Programa - Comunicação Oral Curta - COC17.1 - Protagonismo dos povos tradicionais, seus saberes ancestrais no campo da educação popular e as contribuições na saúde coletiva nos territórios (4)
18 DE SETEMBRO | SEXTA-FEIRA
08:30 - 10:00
08:30 - 10:00
AQUILOMBAMENTO, CIÊNCIAS ANCESTRAIS E TECNOLOGIAS DE CUIDADO: TERREIROS DE MATRIZ AFRICANA NA PRODUÇÃO DA SAÚDE COLETIVA
Comunicação Oral Curta
1 Fiocruz - Brasília
Apresentação/Introdução
A saúde, como direito humano fundamental, envolve dimensões sociais, culturais, espirituais e territoriais. No Brasil, embora o SUS se fundamente na universalidade, integralidade e equidade, persistem desigualdades raciais que impactam a população negra. O racismo institucional atua como determinante social da saúde, produzindo barreiras de acesso e cuidado. Soma-se a isso o racismo religioso, evidenciado pelo aumento da intolerância contra religiões de matriz africana. Nesse contexto, os terreiros configuram-se como territórios de cuidado, articulando espiritualidade, alimentação, uso de plantas medicinais e redes comunitárias. Tais práticas constituem tecnologias sociais e ancestrais que ampliam a compreensão do processo saúde-doença.
Objetivos
Analisar os terreiros de matriz africana como tecnologias sociais de cuidado, articulando o conceito de aquilombamento ao debate sobre educação popular, equidade e produção da saúde coletiva.
Metodologia
Trata-se de pesquisa qualitativa, exploratória e analítico-crítica, fundamentada na Saúde Coletiva, direitos humanos e epistemologias afro-brasileiras. Foram realizadas revisão bibliográfica, análise documental e abordagem antropológica inspirada em princípios etnográficos, com observação participante, escuta sensível e imersão em territórios de terreiro no Distrito Federal e entorno. Utilizou-se também cartografia social como metodologia participativa, permitindo a construção coletiva do conhecimento e a leitura crítica do território.
Resultados e Discussão
Os resultados evidenciam os terreiros como territórios educativos e de produção de saúde, onde conhecimentos são construídos de forma intergeracional e relacional. Práticas como alimentação coletiva, uso de plantas medicinais, cultivo agroecológico, escuta e acolhimento configuram tecnologias de cuidado que articulam dimensões físicas, emocionais, espirituais e territoriais. A cartografia social possibilitou visibilizar essas práticas e fortalecer o protagonismo comunitário. Os terreiros também atuam como redes de proteção social em contextos de vulnerabilidade, expressando o aquilombamento como forma de organização da vida coletiva. Entretanto, persistem processos de deslegitimação desses conhecimentos, associados ao racismo institucional e às hierarquias epistemológicas.
Conclusões/Considerações Finais
Os terreiros de matriz africana constituem tecnologias fundamentais para a produção da saúde e para o enfrentamento das desigualdades raciais. Seu reconhecimento implica afirmar direitos à saúde, cultura, liberdade religiosa e identidade. A invisibilização desses conhecimentos configura violação de direitos humanos. Fortalecer essas práticas contribui para a construção de políticas públicas antirracistas e interculturais e para um sistema de saúde mais justo, plural e comprometido com a equidade. O aquilombamento emerge como prática viva de resistência e horizonte político de reorganização da vida coletiva.
DIÁLOGO DE SABERES E CUIDADO EM SAÚDE NO TERRITÓRIO RURAL AMAZÔNICO: RELATO DE EXPERIÊNCIA EM EDUCAÇÃO POPULAR EM SAÚDE
Comunicação Oral Curta
1 UEA
Contextualização
As populações rurais e tradicionais são compreendidas como grupos sociais cujos modos de vida, tanto socioeconômico quanto sociocultural, estão profundamente vinculados ao território em que vivem, estabelecendo com ele relações de pertencimento, uso e significado que orientam práticas cotidianas de cuidado e organização comunitária (Brasil, 2013). Nesse contexto, a oficina foi realizada na Comunidade Nova Canaã, localizada a 41 quilômetros da cidade de Manaus, área rural do estado do Amazonas. A comunidade fica a 66 Km do município de Presidente Figueiredo e tem acesso pelo Ramal ZF1, que interliga as rodovias BR-174 e AM-010, no limite do município de Rio Preto da Eva. Esse território é marcado por modos de vida e práticas de cuidado sustentadas em saberes tradicionais (Rodrigues, 2023). A partir dessa inserção territorial, o encontro com os comunitários configurou-se como desdobramento das atividades realizadas pela mestranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade do Estado do Amazonas, vinculada ao projeto de extensão PopFlora (Saúde das Populações do Campo, da Floresta e das Águas), cuja atuação se orienta pela valorização dos conhecimentos locais e pelo fortalecimento do diálogo entre saberes populares e científicos.
Descrição
Participaram da oficina a farmacêutica, a enfermeira da Unidade Básica de Saúde, ambas mestrandas do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, além de sete comunitários previamente convidados. A atividade, orientada pelos princípios da Educação Popular em Saúde, priorizou a valorização dos diferentes tipos de saberes. Inicialmente, a farmacêutica compartilhou sua experiência de vida com o diabetes, o que estimulou relatos de desafios e estratégias de cuidado entre os comunitários que vivenciam a mesma condição. Ao compartilhar seu saber-fazer, relacionado às adaptações alimentares e ao cotidiano da insulinoterapia, bem como seu saber-ser no convívio com a doença, a profissional contribuiu para o fortalecimento de vínculos e a troca de experiências entre os participantes. Como estratégia metodológica, proposta pela enfermeira da equipe, cada participante foi convidado a levar uma planta medicinal utilizada em seu cotidiano, apresentando seus modos de uso, significados culturais e práticas associadas ao cuidado em saúde. Emergiram relatos associados ao uso das seguintes plantas: a raiz do açafrão (Curcuma longa L.); a folha do capim-santo (Cymbopogon citratus); a mucilagem da babosa (Aloe vera); a folha de boldo (Plectranthus barbatus); a raiz do gengibre (Zingiber officinale); a folha da canela (Ocotea puberula (Rich.) Ness.), a folha do crajiru (Arrabidaea chica); o fruto do jucá (Libidibia férrea); a amêndoa do cumaru (Dipteryx odorata); a folha da pitanga (Eugenia uniflora L.) e a casca do fruto do jatobá (Hymenaea courbaril L), evidenciando a diversidade de saberes que atravessam as práticas de cuidado em saúde no território.
Período de Realização
A oficina foi realizada em março de 2026.
Objetivo
O objetivo foi valorizar os saberes da experiência e os saberes tradicionais presentes na comunidade, promovendo a troca de conhecimentos e experiências entre participantes e profissionais de saúde, a partir do diálogo horizontal e da construção coletiva do cuidado.
Resultados
A ação desenvolvida promoveu o fortalecimento comunitário e a integração entre saberes populares e científicos, favorecendo uma participação ativa dos sujeitos nos processos de cuidado. Observou-se ainda o reconhecimento entre pares e a ressignificação da concepção do profissional de saúde como único detentor do saber, permitindo relações mais horizontais e a construção compartilhada do cuidado.
Aprendizado e Análise Crítica
No contexto rural, as distâncias ultrapassam a dimensão geográfica e expressam desafios relacionais na construção de vínculos capazes de reconhecer as especificidades socioculturais dos territórios (Santos; Gerhardt, 2016). A Estratégia Saúde da Família tem favorecido a inserção dos profissionais nas realidades locais, exigindo a reorientação das práticas assistenciais e o desenvolvimento de competências relacionais que favoreçam o diálogo entre diferentes saberes. Nesse contexto, o cuidado em saúde configura-se como um processo relacional que articula diferentes racionalidades e modos de produção do conhecimento. Os saberes tradicionais, construídos na experiência cotidiana e transmitidos entre gerações (Diegues et al., 2000; Mendonça et al., 2007), dialogam com o saber-fazer, o saber-ser e o saber-comunicar, evidenciando a pluralidade epistemológica que sustenta o cuidado como prática social e culturalmente produzida. Assim, à luz da Educação Popular em Saúde e da concepção ampliada do processo saúde-doença-cuidado, compreende-se que o encontro entre profissionais de saúde e comunitários se sustenta nos princípios da solidariedade, da amorosidade e da leitura crítica da realidade como fundamentos para o desenvolvimento de processos educativos emancipatórios e para a ampliação da participação social.
EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA EM COMUNIDADES INDÍGENAS DE MANAUS: CONTRIBUIÇÕES PARA A SAÚDE E FORMAÇÃO ACADÊMICA
Comunicação Oral Curta
1 Fametro
2
Contextualização
A formação em saúde, pautada pelos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), exige a integração entre ensino, serviço e comunidade. Este cenário é particularmente relevante em contextos marcados por desigualdades sociais e limitações no acesso aos serviços de saúde. A extensão universitária, nesse sentido, estimula a prática discente a desenvolver uma perspectiva humanística, voltada à prestação de serviços em localidades de difícil acesso. Essa interação promove a troca entre o conhecimento científico e as práticas tradicionais, resultando no compartilhamento de saberes. A formação em saúde, pautada pelos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), exige a integração entre ensino, serviço e comunidade. Este cenário é particularmente relevante em contextos marcados por desigualdades sociais e limitações no acesso aos serviços de saúde. A extensão universitária, nesse sentido, estimula a prática discente a desenvolver uma perspectiva humanística, voltada à prestação de serviços em localidades de difícil acesso. Essa interação promove a troca entre o conhecimento científico e as práticas tradicionais, resultando no compartilhamento de saberes.
Descrição
Foram realizadas palestras utilizando o formato de pôster científico/acadêmico, com as apresentações subsequentemente divididas por grupos específicos, focando nas particularidades informadas pelos coordenadores da comunidade. Os tópicos abordados incluíram doenças endêmicas e suas formas de transmissão, com orientações sobre prevenção em um contexto geral. Ações de educação em higiene e saúde bucal foram direcionadas ao grupo infantil, enquanto a prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) foi discutida com o grupo de jovens. Adicionalmente, foram oferecidas aferições de pressão arterial e testes glicêmicos.
Período de Realização
A atividade ocorreu no período matutino de 19 de abril de 2025, em uma comunidade indígena de Manaus/AM. Contou com a participação de 30 discentes e beneficiou aproximadamente 40 pessoas, incluindo moradores locais e visitantes. A ação foi desenvolvida pelo docente responsável pela disciplina de Saúde Indígena e executada por graduandos da área da saúde, sob a supervisão do professor.
Objetivo
Este relato tem como objetivo apresentar a vivência e a experiência de uma ação extensionista em saúde, desenvolvida em uma comunidade indígena em seu ambiente originário, destacando suas contribuições para a promoção da saúde e para a formação acadêmica, com foco na promoção da saúde e na troca de saberes.
Resultados
A experiência resultou em um interesse mútuo entre os participantes e os acadêmicos, promovendo a troca de experiências sobre o cotidiano dos povos indígenas, incluindo ritos, alimentação, danças e práticas ancestrais. Isso proporcionou uma imersão na cultura da comunidade e fortaleceu o vínculo entre as práticas de assistência da enfermagem na saúde indígena. Tornou-se possível, assim, a compreensão da cultura local e dos cuidados científicos, confirmando a efetividade da troca de conhecimento.
Aprendizado e Análise Crítica
No âmbito educacional, a experiência proporcionou acesso ao conhecimento, à importância das práticas tradicionais e ao respeito pelas atividades e crenças. Gerou, também, uma reflexão sobre a qualidade de vida que essas pessoas enfrentam em seu habitat originário, que pode ser compreendida de duas formas: a riqueza natural e, simultaneamente, a deficiência na adesão aos cuidados. Isso provocou questionamentos críticos sobre a carência de saneamento básico, o acesso à saúde e a efetivação das políticas públicas que amparam os povos indígenas. Entretanto, a experiência apresentou limitações importantes, especialmente no que se refere à geolocalização e aos meios de transporte. Apesar da imersão no ambiente cultural, o acesso aos saberes tradicionais de forma prática ainda foi restrito. Mesmo assim, a ação demonstrou um potencial transformador, tanto no âmbito comunitário quanto na formação acadêmica, reafirmando que a extensão universitária é um espaço privilegiado de produção de conhecimento e intervenção social.
FORMAÇÃO DE PROFESSORES INDÍGENAS E A CONSTRUÇÃO PARTICIPATIVA DE RECURSOS EDUCACIONAIS E DE SAÚDE NO ENFRENTAMENTO DOS IMPACTOS AMBIENTAIS POR MERCÚRIO NA AMAZÔNIA
Comunicação Oral Curta
1 LAVSA-EPSJV/Fiocruz
2 CCSP/Fiocruz
3 SME-Jacareacanga -PA
4 UFRJ
Apresentação/Introdução
A formação de professores indígenas do Povo Munduruku é um desdobramento de um histórico de pesquisas que são desenvolvidas desde 2020 na Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio na Fundação Oswaldo Cruz. A segunda edição do curso de “Atualização Profissional em Formação de Professores Indígenas sobre o Impacto da Contaminação Ambiental por Mercúrio na Amazônia” ocorreu no período de 05 a 10 de agosto de 2024, nas dependências da Escola Municipal de Ensino Fundamental Poxo Aboybu com a participação de vinte e dois professores indígenas. A Aldeia Sai Cinza está situada às margens do rio Tapajós, no município de Jacareacanga, na Terra Indígena Sai Cinza no estado do Pará, Brasil. Como desdobramento das atividades realizadas ao longo do curso foram realizadas oficinas, mapeamentos participativos, tradução de recursos didáticos para língua materna e uso do livro didático “Mercúrio na Amazônia: Consequências na Saúde e no Meio Ambiente” em turmas do 6º ao 9º ano. Neste percurso, foram construídos recursos educacionais na língua materna Munduruku que abordaram temáticas acerca dos impactos do garimpo ilegal de ouro na Amazônia e na saúde da população indígena.
Objetivos
A formação de professores indígenas e a construção de recursos educacionais teve por objetivo estabelecer diálogos entre os saberes acadêmicos, serviços de saúde e saberes populares acerca dos impactos provocados pelo garimpo ilegal de ouro na Amazônia e suas consequências principais como a contaminação por mercúrio e suas repercussões na saúde da população indígena.
Metodologia
O curso teve duração de uma semana (40 horas) e neste período foram trabalhados, de modo dialógico e participativo os temas como: o que é o mercúrio e como é encontrado na natureza; o ciclo do mercúrio na natureza e sua relação com a contaminação e seus efeitos na saúde humana acerca das ameaças do garimpo de ouro em terras indígenas. Esses temas foram discutidos com a utilização do livro didático em diálogo com as vivencias dos professores na aldeia. Ao longo dos encontros, foram realizadas oficinas para elaboração de cartazes informativos sobre os impactos do mercúrio na saúde da população indígena, bem como os impactos causados no regime nutricional desta população, mapeamento participativo das aldeias indígenas no entono do rio Tapajós, ressaltando as possibilidades e dificuldades presentes nesses territórios e a tradução de materiais que abordaram temas de saúde e ambiente para a linguagem materna Munduruku.
Resultados e Discussão
Ao longo do curso, os professores indígenas produziram cartazes de comunicação em saúde sobre os temas discutidos durante as atividades pedagógicas. No último dia do curso, como atividade de encerramento, os temas selecionados como mais relevantes foram apresentados na língua materna pelos professores e professoras para a comunidade. Os temas selecionados foram: “orientações para gestantes e crianças que vivem em áreas de garimpo”, “orientações para saúde de indígenas que vivem em áreas de garimpo” e “orientações para a saúde do trabalhador do garimpo”. Esses cartazes com anúncios e denúncias, estão expostos permanentemente no posto de saúde da Aldeia Sai Cinza como instrumento de comunicação e participação da população indígena na produção de conhecimento para o enfrentamento dos impactos causados pelo garimpo ilegal de ouro na Amazônia.
Conclusões/Considerações Finais
A exposição ao mercúrio utilizado durante a exploração ilegal de ouro na Amazônia e os impactos causados na saúde da população indígena no Brasil colocam a prova dos desafios sanitários de saúde pública. Em face disso, construir recursos educacionais que possam contribuir e orientar essa população sobre os danos causados à saúde e ao ambiente, tornam-se instrumentos fundamentais para a preservação da saúde nesses territórios que sofrem violações de direitos em diversas ordens da vida.
GLOSSÁRIO DAS ERVAS QUE CURAM: SABERES TRADICIONAIS E CUIDADO EM SAÚDE NAS COMUNIDADES PESQUEIRAS DE CONDE, BAHIA
Comunicação Oral Curta
1 UFRJ
2 UFBA
3 UNC
Contextualização
Este trabalho apresenta o relato de experiência da construção coletiva do Glossário das Ervas que Curam Pescadores(as) Artesanais de Conde, Bahia, elaborado a partir das memórias e dos saberes tradicionais das comunidades pesqueiras do litoral norte baiano. A iniciativa surgiu no contexto do Curso Livre de Agentes Populares de Saúde dos Povos das Águas, como parte dos produtos pedagógicos voltados à valorização do saber popular como potência no cuidado à saúde e como expressão de resistência cultural e política.
Descrição
A decisão de sistematizar os saberes tradicionais emergiu das trocas entre facilitadores(as) e agentes populares de saúde, que reconheceram a importância de registrar conhecimentos transmitidos pela oralidade. O conteúdo do glossário foi desenvolvido por meio de rodas de conversa, escuta sensível, partilhas intergeracionais e registro coletivo das plantas medicinais utilizadas no cotidiano das comunidades. Cada planta descrita carrega modos de preparo, indicações terapêuticas, histórias familiares e conselhos compartilhados entre gerações.
Período de Realização
A experiência foi desenvolvida durante o processo formativo de Agentes Populares de Saúde do Povos das Águas, realizado em 2025.
Objetivo
O objetivo da experiência foi sistematizar e registrar, de forma participativa, os saberes relacionados ao uso de ervas medicinais, fortalecendo a memória coletiva, a autonomia comunitária e a legitimidade das práticas tradicionais de cuidado. A metodologia adotada dialoga com os princípios da educação popular em saúde, valorizando a horizontalidade, o reconhecimento das experiências de vida e a construção compartilhada do conhecimento.
Resultados
Como resultado, foi produzido um glossário ilustrado que reúne parte significativa das ervas utilizadas no cuidado cotidiano, seus modos de uso e os sentidos culturais associados a elas. O material constitui instrumento de memória, valorização da biodiversidade local e fortalecimento da identidade dos povos das águas. Além disso, contribui para ampliar o reconhecimento das práticas populares no campo da saúde coletiva, em consonância com a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos e com a defesa do direito das populações tradicionais à saúde integral.Entre os principais aprendizados, destaca-se a compreensão de que o cuidado em saúde, para as comunidades pesqueiras artesanais, integra corpo, território e ancestralidade. A construção do glossário revelou-se simultaneamente um gesto formativo e um ato político, ao afirmar a legitimidade dos saberes tradicionais frente a modelos hegemônicos de cuidado. Evidenciou-se, ainda, que registrar esses conhecimentos não significa fixá-los ou esgotá-los, mas fortalecer sua permanência e transmissão.
Aprendizado e Análise Crítica
Como análise crítica, importa mencionar que o glossário revela de um sistema de tratamento que complementa o sistema médico, frequentemente aplicado também aplicado como alternativa a falta de recursos, falta de representação e experiências negativas no sistema formal de medicina. Reconhece-se que o glossário não contempla a totalidade do saber medicinal existente nas comunidades, representando apenas parte de um patrimônio vivo e dinâmico. Entretanto, sua elaboração coletiva reafirma o protagonismo comunitário na produção de conhecimento e aponta para a necessidade de políticas públicas que reconheçam, respeitem e dialoguem com os saberes tradicionais, sem subordiná-los ou descaracterizá-los.
O CUIDADO QUE NÃO SE APAGA: TECNOLOGIAS DE CUIDADO DE MULHERES INDÍGENAS E SUA (IN)VISIBILIDADE NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE EM CONTEXTO URBANO
Comunicação Oral Curta
1 Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM); Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (SEMSA/MANAUS)
2 Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
3 Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
4 Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM)
Apresentação/Introdução
A Saúde Coletiva e a Educação Popular convocam à compreensão de epistemologias plurais e práticas ancestrais como patrimônios culturais. Em Manaus, capital com a maior população indígena urbana do país, as mulheres indígenas emergem como protagonistas de sistemas complexos de cuidado que operam na vida cotidiana. Entretanto, no contexto da Atenção Primária à Saúde (APS), observa-se uma tensão entre o modelo biomédico hegemônico e as racionalidades tradicionais, resultando muitas vezes na invisibilidade desses saberes. Esta pesquisa busca compreender como essas tecnologias de cuidado à saúde da mulher indígena, manifestas em resguardos, benzimentos, restrição alimentar, uso de plantas e transmissão intergeracional de cuidados à saúde, resistem aos processos de invisibilização nas políticas públicas e colonização dos saberes e reafirmam o "Bem Viver" dos povos indígenas em contexto urbano.
Objetivos
O objetivo principal é compreender o papel das práticas tradicionais de cuidado integral à saúde da mulher indígena na Atenção Primária à Saúde de Manaus. Especificamente, busca-se identificar as tecnologias de cuidado mobilizadas pelas mulheres indígenas; descrever suas percepções sobre o processo saúde-doença; e analisar a interface entre os cuidados tradicionais e os serviços da Atenção Primária à saúde.
Metodologia
Trata-se de um estudo exploratório com abordagem qualitativa, realizado em comunidades e associações indígenas de Manaus (AM). A produção de dados envolveu: 1) Diário de campo para registros das vivências nos territórios; 2) Entrevistas semiestruturadas com 12 mulheres indígenas de sete etnias que utilizam praticas tradicionais de cuidado à saúde de acordo com seu povo; 3) Grupos focais para diálogo coletivo sobre os cuidados tradicionais de saúde da mulher indígena. A análise seguiu a técnica de Análise de Conteúdo de Bardin, estruturada em pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados. O estudo respeitou os critérios éticos das Resoluções CNS nº 466/2012 e 510/2016, com aprovação pelo CEP/UFRGS e CEP/CONEP.
Resultados e Discussão
A análise revelou três eixos centrais: Tecnologias de Medicina Indígena: Foram identificadas cinco categorias de tecnologias de cuidado: Tecnologias de Alimentos (manejo alimentar nos ciclos de vida); Tecnologias de Regras e Resguardo (preservação da saúde em momentos críticos como parto e menstruação); Tecnologias de Cuidado com Acompanhamento de Especialistas (atuação de pajés/kumun e parteiras); Tecnologias de Plantas Medicinais e Transmissão Intergeracional de Saberes. Essas tecnologias constituem sistemas baseados na autoatenção que garantem a autonomia de cuidado à saúde. Concepções de Saúde-Doença: A saúde é percebida como um equilíbrio multidimensional entre corpo, mente, espírito, natureza e relações sociais. O território urbano é ressignificado como espaço de resistência, onde a manutenção dos cuidados tradicionais constitui preservação cultural. Interface com a APS (Intermedicalização): Os itinerários terapêuticos são plurais. As mulheres acionam a medicina indígena inicialmente e recorrem à biomedicina para urgências ou diagnósticos específicos, operando uma incorporação seletiva de práticas (biomedicina e medicina indígena). Persistem barreiras como o racismo estrutural, o apagamento institucional e a falta de preparo dos profissionais para o diálogo intercultural. Como produto da pesquisa, elaborou-se um e-book para Educação Permanente, visando sensibilizar e educar profissionais da APS para o reconhecimento das mulheres indígenas e seus saberes, em contexto urbano.
Conclusões/Considerações Finais
A pesquisa reafirma que as práticas tradicionais de cuidado seguem centrais como tecnologias vivas na saúde das mulheres indígenas, organizadas pela autoatenção e sustentadas por saberes coletivos e culturais. A relação com a Atenção Primária à Saúde ocorre de forma seletiva e complementar, sem substituição da medicina indígena, revelando processos de intermedicalidade. Contudo, o vínculo com os serviços biomédicos depende do acolhimento, do respeito às práticas culturais e do enfrentamento de situações de discriminação, que ainda limitam o acesso e a continuidade do cuidado.
A promoção da saúde integral da mulher indígena exige que a APS se reinvente como espaço de escuta ativa, acolhimento e articulação intercultural, com o reconhecimento das mulheres indígenas como legítimas produtoras de saúde.
Conclui-se que a promoção da saúde integral da mulher indígena em contexto urbano exige o reconhecimento da medicina indígena e o fortalecimento de práticas interculturais, garantindo um cuidado equitativo, contínuo e culturalmente referenciado.
PROMOÇÃO À SAÚDE INDÍGENA NO MUNICÍPIO DE MANAUS: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA NO CONTEXTO DA ATENÇÃO BÁSICA
Comunicação Oral Curta
1 Fametro
Contextualização
A Atenção Básica à Saúde no Brasil enfrenta desafios significativos no que se refere à promoção da saúde, especialmente no contexto das populações indígenas, que vivenciam barreiras adicionais de natureza geográfica, organizacional e sociocultural. Entre os principais entraves, destacam-se a escassez de profissionais qualificados, a presença de práticas discriminatórias, a necessidade de abordagens culturalmente sensíveis e a dificuldade de integração entre a medicina tradicional indígena e a medicina ocidental, fatores que tornam a assistência à saúde indígena mais complexa (PEREIRA et al., 2025; CASAGRANDA et al., 2024).
Descrição
Nesse cenário, as atividades de extensão universitária assumem papel relevante ao promover a integração entre ensino, pesquisa e comunidade, possibilitando a construção de saberes a partir da realidade vivenciada e favorecendo o intercâmbio entre conhecimentos científicos e culturais (CASAGRANDA et al., 2024; PINHEIRO; NARCISO, 2022).
Período de Realização
Trata-se de um estudo descritivo, de abordagem qualitativa, caracterizado como relato de experiência. A atividade foi desenvolvida no mês de março de 2026, no Centro Social Comunitário Indígena Arcanjo São Gabriel, localizado na zona oeste do município de Manaus, Amazonas
Objetivo
Dessa forma, o presente estudo tem como objetivo relatar a experiência acadêmica vivenciada em uma ação extensionista voltada à promoção da saúde indígena, destacando suas contribuições para a Atenção Primária à Saúde e para a formação de acadêmicos de enfermagem.
Resultados
A ação extensionista consistiu na realização de atividades voltadas à promoção da saúde, incluindo orientações educativas, acolhimento à comunidade e intervenções direcionadas às necessidades identificadas no território. Todas as atividades foram planejadas previamente, considerando os aspectos culturais, sociais e as especificidades da população indígena atendida.
Observou-se a participação ativa da comunidade nas atividades propostas, favorecendo a troca de saberes entre acadêmicos e população local. Essa interação possibilitou a identificação de demandas específicas relacionadas à saúde indígena, além de promover maior aproximação entre os serviços de saúde e a comunidade.
A ação contribuiu para a ampliação do acesso à informação em saúde, fortalecendo práticas de promoção e prevenção de agravos. Ademais, evidenciou-se a importância da adoção de estratégias culturalmente sensíveis, respeitando os conhecimentos tradicionais e promovendo um cuidado mais humanizado e integral.
Aprendizado e Análise Crítica
No que se refere à formação acadêmica, a experiência proporcionou uma compreensão ampliada dos determinantes sociais e culturais que influenciam o processo Saúde-doença nas populações indígenas. Também favoreceu o desenvolvimento de competências essenciais, como comunicação, empatia, trabalho em equipe e tomada de decisão em cenários reais de prática.
A experiência relatada evidencia a relevância das ações extensionistas como ferramenta fundamental na formação em saúde, ao possibilitar a articulação entre teoria e prática e fortalecer o compromisso social dos futuros profissionais.
Entretanto, ressalta-se a necessidade de maior investimento em políticas públicas voltadas à saúde indígena, bem como na qualificação profissional e na ampliação do acesso aos serviços de saúde. Tais medidas são essenciais para a redução das desigualdades e para a garantia de um cuidado integral, equitativo e culturalmente sensível às populações indígenas.
PROTAGONISMO DOS POVOS INDÍGENAS: EXPERIÊNCIA DE DIÁLOGO ENTRE OS SABERES BIOMÉDICO E INDÍGENAS NA CASAI ICOARACI
Comunicação Oral Curta
1 UFPA
Contextualização
No campo da Saúde Coletiva, o reconhecimento das epistemologias plurais tem tensionado a hegemonia biomédica, evidenciando a centralidade dos saberes ancestrais na produção do cuidado em territórios e sobre indígenas. Diversos campos da ciência, a partir de novas perspectivas, passaram a reconhecer a relevância dos conhecimentos dos povos indígenas no cuidado com a saúde. A medicina indígena compreende o processo saúde doença de forma integrada à natureza. Os serviços urbanos de saúde que atendem os povos indígenas, como a Casa de Apoio à Saúde Indígena, que desempenha um papel fundamental no acolhimento e acompanhamento de pacientes indígenas em tratamento fora de suas aldeias, esse afastamento torna a relação do processo de cura tradicional ainda mais sensível. A educação popular vem atuar como mediadora na construção do cuidado onde a interculturalidade fortalece o protagonismo comunitário e combate a subalternização dos saberes tradicionais.
Descrição
Trata-se de um relato de experiência desenvolvido na Casa de Apoio à Saúde Indígena de Icoaraci, Belém, Pará, no âmbito do programa AfirmaSUS, vinculado à Universidade Federal do Pará. A atividade contou com a participação de dez estudantes de diferentes áreas da saúde, configurando uma abordagem multiprofissional e interdisciplinar no campo da Saúde Coletiva. A CASAI é um espaço de encontro entre diversas culturas, onde os pacientes indígenas recebem atendimento biomédico sem perder o vínculo com seus saberes e práticas tradicionais, funcionando como ponte entre ciência e ancestralidade.
Período de Realização
A atividade realizou-se em fevereiro de 2026.
Objetivo
Promover o diálogo entre os saberes indígenas, fortalecendo assim a confiança dos pacientes nos serviços de saúde, ampliando a adesão aos tratamentos biomédicos e valorizando as práticas indígenas.
Resultados
A metodologia utilizada foi participativa e dialógica, e ancorada nos pressupostos da educação popular, mediada oralmente para facilitar a comunicação e o entendimento dos pacientes. Foram realizadas rodas de conversa mediadas por materiais educativos, em que foram distribuídos panfletos educativos para os participantes e em seguida debatido sobre o cuidado baseado no uso de plantas medicinais e raízes como a cúrcuma, gengibre, camomila, alecrim, erva cidreira, sem deixar de mencionar o quão importante o acompanhamento profissional no tratamento das doenças, pois o uso das plantas não anula o tratamento com remédio convencionais. Observou-se elevada participação dos usuários, com compartilhamento de experiências e reafirmação de saberes tradicionais como parte constitutiva do processo terapêutico.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência vivida evidência que a educação popular é essencial para mediar o diálogo intercultural, nos quais os profissionais buscam compreender e respeitar o uso dos remédios tradicionais, pois muitas vezes há tensões entre protocolos biomédicos e o uso da medicina indígena. Durante a permanência na CASAI observou-se que os pacientes ainda fazem uso dos remédios tradicionais principalmente chás de ervas e raízes. O projeto AfirmaSUS pretende implementar uma horta com plantas medicinais que possam dar suporte no tratamento alternativo dos pacientes, fazendo com que eles possam se sentir mais próximos aos cuidados tradicionais.
Análise Crítica: Apesar dos avanços observados na saúde indígena, persistem desafios estruturais relacionados à ausência de protocolos institucionais que reconheçam e integrem formalmente as práticas tradicionais no cuidado em saúde. A tensão entre racionalidades biomédica e ancestral revela limites da interculturalidade ainda operada de forma incipiente nos serviços, que é reflexo da educação superior que ainda é direcionada ao funcional. Nesse sentido, a experiência aponta para a necessidade de formação crítica de profissionais de saúde, orientada por perspectivas decoloniais e pela educação popular, capazes de atuar em contextos de diversidade sociocultural. Ademais, reforça-se a importância do fortalecimento de políticas públicas que reconheçam os territórios como espaços estratégicos de produção do cuidado e os povos indígenas como sujeitos epistêmicos na construção de práticas em saúde.
PROTAGONISMO E PARTICIPAÇÃO SOCIAL DE POVOS DE TERREIRO NO FORTALECIMENTO DE POLÍTICAS DE SAÚDE: EXPERIÊNCIAS DA FIOCRUZ NO DF E BAIXADA FLUMINENSE-RJ
Comunicação Oral Curta
1 Fiocruz Brasília
2 VPAAPS/FIOCRUZ
Contextualização
A persistente marginalização dos povos e comunidades tradicionais de terreiro e de matriz africana nas políticas públicas de saúde evidencia a atuação do racismo estrutural e a deslegitimação de saberes ancestrais no Sistema Único de Saúde (SUS), configurando desafios à efetivação da equidade racial e da justiça cognitiva. Como destaca Sueli Carneiro, esse processo se relaciona ao epistemicídio, entendido como a negação sistemática das epistemologias negras e a invisibilização dos saberes produzidos por essas comunidades. Abdias Nascimento já denunciava o genocídio simbólico e material da população negra brasileira, evidenciando a exclusão de valores afro-brasileiros nos campos da saúde e educação. Clóvis Moura contribui ao demonstrar como o racismo estrutural sustenta desigualdades que impactam diretamente territórios negros, como quilombos e terreiros.
Em resposta a esse cenário, experiências orientadas pela interculturalidade crítica, territorialidade e participação social qualificada têm tensionado limites institucionais e ampliado possibilidades de construção de políticas mais equânimes. Muniz Sodré compreende o terreiro como território de produção de identidade, resistência e cuidado integral, enquanto Jurema Werneck aponta que o enfrentamento do racismo institucional no SUS exige transformação estrutural baseada na escuta ativa, na oralidade e na valorização dos saberes tradicionais.
Descrição
Este relato sistematiza ações desenvolvidas pela Fiocruz Brasília em articulação com comunidades de terreiro no Distrito Federal, RIDE-DF/Entorno e Baixada Fluminense (RJ), no âmbito dos projetos Ecoilê e Hortas Tradicionais.
O projeto Ecoilê estruturou-se na promoção da agroecologia em terreiros no DF e na RIDE-DF/Entorno, articulando soberania alimentar, sustentabilidade e valorização de saberes ancestrais. O projeto Hortas Tradicionais priorizou a implantação de espaços produtivos integrados às práticas dos terreiros.
As ações foram conduzidas com centralidade na oralidade e na valorização da agricultura tradicional, orientadas ao aperfeiçoamento e à preservação das práticas e técnicas tradicionais provenientes dos conhecimentos ancestrais dos povos de terreiro. Tais processos foram desenvolvidos à luz da educação popular em saúde, por meio de metodologias participativas envolvendo lideranças religiosas, comunidades, pesquisadores(as) e técnicos(as), favorecendo dinâmicas de troca de saberes e coprodução do cuidado.
Período de Realização
As iniciativas foram iniciadas em 2021 no Distrito Federal e na RIDE-DF/Entorno e, posteriormente, em 2024 na Baixada Fluminense, mantendo-se em execução até o presente. Tais experiências se inserem em um contexto pós-pandemia marcado pelo agravamento das iniquidades raciais e retração de políticas sociais.
Objetivo
Refletir sobre o protagonismo dos povos e comunidades tradicionais de terreiro na construção de práticas de cuidado e no fortalecimento de políticas públicas de saúde, evidenciando os aprendizados e as tensões decorrentes da interação entre saberes ancestrais e instituições públicas no contexto do SUS.
Resultados
Os resultados indicam que o reconhecimento dos terreiros como territórios de cuidado amplia a compreensão da determinação social da saúde ao incorporar dimensões culturais, espirituais e ambientais. O protagonismo das lideranças fortaleceu processos de autonomia, identidade e produção de conhecimento situado, além de impulsionar práticas intersetoriais entre saúde, alimentação e meio ambiente.
Aprendizado e Análise Crítica
Como aprendizado, destaca-se que a participação social qualificada ultrapassa modelos consultivos, aproximando-se de dinâmicas horizontais de coprodução do cuidado, ainda que tensionadas por assimetrias institucionais. Persistem desafios relacionados à burocracia estatal, à sustentabilidade do financiamento e à limitada incorporação de epistemologias não hegemônicas nas políticas públicas.
A análise, fundamentada na saúde coletiva crítica, interseccionalidade e justiça cognitiva, evidencia que tais experiências contribuem para fortalecer abordagens interculturais no SUS, ao mesmo tempo em que apontam a necessidade de aprimoramento institucional para o enfrentamento das iniquidades raciais e valorização dos saberes tradicionais nos territórios.
Realização: