Programa - Comunicação Oral Curta - COC17.2 - Protagonismo dos povos tradicionais, seus saberes ancestrais no campo da educação popular e as contribuições na saúde coletiva nos territórios (5)
19 DE SETEMBRO | SÁBADO
08:30 - 10:00
08:30 - 10:00
QUANDO O MÉTODO ENCONTRA O TERRITÓRIO: APRENDIZADOS NA REALIZAÇÃO DE GRUPOS FOCAIS EM COMUNIDADE INDÍGENA AMAZÔNICA
Comunicação Oral Curta
1 Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD)/Fiocruz Amazônia
2 Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA)
Contextualização
O grupo focal (GF) é uma técnica de pesquisa qualitativa, com formatação de atividade coletiva, dirigida por um moderador ou facilitador que mantém os participantes ‘focados’ em uma discussão previamente planejada, permitindo colher informações que possam proporcionar a compreensão de percepções, crenças, atitudes sobre um tema, produto ou serviços (Bisol, 2012; Trad, 2009). Essa técnica aplicada em contextos de diversidade cultural possibilita a compreensão das experiências e significados atribuídos pelos participantes (Bisol, 2012). Em pesquisas com populações indígenas, o GF tem sido utilizado para acessar conhecimentos, valores e práticas próprios de cada comunidade, respeitando formas tradicionais de interação e evitando interpretações etnocêntricas (Hunt; Young, 2021).
Descrição
Foi previamente elaborado um protocolo de procedimentos metodológicos para a condução dos grupos focais (GF), contemplando a organização dos grupos, composição da equipe facilitadora, materiais necessários e o roteiro de perguntas. As aldeias de realização dos GF foram selecionadas por conveniência, considerando a dinâmica operacional do macroprojeto e o envolvimento das comunidades nas atividades previamente realizadas na embarcação.
A seleção dos participantes foi intencional, mediante aceite e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). O espaço de realização dos GF era indicado por membros da própria comunidade, respeitando as dinâmicas e referências territoriais locais, enquanto o horário era definido para o período posterior ao encerramento das atividades na embarcação. Durante os encontros, os participantes foram identificados por crachás, e as discussões registradas por meio de gravação de áudio, com consentimento prévio.
Período de Realização
A experiência ocorreu na terra indígena Coatá-Laranjal, situado às margens do rio Canumã (Amazonas) no período de 07 a 22 de fevereiro de 2026, durante uma expedição em embarcação fluvial do macroprojeto Ybyrá, aprovado em Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) e Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) sob CAAE nº 89405925.0.0000.9167.
Objetivo
Relatar o processo de construção e adaptação da técnica de grupo focal em um território indígena às margens do Rio Canumã, destacando os desafios metodológicos, interculturais e territoriais enfrentados, bem como os aprendizados produzidos na interface entre saberes acadêmicos e conhecimentos tradicionais.
Resultados
Foram realizados dois grupos focais (GF) em aldeias indígenas, conduzidos por uma equipe composta por quatro pesquisadores. O protocolo metodológico foi revisado previamente à realização do primeiro GF e seguido de forma sistemática. A equipe se organizou entre as funções de moderação do diálogo, registro em áudio, documentação fotográfica e identificação dos participantes.
O primeiro GF, realizado em uma estrutura social tradicional indígena (maloca), evidenciou importantes desafios metodológicos e interculturais, como o número de participantes superior ao planejado, em decorrência da adesão espontânea de membros da comunidade; interferências do ambiente, com a circulação de pessoas, crianças e animais; a tentativa de identificação numérica sendo prontamente substituída pelos participantes pela identificação nominal; a influência do uso de gravador móvel (pela amplitude do ambiente) no comportamento dos participantes e a disposição hierarquizada dos moderadores, que permaneceram em pé devido à insuficiência de assentos.
Com base na reflexão crítica e intercultural desses aspectos, o segundo GF ocorreu em espaço menor e mais controlado (escola em período de recesso), previamente avaliado quanto à estrutura e ambiência, o que também influenciou no controle do número de participantes, mantido dentro do limite estabelecido. O grupo foi organizado em roda com os moderadores posicionados ao mesmo nível dos participantes, o gravador foi fixado no centro e a identificação dos participantes foi mantida nominal. Obteve-se então um diálogo mais fluido, intimista e participativo, com maior engajamento dos participantes e melhor qualidade na captação do áudio.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência do primeiro grupo focal (GF) evidenciou que a condução de pesquisas qualitativas em territórios indígenas exige adaptações que considerem as dimensões culturais e as formas de organização social e produção de conhecimento locais. Após uma reflexão crítica do primeiro encontro, reformularam-se as estratégias metodológicas buscando maior alinhamento entre a técnica, o contexto sociocultural e a interculturalidade, como forma de potencializar a pesquisa, valorizando o conhecimento e o protagonismo comunitários. Portanto, apesar do planejamento prévio e elaboração do protocolo metodológico para realização dos GF conforme recomenda a literatura, a execução em campo demonstra-se desafiadora. Vivenciar o território Coatá-Laranjal nos permitiu reconhecer os limites da aplicação acrítica de técnicas padronizadas em contextos indígenas e a necessidade de adaptação metodológica sensível às dinâmicas locais.
RELAÇÃO DE SABERES NO PROCESSO DE CUIDADO EM SAÚDE EM UMA UNIDADE DE CONSERVAÇÃO DO AMAZONAS
Comunicação Oral Curta
1 UEA
Apresentação/Introdução
Os saberes populares constituem um conjunto de conhecimentos produzidos historicamente, dinâmicos e que se reinventam nas práticas cotidianas do cuidado em comunidades tradicionais. O conhecimento biomédico, embora hegemônico, não dá conta para responder às complexas demandas dos territórios amazônicos, em especial quando não se considera as dimensões socioculturais, modos de vida e formas locais de cuidado. Nesse sentido, Áreas de Proteção Ambiental, lugar de comunidades tradicionais, é espaço onde os distintos saberes se encontram, seja em tensão ou em confluência. O reconhecimento do cuidado como produção relacional, situado e culturalmente mediado emerge como elemento central para o fortalecimento da integralidade no âmbito do Sistema Único de Saúde.
Objetivos
Objetivos: Este estudo trata da análise dos no processo de cuidado em saúde em uma Área de Proteção Ambiental (APA) localizada no interior do Amazonas. Partiu-se do pressuposto de que o cuidado em saúde, nesses contextos, não se restringe às práticas institucionais, sendo produzido em redes vivas que articulam experiências, saberes e pertencimento ao território. Desse modo, objetiva-se caracterizar os atores sociais os atores sociais populares (parteiras, benzedeiras, rezadores, puxadores, erveiros, curandeiros, conhecedores de plantas e garrafadas e agentes comunitários) presentes na APA e suas principais práticas de cuidado na promoção da saúde coletiva; Conhecer e descrever as estratégias de cuidado utilizadas pela equipe de saúde ribeirinha e os modos como estas se relacionam com os saberes tradicionais no cotidiano do trabalho em saúde.
Conhecer e descrever as percepções, desafios e aprendizados dos profissionais de saúde e dos especialistas populares diante da coexistência entre práticas saberes técnico-científicos e tradicionais.
Metodologia
Metodologia: Trata-se de parte de um projeto de dissertação de mestrado em andamento, no campo da Saúde Coletiva, que se debruça sobre como os saberes populares ocupam lugar na produção do cuidado nas comunidades estudadas, especialmente no processo social da saúde. Embora a pesquisa esteja em fase de produção de dados, as reflexões apresentadas partem das inquietações do processo de pesquisa. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de base etnográfico-participativa, ancorada na Saúde Coletiva e na pesquisa-ação. A produção dos dados ocorreu por meio de observação participante, entrevistas semi-estruturadas, grupos de conversa e mapeamento socioterritorial, envolvendo profissionais da Estratégia Saúde da Família Ribeirinha e atores sociais populares reconhecidos pelas comunidades, como parteiras, benzedeiras, rezadores e conhecedores de plantas medicinais.
Resultados e Discussão
Resultados: Para uma realidade de múltiplas dimensões, é igualmente preciso um modelo de saúde de olhar pluralístico, que analise o indivíduo como resultado determinantes sociais, atuante na relação com o território e meio ambiente. Práticas como o uso de plantas medicinais, benzimentos e orientações transmitidas pela oralidade, entre gerações, não são alternativas complementares, mas assumem papel protagonista nas comunidades. Por outro lado, observa-se experiências de aproximação e diálogo com saberes institucionalizados, por meio da atuação das equipes de saúde. Nesses casos, o cuidado se constrói de forma mais compartilhada, reconhecendo os saberes populares como parte legítima do processo terapêutico. Essas experiências indicam a existência de brechas institucionais que permitem a construção de práticas mais sensíveis às especificidades socioculturais do território. A análise também revelou que os usuários não atuam a partir de uma lógica excludente entre saberes, mas constroem itinerários terapêuticos híbridos, combinando diferentes formas de cuidado de acordo com suas necessidades, formas de ver o mundo e possibilidades de acesso. Essa prática evidencia uma racionalidade própria, que desafia a fragmentação dos saberes, e aponta para a necessidade de diálogos que legitimem essa complexidade.
Conclusões/Considerações Finais
Conclusões/Considerações Finais. As tensões entre saberes são expressões de disputas simbólicas e epistemológicas sobre o que é reconhecido como cuidado legítimo. Nesse sentido, a prevalência de uma lógica de hierarquização dos saberes reflete heranças coloniais que ainda persistem nas prática em saúde. Entretanto, a presença ativa de saberes populares nas comunidades, como expressão de resistência sociocultural, aponta para a possibilidade de construção de práticas mais integradoras. Ao mesmo tempo, evidencia-se que os territórios amazônicos produzem formas próprias de cuidado, que não apenas resistem, mas também reinventam as práticas de saúde. Reconhecer e dialogar com essas formas constitui condição fundamental para a construção de um cuidado mais equânime, integral e comprometido com a diversidade de modos de vida.
RESGATE HISTÓRICO PARTICIPATIVO E PROMOÇÃO DA SAÚDE: FORTALECIMENTO ORGANIZATIVO DE ASSOCIAÇÃO CAMPONESA AGROECOLÓGICA EM MINAS GERAIS
Comunicação Oral Curta
1 UFOP
2 ACCAL
Contextualização
A Associação das Camponesas e Camponeses Agroecológicos de Lavras (ACCAL) surge, em 2018, como desdobramento dos trabalhos de campo da tese de doutorado “Construção de um processo social participativo de Promoção da Saúde para a superação do modelo do agronegócio: a experiência camponesa a partir da Salutogênese e da Agroecologia em Lavras – MG” (ABREU, 2018). Tal processo, construído de forma participativa junto a camponesas e camponeses do município de Lavras, Minas Gerais, culminou na constituição dessa associação como expressão organizativa de um movimento coletivo orientado à Transição Agroecológica e à Promoção da Saúde. Desde então, a ACCAL vem se constituindo como espaço de articulação entre dimensões produtivas, políticas e sociais, afirmando-se como alternativa ao modelo hegemônico do agronegócio.
Descrição
No percurso de sua consolidação, a ACCAL vivenciou, em 2022, um primeiro movimento de resgate e sistematização de sua trajetória, desenvolvido no âmbito de um projeto de Iniciação Científica vinculado à Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), que possibilitou a explicitação de sua trajetória, de seus princípios organizativos e de seus avanços e desafios. Esse processo evidenciou, também, novas demandas relacionadas à ampliação de sua base social, à intensificação de sua inserção em políticas públicas e ao aprofundamento de sua organização interna e externa. É nesse movimento contínuo de construção que se insere um segundo processo de resgate histórico. Esse passo atual é orientado ao fortalecimento das estruturas e ações da ACCAL; ao fortalecimento da associação enquanto sujeito coletivo; à produção de subsídios para a reflexão sobre seus caminhos futuros; à disseminação da transição agroecológica na região; e, consequentemente, ao aprofundamento do processo de Promoção da Saúde em curso.
Período de Realização
Setembro de 2025 a agosto de 2026.
Objetivo
Dar continuidade ao processo participativo de resgate histórico da ACCAL, compreendendo-o como instrumento de fortalecimento organizativo, produção de sentido coletivo e apoio à construção de caminhos para o aprofundamento de sua atuação e promoção da saúde no território.
Resultados
A oficina da segunda etapa de resgate histórico, realizada no dia primeiro de fevereiro de 2025, contou com a participação de 18 sujeitos, entre membros fundadores, novos integrantes e apoiadores da ACCAL. Conduzida a partir de uma Perspectiva-Ação-Participativa, possibilitou a reconstrução coletiva da trajetória da associação, bem como a validação e atualização de seus marcos históricos. A partir desse processo, foram identificadas transformações recentes na ACCAL, incluindo a ampliação do número de famílias participantes, a inserção em políticas públicas e a consolidação de estratégias de comercialização agroecológica. Também foram registradas iniciativas de articulação com organizações camponesas, em especial o Movimento dos Pequenos Agricultores do Brasil (MPA).
Aprendizado e Análise Crítica
O resgate histórico participativo mostrou-se central no momento atual da ACCAL, especialmente com a entrada de novos membros e a ampliação de suas frentes de atuação e organização. Ao retomar coletivamente sua trajetória, a associação favoreceu o reconhecimento entre os sujeitos e o alinhamento ao projeto coletivo, fortalecendo a coesão interna. Ao mesmo tempo, explicitou tensões do crescimento organizativo, como o alinhamento de expectativas, práticas produtivas e posicionamentos políticos entre sujeitos com diferentes níveis de inserção. Esses desafios se intensificaram com a ampliação da participação em políticas públicas e redes organizativas, exigindo maior articulação e definição coletiva de rumos. Nesse contexto, o fortalecimento da associação tem sustentado espaços de reflexão, memória e elaboração compartilhada, orientando decisões e contribuindo para a continuidade dos processos de promoção da autonomia e de transição agroecológica camponesa.
Desta forma aponta-se que a Promoção da Saúde tem se expressado na participação social e na troca de experiências, fortalecendo a consciência política e habilidades sociais. A produção agroecológica em transição, ao se aprofundar por meio do acesso e conquista de políticas públicas e de organização social, reduz danos do modelo hegemônico, como o uso de agrotóxicos, a degradação ambiental e a subalternização e descredibilização dos conhecimentos, práticas e modo de vida camponês.
RESISTIR E SUSTENTAR: O PROTAGONISMO FEMININO NAS FEIRAS LIVRES DO SEMIÁRIDO BAIANO.
Comunicação Oral Curta
1 UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
Contextualização
As feiras livres no semiárido brasileiro configuram-se como espaços estratégicos de produção, circulação de alimentos e reprodução social, articulando dimensões econômicas, culturais e políticas. Nesse contexto, destacam-se como territórios de expressão dos saberes ancestrais e das práticas agroecológicas, especialmente protagonizadas por mulheres. No entanto, apesar de sua centralidade, essas atuações ainda são frequentemente invisibilizadas, sobretudo quando atravessadas por desigualdades de gênero, classe e território.
Descrição
Trata-se de um relato de experiência construído a partir de visita à feira livre do município de Baixa Grande (BA), realizada em fevereiro de 2025, no âmbito do projeto de extensão Mapeia Ser’Tão, desenvolvido em parceria entre a Rede Pintadas e a Universidade Federal da Bahia. A vivência foi conduzida por meio de observação participante, com registros em diário de campo, contemplando aspectos como organização das bancas, divisão sexual do trabalho, origem dos alimentos e interações entre feirantes e consumidores.
Período de Realização
Fevereiro de 2025
Objetivo
Analisar o protagonismo feminino na dinâmica das feiras livres do semiárido baiano, com ênfase na atuação das mulheres como agentes de produção, comercialização e circulação de saberes, bem como discutir suas implicações no campo do trabalho, saúde e ambiente.
Resultados
A experiência evidenciou que as mulheres ocupam posição central na organização e funcionamento da feira livre, atuando na comercialização dos produtos, no atendimento ao público, na gestão da renda e na manutenção de práticas tradicionais de preparo e conservação dos alimentos. Observou-se, ainda, seu papel ativo na circulação de saberes agroecológicos e na articulação comunitária, reafirmando a feira como espaço de resistência cultural e fortalecimento de identidades locais.
Destaca-se que o protagonismo feminino não se expressa apenas na presença numérica, mas na capacidade de mediação das relações sociais e na sustentação da dinâmica econômica e simbólica da feira. Ao mesmo tempo, a vivência permitiu reconhecer processos de sobrecarga de trabalho, especialmente relacionados à dupla jornada, evidenciando tensões entre as esferas produtiva e reprodutiva.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência aponta que as feiras livres constituem espaços de resistência e produção de vida, nos quais as mulheres exercem protagonismo fundamental, ainda que em condições marcadas por desigualdades estruturais. Nesse sentido, o trabalho feminino nesses territórios revela tanto potência quanto precarização, exigindo uma leitura que articule gênero, território e modos de vida.
Além disso, evidencia-se a necessidade de políticas públicas que reconheçam e valorizem essas mulheres enquanto sujeitas centrais na garantia da Segurança Alimentar e Nutricional, bem como na preservação de práticas agroecológicas e saberes ancestrais. A invisibilização desse protagonismo contribui para a reprodução de desigualdades e fragiliza a sustentabilidade desses sistemas alimentares locais.
SABEDORIAS ANCESTRAIS E PRÁTICAS DE CURA EM COMUNIDADES DE TERREIRO
Comunicação Oral Curta
1 UFBA
2 UFRB
Apresentação/Introdução
As comunidades de terreiro representam espaços fundamentais de resistência e promoção da saúde no Brasil, especialmente na Bahia, onde saberes ancestrais coexistem com a biomedicina moderna. O terreiro é compreendido como um território de acolhimento e pertencimento, onde a cura é mediada pela organização coletiva e pelo respeito a valores tradicionais. Diferente da visão ocidental fragmentada, a cosmologia de terreiro conecta a saúde humana às forças do universo, integrando as dimensões física, emocional, espiritual e comunitária Paz (2015). A saúde é percebida como uma relação indissociável entre o simbólico e o concreto, pautada na manutenção do axé a força vital necessária para o equilíbrio.
Objetivos
Este trabalho busca analisar as práticas de cura em comunidades tradicionais de terreiro, investigando como a sabedoria ancestral, o uso de ervas e a atuação dos sacerdotes constituem uma rede de apoio e promoção da saúde integral. Objetiva-se também discutir o conceito de "adorcismo" e o papel da palavra e da escuta como instrumentos terapêuticos.
Metodologia
A presente pesquisa fundamenta-se em uma revisão bibliográfica de autores referenciais no campo das religiões de matriz africana e saúde, como Alves e Siminotti, Denize Ribeiro, Reginaldo Prandi e Araújo e Carreno. Adicionalmente, utiliza-se o método de análise qualitativa a partir de fragmentos de entrevistas concedidas por lideranças religiosas, como Pai Elias de Ogum, permitindo confrontar a teoria com a vivência prática nos solos sagrados.
Resultados e Discussão
Os resultados indicam que o processo saúde-doença no terreiro é interpretado através de uma visão sistêmica complexa. Conforme Alves e Siminotti (2009), às práticas terapêuticas fundamentam-se em uma cosmologia onde o mundo físico e o espiritual são interdependentes e se complementam. Um conceito central é o de "adorcismo", onde a doença não é vista apenas como um mal a ser combatido, mas como um sinal do orixá que comunica a presença divina e convida ao autoconhecimento. Segundo Ribeiro (2002), o que seria patogênico no Ocidente é reconhecido como terapêutico no Candomblé. As causas das doenças são multifacetadas, podendo ter origens naturais, por feitiço, insatisfação divina ou pelo próprio destino individual (ori). Nesse contexto, o sacerdote assume o papel de "cuidador em saúde", pois detém os segredos (awos) para interferir no processo natural das enfermidades. Prandi (2011) elucida que o terreiro funciona como uma "agência de cura", onde o diagnóstico via jogo de búzios precede tratamentos como banhos, ebós e o uso de folhas. O uso das ervas (ewé) é estruturante. Ossaim, o orixá das plantas, rege o poder de cura e renovação da natureza. Práticas como o uso de "garrafadas" preparados com raízes e cascas e banhos de purificação com arruda e alecrim são essenciais para reequilibrar o axé. Como aponta Pai Elias de Ogum (2025), o Candomblé possui folhas para curar "todo tipo de coisa", desde males físicos até desequilíbrios espirituais. Além disso, a palavra e a escuta são instrumentos potentes. O bori, ritual de oferenda ao Ori (cabeça) em prol do apaziguamento. Santos (2012) afirma que a palavra impregnada de axé e pronunciada com hálito possui poder de ação e transformação da realidade. A escuta no terreiro é ativa, oferecendo um espaço de pertencimento crucial para o fortalecimento psíquico, especialmente para a população negra.
Conclusões/Considerações Finais
As práticas de cura em comunidades de terreiro transcendem a cura física, promovendo uma saúde integral que valoriza o sujeito em sua totalidade. O terreiro funciona como uma rede de solidariedade e proteção que dialoga com a Política Nacional Saúde Integral da População Negra (PNSIPN) e da Política Nacional para Povos e Comunidades de Terreiro e de Matriz Africana (PNPTMA) do SUS. A tradição afro-brasileira humaniza o cuidado através do acolhimento e do respeito à história individual e coletiva. Conclui-se que o reconhecimento desses saberes é vital para a construção de um sistema de saúde verdadeiramente inclusivo e sensível às diversidades culturais.
SANEAMENTO INACABADO, INFÂNCIA INTERROMPIDA: MORTALIDADE INFANTIL EM TERRITÓRIOS INDÍGENAS E A PRODUÇÃO DAS INIQUIDADES NO BRASIL
Comunicação Oral Curta
1 IAM /FIOCRUZ
2 UPE
3 UFPE
Apresentação/Introdução
A persistência de agravos evitáveis na infância em territórios indígenas no Brasil expressa a produção histórica de iniquidades em saúde, fortemente associadas à precariedade do saneamento básico. Mais do que ausência de infraestrutura, trata-se de um cenário em que políticas públicas não se materializam plenamente nos territórios, ao mesmo tempo em que saberes e modos de vida indígenas permanecem marginalizados nos processos de cuidado. Nesse contexto, o saneamento deve ser compreendido como dimensão territorial, política e cultural da saúde, exigindo abordagens que considerem a complexidade dos processos sociais e ambientais.
Objetivos
Analisar as condições de implementação de ações de saneamento em territórios indígenas de Pernambuco e sua relação com a produção de agravos infantis sensíveis às condições ambientais.
Metodologia
Estudo ecológico e documental, com base em dados secundários do Plano Nacional de Saneamento em Terras Indígenas (PLANINFRA). Foram analisadas a presença e a situação das intervenções de saneamento em territórios indígenas de Pernambuco. Para contextualização epidemiológica, utilizaram-se dados do Global Burden of Disease (GBD 2023), com ênfase em agravos na infância sensíveis ao saneamento, como doenças infecciosas, respiratórias e diarreicas. A análise foi orientada pela perspectiva da determinação social da saúde, articulando dimensões estruturais, territoriais e ambientais.
Resultados e Discussão
Foram identificadas 12 intervenções de saneamento previstas em territórios indígenas de Pernambuco, todas classificadas como “em andamento”, sem registro de obras concluídas, evidenciando a permanência de um saneamento que não se concretiza nos territórios. Esse cenário revela a manutenção de déficits estruturais no acesso à água segura e ao esgotamento sanitário, configurando uma materialização incompleta de políticas públicas essenciais.Dados do GBD 2023 indicam que doenças infecciosas, respiratórias e diarreicas permanecem entre as principais causas de carga de doença na infância em Pernambuco, agravos reconhecidamente sensíveis às condições de saneamento.A articulação desses achados evidencia que a persistência desses agravos não pode ser compreendida de forma isolada, mas como resultado de processos estruturais que envolvem a implementação desigual de políticas públicas, a produção de vulnerabilidades territoriais e a desvalorização de saberes indígenas nos modos de cuidado.
Conclusões/Considerações Finais
Os resultados apontam para a produção de um saneamento inacabado como expressão das iniquidades em saúde que atravessam os territórios indígenas. Enfrentar esse cenário exige superar abordagens fragmentadas, reconhecendo a saúde como fenômeno complexo e indissociável do território, do ambiente e dos modos de vida. Nesse sentido, torna-se fundamental incorporar perspectivas que valorizem os saberes dos povos e fortaleçam o protagonismo dos sujeitos na construção do cuidado no SUS. A persistência desses agravos não é apenas um problema sanitário, mas a expressão de processos estruturais que definem quais vidas são protegidas e quais permanecem expostas à negligência.
TRAJETÓRIAS DE LUTA DAS MULHERES INDÍGENAS PELO DIREITO À SAÚDE: UMA ANÁLISE DE CARTAS ABERTAS
Comunicação Oral Curta
1 ILMD/Fiocruz Amazônia
2 Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca
Apresentação/Introdução
Apresentação/Introdução: Nos últimos anos, as mulheres Indígenas têm se fortalecido e ampliado seu acesso a espaços políticos, com maior presença nas organizações indígenas e criando, em 2021, a Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA), e organizaram três mobilizações nacionais. Dentre as agendas e reivindicações que elas têm evidenciado, está a necessidade de visibilidade e avanço na pauta da saúde das mulheres Indígenas. Isso porque, mesmo com avanços e a estruturação do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SASI), ainda persistem lacunas assistenciais e evidências de indicadores desfavoráveis, que particularmente afetam a saúde das mulheres Indígenas. Apesar de a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM) reconhecer os desafios que afetam as mulheres Indígenas, não apresenta aprofundamento nas questões e estratégias para esse público (BRASIL, 2004).
Objetivos
Nesse cenário, a presente pesquisa buscou sistematizar os discursos e pautas a partir da análise documental de cartas elaboradas por organizações e eventos de mulheres Indígenas.
Metodologia
A pesquisa foi realizada entre 2021 e 2023, fez levantamento de dados de acesso público de materiais escritos e audiovisuais, que foram analisados à luz da análise de conteúdo. Entre as fontes analisadas, incluíram-se documentos produzidos em conferências de mulheres Indígenas, publicados como cartas abertas ao Estado e à sociedade. Os documentos levantados foram analisados em três fases: pré-análise dos materiais, descrição analítica e interpretação embasada em referencial teórico.
Resultados e Discussão
Resultados e discussão: Foram analisados 26 documentos, dos quais emergiram três categorias principais: (1) organizações de mulheres Indígenas; (2) prática terapêutica das mulheres Indígenas; e (3) dificuldades de acesso aos serviços de saúde, na perspectiva das mulheres Indígenas. Na primeira categoria, observaram-se os pressupostos centrais acionados pelas mulheres Indígenas, como a violência de gênero, o racismo e a proteção territorial, que as afetam no campo da saúde. A segunda categoria evidenciou a importância das práticas tradicionais das mulheres Indígenas e suas especialistas, como as parteiras, e as denúncias da persistente invisibilidade e desvalorização dos conhecimentos indígenas nos serviços de saúde. Assim, as mulheres demandam “normativas permitindo o parto nas aldeias”, bem como o fortalecimento da atenção humanizada e o incentivo à troca de saberes entre parteiras de diferentes povos e profissionais de saúde. Por fim, na terceira categoria, os documentos apontam fragilidades na atenção à saúde das mulheres Indígenas no que tange às ações de saúde pública, como falta de acesso e baixa qualidade da prestação de serviços. Das categorias centrais identificadas, evidenciam-se as vozes das mulheres Indígenas, que emergem em diversas frentes de atuação e lutam por reconhecimento, direitos básicos de saúde e valorização dos conhecimentos indígenas. Destaca-se que o debate das mulheres Indígenas enfatiza a relação entre saúde, território e cultura. Destacamos os impactos negativos do racismo e da violência de gênero, que afetam a vida e a saúde das mulheres Indígenas. As mulheres Indígenas evidenciam seu enorme potencial e capacidade de articulação e proposição para subsidiar a construção de políticas públicas específicas.
Conclusões/Considerações Finais
Conclui-se que as mulheres Indígenas apresentam uma agenda própria, a partir de suas necessidades específicas, em busca da construção de políticas públicas que respeitem as particularidades desse grupo, e reivindicam não somente consulta e participação, mas protagonismo na organização de políticas públicas.
VIVENDO A EQUIDADE NA PRÁTICA: EXPERIÊNCIA DE UMA VIVÊNCIA NO CORAÇÃO DA AMAZÔNIA
Comunicação Oral Curta
1 UFOPA
2 PROFSAÚDE UFOPA
3 PROFSAÚDE UFOPA/ISCO UFOCA
4 PROFSAÚDE UFOPA/ISCO UFOCA/UFSC
Contextualização
A região amazônica é marcada por baixa densidade demográfica e grande variedade cultural o que resulta em uma pluralidade de cenários que também se expressa nas peculiaridades necessárias para a circulação da população e dos moradores das regiões de rios, várzeas, planalto, aglomerados subnormais entre outros. A dinâmica territorial e a diversidade populacional resultou em um cenário de atenção à saúde intimamente relacionada às demandas dos diferentes grupos e movimentos sociais e, com isso, a operacionalização de políticas de saúde que promovem a implementação de políticas de equidade de forma dinâmica, dialogada e, ao mesmo tempo, tensionada pelos diferentes movimentos sociais e por suas demandas pelo acolhimento e pela humanização. A importância do princípio da equidade e dos dilemas de sua aplicação nesse contexto implicam que os profissionais de saúde componham uma rede resiliente de gestores, trabalhadores e usuários do SUS para compreender a diversidade das demandas e necessidades diante do quadro de subfinanciamento crônico e da inadequação dos modelos de financiamento verticalizados e com pouca adesão ao modelo ideal de saúde no contexto amazônico que inclui grandes distâncias geográficas e valores logísticos acima dos contextos nacionais, desenvolvendo tecnologias para compor dissensos e tensões dos diversos atores do território.
Descrição
Relato de experiência do processo de elaboração, execução e avaliação de uma experiência de vivência de estudantes em diferentes cenários de saúde dentro do território amazônico financiado pelo Ministério da Saúde.
Período de Realização
De dezembro de 2025 a abril de 2026.
Objetivo
Descrever o processo teórico, dialógico e reflexivo do processo de construção de uma vivência focada na imersão no contexto da equidade e da avaliação da execução do processo.
Resultados
A construção da proposta partiu da coordenação de militantes do SUS local, com ênfase na instituição de ensino, conselho de saúde, representantes dos movimentos sociais e participantes de outras promovidas nacionalmente. Durante a elaboração, definiu-se que a vivência pudesse refletir a complexidade de cenários e territórios no contexto amazônico, e não se limitando a um cenário específico. A vivência permitiu que se conhecesse um território urbano periférico, um território quilombola, um território indígena e um território ribeirinho. Dos participantes, a maioria era da região norte. A baixa variação geográfica foi reflexo das desistências decorrentes do alto custo logístico até a chegada ao local da vivência, característico da região. Os territórios em que houve a imersão possibilitou promover a troca com os profissionais locais de saúde, usuários e representantes do movimento social. Em territórios mais distantes, a oferta de alimentação foi feita de forma colaborativa, incluindo a organização e viventes na produção de refeições compartilhadas. Também foi garantido momentos de troca cultural e produção estética. A participação dos viventes na construção metodológica e da troca com os atores locais foi estimulada ativamente, permitindo o fomento do protagonismo dos atores locais.
Aprendizado e Análise Crítica
A construção de uma vivência evidencia a relevância do planejamento coletivo como elemento fundamental para organização de propostas formativas alinhadas às necessidades do SUS, especialmente em contextos complexos como o amazônico. Nesse processo, destaca-se o papel central de movimentos sociais não só como parceiros, mas como sujeitos ativos na produção de saberes e na construção de práticas em saúde mais equitativas e territorializadas. Além disso, a elaboração da vivência reforça a importância da adoção de metodologias participativas e dialogadas na formação de saúde, capazes de promover o protagonismo dos sujeitos envolvidos. Outro aspecto relevante refere-se a valorização da interculturalidade no cuidado, reconhecendo os diferentes saberes, práticas e modos de vida presentes no território.
O protagonismo do cenário Amazônico nos debates sobre as tecnologias para conter o avanços das mudanças climáticas privilegia tecnologias duras, como a implementação de unidades fluviais ou o uso dos meios digitais como telessaúde. Apesar dessas tecnologias serem importantes meios para a qualificação da assistência à saúde, a vivência evidenciou a falta de integração com os territórios vivos e das experiências de territorialização das populações no contexto amazônico. A tecnologia do cuidado que surge a partir dos profissionais e usuários das áreas urbanas e rurais nos territórios demonstra que a tensão entre igualdade e equidade é um importante elemento que acaba gerando escolhas e priorizações, cujas tecnologias são um importante conhecimento para os profissionais de saúde.
“DR. SORRISO DA FLORESTA”: ESTRATÉGIA DE PROMOÇÃO DO ACESSO À SAÚDE BUCAL EM COMUNIDADE RIBEIRINHA DE MANAUS, AM
Comunicação Oral Curta
1 Secretária Municipal de Saúde de Manaus
Contextualização
O termo 'população ribeirinha' refere-se ao conjunto de pessoas que residem em áreas
próximas à cursos d’água e que dependem dos recursos naturais desse ecossistema para sua subsistência. Essa população é contemplada pelo Decreto Nº 6.040/2007, que institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais - PNPCT e pela pela portaria n° 2.866/2011 que institui a Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo e da Floresta – PNSIPCF. O Brasil preconiza a “universalidade” e “equidade”, sendo esses, dois dos três princípios básicos do Sistema Único de Saúde (SUS). Assim, o acesso aos serviços de saúde são dificultados com baixa oferta para muita demanda, principalmente nessas regiões, onde é necessário ultrapassar barreiras locais que envolvem ausência de saneamento básico, água tratada e baixo nível de escolaridade, ocasionados por limitações territoriais inerentes à Amazônia Legal. Desde 2011, com a inclusão da equipe de saúde bucal na Estratégia Saúde da Família na comunidade Nossa Senhora do Livramento, município de Manaus, busca-se garantir o fortalecimento do acesso dos usuários com ações inovadoras de cuidado. A comunidade está localizada à margem esquerda do Baixo Rio Negro, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé, com acesso exclusivamente fluvial. A população-alvo é composta por povos originários não aldeados e caboclos ribeirinhos e enfrentava desafios na adesão às ações de saúde, o que trouxe motivação a realizar essa experiência.
Descrição
Trata-se de um estudo descritivo do tipo relato de experiência, desenvolvido na comunidade Nossa Senhora do Livramento, situada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé. A intervenção baseou-se na implementação de estratégias lúdicas e educativas voltadas à ampliação do acesso e da adesão às ações de saúde bucal. Destaca-se a criação do personagem “Dr. Sorriso da Floresta”, utilizado como tecnologia leve para facilitar a comunicação e fortalecer o vínculo com a comunidade. As ações foram realizadas em diferentes cenários do território, incluindo domicílios, escolas, roças, igarapés e espaços coletivos, respeitando as especificidades locais. Foram desenvolvidas atividades como busca ativa de gestantes, incentivo ao pré-natal odontológico, distribuição de kits de higiene bucal, utilização de rádio comunitária com conteúdos educativos (“Momento Saúde”) e implementação de práticas coletivas, como a “Maloca do Conto”, grupos de idosos, passeatas temáticas e ações educativas com escolares.
Período de Realização
2011 até os dias atuais.
Objetivo
Relatar a experiência de promoção, inclusão e ampliação do acesso à saúde bucal para os usuários do Sistema Único de Saúde da comunidade rural/ribeirinha Nossa Senhora do Livramento, em Manaus-AM.
Resultados
A experiência de garantir o acesso à consulta odontológica apresentou resultados positivos, com uma grande aceitação do novo modelo de saúde adotado. A crescente participação nas ações coletivas, como a Maloca do Conto, grupo de idosos, gestantes, passeatas, teatro com comunitários, escolares e rodas de conversa, demonstrou o envolvimento ativo da comunidade, pois quando se iniciou em 2011, antes desse enfoque mais preciso e direto percebia-se desinteresse e pouca participação nas atividades relacionadas à saúde como um todo. A adesão das gestantes ao pré-natal odontológico aumentou significativamente, refletindo a eficácia das estratégias de engajamento. A interação entre a comunidade e a Unidade de Saúde da Família Rural Nossa Senhora do Livramento também se fortaleceu, resultando em maior cooperação nas ações de saúde. Houve uma evolução na saúde bucal da comunidade, com destaque para os escolares, que passaram a adotar hábitos mais saudáveis, como a escovação diária nas escolas. Quando se iniciou o CPOD era 6,6 (muito alto), com o trabalho consolidado, diminuiu para 2,6 (baixo), segue-se em busca de um índice muito baixo aos 12 anos. Assim, o plano de cuidado proposto foi concebido e implementado na busca de ampliar o direito de acesso à saúde bucal como uma condição de cidadania. Os resultados evidenciam o impacto das abordagens criativas na promoção da saúde, mostrando que, mesmo em contextos desafiadores, é possível alcançar avanços significativos.
Aprendizado e Análise Crítica
A estratégia “Dr. Sorriso da Floresta” demonstrou ser uma abordagem eficaz para ampliar o acesso e promover a saúde bucal em contexto ribeirinho, contribuindo para a redução de iniquidades em saúde. A utilização de tecnologias leves, associada à valorização do território e à participação comunitária, mostrou-se fundamental para o sucesso das ações. Ressalta-se a importância da adaptação das práticas às realidades locais, do fortalecimento do vínculo entre profissionais e usuários e da inovação no âmbito da Atenção Primária à Saúde. A experiência
Realização: