Programa - Comunicação Oral Curta - COC8.1 - Tuberculose, HIV e outros agravos: entre o estigma e a equidade no cuidado
18 DE SETEMBRO | SEXTA-FEIRA
08:30 - 10:00
08:30 - 10:00
A CASCATA DE CUIDADOS DA INFECÇÃO LATENTE DA TUBERCULOSE COMO ESTRATÉGIA PARA ELIMINAÇÃO DA DOENÇA ATIVA SOB A PERSPECTIVA DA TEORIA DO CONHECIMENTO DE IMMANUEL KANT.
Comunicação Oral Curta
1 Fundação de Medicina Tropical Dr Heitor Vieira Dourado - FMT HVD
2 Fundação de Medicina Tropical Dr Heitor Vieira Dourado - FMT HVD
3 Universidade do Estado do Amazonas - UEA
4 Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas - HEMOAM
5 Universidade do Estado do Amazonas - UEA e Fundação de Medicina Tropical Dr Heitor Vieira Dourado - FMT HVD
Apresentação/Introdução
A tuberculose (TB) permanece como importante problema de saúde pública mundial, especialmente em regiões como a Amazônia. A infecção latente da tuberculose (ILTB) representa um reservatório da doença, devido ao potencial de evolução para TB ativa. O manejo da ILTB por meio da cascata de cuidados da ILTB, composta por etapas que vão desde a identificação de contatos até a conclusão do tratamento, é vista como estratégia para alcance das metas de eliminação da TB. Para que esta estratégia seja eficaz é necessário o comprometimento de pacientes, contatos e profissionais de saúde na sua execução, porém barreiras como o desconhecimento sobre a mesma e sobre a ILTB tem prejudicado esta condução. À luz da teoria do conhecimento de Immanuel Kant, o saber filosófico é um campo metafísico, inacabado que transcende a experiência e tem na razão o seu maior campo de interesse, desta forma, quebra-se a dicotomia entre racionalismo e empirismo para alcance do conhecimento. No racionalismo, os conceitos inatos representam os mais importantes fundamentos do conhecimento e enxerga na razão a fonte da verdade, usa a metafísica para seu alcance; enquanto no empirismo, a razão não possui patrimônio apriorístico, na experiência que a consciência cognoscente retira seus conteúdos, pregando o ceticismo à metafisica.
Objetivos
Descrever como o conhecimento de profissionais de saúde, contatos e pacientes com TB ativa sobre a ILTB e a cascata de cuidados da ILTB pode influenciar no sucesso ou não dessa estratégia à luz da teoria do conhecimento de Immanuel Kant.
Metodologia
O estudo está vinculado à pesquisa “Pesquisa Regional Prospectiva e Observacional em Tuberculose no Brasil” (Report Brazil), uma coorte multicêntrica que busca descrever desfechos clínicos do tratamento da TB e a ocorrência da doença entre contatos. O projeto contempla duas coortes: casos suspeitos de TB (Coorte A) e contatos (Coorte B). Trata-se de um estudo de caso único, com abordagem qualitativa de caráter explicativo (YIN, 2015). A pesquisa foi realizada em hospital de referência em doenças infecciosas na Amazônia. A coleta de dados incluiu análise de documentos oficiais de órgãos de saúde, entrevistas semiestruturadas com profissionais de saúde, contatos e pacientes em tratamento, além de observação direta do serviço. Os dados foram organizados e analisados por meio de análise temática, com apoio de software específico, utilizando como referencial interpretativo a epistemologia kantiana.
Resultados e Discussão
Os resultados evidenciaram níveis heterogêneos de conhecimento entre os participantes, com importantes lacunas tanto entre profissionais quanto entre pacientes e contatos. Observou-se perdas significativas ao longo da cascata de cuidados, especialmente nas etapas iniciais, como identificação e investigação de contatos. A análise revelou duas categorias principais: (1) o conhecimento sobre a ILTB entre os atores envolvidos; e (2) a interpretação da cascata de cuidados sob a perspectiva kantiana. Nessa perspectiva, como o conhecimento se regula pela natureza da percepção humana, a razão só reconhece o que ela mesma empresta ou impõe ao objeto. Assim, as diferentes percepções, experiências e subjetividades entre os atores envolvidos no estudo, corroboram com a teoria kantiana, dessarte, o resultado pode influenciar diretamente no reconhecimento frente ao risco e a adesão às intervenções. Vale ressaltar, fatores estruturais, sociais e organizacionais também são determinantes para a descontinuidade do cuidado. A teoria kantiana contrapõe ainda essa relação entre sujeito e objeto, e determina que não é a natureza do objeto que regula o sujeito, mas como o sujeito o representa a partir da estrutura formada na mente. Assim, o conhecimento é produto de uma faculdade complexa, é a síntese entre a sensibilidade e o entendimento, só através da razão se é capaz de autojulgar-se (eu posso), e o sujeito pode assumir a posição primaz do conhecimento.
Conclusões/Considerações Finais
Conclui-se que lacunas de conhecimento, associadas a barreiras estruturais e sociais, contribuem para interrupções na cascata de cuidados da ILTB. À luz da teoria kantiana, o conhecimento é produto de uma construção ativa do sujeito, reforçando a necessidade de estratégias educativas contextualizadas. Investimentos em educação permanente, fortalecimento da vigilância e políticas intersetoriais são fundamentais para ampliar a adesão e melhorar a efetividade do manejo da ILTB, contribuindo para o controle da tuberculose e redução das desigualdades em saúde.
DETERMINANTES SOCIAIS QUE DIFICULTAM O ACESSO DE PESSOAS VIVENDO COM HIV NA ATENÇÃO PRIMARIA A SAUDE DE BOA VISTA, RORAIMA
Comunicação Oral Curta
1 UERR
Apresentação/Introdução
O acesso à saúde é um direito fundamental, e este estudo aborda os determinantes sociais que influenciam na adesão ao cuidado de pessoas vivendo com HIV (PVHIV). Consideram-se, nesse contexto, fatores estruturais, econômicos e socioculturais que podem comprometer a efetividade do cuidado, sendo relevante compreender como essas dimensões se manifestam no cotidiano dos serviços e impactam o acesso e a continuidade do cuidado na Atenção Primária à Saúde (APS) em Boa Vista-RR.
Objetivos
Identificar os determinantes sociais, educacionais e territoriais, que influenciam o acesso e a permanência de PVHIV na APS em Boa Vista, a partir da percepção de profissionais de saúde.
Metodologia
Trata-se de um estudo qualitativo, de caráter descritivo-analítico, realizado em unidades básicas de Boa Vista. Participaram 12 profissionais da APS com no mínimo um ano de atuação no serviço. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas semiestruturadas realizadas em ambiente reservado, garantindo privacidade. mediante consentimento dos participantes. As entrevistas foram gravadas e transcritas na integra e submetidas à análise de conteúdo, conforme proposta de Bardin. A interpretação dos dados foi orientada pelo referencial da Saúde Coletiva e dos Determinantes Sociais da Saúde. O estudo seguiu as diretrizes éticas das Resoluções nº 466/2012 e nº 510/2016, com assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
Resultados e Discussão
Os resultados identificam que, na percepção dos profissionais da APS em Boa Vista–RR, apresenta estrutura organizacional capaz de ofertar atendimento, exames e tratamento às pessoas vivendo com HIV. Contudo, emergem contradições entre a percepção de acesso quanto a localização ou horário de funcionamento que representam barreiras que dificultam a continuidade do cuidado. Parte dos profissionais afirmam não existir barreiras, enquanto outros reconhecem a influência significativa de fatores como falta de informação, baixa escolaridade, dificuldade de aceitar o diagnóstico e condições sociais que acabam influenciando na continuidade do tratamento. O estigma associado ao HIV aparece como elemento relevante, ainda de forma heterogênea nas entrevistas, evidenciando sua persistência como fator que pode gerar medo, vergonha e afastamento dos serviços. Aspectos culturais e religiosos também foram mencionados como possíveis influenciadores para a aceitação da doença e adesão ao tratamento em determinados contextos. Destaca-se, ainda, a centralidade do vínculo entre profissional e usuários, sendo reconhecido como fator determinante para a permanência no cuidado. Entretanto, observa-se a ideia de responsabilização individual do paciente pela adesão ao tratamento o que pode inviabilizar barreiras estruturais e institucionais. No âmbito organizacional, identificam-se fragilidades relacionadas à qualificação profissional, à insuficiência de ações de acolhimento e ao desconhecimento dos direitos das PVHIV por parte de alguns profissionais, além de lacunas na e articulação entre diferentes níveis da rede de atenção à saúde.
Conclusões/Considerações Finais
Conclui-se que, embora a APS em Boa Vista–RR apresente condições estruturais para o atendimento às PVHIV, o acesso ao cuidado não se efetiva de forma plena quando analisado sob a perspectiva dos determinantes sociais. Fatores como estigma, vulnerabilidade socioeconômicas,, barreiras informacionais e fragilidade na organização dos serviços interferem na adesão e continuidade do cuidado. Evidencia-se, ainda, um distanciamento entre a percepção dos profissionais e as experiências vivenciados pelos usuários, o que pode limitar a efetividade das estratégias assistenciais. Assim, reforça-se a necessidade de qualificação das equipes, fortalecimento de práticas de acolhimento e desenvolvimento de ações que considerem as dimensões sociais e culturais do cuidado em HIV na APS.
DIAGNÓSTICO NEGADO: DETERMINANTES SOCIOAMBIENTAIS DA TUBERCULOSE E O IMPERATIVO DA ACCOUNTABILITY TERRITORIAL NO SUS
Comunicação Oral Curta
1 Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas - INI/Fiocruz
2 Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas - INI/Fiocruz/ Comissão de Controle Infecção em Atendimento Pré-Hospitalar (CCIHPH) SAMU 192 Capital RJ
3 Residência Multiprofissional em Saúde / Hospital Universitário Clementino Fraga Filho / UFRJ
4 Secretaria Municipal de Saúde de Manaus / AM - Programa de Pós-Graduação Doutorado em Clínica Médica / Faculdade de Medicina / UFRJ
5 Secretaria Municipal de Saúde de Manaus / AM
6 Coordenação Geral de Vigilância da Tuberculose, Micoses Endêmicas e Micobactérias Não Tuberculosas - CGTM/DATHI/SVS/MS
7 Programa de Pós-Graduação Doutorado em Clínica Médica / Faculdade de Medicina / UFRJ - Centro de Pesquisa em Tuberculose/Instituto de Doenças do Tórax / UFRJ - Departamento de Processos e Fluxos em Saúde / Policlínica Universitá
Apresentação/Introdução
No Brasil em 2025, foram notificados 85.936 casos novos de tuberculose (TB) com coeficiente de incidência de 39,7/100 mil habitantes. No mesmo cenário, os óbitos por TB cresceram 31,9% entre 2020 e 2023, alcançando 6.025 mortes em 2023 (Boletim TB 2025, MS), patamar não observado desde 1999. Esses indicadores refletem não apenas a persistência epidemiológica da doença, mas também lacunas institucionais e limites na implementação de políticas públicas voltadas ao seu controle. Nesse horizonte, o presente trabalho empreende leitura crítica de documentos normativos e técnico-políticos para examinar a capacidade real de instrumentos de governança produzirem accountability territorial na resposta brasileira à TB. O Mecanismo de revisão da resposta brasileira à tuberculose: resultados do piloto de implementação do MAF-TB para o período de 2018 a 2023 e o Manual de Auditoria Interna do SUS constituem, nesse percurso analítico, referências centrais para compreender arquiteturas de comitê, indicadores de processo e mecanismos de articulação e monitoramento. O Decreto nº 11.908/2024, que institui o Programa Brasil Saudável e a Resolução CNS nº 709/2023 ampliam o horizonte político-normativo da análise.
Objetivos
Analisar os desafios e oportunidades do MAF-TB Brasil (MS/OPAS, 2023-2025) e do Manual de Auditoria Interna do SUS (DenaSUS, 2026) como instrumentos de accountability territorial do diagnóstico da tuberculose no SUS (ACDT-SUS), articulando com os determinantes socioambientais da TB, a perspectiva das comunidades afetadas e a evidência independente da série histórica dos Relatórios Luz (RL) como confronto entre promessas institucionais e realidade territorial.
Metodologia
Análise documental com triangulação de fontes e estratégias analíticas: (1) MAF-TB Brasil (MS/OPAS, 2023-2025), quanto à governança, indicadores, articulação, participação social e lacunas de raça/cor e território; (2) Manual de Auditoria Interna do SUS (DenaSUS, 2026), como instrumento operacional do ACDT-SUS, com foco em protocolos, competências e limites para a TB; (3) Resolução CNS nº 709/2023 e Decreto nº 11.908/2024, como marcos normativos de intersetorialidade; (4) Relatórios Luz VI–IX (2022–2025); e (5) dados do Sinan/Datasus e dos Boletins Epidemiológicos de TB (2023–2025). A análise foi orientada pelo ACDT-SUS, articulado aos DSS na perspectiva de Dahlgren e Whitehead. Por utilizar documentos públicos e dados agregados, sem identificação individual, o estudo dispensou apreciação ética, nos termos da Resolução CNS nº 510/2016.
Resultados e Discussão
A análise revela arquitetura institucional sofisticada, mas marcada pela invisibilidade de marcadores étnico-raciais e pela fragilidade de metas capazes de incorporar logística e vulnerabilidade climática amazônica. O contraste entre o MAF-TB e os Relatórios Luz evidencia que o aumento da mortalidade não é falha biológica, mas expressão de limites de governança que o ACDT-SUS busca auditar. Embora o MAF-TB organize revisão, indicadores, prazos e articulação intersetorial, persistem ausência de indicadores desagregados por raça/cor e baixa territorialização das políticas para a Amazônia. Seu ciclo bianual com participação social constitui janela para incidência da ART-TB Brasil e de comitês comunitários. O Manual DenaSUS oferece base técnica para tornar a accountability diagnóstica auditável, mas sua aplicação à TB na Amazônia exige capacitação e protocolos para populações indígenas e ribeirinhas. A efetividade dessas diretrizes também depende da capacidade da APS de identificar sintomáticos respiratórios e garantir acesso ao diagnóstico em territórios marcados por desigualdades socioambientais, rotatividade e limitações estruturais. O Brasil Saudável e o CIEDDS, ao reunirem 14 ministérios, ampliam a oportunidade de incorporar a meta ODS 3.3 como indicador, mas isso exige pressão do controle social. A Resolução CNS nº 709/2023 reforça esse caminho ao sustentar que os resultados da auditoria alimentem a responsabilização pública. O confronto com os Relatórios Luz (2022–2025) explicita o gap entre promessa e implementação: persistem crescimento da mortalidade, gasto governamental em saúde de 4% do PIB, diante de 9,7% de gasto total, e classificação da meta 3.c como insuficiente.
Conclusões/Considerações Finais
A accountability territorial do diagnóstico da TB não será produzida por um único instrumento. O MAF-TB, o DenaSUS, o Brasil Saudável e a Res. CNS 709/2023 formam um sistema de oportunidades que, articulado pela metodologia ACDT-SUS e pelo controle social, pode transformar o "diagnóstico negado" em direito exigível — mas apenas se os silêncios sobre raça/cor, território amazônico, crise climática e participação comunitária/ribeirinha dentro desses documentos forem nomeados, vinculados e confrontados pelo CSHS. O congresso em Manaus é a oportunidade política para que essa nomeação produza compromisso público com estratégias efetivas para população, em especial aos povos originários e comunidades vulnerabilizadas nos territórios amazônicos.
O PAPEL DO APOIO SOCIAL E FAMILIAR NA EXPERIÊNCIA PÓS-OPERATÓRIA DE MULHERES SUBMETIDAS AO BYPASS GÁSTRICO: UM ESTUDO QUALITATIVO
Comunicação Oral Curta
1 UFES
Apresentação/Introdução
A obesidade configura-se como uma condição crônica, multifatorial e de elevada complexidade, associada a importantes repercussões metabólicas, psicossociais e econômicas em âmbito global. A cirurgia bariátrica tem demonstrado benefícios clínicos relevantes; entretanto, o período pós-operatório envolve transformações que ultrapassam os aspectos fisiológicos, incluindo mudanças na identidade corporal, nas práticas alimentares e nas relações sociais. Persistem lacunas na literatura quanto às dimensões subjetivas e sociais desse processo, especialmente no que se refere ao papel do apoio social e familiar.
Objetivos
O estudo tem como objetivo compreender como o apoio familiar e social é interpretado por mulheres submetidas ao tratamento cirúrgico da obesidade, examinando o apoio emocional como recurso de contenção, explorando resistências e ambivalências nas redes de apoio, interpretando o suporte instrumental no cotidiano e analisando como os contextos sociais e familiares moldam práticas alimentares e comportamentos relacionados à saúde.
Metodologia
Trata-se de um estudo qualitativo, com dados coletados por meio de entrevistas semiestruturadas realizadas individualmente, gravadas e posteriormente transcritas. A pesquisa foi desenvolvida no Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (HUCAM), em Vitória, Espírito Santo. Participaram mulheres submetidas à cirurgia bariátrica entre 2020 e 2024. Do total de 717 pacientes elegíveis, 37 atenderam aos critérios de inclusão e 15 aceitaram participar. As entrevistas tiveram duração média de 31 a 45 minutos. A análise seguiu abordagem narrativa, realizada por dois pesquisadores, com identificação de categorias temáticas por meio do software Taguette. O estudo foi aprovado pelo comitê de ética (CAAE 59075722.7.0000.5071) e registrado no ReBEC (RBR-26chs2g).
Resultados e Discussão
Os resultados preliminares evidenciam que o apoio social e familiar é vivenciado de forma multidimensional e ambivalente. Observa-se que a presença de apoio social e familiar favorece a adesão às recomendações terapêuticas, contribuindo para a continuidade e sustentação das mudanças no estilo de vida ao longo do tempo, especialmente de parceiros e filhos, associado à sensação de segurança e incentivo e as mulheres que nao recebem, nao consegue sustentar o tratamento ao longo prazo. O apoio prático manifesta-se no acompanhamento em consultas, preparo de alimentos e incentivo à continuidade do tratamento, sendo reconhecido como elemento facilitador da adesão às recomendações clínicas. As narrativas também destacam a importância da equipe multiprofissional e do suporte psicológico no processo de adaptação.
Conclusões/Considerações Finais
Nossos achados evidenciam que o apoio social e familiar desempenha papel central na experiência pós-operatória de mulheres submetidas à cirurgia bariátrica, influenciando de forma significativa a adesão ao tratamento, a saúde mental e a sustentação das mudanças no estilo de vida. Nesse sentido, destaca-se a importância de incorporar as dimensões sociais e relacionais no cuidado em saúde, reforçando a necessidade de estratégias terapêuticas que considerem o contexto familiar como componente essencial no acompanhamento pós-cirúrgico.
PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DE INCIDÊNCIA DE NOVOS CASOS DE TUBERCULOSE NO MUNICÍPIO DE NITERÓI ENTRE 2020 E 2024.
Comunicação Oral Curta
1 UFF
Apresentação/Introdução
A Tuberculose é uma doença causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, sendo transmitida pela via aérea, de uma pessoa contaminada pela bactéria para outra. Em nível local, a análise de dados oficiais, permite qualificar estratégias de prevenção e o público de maior incidência de casos.
Objetivos
Descrever o perfil epidemiológico de novos casos de Tuberculose em Niterói, entre 2020 e 2024, utilizando dados do SINAN, Tabnet/SUS.
Metodologia
Estudo descritivo com análise de dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN/TabNet/DataSUS). Foram incluídas notificações de Tuberculose no município de Niterói entre 2020 e 2024. As variáveis analisadas incluíram: ano do diagnóstico, sexo e raça/cor. A análise estatística baseou-se em frequência absoluta, distribuição percentual e cálculo de taxas de detecção. O estudo seguiu os preceitos éticos da Resolução CNS n° 466/2012, utilizando dados agregados de domínio público sem identificação nominal.
Resultados e Discussão
Entre 2020 e 2024, foram registradas 1.988 casos de tuberculose no município de Niterói, dentre elas 1.393 (70%) ocorreram no sexo masculino e 595 (30%) no sexo feminino. Na distribuição dos casos quanto à raça/cor, observa-se que indivíduos pardos e pretos correspondem à 64% dos casos confirmados, cerca 1.273, enquanto os demais, somam 715 (36%) do casos, com grande parte desse número, sendo ignorados, no quesito raça/cor. Na análise combinada entre sexo e raça/cor, indica que a maior incidência de casos ocorre em homens pardos e pretos, reforçando a associação entre determinantes sociais e a ocorrência da Tuberculose.
Conclusões/Considerações Finais
O perfil epidemiológico da tuberculose no município de Niterói entre 2020 e 2024, evidencia o aumento do número de casos, indicando possível retomada diagnóstica após período pandêmico e/ou aumento de transmissão, sendo evidenciado pela predominância do sexo masculino, e em indivíduos pardos e pretos, reforçando a influência dos determinantes sociais no combate e tratamento da doença.
IMPACTO DO ESTIGMA DO PESO NA VIDA DE PESSOAS VIVENDO COM OBESIDADE NO BRASIL
Comunicação Oral Curta
1 Universidade Federal de Ouro Preto
2 Universidade Federal da Paraíba
3 Ministério da Saúde
4 Universidade do Estado do Rio de Janeiro
5 Secretaria de Estado de Saúde do Mato Grosso do Sul
6 Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome
Apresentação/Introdução
A obesidade no Brasil é um fenômeno socialmente determinado, influenciado pela precariedade dos ambientes alimentares e por vulnerabilidades socioeconômicas. Para além das barreiras físicas de acesso ao alimento, o estigma de peso atua como uma forma de opressão estrutural que compromete a saúde e a cidadania. Com o intuito de fortalecer as ações governamentais de atenção à obesidade, conduziram-se oficinas regionais voltadas ao mapeamento das expressões do estigma do peso e de seus desdobramentos cotidianos.
Objetivos
Descrever o impacto do estigma do peso na vida cotidiana de pessoas vivendo com obesidade no Brasil.
Metodologia
Relato de pesquisa com abordagem quantitativa. A seleção das capitais ocorreu via indicador-síntese, ponderando a frequência de obesidade, a densidade de estabelecimentos de alimentos (saudáveis/não saudáveis) e indicadores de pobreza (SESAN/MDS; IBGE). Foram selecionadas Campo Grande, Manaus, Porto Alegre, Recife e Rio de Janeiro. Participaram 63 adultos (≥18 anos), residentes no Brasil, que responderam a um questionário semiestruturado. Os dados foram analisados através de estatística descritiva (frequência e respectivos intervalos de confiança de 95%) no software livre R Studio. O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Ouro Preto em 06/06/2025 (CAAE 86812025.3.0000.5150).
Resultados e Discussão
A análise evidenciou que a maioria dos participantes (57,14%; IC 95% 44,09-69,32) sofre efeitos negativos diretos da discriminação pelo peso em suas vidas. O impacto mais frequente reside nas interações familiares (30,16%; IC 95% 19,57-43,18), sugerindo que o núcleo afetivo é um local primário de reprodução de estigma. No âmbito do consumo e lazer, 26,98% (IC 95% 16,93-39,87) relataram barreiras no acesso a serviços privados, como a inadequação física de assentos em restaurantes e espaços culturais, o que materializa a exclusão do corpo gordo do espaço público.
A gordofobia também incide sobre os comportamentos de saúde: 23,81% (IC 95% 14,36-36,49) declararam que o estigma impactou negativamente a motivação para praticar atividade física, evidenciando que ambientes de cuidado podem se tornar espaços de dissuasão. Adicionalmente, 22,22% (IC 95% 13,1-34,78) apontaram prejuízos na acessibilidade e acolhimento em espaços urbanos e transportes públicos.
Conclusões/Considerações Finais
Conclui-se que a prevenção da obesidade exige políticas intersetoriais que integrem a segurança alimentar à superação sistemática da gordofobia. Os dados demonstram que o estigma opera como uma barreira estrutural que cerceia a autonomia e o acesso a direitos básicos. Recomenda-se que estratégias governamentais incorporem ações de sensibilização social e adequação da infraestrutura urbana, garantindo que a promoção de direitos sociais considere a dignidade e a diversidade corporal como pilares fundamentais.
PESQUISA PARTICIPATIVA EM SAÚDE E PEDAGOGIA DA PREVENÇÃO: CONTRIBUIÇÕES FREIRIANAS NO ENFRENTAMENTO DO HIV ENTRE JOVENS E ADOLESCENTES
Comunicação Oral Curta
1 Universidade de São Paulo USP
Apresentação/Introdução
A epidemia de HIV no Brasil apresenta desafios persistentes, com aumento de casos entre jovens homens que fazem sexo com homens (HSH) e alta prevalência entre mulheres trans e travestis. Diante de desigualdades estruturais associadas aos marcadores sociais de raça/cor, classe e gênero, o acesso às estratégias biomédicas de prevenção disponíveis no SUS não está garantido. Este trabalho apresenta uma proposta de Pesquisa Participativa (PP) em saúde, fundamentada na Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire, desenvolvida no âmbito da pesquisa formativa do projeto “Oferta de PrEP (profilaxia pré-exposição) por educadores pares na comunidade para adolescentes e jovens de minorias sexuais e de gênero” (COMPrEP), na região central de São Paulo, com foco em pessoas de 15 a 24 anos.
Objetivos
Apresentar a configuração teórico-metodológica de uma PP em saúde e discutir suas contribuições para a formulação das atividades do COMPrEP, visando à aplicação da educação popular, na perspectiva da Pedagogia da Prevenção, no enfrentamento do HIV entre jovens de minorias sexuais e de gênero.
Metodologia
A pesquisa estruturou-se em duas etapas complementares:
1. Investigação Temática: Desenvolveu-se uma imersão relacional em territórios de sociabilidade juvenil (baladas, festas, “esquentas” e praças), no centro de São Paulo — locais compreendidos pelos participantes como áreas da comunidade LGBT+. Nessa etapa, buscou-se compreender, a partir das experiências vividas, as situações-limite, entendidas como barreiras sociais que produzem opressão e promovem vulnerabilidades entre jovens e adolescentes nesses territórios. A etapa teve duração de seis meses e resultou em 22 relatos de campo, produzidos em conjunto com os participantes, que guiaram e acompanharam os pesquisadores no campo.
2. Círculos Culturais: Realizaram-se 5 atividades com 26 jovens e adolescentes, baseadas no diálogo crítico, com o objetivo problematizar as situações-limites e estimular um processo de tomada de consciência frente à necessidade da prevenção.
Ambas as etapas estão fundamentadas na Pedagogia do Oprimido: a investigação temática identifica as situações-limite, enquanto o Círculo Cultural constitui o momento educativo de problematização e transformação dessa realidade.
Resultados e Discussão
O debate crítico nos Círculos Culturais evidenciou que categorias êmicas, como balada, festa, rua são compreendidas em sua dupla dimensão: espaços de afeto e, simultaneamente, de disputa e risco – delimitando um território abitado pela comunidade. Como atividade permitiu uma visão mais aprofundada e complexa do mundo os participantes reconheceram que buscam, no centro de São Paulo, nesses circuitos, a sexualidade e o afeto que não podem vivenciar na família, na casa, na escola ou com amigos. Nos círculos, emergiu ainda a categoria êmica “hackear”, entendida como expressão de vontade e intencionalidade, contribuindo para compreender como os jovens se movimentam e acessam espaços de afeto/risco no centro de São Paulo.
Conclusões/Considerações Finais
A PP do projeto COMPrEP inova ao deslocar a produção de conhecimento para os territórios vividos, integrando saberes locais e marcadores interseccionais (raça, gênero, território). A abordagem demonstra que a Pedagogia da Prevenção é uma via para desenhar intervenções mais adequadas a populações marginalizadas pela saúde, transformando a pesquisa em uma práxis transformadora. Ao favorecer processos de análise crítica que emergem das próprias contradições sociais, o modelo fortalece o engajamento comunitário e qualifica as intervenções em saúde coletiva.
ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E EQUIDADE NO ACESSO A MEDICAMENTOS PARA DOENÇAS NEGLIGENCIADAS: RELATO DE EXPERIÊNCIA EM UM SERVIÇO ESPECIALIZADO
Comunicação Oral Curta
1 UEFS
Contextualização
A gestão do cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS), fundamenta-se nos princípios da integralidade, equidade e universalidade, exigindo a articulação entre políticas públicas e as diversas dimensões sociais que atravessam o processo saúde-doença. Nesse contexto, as doenças negligenciadas como tuberculose e hanseníase, e estigmatizadas como HIV/AIDS e hepatites virais, refletem desigualdades estruturais relacionadas a marcadores sociais como classe, raça, gênero e território, condições que impactam diretamente o acesso aos serviços e a continuidade do cuidado. A assistência farmacêutica, enquanto componente estratégico do SUS, desempenha papel central na garantia do acesso a medicamentos e na promoção do uso racional, contribuindo para o enfrentamento das iniquidades em saúde. Além disso, os serviços especializados configuram-se como espaços fundamentais para a materialização das políticas públicas, ao integrarem práticas multiprofissionais e ações voltadas às especificidades dos usuários.
Descrição
Trata-se de um relato de experiência de estudantes de farmácia da Universidade estadual de Feira de Santana (UEFS), como parte da disciplina Prática de Assistência Farmacêutica II. O estágio extensionista de caráter observacional, foi realizado por meio de cinco visitas técnicas ao Centro Especializado de Saúde (CSE) e seus setores organizacionais, explorando o funcionamento dos programas e estrutura física do local. As atividades contaram com apoio de profissionais de saúde e da docente responsável. Foi realizado o acompanhamento das práticas assistenciais nas farmácias, bem como, visitas a laboratórios de coleta de exames e áreas específicas voltadas ao atendimento. Os temas abordados em aulas do componente curricular incluíram, a sintomatologia das doenças atendidas no CSE: tuberculose, hanseníase, hepatite, HIV/ AIDS e infecções sexualmente transmissíveis, apresentação do Programa institucional de asma e rinite, além de estratégias de prevenção e esquemas de tratamentos ofertados no serviço, elementos cruciais para a promoção da saúde coletiva e para o fortalecimento da assistência farmacêutica no âmbito do SUS.
Período de Realização
As atividades foram realizadas no mês de março de 2025 em um Centro de Saúde Especializado na Bahia.
Objetivo
Relatar a experiência e atividades desenvolvidas por graduandos do Curso de Farmácia em um estágio extensionista, através da compreensão prática de um serviço público de saúde especializado com ênfase no cuidado a pessoas acometidas por doenças negligenciadas, bem como na gestão da assistência farmacêutica em um serviço de saúde especializado, consolidando os conhecimentos teóricos adquiridos sobre tais doenças e seus respectivos tratamentos, por meio dos processos de cuidado, organização e atuação multiprofissional.
Resultados
A experiência proporcionou ao graduando o contato direto com o cuidado especializado de pessoas acometidas por doenças estigmatizadas, bem como com os fluxos assistenciais instituídos, favorecendo a compreensão da importância do acesso gratuito a medicamentos no âmbito do componente estratégico da assistência farmacêutica. Evidenciou-se que a atuação do farmacêutico em um centro especializado é determinante para a continuidade do tratamento, ao considerar os determinantes sociais da saúde, como as condições de vida, territórios e as vulnerabilidades sociais dos usuários. Ademais, a atuação de uma equipe multidisciplinar mostrou-se essencial para o desenvolvimento das ações, garantindo a oferta de serviços com qualidade e humanização.
Aprendizado e Análise Crítica
Assim, compreende-se que a gestão do cuidado deve considerar a complexidade das múltiplas condições e identidades dos usuários. Nesse sentido, os serviços de saúde especializados desempenham papel fundamental na garantia do acesso e da continuidade do cuidado às populações em situação de vulnerabilidade, de maneira equitativa e integral. Ademais, tais serviços contribuem para a efetivação das políticas públicas de saúde, ao reconhecer e atender às especificidades e necessidades singulares de cada grupo populacional.
Destaca-se, ainda, a relevância estratégica da universidade como espaço de formação crítica, reflexiva e socialmente comprometida. A inserção de graduandos em práticas de saúde, especialmente em cenários reais de cuidado, potencializa a integração entre ensino, serviço e comunidade. Esse processo favorece o desenvolvimento de competências técnico-científicas, éticas e políticas, fundamentais para a atuação profissional qualificada e alinhada às demandas do Sistema de Saúde.
DIAGNÓSTICO, MORTE BIOLÓGICA E/OU SOCIAL COMO HORIZONTE EM PESSOAS QUE VIVEM COM HIV/AIDS
Comunicação Oral Curta
1 UEFS
Apresentação/Introdução
O vírus da imunodeficiência humana (HIV) foi descoberto em 1981, cujo feito se apresenta para humanidade como algo extraordinário no que tange a possibilidade de conhecimento do agente etiológico e posteriormente os mecanismos patológicos e possibilidades de controle de uma doença até então desconhecida que se apresentava como preditora do Sarcoma de Kaposi, pneumocistose e comprometimento no sistema imune principalmente de homossexuais do sexo masculino.
Para além dos processos comuns que envolvem a atenção à saúde, a produção do cuidado perpassa pela construção de vínculos entre os seres viventes envolvidos os quais possuem uma importância única nesta experiência. Deste modo, o projeto terapêutico das PVHA exige o acesso a diversas tecnologias do cuidado (leve-duras e duras) para a sua resolutividade, no entanto, não há como pensar o cuidado sem garantir a potência das tecnologias leves (relacionais), que são essenciais para a continuidade do cuidado.
Portanto, o diagnóstico de HIV representa muito mais do que uma doença que se não tratada pode ser fatal, mas, representa também um cenário de certeza de estigmatização e reestruturação da identidade. Esse olhar do outro que determina o padrão de normalidade e enquadra os sujeitos em desviantes desse enquadramento e gera a culpa, o medo, a vergonha, a raiva, a confusão e a desorganização identitária, além do que se denomina morte social ou civil. Esta se trata do sentimento de abreviação da vida e de diminuição do espaço de vida e exercício da cidadania. Além do medo da morte, têm medo de viver. De viver as consequências sociais da AIDS.
Objetivos
Diante do exposto, este estudo tem como objetivo analisar as percepções de morte biológica e social relatadas por PVHA após o diagnóstico desta condição de saúde
Metodologia
A pesquisa em questão tem natureza qualitativa e exploratória a partir da cartografia, realizada em um centro de referência entre julho e outubro de 2022, e utilizou a ferramenta do usuário-guia, entrevista e o diário de campo para a produção dos dados. A interpretação ocorreu a partir da produção de um analisador.
A entrevista era uma técnica de produção de dados fundamental, e para a realização desta foi utilizado um gravador de celular Iphone X como forma de garantir a fidedignidade dos depoimentos, todavia, foi apenas utilizado com a devida autorização do participante. Para contemplação desta ferramenta utilizou um roteiro em que se divide em quatro dimensões (identificação, produção do diagnóstico, caminhos do cuidado e barreiras e acesso). Para a conexão com os territórios existenciais o diário cartográfico foi produzido com o intuito de revelar o plano das afecções durante a entrevista e em demais encontros que ocorriam no processo de trabalho.
Após a realização das entrevistas, estas foram transcritas de forma fidedigna para posterior análise, assim como o diário cartográfico, e em seguida era realizada uma leitura flutuante e exaustiva de toda a produção para que pudesse estabelecer um ou mais analisadores. A partir dessa prática, emergiu o analisador: o diagnóstico e a morte biológica e/ou social que guiou a sistematização dos achados.
Para iniciar a pesquisa, era exposto o termo de consentimento livre e esclarecido. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade do Estado da Bahia sob número do parecer 5.991.828 e CAAE 54898221.4.0000.0057.
Resultados e Discussão
Os entrevistados descrevem a experiência no momento do diagnóstico desta enfermidade, a quão esta condição de saúde impacta subjetivamente naquele quando se descobre infectado. Há uma visão de fim da vida, uma desconexão com o mundo diante de uma doença que carrega uma verdade pré-estabelecida de interrupção da vida. Durante a prática profissional, muitas vezes neste momento, ou na primeira consulta, o chão cai também para quem cuida.
Desta forma a condição de viver com HIV traz uma posição de vulnerabilidade que pode se somar a outras vulnerabilidades já existentes como a econômica e social, solicitando do Estado e sociedade uma atenção adicional a essas pessoas. É muito comum no cotidiano da atenção de PVHA escutar situações que podem levar ao abandono de tratamento no que se refere à impossibilidade de manter-se economicamente. Portanto, tal como um ser social é possível perceber o quanto o reconhecimento do ser que vive com HIV perpassa pela sua relação consigo próprio e com a sociedade.
Conclusões/Considerações Finais
Diante do exposto, observa-se o quanto o medo do diagnóstico que tem um estigma social, preconceito e discriminação estão presentes e afasta cada ser vivente do seu cuidar. Assim, a sensação a morte biológica é decorrente de um diagnóstico tardio ou da morte social decorrente das rotulações arraigadas em determinadas concepções estruturais limita o indivíduo do seu pleno exercício da vida e cidadania. No entanto, a partir de um cenário de reorganização identitária, rede de apoio, aceitação diagnóstica do indivíduo e das pessoas que convivem com ele produzem potência de vida e novos modos existenciais.
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