOS EM SAÚDE NA REGIÃO DE FORTALEZA
Comunicação Oral Curta
1 SRFOR/SEADE/SESA
2 SRFOR/CESAU/SESA
3 SRFOR/SEAD/SESA
Contextualização
Este relato de experiência apresenta um processo de formação de conselheiros(as) de saúde desenvolvido no território da Região de Fortaleza orientado pelos princípios da Educação Popular em Saúde como teoria-método e como prática político-pedagógica. A iniciativa partiu da Assessoria Técnica do Controle Social da Superintendência de Fortaleza, juntamente com o Conselho Estadual de Saúde (CESAU) a partir da compreensão de que o controle social no Sistema Único de Saúde (SUS) demanda sujeitos críticos, implicados com suas realidades e capazes de intervir nos processos de gestão, planejamento e avaliação das políticas públicas na produção do cuidado e da atenção à saúde, no que se refere aos processos da saúde coletiva. Nesse sentido, a proposta formativa buscou fortalecer a capacidade de análise, incidência política e participação qualificada dos conselheiros(as) nos processos de gestão, planejamento e avaliação das políticas públicas de saúde. Ancorada na valorização dos saberes populares, das vivências e das práticas cotidianas, a formação promoveu espaços dialógicos e participativos, nos quais o território foi assumido como lócus privilegiado de produção de conhecimentos, relações e práticas em saúde. Essa abordagem possibilitou a problematização das realidades locais e o reconhecimento das múltiplas determinações que atravessam os processos de saúde e doença, especialmente no campo da saúde coletiva.
Descrição
A proposta formativa foi construída de modo participativo a partir de atividades organizadas em encontros formativos periódicos, rodas de conversa, oficinas temáticas e vivências territoriais, priorizando metodologias dialógicas, problematizadoras e baseadas na escuta das experiências dos sujeitos. Os conteúdos abordados incluíram fundamentos do SUS, legislação e atribuições dos conselhos de saúde, orçamento público, planejamento em saúde, além de temas emergentes identificados pelos próprios participantes, como acesso aos serviços, desigualdades e determinantes sociais da saúde. A partir da valorização dos saberes populares e da leitura crítica da realidade, buscou-se fortalecer a autonomia dos conselheiros (as), ampliando sua capacidade de análise, proposição e incidência política.
Período de Realização
A experiência começou em 2025 e segue até os dias de hoje com expectativa de continuidade.
Objetivo
O objetivo da experiência foi promover o engajamento ativo de Conselheiros(as) de Saúde — representantes dos trabalhadores da saúde, dos usuários e da gestão — a partir da compreensão do território como espaço dinâmico e vivo de produção de saberes, práticas e relações. Nesse contexto, o território não é visto apenas como uma delimitação geográfica, mas como um ambiente onde se constroem, de forma coletiva, saberes, práticas e relações sociais.
Resultados
Como resultados, observou-se: Conselheiros(as) mais preparados passam a atuar de forma crítica, propositiva e participativa nos espaços de decisão, contribuindo para uma gestão mais transparente e democrática; A formação amplia a capacidade de escuta, diálogo e articulação com as comunidades, garantindo que as demandas reais da população sejam representadas nos conselhos de saúde; Trabalhadores da saúde, usuários e gestores tendem a atuar de forma mais colaborativa, reduzindo conflitos e promovendo decisões mais equilibradas e coletivas; Os conselheiros passam a analisar melhor as especificidades locais, reconhecendo desigualdades, vulnerabilidades e potencialidades de cada território; Com maior conhecimento sobre legislação, políticas públicas e funcionamento do sistema de saúde, os conselheiros conseguem atuar com mais segurança na defesa dos direitos da população; A formação contribui para que os conselhos influenciem de maneira mais efetiva o planejamento, a execução e a avaliação das ações de saúde; Os participantes tendem a se reconhecer como sujeitos políticos ativos, capazes de intervir na realidade e promover transformações sociais; A atuação qualificada dos conselheiros favorece maior fiscalização, acompanhamento e avaliação das ações, contribuindo para serviços mais eficientes e alinhados às necessidades da população.
Aprendizado e Análise Crítica
Conclui-se que a Educação Popular em Saúde, ao ser incorporada como abordagem formativa, potencializa o Controle Social no SUS, não apenas como espaço institucional de participação, mas como prática viva de construção coletiva, defesa de direitos e transformação das realidades nos territórios. Esse tipo de formação fortalece a democracia participativa no Sistema de Saúde, ampliando a capacidade de transformação social a partir do território e das práticas coletivas. O fortalecimento do controle social no território, expresso na maior participação nas reuniões dos conselhos, na qualificação dos debates e na ampliação da capacidade de articulação entre comunidade, serviços e gestão destaca-se também o desenvolvimento de uma postura mais crítica e propositiva dos sujeitos envolvidos, contribuindo para processos de gestão mais democráticos e sensíveis às necessidades locais.
O EDPOPSUS COMO ESTRATÉGIA DE IMPLEMENTAÇÃO E FORTALECIMENTO DA POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO POPULAR EM SAÚDE NO ÂMBITO DO SUS
Comunicação Oral Curta
1 EPSJV/Fiocruz
2 CGEPS/DGIP/SE/MS
3 DGIP/SE/MS
Contextualização
O curso de Educação Popular em Saúde, EdPopSUS, é desde 2013 estratégia de implementação e fortalecimento da Política Nacional de Educação Popular em Saúde no âmbito do SUS (Pneps-SUS), voltada para a formação de Agentes comunitários de Saúde (ACS), Agentes de endemias (AE) e lideranças comunitárias que atuam nos territórios de atenção básica. Ao priorizar a formação dos agentes e lideranças, a Pneps-SUS aponta para a importância da mudança do modelo de atenção que é atravessado pela hegemonia da racionalidade biomédica. O EdPopSUS se coloca como resistência ao potencializar a construção do modelo de atenção com base nas relações comunitárias que valorizam os saberes populares, tradicionais e científicos, a ancestralidade, a multiculturalidade, a produção do vínculo e do cuidado integral, a participação política, democrática e dialógica, e outras formas de convivência nos territórios. O EdPopSUS está na sua terceira edição. As duas anteriores, realizadas de 2013 a 2024, formaram mais de 20.000 trabalhadores e lideranças comunitárias do SUS. Com a retomada da Pneps-SUS em 2023, o EdPopSUS passou por nova revisão, inaugurando a terceira edição que apresenta o currículo como uma travessia pelas trilhas da educação popular em saúde. Possui 184 horas distribuídas em 17 encontros presenciais e semanais de 8 horas, e em 6 cartografias dos territórios, de 8 horas cada. Os primeiros encontros firmam o Ponto de Partida com discussão sobre a proposta pedagógica, os princípios da educação popular, o pacto de convivências e o plano de travessia pelas trilhas da História e Memória, da Cultura, da Democracia, da Vigilância Popular em Saúde e da Atenção e Cuidado. Entre os encontros acontecem as cartografias dos elementos relativos aos temas das trilhas e, ao final, no Ponto de Chegada, é feita uma sistematização da experiência e organizada uma tenda de educação popular em saúde aberta à comunidade. O Projeto é coordenado pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fundação Oswaldo Cruz (EPSJV/Fiocruz) em parceria com a Coordenação-Geral de Educação Popular em Saúde do Departamento de Gestão Interfederativa e Participativa da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde (CGEPS/DGIP/SE/MS).
Descrição
O EdPopSUS tem sido implementado por dois caminhos. No primeiro, a oferta das turmas nos estados (ES, PA, PR e RN) é totalmente financiada pelo projeto e, no segundo, é estabelecida cooperação técnica entre a EPSJV e estados/municípios que já receberam o curso (MA, PE, Recife/PE e Apucarana/PR). O processo é conduzido por meio de reuniões e acordos que envolvem as coordenações de educação permanente, escolas do SUS, áreas técnicas de Atenção Básica e de Vigilância em Saúde das Secretarias Estaduais de Saúde, bem como representantes do Conselho de Secretários Municipais de Saúde, do Conselho Estadual de Saúde, das Superintendências do Ministério da Saúde dos Estados e da Articulação Nacional de Experiências e Práticas de Educação Popular em Saúde. As instâncias estaduais fazem a mediação com os gestores municipais, articulando o EdPopSUS nas Comissões de Integração Ensino-Serviço (Cies).
Período de Realização
Janeiro de 2024 até o momento atual.
Objetivo
Apresentar a implementação do EdPopSUS a partir de 2024 e apontar suas colaborações para o fortalecimento da Pneps-SUS no contexto da atenção básica à saúde, particularmente no que diz respeito ao trabalho dos agentes de saúde.
Resultados
O diálogo entre diferentes atores e instituições responsáveis pela gestão do SUS tem assegurado o desenvolvimento do curso de forma descentralizada, alcançando a formação dos agentes e lideranças comunitárias de diferentes municípios. Em 2025, foram formados 134 educadores populares e ofertadas 34 turmas em 6 estados (ES, MA, PA, PE, PR, RN), matriculados 1.058 e formados 732 educandos. Dos matriculados, estão ainda em formação 115 educandos em 6 turmas de Recife. Em 2026 iniciamos 4 turmas em Alagoas e 1 turma em Magé (RJ). Os caminhos de implementação do EdPopSUS ganham capilaridade, chegando aos territórios de atenção básica e modificando o trabalho dos agentes de saúde. Os relatos de educadores e educandos evidenciam o encantamento, a apropriação da educação popular e o olhar aguçado pela reflexão crítica sobre as memórias, culturas, lutas políticas, forças que ameaçam a vida e potências das práticas de atenção, vigilância e cuidado.
Aprendizado e Análise Crítica
O EdPopSUS é uma experiência bem sucedida da Política Nacional de Educação Popular em Saúde, em grande parte por ser feita a muitas mãos comprometidas com o SUS e também por ter um currículo coerente e consistente, com atividades pedagógicas e conteúdos que despertam a compreensão da determinação social do processo saúde-doença-cuidado. A aprendizagem mais importante se dá pela experiência de educação popular que tem o diálogo, a problematização, a participação democrática, a emancipação, a amorosidade e a construção compartilhada do conhecimento como princípios que devem fundamentar o trabalho dos agentes de saúde no contexto da atenção básica do SUS.
EXTENSÃO EM AÇÃO: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA SOBRE AS NOÇÕES BÁSICAS DE PRIMEIROS SOCORROS EM UMA ESCOLA DO INTERIOR DO AMAZONAS.
Comunicação Oral Curta
1 FAMETRO
2 UEA
Contextualização
Na perspectiva da Educação Popular (EP), compreende-se que o processo de ensino-aprendizagem se constrói a partir da troca de saberes, valorizando as vivências e realidades dos sujeitos envolvidos. A Educação Popular em Saúde (EPS), alinhada a esse conceito, propõe práticas educativas dialógicas e participativas, voltadas à promoção da saúde, prevenção de agravos e fortalecimento da autonomia dos indivíduos. Nesse contexto, o ambiente escolar configura-se como espaço estratégico para o desenvolvimento de ações educativas em saúde, especialmente na disseminação de conhecimentos em primeiros socorros. A promulgação da Lei nº 13.722/2018 reforça a obrigatoriedade da capacitação em noções básicas de primeiros socorros nas instituições de ensino.
Descrição
Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, referente a uma atividade extensionista desenvolvida em uma escola pública do município de Itacoatiara-AM. A ação foi realizada na Escola Estadual Professora Luiza de Vasconcelos Dias, envolvendo estudantes na faixa etária de 8 a 11 anos, além de professores e demais profissionais da instituição. A atividade integrou ações de educação em saúde com foco na capacitação em primeiros socorros, especialmente na Reanimação Cardiopulmonar (RCP), utilizando metodologias ativas e abordagem participativa.
Período de Realização
A atividade foi realizada no dia 13 de outubro de 2023, no turno escolar, sendo previamente articulada com a gestão da escola para organização do espaço, mobilização dos participantes e adequação das estratégias pedagógicas ao público-alvo.
Objetivo
A ação contou com a participação ativa de estudantes, professores e funcionários, com destaque para o elevado nível de engajamento das crianças. Inicialmente, foi realizada uma demonstração simplificada das técnicas de Suporte Básico de Vida, seguida de prática supervisionada, possibilitando que os participantes vivenciassem, de forma lúdica e interativa, as manobras de RCP. Observou-se que a utilização de linguagem acessível e estratégias pedagógicas adaptadas favoreceu a compreensão dos conteúdos, mesmo entre os participantes mais jovens. As crianças demonstraram entusiasmo durante toda a atividade, participando ativamente das simulações e interagindo com os facilitadores. Professores e funcionários ressaltaram a importância da temática e manifestaram interesse na continuidade de ações semelhantes.
Resultados
A experiência evidenciou a importância da adaptação das estratégias educativas ao perfil do público, utilizando recursos lúdicos e linguagem simples como facilitadores do processo de aprendizagem. Destaca-se, ainda, o papel da escola como espaço privilegiado para a promoção da saúde, possibilitando a disseminação de conhecimentos com impacto direto na vida cotidiana. Além disso, a atividade contribuiu para o fortalecimento do protagonismo dos participantes, estimulando responsabilidade e autonomia frente a situações de emergência. Para os extensionistas, a vivência proporcionou o desenvolvimento de habilidades comunicativas, sensibilidade social e capacidade de atuação em contextos reais.
Aprendizado e Análise Crítica
Apesar dos resultados positivos, destaca-se que ações pontuais apresentam limitações quanto à consolidação do conhecimento a longo prazo. Nesse sentido, torna-se fundamental a institucionalização de práticas educativas em primeiros socorros no ambiente escolar, com oferta contínua de capacitações e integração entre os setores de saúde e educação. Ademais, ao considerar as especificidades de contextos com acesso limitado aos serviços de saúde, como em regiões do interior do Amazonas, iniciativas como essa tornam-se ainda mais relevantes, contribuindo para a formação de indivíduos mais preparados e para o fortalecimento da segurança coletiva.
VER-SUS EM TERRITÓRIOS INDÍGENAS: DISPOSITIVO ESTRATÉGICO DE EDUCAÇÃO POPULAR PARA REORIENTAÇÃO DA FORMAÇÃO EM SAÚDE
Comunicação Oral Curta
1 UFBA
Contextualização
A formação em saúde no Brasil permanece ancorada em matrizes biomédicas, com limites na incorporação de abordagens interculturais e territorializadas, particularmente no campo da saúde indígena, cuja organização no Sistema Único de Saúde (SUS) explicita tensões entre modelos formativos e realidades dos territórios. Nesse cenário, a Educação Popular em Saúde emerge como referencial ético-político para a produção de práticas situadas e dialógicas. Em resposta a essas tensões, insere-se a sistematização de experiência desenvolvida no âmbito do Programa de Vivências e Estágios na Realidade do Sistema Único de Saúde (VER-SUS), em territórios indígenas, a partir de vivência formativa na Escola Indígena da Aldeia Mãe Tuxá, em Rodelas/BA.
Descrição
A experiência resulta de articulação interinstitucional entre universidade, gestão do SASI-SUS e instâncias de controle social indígena. Assim, envolveu a Universidade Federal da Bahia (UFBA), o Distrito Sanitário Especial Indígena da Bahia (DSEI-BA), o Conselho Distrital de Saúde Indígena (CONDISI) e a Escola Estadual de Saúde Pública da Bahia (ESPBA). O planejamento foi orientado pelas demandas do território e pelo protagonismo indígena.
Como eixo específico do projeto, destaca-se a experiência a ser desenvolvida no município de Rodelas, centrada na formação dos estudantes para o planejamento e implementação de ações de Educação em Saúde junto à comunidade indígena de etnia Tuxá, mais especificamente na Escola Indígena da Aldeia Mãe Tuxá. Esse processo está alicerçado nos referenciais da Educação Popular em Saúde e da interculturalidade, orientando a construção de metodologias participativas, dialógicas e territorializadas.
Um dos princípios é a construção coletiva das atividades educativas, considerando diferentes públicos da comunidade escolar e do território indígena. (estudantes, professores, gestores e lideranças comunitárias) para problematização de temas como direito à saúde, organização do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SASI-SUS), participação popular e controle social. O percurso formativo inclui momentos prévios de preparação teórico-metodológica, elaboração de estratégias pedagógicas em subgrupos e desenvolvimento das ações no território, articulados a espaços de reflexão crítica.
Período de Realização
O planejamento e a pactuação interinstitucional deste projeto no âmbito do VER-SUS, orientado à formação em territórios indígenas, ocorreram entre o segundo semestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026 e a implementação das atividades em maio de 2026, no município de Rodelas (BA), envolvendo estudantes de nível técnico, graduação e residência.
Objetivo
Analisar a construção de uma proposta formativa interprofissional e intercultural, ancorada no VER-SUS, como dispositivo estratégico com vistas ao desenvolvimento de competências em Educação Popular em Saúde e à formação de sujeitos comprometidos com o SUS, com a equidade e com o direito à saúde.
Resultados
Espera-se que o planejamento evidencie o VER-SUS como dispositivo articulador entre ensino, gestão, atenção e controle social, possibilitando a construção de itinerários formativos integrados e territorializados. No plano geral, projeta-se que a vivência favoreça a compreensão ampliada do SUS nos territórios indígenas e contribua para tensionar modelos formativos hegemônicos.
Em Rodelas, projeta-se o desenvolvimento de habilidades para atuação em Educação em Saúde pautada na Educação Popular, com ênfase na escuta, no diálogo intercultural e na construção compartilhada do conhecimento. A inserção na escola indígena tende a reforçar a centralidade do território e das referências culturais na produção do cuidado.
Antecipa-se, ainda, que a pactuação com o controle social e a comunidade escolar evidencie desafios na adequação das propostas pedagógicas aos tempos do território, exigindo flexibilidade no planejamento.
Aprendizado e Análise Crítica
Parte-se da hipótese de que o VER-SUS contribuirá para tensionar a formação em saúde, superando a fragmentação do conhecimento e a hegemonia biomédica. A experiência em Rodelas deverá evidenciar a interculturalidade como dimensão estruturante da formação, indicando limites de práticas educativas descoladas do território.
Assim, a Educação Popular em Saúde se coloca como fundamento ético-político, orientando práticas dialógicas e contextualizadas. Ao articular experiência, reflexão e participação social, projeta-se alinhamento ao Quadrilátero da Formação.
O VER-SUS em territórios indígenas apresenta potencial para reorientar a formação em saúde ao incorporar práticas territorializadas, interculturais e participativas. Destaca-se a escola indígena como espaço estratégico de produção do cuidado e do conhecimento.
Recomenda-se a continuidade e avaliação dessas iniciativas, com fortalecimento da integração ensino-serviço-comunidade e reconhecimento do protagonismo indígena. O VER-SUS configura-se, assim, como estratégia pedagógica e projeto político em defesa do SUS, da equidade e do direito à saúde dos povos indígenas.
Realização: