Programa - Comunicação Oral - CO28.3 - Configurações e reconfigurações do trabalho
19 DE SETEMBRO | SÁBADO
13:10 - 14:40
13:10 - 14:40
A “NOVA” INDÚSTRIA AUTOMOTIVA NA BAHIA: DISCURSOS INSTITUCIONAIS, FETICHISMO TECNOLÓGICO E IMPACTOS PARA A SAÚDE DOS TRABALHADORES
Comunicação Oral
1 UFBA
Apresentação/Introdução
O fechamento do Complexo Automotivo Baiano (CAB), em 2021, produziu impactos econômicos e um passivo significativo de trabalhadores acometidos por doenças relacionadas ao trabalho. Em 2025, a negociação para implantação da montadora chinesa BYD, em Camaçari (BA), foi apresentada como marco da chamada “nova industrialização”, ancorada em expectativas de desenvolvimento econômico, inovação tecnológica e sustentabilidade ambiental. Entretanto, a literatura internacional aponta que a expansão da indústria automotiva na China tem sido acompanhada por condições laborais adversas, caracterizadas por intensificação do trabalho, jornadas prolongadas e riscos elevados de adoecimento.
Objetivos
Analisar a cobertura midiática e os discursos institucionais sobre a implantação e operação da fábrica da BYD na Bahia, no período de 2022 a 2026, identificando temas centrais, atores envolvidos e a dinâmica de construção das narrativas sobre o empreendimento.
Metodologia
Trata-se de pesquisa qualitativa ancorada na sociologia da saúde e na sociologia do trabalho. A produção de dados envolveu a coleta de documentos institucionais, acordos públicos, matérias jornalísticas e entrevistas públicas de agentes institucionais relacionados ao processo de implantação da fábrica. A coleta foi realizada entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, em portais institucionais e veículos de imprensa. O material foi organizado em corpus e analisado em três etapas: ordenação, classificação com apoio do software MAXQDA e interpretação analítica. O estudo se fundamenta na perspectiva da ciência reflexiva (Burawoy, 2014), articulada à sociologia do trabalho e ao debate contemporâneo sobre automação e crise do trabalho, conforme Benanav (2025).
Resultados e Discussão
Foram identificados aproximadamente 260 documentos, com concentração entre 2023 e 2025, envolvendo atores como governo federal, governo estadual, Ministério do Trabalho, Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari e a própria BYD. A análise evidencia uma narrativa dual. Inicialmente, a implantação da montadora foi celebrada como vetor de desenvolvimento econômico e tecnológico, associada à geração de empregos e à consolidação da Bahia como polo de inovação na mobilidade elétrica. Esse discurso foi sustentado por forte articulação político-institucional e pela mobilização de imaginários ligados à “revolução energética” e ao protagonismo regional.
Entretanto, a partir de 2024, emergem denúncias de violações de direitos trabalhistas, incluindo trabalho análogo à escravidão, condições insalubres, atrasos salariais e práticas antissindicais. O Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari assume papel central na denúncia das irregularidades e na mediação de conflitos. As controvérsias impactaram o cronograma de implantação da fábrica e tensionaram a narrativa inicial de progresso.
A análise revela a centralidade do fetichismo tecnológico na construção discursiva do empreendimento, no qual a inovação aparece como força autônoma e intrinsecamente positiva, obscurecendo as relações sociais de produção. Em diálogo com Benanav, observa-se que a promessa de geração de empregos e desenvolvimento convive com dinâmicas de precarização, evidenciando limites estruturais da capacidade de absorção de força de trabalho e a persistência de formas intensificadas de exploração.
Conclusões/Considerações Finais
A implantação da BYD na Bahia configura um caso emblemático das contradições contemporâneas entre desenvolvimento tecnológico e condições de trabalho. O estudo evidencia que discursos de “nova industrialização” e modernização produtiva podem operar como dispositivos de ocultamento de conflitos e desigualdades estruturais. A experiência analisada reforça a não neutralidade da tecnologia e aponta que o futuro do trabalho permanece como campo de disputa política e social, no qual se confrontam projetos de desenvolvimento, direitos trabalhistas e saúde dos trabalhadores.
O TRABALHO (NÃO)DECENTE DE TRABALHADORAS REMUNERADAS DO CUIDADO: UMA ABORDAGEM A PARTIR DOS MICRODADOS DA PNAD E PNS
Comunicação Oral
1 EPSJV/Fiocruz
2 PPS/UFF
Apresentação/Introdução
A Política Nacional de Cuidados, instituída no Brasil em 2024, estabelece entre seus objetivos a promoção do trabalho decente para trabalhadoras e trabalhadores remunerados do cuidado. No campo da sociologia do trabalho, o cuidado é compreendido como uma atividade essencial à reprodução social, porém historicamente invisibilizada e marcada por profundas assimetrias de gênero, raça e classe social. No Brasil, essa realidade é indissociável do emprego doméstico, onde as fronteiras entre cuidado direto e indireto são fluidas e as condições de trabalho são historicamente precarizadas e alijadas da garantia de direitos. Além disso, existem importantes lacunas no país na produção de informação sobre o trabalho de cuidado remunerado. Entretanto, os dados disponíveis permitem construir indicadores capazes de revelar desafios centrais para o monitoramento do trabalho decente e para a formulação de políticas públicas.
Objetivos
O objetivo deste estudo foi analisar um conjunto de indicadores para mensurar aspectos do trabalho decente entre trabalhadoras e trabalhadores remunerados do cuidado. No trabalho aqui apresentado, damos especial ênfase aos dados referentes à dimensão segurança no trabalho e condições de saúde.
Metodologia
Trata-se de estudo quantitativo, baseado na análise de microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), no período de 2016 a 2023, e da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), de 2019. O recorte ocupacional considerou a Classificação de Ocupações para Pesquisas Domiciliares (COD), abrangendo cuidadores de crianças, idosos, pessoas com deficiência e trabalhadores domésticos em geral. A população de estudo foi composta por trabalhadores com 18 anos ou mais. Foram elaborados 22 indicadores, vinculados a 7 dimensões do trabalho decente, analisados com desagregações por gênero, raça/cor, ocupação e, quando possível, por região.
Resultados e Discussão
Os dados revelam que o cuidado remunerado no Brasil é exercido majoritariamente por mulheres (91,1%), das quais 66% são negras, evidenciando a persistência de uma divisão social do trabalho racializada. Observa-se, ainda, um processo de envelhecimento da categoria, a idade média é 44 anos, o que amplia a preocupação com os impactos cumulativos do trabalho sobre a saúde. No que se refere à segurança e à saúde no trabalho, a precarização constitui traço estruturante do setor: três em cada quatro mulheres atuam na informalidade, condição que restringe o acesso à proteção social e enfraquece sua inserção nos sistemas de vigilância em saúde do trabalhador. A invisibilidade do domicílio como local de trabalho dificulta o reconhecimento e o enfrentamento de riscos ocupacionais. Uma em cada três cuidadoras relata realizar esforço físico intenso no trabalho, situação agravada pelo acesso desigual à escolarização e à qualificação profissional. Os impactos sobre a saúde física e mental também se expressam em indicadores de adoecimento: cerca de 25% dessas trabalhadoras referem problema crônico de coluna, condição potencialmente incapacitante, e 35% relatam níveis elevados de sofrimento emocional.
Conclusões/Considerações Finais
Os resultados mostram que o trabalho remunerado do cuidado permanece atravessado por desigualdades de gênero, raça e classe, com forte presença de informalidade e importantes repercussões sobre a saúde das trabalhadoras. Os indicadores elaborados demonstram que os microdados da PNAD Contínua e da PNS constituem fontes relevantes para o monitoramento do trabalho decente no setor, embora persistam lacunas e limitações na produção de informação sobre o cuidado remunerado. O estudo reforça a importância de políticas voltadas à formalização, à proteção social, à qualificação profissional e à vigilância em saúde, como estratégias para enfrentar a precarização histórica que marca essas ocupações.
PLATAFORMIZAÇÃO DO TRABALHO NA SAÚDE: IMPLICAÇÕES DAS EMPRESAS-APLICATIVOS DE CONSULTA MÉDICA NO BRASIL
Comunicação Oral
1 ENSP/FIOCRUZ
2 IAM/FIOCRUZ
Apresentação/Introdução
O avanço das tecnologias digitais tem redefinido as relações de trabalho na saúde. A plataformização, intensificada durante a pandemia de COVID-19, reflete a expansão da gig economy no setor, alterando modelos de gestão, organização do cuidado e relações laborais. Este cenário gera desafios para a regulação do trabalho médico, para a proteção dos profissionais e para a garantia da integralidade no SUS, exigindo análise crítica sobre os impactos sociais, éticos e econômicos desse modelo.
Objetivos
O estudo objetiva descrever o modelo de atuação das plataformas digitais de consulta médica no Brasil, compreender sua expansão e analisar as implicações para o trabalho médico: relações contratuais, autonomia profissional e impactos na organização do cuidado em saúde.
Metodologia
Trata-se de pesquisa qualitativa, com análise documental de 58 termos de uso de 54 plataformas digitais de consulta médica ativas no Brasil entre 2020 e 2022. As plataformas foram selecionadas pela técnica bola de neve na loja Apple Store, considerando critérios como oferta de consultas médicas, mais de 500 downloads e agendamento viabilizado pelo aplicativo. A análise utilizou o software Atlas.ti, com categorização em quatro eixos: autonomia, relação de trabalho, monopólio dos dados e organização e gestão do trabalho. Os termos foram examinados quanto às responsabilidades atribuídas às partes, regras contratuais, mecanismos de controle, formas de remuneração e estratégias de gerenciamento por algoritmos. Para este trabalho, foram consideradas 5 empresas com foco em como esses dispositivos contratuais moldam as relações de trabalho, a autonomia médica e a configuração dos serviços de saúde no país.
Resultados e Discussão
Observou-se forte expansão das plataformas de consultas médicas desde 2019, com intensificação na pandemia. As empresas se autodeclaram de tecnologia, não assumindo responsabilidade sobre atos médicos, transferindo riscos e custos aos profissionais. Os termos de uso revelam ausência de vínculo empregatício, mas impõem regras rígidas, controle de agenda, penalidades, algoritmos que direcionam agendamentos e padrões de cobrança, afetando a autonomia médica. As plataformas detêm monopólio dos dados e das regras operacionais, restringindo acesso às informações e alterando contratos unilateralmente. Esse modelo tem implicações na autonomia profissional, compromete a longitudinalidade do cuidado, impacta a demanda por saúde no SUS e acentua a precarização das relações de trabalho. Identifica-se, ainda, os riscos referentes à datificação, com aprofundamento de desigualdades, relativos ao poder exercido sobre trabalhadores e usuários via controle de dados e algoritmos.
Conclusões/Considerações Finais
A plataformização do trabalho médico representa um modelo que acentua a precarização laboral, a mercantilização da assistência e a fragilização da autonomia profissional. As empresas atuam em meio à frágil regulação, exploram a retórica da autonomia, mas operam sob lógica de controle algorítmico e transferência de riscos ao trabalhador. Este modelo desafia os princípios do SUS, especialmente a integralidade, a continuidade do cuidado e a organização em redes. Assim, destaca-se a necessidade da construção de marcos regulatórios que assegurem proteção social, regulação dos dados e controle social das tecnologias, visando garantir trabalho decente, autonomia profissional e atenção aos princípios e diretrizes do SUS.
SAÚDE DO TRABALHADOR E DIREITOS HUMANOS: TEMPO LIVRE E SENTIDOS DO TRABALHO NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
Comunicação Oral
1 Fiocruz
Apresentação/Introdução
Este trabalho apresenta dados parciais da pesquisa de pós-doutorado “Relações Saúde, Trabalho e Direitos Humanos”, em desenvolvimento no âmbito do Departamento de Direitos Humanos e Saúde Dihs/ENSP/FIOCRUZ. A pesquisa debate a categoria tempo livre para pensar os sentidos do trabalho na sociedade contemporânea. Nesse sentido, a jornada de trabalho é abordada sob a perspectiva da exploração e da extração da mais-valia considerando que o desenvolvimento tecnológico e a precarização do trabalho, principalmente a partir de sua plataformização, romperam os limites da jornada de oito diárias. A disponibilidade permanente do trabalhador conectado ao trabalho por meio de seus celulares, majoritariamente particulares, intensifica, extensifica e desfigura o tempo de descanso e lazer, produzindo para o trabalhador, esgotamento, adoecimento e desemprego. Desse modo, compreender as contradições das novas morfologias do trabalho a partir do debate sobre a redução da jornada e do direito ao tempo livre pretende subsidiar debates, estratégias de resistências e lutas políticas em torno da recuperação da humanidade dos trabalhadores frente ao capital.
Objetivos
Objetivo geral: analisar a relação entre saúde, trabalho e direitos humanos a partir do debate sobre tempo livre e os sentidos do trabalho na sociedade contemporânea, especialmente a partir das disputas em torno das jornadas de trabalho e do direito ao tempo livre, num contexto de intensificação da precarização do trabalho.
Metodologia
Trata-se de uma revisão de literatura e documental, estruturada a partir de revisões bibliográficas e estudo de caso. O eixo de investigação é a luta política atual no Brasil contemporâneo pela redução da jornada de trabalho via a abolição da escala 6x1, assim como, pela pactuação do limite de 36 horas semanais reconhecidas juridicamente. O diálogo com o campo inclui, fundamentalmente, a participação em debates públicos com parlamentares, movimentos sociais organizados como VAT – Vida Além do Trabalho, trabalhadores formais e informais, sindicalizados ou não e público em geral.
Resultados e Discussão
A discussão teórico conceitual sobre o tempo livre, no contexto de precarização do trabalho no Brasil contemporâneo, mostrou-se uma atualização, ainda mais sofisticada tecnologicamente, da velha exploração do trabalho no modo de produção capitalista. O desenvolvimento tecnológico e a precarização do trabalho a partir da fragilização e desregulamentação dos vínculos trabalhistas são faces da atual extração de mais-valia dos trabalhadores. Essas ações sistemáticas e contínuas têm reeditado, perversamente, a intensificação do trabalho pela via do rompimento dos limites da jornada de 8 horas diárias. O trabalhador conectado continuamente ao trabalho, pelo seu próprio aparelho celular, reafirma a disponibilidade permanente de sua exploração. Entretanto, estudos em diversas fases do desenvolvimento capitalista já apontavam que a intensificação do trabalho gera esgotamento e adoecimento dos trabalhadores gerando redução de produtividade. Estudos recentes realizados, principalmente, pelo Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (CESIT) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) confirmam esses resultados e apontam que a redução de jornada não implica em redução de produtividade, mas sim sua elevação, com impacto no PIB e na dinamização de setores de cultura, lazer e turismo. De outro modo, essa limitação de horas tem impacto também na saúde dos trabalhadores ocasionando menores índices de absenteísmo, de acidentes de trabalho e de doenças ocupacionais.
Conclusões/Considerações Finais
As considerações finais permitem afirmar que a redução da jornada de trabalho, sem redução salarial expressa a luta pelo restabelecimento de um limite civilizatório no mundo do trabalho contemporâneo podendo recriar e fortalecer a barreira de proteção social dos trabalhadores. O que está em jogo nessa disputa é o modelo de desenvolvimento social brasileiro que tem priorizado, sistematicamente, um modo de exploração intensiva, com baixos salários e jornadas extenuantes. Entretanto, um modelo de desenvolvimento humano com interesse para a classe trabalhadora significa substantivamente redução de jornadas, investimento em tecnologias e gestão humanizadas que gerem empregos de mais qualidade e mais saúde mental. Não se trata somente de mudar a lei, mas também de incidir sobre a cultura. O fim da escala 6x1 pode ser pedagógico nesse sentido, pois pode ensinar os trabalhadores que eles têm direito a uma vida com sentido fora do trabalho.
TRABALHO, SAÚDE E RESISTÊNCIAS POLÍTICAS CONTEMPORÂNEAS NO PONTO DE VISTA DE PROFESSORES EM EXERCÍCIO DE DIREÇÃO SINDICAL NO BRASIL E EM PORTUGAL
Comunicação Oral
1 FIOCRUZ
Apresentação/Introdução
Nas últimas décadas, ocorreram mudanças profundas nos processos de trabalho docente, principalmente no tocante à intensificação das jornadas e ao uso de tecnologias digitais, com consequências coletivas à saúde. Observa-se o imperativo do adoecimento no trabalho em função das intensas jornadas, características da sociedade do desempenho e do cansaço. A flexibilidade do capitalismo neoliberal sob a égide da Indústria 4.0 impulsionou o trabalho virtual ou trabalho digital, o que inclui a educação básica tanto no Brasil quanto em Portugal. Essa modalidade laboral envolve transferência de informação via tecnologias informacionais e de comunicação sob a forma de plataformas digitais e seus aplicativos. A flexibilização ofertada por esse modo de produção e trabalho na educação é sinônimo de precarização. Nessa linha de interpretação, ganham ênfase, nas últimas décadas, formas de sofrimento relacionadas à saúde mental, marcadas por sinais e sintomas de esgotamento e exaustão, notadamente, relacionados às consequências da nocividade dos processos de trabalho. Entretanto, verifica-se a renovação das lutas sindicais de professores que reorganizam a resistência política tanto na forma tradicional no “chão das escolas”, quanto no próprio ambiente telemático.
Objetivos
Problematizar mudanças ocorridas no trabalho docente da educação básica com foco na jornada laboral, na saúde e na luta coletiva na perspectiva de professores sindicalistas nas cidades do Rio de Janeiro (BR) e do Porto (PT).
Metodologia
Trata-se de uma pesquisa social de caráter qualitativo e de natureza participativa em conjunto com o Sindicato dos Professores de Macaé (SINPRO-Macaé), o Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Estado do Rio de Janeiro (SEPE-RJ) e o Sindicato dos Professores do Norte de Portugal (SPN). No plano teórico, lançou-se mão de parâmetros do materialismo histórico para estudo das jornadas de trabalho e da resistência política de professores para se contrapor as antigas e as novas formas de dominação do trabalho. Realizaram-se duas oficinas em ambientes digitais com dez professores em exercício de direção sindical no Brasil e cinco entrevistas individuais em profundidade, de forma presencial, com professores em Portugal. O período foi o ano de 2023. Para interpretação dos materiais de campo, usou-se a técnica de análise temática.
Resultados e Discussão
Embora Brasil e Portugal possuam realidades sociais, econômicas e políticas diferentes, pudemos verificar que há uma convergência entre os dois países em relação ao fenômeno da precarização, intensificação, flexibilização do trabalho docente e o uso de tecnologias digitais. Definiu-se três categorias temáticas de análise: alienação do tempo laboral; hora tecnológica, burnout e o direito à desconexão do trabalho; resistências coletivas. Em ambos os países, constataram-se novas configurações de opressão laboral com a incorporação das tecnologias digitais nos processos de trabalho docente. No tocante à saúde, persistem formas de sofrimento relacionadas à saúde mental, como a síndrome de burnout, marcada por sintomas relacionados à nocividade do ambiente laboral. Verificou-se que o tempo de trabalho se aliena ao se tornar estranho ao coletivo com a tomada de decisão a favor do mais-trabalho. Reiterou- se a importância do tempo livre para descanso e conquista de vida social emancipada.
Conclusões/Considerações Finais
A análise empreendida por professores pertencentes a sindicatos docentes, compostos em sua maioria por mulheres, trouxe à baila uma miríade de problemas sobrepostos aos docentes, no Brasil e em Portugal. Importa considerar que o receituário neoliberal se caracteriza por relações de trabalho cada vez mais baseadas na precariedade, em forjar formas e métodos de pressão no trabalho, tornando incertas as fronteiras entre tempo de trabalho e tempo de vida. As lutas sindicais se mantem como imperativo anticapitalista do nosso tempo, mas sofrem as consequências das contradições sociais na história. Professores fazem a resistência política contra a degradação laboral e a defesa da educação de qualidade na era digital. O receituário neoliberal se caracteriza por relações de trabalho baseadas na precariedade e em formas de dominação, tornando incertas as fronteiras entre tempo de trabalho e de vida.
Realização: