Programa - Comunicação Oral Curta - COC18.1 - Racionalidades médicas, praticas integrativas e complementares, interculturalidade e territórios
19 DE SETEMBRO | SÁBADO
08:30 - 10:00
08:30 - 10:00
AGROECOLOGIA E PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES EM SAÚDE NO SUS: EXTENSÃO E EDUCAÇÃO POPULAR PARA O FORTALECIMENTO DO PROGRAMA FARMÁCIA VIVA (BELO HORIZONTE/MG)
Comunicação Oral Curta
1 FIOCRUZ MINAS/CEFET-MG
2 UFMG
3 AMAU-Articulação Metropolitana de Agricultura Urbana, conselheira do COMUSAN
4 Secretaria Municipal de Saúde/Prefeitura de Belo Horizonte
5 CEFET-MG
6 AMAU-Articulação Metropolitana de Agricultura Urbana/ Feira Terra Viva
7 AMAU-Articulação Metropolitana de Agricultura Urbana/NEA-Mutiró
Contextualização
Abordamos o projeto de extensão realizado a partir de um convênio com a Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte (SMSA) para o fortalecimento e valorização das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), no âmbito do SUS, em articulação com o Programa Farmácia Viva, entre novembro de 2025 e julho de 2026. A Educação Popular em Saúde é compreendida como campo aglutinador para a interdisciplinaridade, por meio do diálogo entre diferentes saberes e da formação profissional em saúde, visando o fortalecimento da participação popular em uma práxis pedagógica emancipadora que tensione a hegemonia do paradigma biomédico.
O projeto se estrutura em três eixos: (A) desenvolvimento de um plano de ação para o cultivo das plantas medicinais no âmbito da Farmácia Viva de Belo Horizonte; (B) revitalização e estímulo ao cultivo de hortas agroecológicas em cinco Centros de Saúde (CS) e promoção de um ciclo formativo; promoção do conhecimento sobre plantas medicinais e Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs), incentivando sua identificação e uso adequado e seguro, a partir de um ciclo formativo.
O estabelecimento do convênio foi motivado pela experiência do Programa SoFiA de Extensão Popular e Divulgação Científica (ver: https://www.sofia.cefetmg.br/).
Descrição
No caso do Programa Farmácia Viva, há diversos marcos legais balizadores. Para o caso de Belo Horizonte, a referência é a Lei nº 11.806, de 7 de janeiro de 2025, que institui o Programa Farmácia Viva na Rede Municipal de Saúde.
Metodologicamente, no eixo I, buscou-se a construção colaborativa de um projeto de implementação de uma unidade produtiva-piloto. Foram identificadas todas as estruturas necessárias para o cultivo, como estufas, áreas de secagem e equipamentos de proteção, levantamento de recursos humanos.
Para os eixos II e III, o público-alvo foi composto, prioritariamente, por profissionais da área da saúde (trabalhadores de Unidades Básicas de Saúde) e nutricionistas da Prefeitura de Belo Horizonte e demais interessados.
Período de Realização
Novembro de 2025 e encerramento previsto para julho de 2026.
Objetivo
Fortalecer o Programa Farmácia Viva e expandir o conhecimento e a oferta das Práticas Integrativas e Complementares (PICS) no SUS em Belo Horizonte, além de ofertar formações, qualificando o atendimento e incentivando a Educação Popular em Saúde, por meio da Agroecologia.
Resultados
Documentação técnica: Elaboração do Plano de Cultivo, Manejo, Colheita e Preparo para a Secagem de Plantas para a Farmácia Viva/Belo Horizonte.
Formações para profissionais de saúde e usuários: dois ciclos formativos contendo três módulos, sendo dois deles teóricos e um prático (60 em cada).
Material de Educação Popular em Saúde: Elaboração de cartilhas, material de suporte técnico e produtos audiovisuais de popularização da ciência e da tecnologia, com foco na Agroecologia e no Cultivo de Plantas Medicinais.
Aprendizado e Análise Crítica
A gestão da saúde, a partir da SMSA/PBH, pôde dialogar com espaços acadêmicos preocupados com a extensão popular. O SoFiA e o CEFET-MG também trazem um conjunto articulado de parcerias com outras instituições, além de um Núcleo de Estudos em Agroecologia (NEA) chamado Mutiró. O CEFET-MG é reconhecido por projetos no campo do desenvolvimento tecnológico. Assim, o aprendizado se configura em um projeto que expõe outros manejos da técnica e da tecnologia, de como saberes ancestrais atuam na inovação social e de como tensionar visões triunfalistas da tecnologia pode ser um caminho importante para também questionar o paradigma biomédico em saúde.
Como CT&I podem dialogar com as PICS e a Agroecologia na confluência de saberes? Como a extensão popular coloca o CEFET-MG em diálogo com práticas de saúde popular, promoção da saúde e inovação social a partir do Programa Farmácia Viva? Tais problemas atuam como norteadores que instigaram a experiência em todos os seus momentos, tal como se vê nos relatórios e diagnósticos, demonstrando uma aliança complexa que precisou de outros atores, para além do CEFET-MG, para se materializar. O ponto de partida do processo pedagógico é o saber coletivo construído pelos territórios no/com o trabalho. Isso significa ter como base as experiências de vida, buscando romper com desigualdades de classe, raça e gênero. A Educação Popular em Saúde se estabelece pelo diálogo no qual as falas dos participantes possibilitam revelar experiências individuais e grupais, muitas vezes invisibilizadas, tal como é visto nos diagnósticos da experência.
AS PRÁTICAS CORPORAIS E AS PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES EM SAÚDE: POSSIBILIDADES DE CONTRADISPOSITIVOS À LÓGICA NEOLIBERAL
Comunicação Oral Curta
1 EACH/USP
Apresentação/Introdução
Pertencemos a certos dispositivos de poder e neles nos expressamos e agimos. Podemos contextualizar um dispositivo como uma configuração específica de domínios do saber e de modalidades de exercício do poder, a qual possui uma função estratégica, em relação a problemas considerados cruciais em um dado momento histórico como o sistema capitalista (FOUCAULT, 1995). Um dispositivo forma processos sempre em desequilíbrio com linhas de força e dimensões de poder. Os dispositivos são atravessados por linhas de resistências. As resistências, por sua vez, podem funcionar como contradispositivos na medida em que, por meio de um movimento comum, não cessam de inverter, recusar, reorganizar e perverter o seu funcionamento (ALVIM, 2018). A partir deste contexto, surgem os seguintes questionamentos: Podemos considerar a possibilidade de as práticas corporais e PICS serem configuradas como contradispositivos de poder? Como criar possibilidades de “fissuras” (“fraturas”) aos dispositivos de poder no campo dos cuidados com o corpo, especialmente em relação às práticas de atividades físicas e aos exercícios físicos a partir de reflexões sobre as práticas corporais e PICS no campo da saúde?
Objetivos
O objetivo desta pesquisa é, promover uma reflexão crítica sobre as práticas corporais e as PICS, discutindo-as como possibilidades de contradispositivo à lógica neoliberal de cuidados com o corpo.
Metodologia
Seguimos a perspectiva da pesquisa qualitativa crítica adotada por Norman Kent Denzin e Cecília Minayo. Denzin (2018), defende a construção de investigações qualitativas críticas, engajadas com o tempo em que vivemos com uma preocupação com o presente histórico permeado por questões sociais. Como recurso metodológico utilizamos primeiramente como base a análise de discurso, por meio da análise de documentos oficiais e artigos do campo da Saúde produzidos desde o período da admissão das práticas corporais e PICS nos documentos oficiais, especialmente a partir da primeira PNPS (Portaria nº 687/2006) e da portaria Portaria nº 971, de 3 de maio de 2006.
Resultados e Discussão
A lógica neoliberal na atualidade com vistas à reformulação do papel do Estado, afetam diretamente setores como o da Saúde. O contexto, faz com que as práticas e cuidados em saúde sejam considerados produtos e no caso dos exercícios e da atividade física, com posologia e indicações que extrapolam as possibilidades de fruição das atividades, considerando-se os determinantes sociais e ambientais que interferem diretamente na possibilidade de prática. Ainda assim, a maior parte das iniciativas coloca exercício e atividade física em relação causal com a possibilidade de conquista da saúde, ainda numa perspectiva reducionista, muitas vezes amparada numa racionalidade do mercado que passa a orientar à vida cotidiana e a saúde como uma responsabilidade individual. Há assim, um grande distanciamento dos princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS) e dos ideários da promoção da saúde e da saúde coletiva, que consideram os determinantes sociais, o conceito ampliado em saúde e o conhecimento das ciências sociais e humanas como fundamentais na compreensão do processo saúde/doença. Neste sentido, as políticas públicas envolvendo práticas corporais e PICS no campo da saúde se apresentam como relevante e indispensável, pois, para muitas pessoas, são a única forma de ter contato com movimento, sendo também uma oportunidade de pausa no cotidiano para o cuidar, interagir em comunidade e refletir sobre o corpo e saúde por meio de práticas sensíveis. Embora haja críticas no meio acadêmico em Educação Física, e justamente por isso, parece-nos importante discutir como as práticas corporais e as PICS, mais do que opções, convergem como possibilidade de serem contrárias aos dispositivos que reduzem a experiência do movimento apenas aos modelos prescritivos, constituindo-se, assim, num tipo de contradispositivo que, como afirmou Alvim (2018:85) "deixam o poder em defasagem, nem que seja apenas por um momento".
Conclusões/Considerações Finais
Podemos concluir até o momento presente desta pesquisa, que as práticas corporais e PICS configuram-se como possibilidades de contradispositivos a lógica neoliberal por se relacionarem ao modelo ampliado em saúde e com questões que envolvem a identidade, descoberta do prazer, a relação intrínseca com o autoconhecimento, com o sentido de pertencimento, com a associação com as pessoas em determinado grupo, a tomada de consciência e a educação popular em saúde indo contra a dispositivos de poder como a lógica neoliberal.
ASSISTÊNCIA À SAÚDE A POPULAÇÕES INDÍGENAS EM UM HOSPITAL DE FRONTEIRA - REFLEXÕES ENTRE O NORMAL E PATOLÓGICO
Comunicação Oral Curta
1 UEA
Contextualização
A prática clínica em contextos de fronteira implica ao profissional de saúde, de todas as áreas, uma mudança intensa em suas certezas. Atuar em um hospital de fronteira, no interior do Amazonas, na assistência à saúde de populações diversas, incluindo indígenas, mostrou-se não apenas um trabalho de execução técnica de funções, mas um campo fértil de tensões epistemológicas, éticas e culturais vivenciadas diariamente.
Descrição
Durante uma breve atuação profissional em um Hospital de fronteira três episódios observados de perto marcaram o atendimento à indígenas: (1) uma jovem acompanhada de tradutor, pois não falava português, solicitou a retirada do incisivo central por conta de pequena cárie - o odontólogo se recusou a realizar a extração, sendo executada a restauração dentária (procedimento mais conservador). (2) Uma mãe, que acompanhava seu filho internado no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do hospital, foi impedida de ingerir os piolhos da cabeça do filho. Houve intervenção com shampoos para tratamento e touca na cabeça da criança para impedir que a mãe continuasse ingerindo os piolhos. (3) Outra mãe no CTI, tentou sufocar seu filho recém-nascido, alegando que havia nascido defeituoso. A criança nasceu com uma alteração congênita e a mãe foi impedida de ficar sozinha durante as visitas. Estas situações provocaram reações de aversão e/ou intervenção imediata pela equipe biomédica, sem qualquer mediação cultural.
Período de Realização
A experiência aconteceu no período de 2022 a 2023, durante atuação profissional no hospital de Tabatinga, município do interior do estado do Amazonas, fronteira com a Colômbia e o Peru.
Objetivo
Refletir criticamente sobre os episódios de tensão intercultural vivenciados na assistência à saúde de indígenas, sob a ótica de Canguilhem (O normal e o Patológico) e Michel Foucault (O Nascimento da Clínica), problematizando as normas biomédicas como dispositivos de poder.
Resultados
Os episódios relatados deixaram claro que a norma biomédica atua como paradigma universal de julgamento a ser seguido, patologizando as práticas culturais indígenas. A recusa da extração dentária impôs a lógica ocidental sobre a corporalidade da paciente. A cárie que para ela se configurava como um defeito irreparável, foi redefinida pelo profissional como uma condição passível de tratamento, evidenciando a imposição de uma normatividade odontológica sobre a lógica de outros saberes. A proibição à mãe de catar e comer os piolhos do seu filho, prática que em sua cultura integra cuidado, higiene e fortalecimento de vínculo, sob o olhar clínico biomédico, representava um potencial foco infeccioso no CTI. A intervenção, embora pautada na segurança sanitária, reiterou a hegemonia desse olhar, silenciando o saber-cuidado indígena. Por fim, o episódio mais impactante foi o da mãe que tentou sufocar o filho, conforme sua crença a má formação congênita colocava o grupo em risco. Portanto, ele deveria ser eliminado. Ao intervirem preservando a vida da criança, houve a imposição da norma bioética e biomédica, confrontando sistemas distintos de regulação da vida.
Aprendizado e Análise Crítica
Canguilhem revela, que a normalidade é normativa - produzida cultural e historicamente. O que é patológico num sistema pode ser ordinário em outro. Foucalt demonstra, que a clínica moderna institui o corpo como objeto de saber-poder, e o Hospital como espaço de disciplinamento. O encontro com o saber indígena, expõe os limites epistemológicos da biomedicina e exige humildade epistêmica como condição ética fundamental para o cuidado integral, não somente com os povos originários, mas com todas as diversidades culturais. A interculturalidade em saúde demanda formação crítica dos profissionais e protocolos sensíveis à diversidade. Assim, este relato de experiência nos instiga a pensar em uma prática que reconheça a historicidade das normas médicas, critique o poder atrás do olhar crítico e busque pactuar formas de cuidado que respeitem ao mesmo tempo, a vida do paciente e a integridade de seus modos de existência.
PRODUÇÃO DE CUIDADO E REGIMES DE VERDADE NOS DISTÚRBIOS SOMÁTICOS FUNCIONAIS - UMA REFLEXÃO TEÓRICO-PRÁTICA A PARTIR DE UM GRUPO DE DOR CRÔNICA NA APS
Comunicação Oral Curta
1 UERJ
Contextualização
Agrupadas sob categorias como o Transtorno de Sintomas Somáticos - no DSM-5 - e os Transtornos de Sofrimento Corporal e Dor Crônica Primária - no CID-11, os Distúrbios Somáticos Funcionais (DSF) constituem um conjunto de condições caracterizadas por sintomas físicos persistentes e incapacitantes, não plenamente explicados por alterações estruturais identificáveis. Historicamente com maior incidência em mulheres e marcados pela heterogeneidade de sintomas, instabilidade diagnóstica, sobreposição de categorias e ausência de marcadores objetivos, esses quadros permanecem associados à invisibilização do sofrimento e à estigmatização dos sujeitos. Nesse cenário, os DSF configuram um terreno privilegiado para problematizar a produção de cuidado e os limites das categorias diagnósticas na nomeação do sofrimento a partir da experiência incorporada das pessoas.
Descrição
Trata-se de uma reflexão teórico-prática a partir das experiências produzidas no "Fala dor!", um grupo voltado para pessoas com dor crônica, composto majoritariamente por mulheres, em uma Unidade Básica do Rio de Janeiro.
Período de Realização
grupo ativo e acontece há um ano
Objetivo
Refletir sobre a produção de cuidado e os efeitos das categorias diagnósticas na produção de inteligibilidade do sofrimento nos DSF, tomando como ponto de partida as experiências do grupo e orientada pelos referenciais de Ian Hacking (looping effects of human kinds), Emerson Merhy (trabalho vivo em ato), Merleau-Ponty (corps propre) e Thomas Csordas (embodiment), articulando dimensões clínicas, sociais e fenomenológicas do adoecimento.
Resultados
A partir da análise de diálogos dos encontros é evidenciada a inseparabilidade entre corpo e vida social: como no caso de uma participante que - com uma fala marcada pela queixa de falta de rede de apoio - permaneceu acamada após voltar do mercado; ou na produção coletiva de significação a partir do compartilhamento de vivências marcadas pela violência de gênero; ou da posição reativa de uma participante ao ser definida como "fibromiálgica"; ou ainda, das modificações na percepção da dor a partir de um passeio na Ilha de Paquetá - organizado pelo grupo como comemoração de seu aniversário de um ano. Relatos de sobrecarga de cuidado, violência de gênero, estigma, isolamento social e percepções da relação entre afetos e intensidade da dor atravessam as cenas analisadas. O grupo configura-se como espaço de produção de cuidado no encontro, no qual tecnologias leves - escuta, vínculo e reconhecimento - operam deslocamentos na experiência da dor e na construção de redes concretas de apoio. Em diálogo com Merleau-Ponty, a dor pode ser compreendida como experiência incorporada, na qual biológico, psíquico e social se constituem conjuntamente no corpo vivido. A contribuição de Csordas reforça essa perspectiva ao situar o corpo como condição de possibilidade da experiência e da produção de sentido. Ao mesmo tempo, a partir de Ian Hacking, é possível pensar os DSF como categorias que não apenas descrevem, mas intervêm nas formas de viver e narrar o sofrimento: ao serem nomeadas, classificadas e manejadas, tais categorias produzem efeitos sobre os sujeitos, que passam a se reconhecer, negociar ou resistir a esses enquadramentos. As cenas do grupo evidenciam esse movimento, na medida em que as participantes reelaboram suas experiências para além das categorias diagnósticas disponíveis, produzindo outras formas de inteligibilidade do sofrimento.
Aprendizado e Análise Crítica
Os DSF emergem como um ponto de inflexão para o campo da saúde, ao tensionar simultaneamente os modos de produção de cuidado e os regimes de verdade que sustentam suas categorias diagnósticas. A análise sugere que o cuidado, ao se produzir no encontro e na experiência compartilhada, não apenas responde ao sofrimento, mas também participa da sua reconfiguração, abrindo espaço para outras formas de nomeação e compreensão. Em diálogo com Isabelle Stengers, esse movimento pode ser compreendido a partir de protagonistas “recalcitrantes” - sujeitos e experiências que exigem que aquilo que é importante para eles seja levado em conta na maneira como são classificados -, permitindo criar uma relação capaz de reivindicar um valor científico. A categoria “funcional”, nesse contexto, parece nomear menos uma ausência de explicação científica do que um desencontro entre formas de sofrimento e os modos escolhidos para conhecê-lo. Ao deslocar a dor das participantes de uma lógica biomédica ou até biopsicossocial - que limita os determinantes sociais ao contexto vivido - a análise aponta para a necessidade de abordagens integrativas das racionalidades científicas, incluindo dimensões simbólicas e corporais do adoecer. Conclui-se - longe de respostas - com perguntas: até que ponto as categorias médico-científicas disponíveis são capazes de explicar a complexidade da experiência corporal do adoecimento? E o que elas ainda nos impedem de ver, ouvir e reconhecer como sofrimento legítimo e corporificado?
RELAÇÃO ENTRE A PRÁTICA DE EXERCÍCIO FÍSICO E CONDIÇÕES E SINTOMAS ASSOCIADOS À ESCLEROSE MÚLTIPLA
Comunicação Oral Curta
1 UEPB
Apresentação/Introdução
A esclerose múltipla (EM) é conhecida como uma doença neurológica, crônica e autoimune, na qual as células que normalmente defendem nosso corpo decidem atacar o sistema nervoso central, mais especificamente a bainha de mielina. Essas implicações podem vir a causar disfunções neurológicas, cerebrais e medulares. Sua etiologia ainda não está clara e pode derivar de causas desconhecidas.
Objetivos
Investigar a literatura mais recente sobre a relação entre a prática de exercício físico e a EM, buscando entender como a literatura trata e tem discutido essa temática em um contexto geral e como é esse tratamento em desfechos clínicos específicos.
Metodologia
Estudo de abordagem quantitativa, com base na cienciometria, que se caracteriza como um estudo de cruzamento de documentos científicos. Em termos de buscas, o estudo visa realizar um levantamento bibliográfico de revisões científicas acerca da atividade física como uma terapia não farmacológica para a EM. Essa investigação foi realizada nas bases científicas COCHRANE e PubMed, O processamento dos dados foi realizado no software RStudio (pacote bibliometrix) e as visualizações de redes de coocorrência no VOSviewer.
Resultados e Discussão
Após a etapa de seleção dos artigos nas bases de dados, houve uma separação dos artigos por 2 temáticas. O grupo 1 agregou trabalhos sobre atividade física/exercício/ treinamento, os quais fizeram de fato a relação da atividade física e a EM, trazendo modalidades como atividades aquáticas, esportes, eletrônicos, jogos, treinamento de força, de alta intensidade, intervalado, resistido e aeróbico, porém não evidenciando uma prática em específico. O grupo 2 fala da prática para melhoria de um sintoma específico como a depressão, ansiedade, fadiga, cognição, equilíbrio e entre outros. Aprofundando no grupo 1, nota-se com frequência as palavras “efeitos”, “beneficios”, “resultados”, “impactos” e a investigação da eficácia, o que indica que esses estudos buscaram entender como a prática de atividade física, exercício físico ou treinamento e demais métodos contribuem para uma melhor condição de vida dos acometidos com a EM. Essa recorrência de termos ressalta uma concordância crescente na literatura quanto à eficácia do exercício físico para melhoria da percepção do bem-estar, funcionalidade e autonomia dos pacientes (Motl; Pilutti, 2012; Sander; Koller; Kruger, 2021). Paralelo ao outro, o grupo 2 traz pesquisas que relacionam o exercício ou atividade física a um desfecho clínico específico como fadiga, cognição, equilíbrio, qualidade de vida e depressão. Artigos que falam especificamente, de forma aproximada, sobre a fadiga são 23, já sobre cognição 22, depressão 10, qualidade de vida 14, mobilidade, equilíbrio e flexibilidade somam juntamente 24. Vale salientar que há artigos que relacionam um ou mais grupos, estudando o efeito da atividade física para fadiga e cognição juntamente por exemplo. Mesmo esses desfechos aparecendo de uma forma mais isolada em partes dos estudos, sua repetição fortalece o caráter multifatorial da EM e como o exercício é importante para cada um desses fatores. Ressalta-se a necessidade de ampliação de estudos em diferentes contextos geográficos, especialmente em países de média e baixa renda, a fim de reduzir as disparidades na produção científica e ampliar a compreensão dos efeitos do exercício físico em diferentes populações. Faz-se necessário ainda, que hajam discussões e estudos referentes a esse tema na saúde pública brasileira, pois embora o Brasil tenha o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da EM e nele se ressalte a importância da prática atividade física, o Brasil apresenta apenas 9 estudos publicados neste intervalo de tempo.
Conclusões/Considerações Finais
Por fim, foi notório a crescente produção científica no que compete a relação do exercício físico e a EM. Alguns destaques são os pesquisadores Motl, Dalgas, Pilutti e Sandroff, cujas contribuições científicas têm sido de grande valia para a temática. Concluindo então que, o exercício físico se consolida como uma estratégia não farmacológica promissora no cuidado e na reabilitação de pessoas com EM.
SABERES INDÍGENAS E INTERCULTURALIDADE NO SUS: REFLEXÕES A PARTIR DE UMA EXPERIÊNCIA DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE
Comunicação Oral Curta
1 UFAM
Contextualização
A construção de um Sistema Único de Saúde (SUS) equitativo requer o reconhecimento da diversidade sociocultural e epistemológica presente nos territórios brasileiros. No caso dos povos indígenas, isso implica compreender que seus sistemas tradicionais de cuidado constituem formas legítimas de produção de saúde, historicamente marginalizadas pela racionalidade biomédica hegemônica. A Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas reconhece a coexistência entre sistemas tradicionais e biomédicos, destacando a necessidade de diálogo intercultural no cuidado em saúde (BRASIL, 2002). Entretanto, evidências apontam que a formação em saúde permanece predominantemente orientada por uma perspectiva biomédica, o que dificulta a integração de saberes tradicionais e limita a promoção da equidade étnico-racial no SUS (SILVA et al., 2023). Nesse contexto, a educação permanente em saúde constitui estratégia relevante para problematizar práticas formativas e ampliar a compreensão sobre diferentes racionalidades médicas presentes nos territórios (ARIEL et al., 2016).
Descrição
Trata-se de um relato de experiência qualitativo e descritivo desenvolvido no âmbito da disciplina Saúde Coletiva III do curso de Medicina da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). A atividade consistiu na realização de uma roda de conversa entre estudantes, estruturada a partir da leitura prévia do documento “Medicina Indígena: Documento-síntese da 6ª Conferência Nacional de Saúde Indígena” (SESAI, 2023). O debate foi orientado por perguntas norteadoras que abordaram: a regulamentação da medicina indígena no SUS; os desafios para a articulação entre práticas biomédicas e saberes tradicionais; a dimensão intercultural do cuidado; as condições institucionais necessárias para integrar práticas indígenas nos serviços de saúde; e os limites da assistência farmacêutica frente aos conhecimentos tradicionais. A proposta pedagógica buscou estimular o diálogo crítico entre os estudantes, promovendo a problematização das bases epistemológicas da formação em saúde e incentivando reflexões sobre a diversidade de práticas de cuidado presentes nos territórios amazônicos.
Período de Realização
A experiência foi desenvolvida durante o primeiro semestre do ano de 2025, no contexto das atividades da disciplina Saúde Coletiva III do curso de Medicina da Universidade Federal do Amazonas.
Objetivo
Relatar e analisar criticamente uma experiência educativa voltada à reflexão sobre saberes indígenas e equidade étnico-racial no SUS no contexto da formação médica.
Resultados
A experiência evidenciou que a formação em saúde ainda se organiza majoritariamente a partir de uma racionalidade biomédica dominante, o que tende a invisibilizar outras formas de produção do cuidado presentes nos territórios. Durante a roda de conversa, os estudantes reconheceram que os saberes indígenas frequentemente são tratados como práticas periféricas ou complementares, apesar de constituírem sistemas complexos de conhecimento e cuidado historicamente consolidados.
Também foram discutidos os desafios institucionais para a integração desses saberes no SUS, especialmente a ausência de normatização clara para práticas tradicionais, situação apontada no documento da 6ª Conferência Nacional de Saúde Indígena (SESAI, 2023).
Aprendizado e Análise Crítica
Entre os principais aprendizados relatados pelos estudantes destacaram-se: a necessidade de ampliar o debate sobre saberes tradicionais nos currículos da saúde; o reconhecimento dos povos indígenas como protagonistas na produção do cuidado; e a importância de metodologias pedagógicas participativas para estimular reflexões críticas sobre diversidade cultural, interculturalidade e determinantes sociais da saúde.
A experiência permitiu problematizar a predominância de uma racionalidade biomédica na formação em saúde, frequentemente incapaz de reconhecer outras epistemologias do cuidado. Tal cenário pode ser compreendido à luz do conceito de injustiça epistemológica, que descreve a desvalorização de conhecimentos produzidos por grupos historicamente marginalizados (SANTOS, 2019). A invisibilização dos saberes indígenas nos processos formativos reproduz desigualdades estruturais e limita o desenvolvimento de práticas culturalmente sensíveis no SUS.
Nesse sentido, a interculturalidade em saúde emerge como estratégia fundamental para promover o diálogo entre diferentes racionalidades médicas e ampliar as possibilidades de cuidado nos territórios (BATISTA et al., 2022). A atividade demonstrou que espaços pedagógicos baseados na reflexão crítica e na problematização coletiva podem contribuir para a formação de profissionais mais sensíveis às diversidades culturais e às desigualdades étnico-raciais presentes no sistema de saúde brasileiro.
MUSICOTERAPIA COMO DISPOSITIVO DE CUIDADO: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE UM PROJETO PILOTO A PESSOAS EM USO PREJUDICIAL DE ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS
Comunicação Oral Curta
1 UNIRIO e PPGSC/UFES
2 PPGSC/UFES
3 UFES
4 PICsUFES
Contextualização
Este relato de experiência trata da realização do projeto piloto desenvolvido para a coleta de dados da tese desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, da Universidade Federal do Espírito Santo (PPGSC/UFES), e foi constituído em oficinas de Musicoterapia, realizadas em um Centro de Acolhimento e Atenção Integral sobre Drogas (CAAD), vinculado à Secretaria de Estado do Governo / Subsecretaria de Estado de Políticas sobre Drogas, localizada em Vitória, Espírito Santo (ES). O projeto piloto ocorreu entre os meses de janeiro e fevereiro de 2026 e teve as sessões de musicoterapia conduzidas semanalmente pela doutoranda/pesquisadora que tem formações em psicologia, música e musicoterapia. Os participantes foram pessoas assistidas no CAAD, que se enquadram nos critérios de inclusão da pesquisa: estar vinculado ao CAAD, ter 18 anos completos de idade, participar do atendimento ambulatorial, ter condições de participar dos grupos coletivos que ocorrerão as oficinas de musicoterapia e demonstrar possibilidade de convívio e permanência em grupo. Entende-se que a musicoterapia se constitui no cuidado em saúde aplicado como prática terapêutica, visando a promoção de bem-estar, potencialização e/ou reabilitação psicológica, emocional, cognitiva, física e social por meio da música e, que esta consiste no uso intencional, planejado e sistematizado dos sons e dos elementos musicais por um musicoterapeuta habilitado que atua terapeuticamente frente às demandas apresentadas pelos participantes. Para Bruscia (2016), a musicoterapia é um processo no qual o musicoterapeuta aplica diversos ângulos da experiência musical, assim como se apoia nas relações interpessoais promovidas no período de intervenção musical. Potencializa transcursos saudáveis entre os envolvidos, estimulando forças dinâmicas de mudanças, caso sejam necessárias. Além disso, é importante ressaltar que a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PNPIC), publicada em 2006, foi mais tarde ampliada por outros recursos terapêuticos e práticas culminando com a institucionalização da musicoterapia no Sistema Único de Saúde (SUS) por meio da Portaria GM nº849/2017, do Ministério da Saúde.
Descrição
Esse relato de experiencia trata do projeto piloto desenvolvido para a coleta de dados da tese em desenvolvimento utilizando Musicoterapia no Centro de Acolhimento e Atenção Integral sobre Drogas (CAAD), vinculado à Secretaria de Estado do Governo / Subsecretaria de Estado de Políticas sobre Drogas, localizada em Vitória, Espírito Santo (ES). Os participantes foram pessoas assistidas no CAAD. Estudo descritivo-exploratório, com abordagem qualitativa-quantitativa. Utilizou-se diário de campo e entrevista semiestruturada ao final das oficinas. Participaram deste projeto piloto uma mulher e três homens, com idade entre 40 e 55 anos. As oficinas de musicoterapia tiveram duração de aproximadamente 1 hora, foram realizadas semanalmente, totalizando quatro oficinas, que foram desenvolvidas em três momentos, visando melhor dinâmica e condução pela pesquisadora para a aplicação terapêutica da música, a partir de um repertório constituído por canções do estilo musical Música Popular Brasileira (MPB). O cenário deste relato foi o auditório do CAAD devido ao seu espaço físico e privacidade para o estudo. Utilizou-se como materiais um teclado, caixa de som, cabos, microfone, e cadeiras onde os participantes se sentaram no momento de roda de conversa, ao final das oficinas.
Período de Realização
O projeto piloto ocorreu entre os meses de janeiro e fevereiro de 2026 e teve as quatro sessões de musicoterapia conduzidas semanalmente pela doutoranda/pesquisadora que tem formações em psicologia, música e musicoterapia
Objetivo
Analisar a musicoterapia como dispositivo de cuidado à saúde de pessoas em uso prejudicial de álcool e outras drogas participantes deste projeto piloto para em seguida, ser aplicada aos participantes da pesquisa de doutorado.
Resultados
Os participantes relataram satisfação com a vivência nas oficinas coletivas de musicoterapia, e, declararam otimismo e esperança frente às suas demandas vivenciais, após participarem da terapia musical.
Aprendizado e Análise Crítica
Pode-se perceber que a tese de doutorado tem potencial para a saúde coletiva e alinha-se às políticas de saúde pública, especialmente, a PNPIC, bem como a relevância no campo da saúde envolvendo a população estudada. A experiência trouxe reflexões e permitiu a reflexão sobre o desafio do cuidado à saúde de pessoas em uso prejudicial de álcool e outras drogas. Contudo, o grupo coletivo trouxe uma potência que emergiu no/do território vivo no espaço onde as oficinas ocorreram. Assim, a saúde foi tecida, criada e recriada. As evidências da atuação terapêutica da música se apresentaram benéficas a diferentes demandas relatadas pelos participantes, expressando percepções de bem-estar, melhora do emocional, sensações de contentamento, esperança, paz e encorajamento diante de suas vivências.
O QUE PODE UMA FORMAÇÃO DE INSTRUTORES DE TAI CHI CHUAN NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE? MOVIMENTOS FORMATIVOS ENTRE SAÚDE, CORPO E CUIDADO
Comunicação Oral Curta
1 ESP-MG
2 IFMG - Sabará
3 SES-MG
Contextualização
Trata-se do relato de experiência de uma formação de instrutores de Tai Chi Chuan (TCC), orientada pelos pressupostos da Educação Permanente em Saúde (EPS) e da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) e ofertada no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS) de Minas Gerais. Destinada a profissionais de polos da Academia da Saúde, a formação foi realizada pela parceria entre Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais, Secretaria de Estado de Saúde e Instituto Federal de Minas Gerais – Sabará.
Sabe-se que a formação em Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) no Brasil é insuficiente, concentrada em instituições de ensino privadas e ofertada, em geral, a partir de modelos formativos tecnicistas que não atendem às necessidades do SUS. Buscando induzir outros movimentos formativos em PICS no SUS, esta formação de instrutores de TCC operou dispositivos pedagógicos orientados pela EPS e pela MTC, buscando romper com práticas formativas que reiteram o modelo biomédico e que se orientam por método pedagógico tecnicista e prescritivo.
Descrição
Entre 2023 e 2025, foram ofertadas 12 turmas da formação de instrutores de TCC, uma prática corporal da MTC prevista na Política Nacional de PICS. Formaram-se 316 profissionais, majoritariamente educadores físicos de polos da Academia da Saúde, provenientes de 173 municípios de Minas Gerais (85% de pequeno porte). Formação presencial, com carga horária de 76 horas (38h práticas e 38h teóricas).
Período de Realização
2023 a 2025
Objetivo
Relatar uma experiência de formação de instrutores de TCC no contexto do SUS de Minas Gerais, destacando como dispositivos pedagógicos orientados pela EPS e pela MTC podem contribuir para a ruptura com modelo biomédico e com método pedagógico tecnicista e prescritivo.
Resultados
Diferentes dispositivos pedagógicos (conceitos e estratégias pedagógicas) orientados pela EPS e pela MTC foram operados na formação. Destaca-se a integração entre teoria e prática, efetivada pela presença simultânea e integrada dos docentes da prática corporal e de MTC, durante as aulas teóricas, e pela articulação entre conceitos da MTC e posturas e movimentos do TCC, durante as aulas práticas. Abordaram-se outros conceitos, em articulação com a prática corporal, para produzir novos sentidos sobre saúde, corpo e cuidado: racionalidades médicas, para promover a compreensão sobre a existência de outros sistemas complexos, como a MTC; para confrontar a lógica biologizante, discutiram-se noções de saúde que traziam a relação do indivíduo com a própria capacidade de (re)criar outros modos de ser saudável, conforme Canguilhem; em articulação com as noções de saúde, operou-se com a compreensão de corpo como algo que está em processo de (re)criação e que é definido pela potência de afetar e ser afetado, conforme Espinosa. Orientadas pela EPS, utilizaram-se distintas estratégias pedagógicas: rodas de conversa, experimentações corporais, textos literários, vídeos, músicas, prática de TCC em um parque e vivência de propostas de aula elaboradas pelos alunos com base nas características dos usuários da Academia da Saúde. Nas avaliações, os alunos apontaram que, apesar dos desafios com uma prática corporal distinta da que ofertam no SUS, durante a formação, os movimentos foram se integrando com mente focada e respiração, ampliando a percepção corporal; que as discussões teóricas e a prática do TCC permitiram uma compreensão do corpo por inteiro, integrando físico e mente, e da saúde como estado de equilíbrio; que a prática de TCC no parque ampliou a experiência de conexão com as sensações e o próprio corpo; que se sentem preparados para incorporar o TCC no município como estratégia de cuidado integral; e que sentem maior compromisso ético com a promoção da saúde e a qualidade de vida da população.
Aprendizado e Análise Crítica
Os dispositivos pedagógicos integrados à prática de TCC foram essenciais para tornar o aprendizado da prática corporal “cheio”, adjetivo que a caracteriza como algo que não é automático e que produz cuidado de si, exigindo acalmar a mente, ativar o corpo e acionar um estado que possibilita movimentar o Chi, o sopro vital. Isso porque a prática de TCC não se produziu em uma perspectiva biológica ocidental, mas se insere em outro modo de ver o mundo e conceber o corpo, que dialoga com um modo próprio de cuidado, que busca reestabelecer os equilíbrios do corpo em suas relações. Ao propor outras lógicas, a prática de TCC trouxe desafios durante a formação, pelo confronto com o modo de os alunos atuarem na Academia da Saúde, que, em geral, se orienta pela lógica biomédica, a partir da qual a atividade física é concebida como repetição de gestos motores que trazem benefícios fisiológicos.
Esta formação, por meio dos seus dispositivos pedagógicos, permitiu a profissionais da Academia da Saúde recomporem outros sentidos sobre o (próprio) corpo, a saúde e as lógicas implicadas nas práticas que ofertam no SUS, além de promover o acesso de usuários de diferentes municípios ao TCC, reduzindo iniquidades observadas no estado de Minas Gerais.
Realização: