Programa - Outras Linguagens - OL2 - Corpos Dissidentes, Saúde Mental e Cuidado em Liberdade
18 DE SETEMBRO | SEXTA-FEIRA
13:10 - 14:40
13:10 - 14:40
DIÁRIOS DE SAMPA – MORAR EM LIBERDADE: NARRATIVAS AUDIOVISUAIS SOBRE O CUIDADO EM LIBERDADE E REINSERÇÃO SOCIAL NA METRÓPOLE PAULISTANA
Outras Linguagens
1 Fiocruz Brasília
2 TV Pinel - Fiocruz Brasília
Processo de escolha do tema e de produção da obra
A websérie documental "Diários de Sampa", produzida pelo Nusmad/Fiocruz Brasília e TV Pinel, integra o projeto “Morar em Liberdade”, A obra utiliza o audiovisual para investigar a construção da dignidade na metrópole paulistana sob a perspectiva da Economia Solidária. Metodologicamente, fundamenta-se em pesquisa sócio-histórica e em histórias de si para documentar as interfaces entre saúde mental, moradia e produção de renda. Através das narrativas, como de Nirma, Risonete, Maria Sônia, entre outros usuários, observa-se que a cuidado em liberdade se concretiza no empreendedorismo coletivo, no fazer artesanal e na autogestão, transformando o território urbano em espaço de reinvenção subjetiva e econômica. O projeto adotou uma perspectiva centrada no usuário, permitindo que os sujeitos sejam guias da própria narrativa. Dessa forma, a experiência educomunicativa por meio do audiovisual é capaz de traduzir conceitos teóricos da Reforma Psiquiátrica em imagens de dignidade e cidadania, ampliando o diálogo intersetorial. Além disso, a disponibilização dos episódios em plataforma gratuita de reprodução de vídeos (YouTube) e divulgação através das redes sociais (Instagram) fomenta a democratização do conhecimento e o uso psicopedagógico em programas de Saúde Pública.
Objetivos
Dar visibilidade por meio de estratégias educomunicativas aos arranjos produtivos e ao desenvolvimento comunitário da RAPS paulistana, fomentando o debate sobre como a inclusão sociocultural via trabalho coletivo fortalece a luta antimanicomial. Busca-se consolidar a comunicação pública da ciência como estratégia de desconstrução de estigmas e de afirmação de direitos humanos.
Ano e local da produção
Produzida na cidade de São Paulo, ao longo do ano de 2025. Veiculação entre 2025 e 2026.
Análise crítica da obra relacionada à Saúde Coletiva e ao tema do Congresso
A experiência evidencia que, ao acessarem o direito ao trabalho e à renda sem a lógica da exploração, as pessoas deixam de ser objetos de intervenção para se tornarem protagonistas de suas trajetórias. A análise das narrativas demonstra que o cuidado em liberdade dialoga diretamente com o direito à cidade e com a construção de redes de suporte que combatem a exclusão. A Economia Solidária
revela-se como ferramenta fundamental de desinstitucionalização, onde o trabalho e o cooperativismo surgem como formas de resgate de autonomia e cidadania. O audiovisual atua como mediação entre a academia e a sociedade, traduzindo conceitos da Reforma Psiquiátrica em imagens de dignidade humana.
A Economia Solidária é um pilar indissociável da Reforma Psiquiátrica, permitindo que a ocupação da cidade seja um ato de resistência. É perceptível que o fortalecimento dessas práticas é uma resposta eficaz contra retrocessos manicomiais, contribuindo para a o direito ao futuro na saúde mental.
Formatos e suportes necessários referentes à apresentação
Filmes, documentários, vídeos. Material disponivel no canal do Youtube do Morar em Liberdade. LInk para o episódio 1: https://www.youtube.com/watch?v=ja2nbGQeslg
Breve biografia do/a autor/a
Juliana Rodrigues de Vargas é jornalista, educomunicadora sanitarista, doutoranda em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho, em Portugal. Atua a mais de 10 anos em projetos de educomunicação voltados para a saúde coletiva, atenção primária, rede de atenção psicossocial do SUS.
INTERLOCUÇÕES ENTRE ARTE-CULTURA E SAÚDE MENTAL: UMA NARRATIVA MUSICAL SOBRE CARNAVAL, CULTURA POPULAR E CUIDADO EM LIBERDADE.
Outras Linguagens
1 ENSP FIOCRUZ
Processo de escolha do tema e de produção da obra
O presente trabalho trata de um relato de pesquisa através de outras linguagens, numa perspectiva de ampliar a maneira como podemos compartilhar nossas produções acadêmicas. O contexto é o da realização de um doutoramento em Saúde Pública. A interlocução entre arte, cultura e saúde mental é bastante conhecida no campo da atenção psicossocial, contudo, um dos questionamentos germinais do presente estudo foi: e com o Carnaval? O que as iniciativas culturais carnavalescas ligadas à luta antimanicomial têm a dizer sobre si mesmas? Quais relatos poderiam contribuir para a transformação do paradigma asilar para um paradigma psicossocial? Quais mudanças nas histórias de vida dos envolvidos podemos compartilhar? Foram algumas das perguntas que a pesquisa buscou explorar. Dito isso, se realizou um trabalho sensível e artesanal através de vivências, escutas, transcrições, seleções das falas de uma diversidade de pessoas, entre elas gestores, trabalhadores e usuários, que ao mesmo tempo compartilhavam distintas funções nos grupos, como ritmistas, compositores, organizadoras, etc. Nesse estudo, foram abordados o carioca Loucura Suburbana e o candango Bloco do Rivotrio, por meio de um roteiro aberto de Grupo Focal e entrevistas semiestruturadas. Compus cinco capítulos, entre fundamentação e análise de dados, que irão se destinar à produção de artigos científicos.
Objetivos
O objetivo do presente trabalho é compartilhar uma curadoria musical e de poesias, algumas delas autorais, que compõem uma tese que versa sobre carnaval, cultura popular e luta antimanicomial.
Ano e local da produção
Os anos e locais da produção foram, cronologicamente: em 2021 e 2022, pelas disciplinas remotas em João Pessoa (PB); em 2023-2024, no Rio de Janeiro (RJ) onde acompanhou-se o grupo carioca por nove meses na construção do carnaval; em 2024, em Brasília onde acompanhei o grupo candango por seis meses na construção do maio antimanicomial; em 2025-2026, finalizei a escrita da tese novamente em João Pessoa.
Em se tratando de uma produção de conhecimento ligada à cultura popular, é necessário pontuar que a partir de um lugar de pesquisador que também possuía um papel social diante dos grupos como artista, pois toco instrumentos de sopro (trompete e saxofone tenor), em todo local, acompanhei grupos de cultura popular, fanfarras, blocos carnavalescos.
Análise crítica da obra relacionada à Saúde Coletiva e ao tema do Congresso
Nesse caminho, a escrita da tese também foi colorida com outros corpos textuais além da articulação entre trechos de entrevistas e literatura temática. Tive uma camada sutil do trabalho que há todo tempo emergia e que na conclusão da escrita que foi alinhavada com mais energia, recolhendo rabiscos de poesias em diários de campo, músicas novas que conheci, letras de canções que me originaram ideias, foram intercaladas à tese. As famosas epígrafes tão opcionais nos manuais de escrita acadêmica em meu trabalho de doutoramento possuiu um lugar especial, possuia uma intencionalidade, dava um tom para o início, meio ou término da exposição dos elementos textuais. Foram nove músicas dos seguintes compositores/intérpretes: Chico Buarque - A Banda, Vai Passar e Sonho de um Carnaval; Geraldo Vandré - Porta Estandarte; Que Loucura e Eu quero é botar meu bloco na rua - Sérgio Sampaio, Maria Bethânia - Santo Amaro, Loucura Suburbana - Doutor, Eu Ouço Vozes. Além de poesias e um samba autoral.
A principal epígrafe da tese é um côco de roda, chamado “Mote do Navio” que aprendi desde a mais tenra adolescência, nas descobertas e conexões com autores da música paraibana, Paulo Ró e Pedro Osmar são figuras emblemáticas e digo até míticas entre a cena cultural de João Pessoa, baluartes do grupo Jaguaribe Carne, dos quais também influenciaram compositores como Lenine e Chico César.
“Lá vem a Barca!” começa a canção. Logo lembra a trágica imagem da “Nau dos Loucos”, popularizada por Michel Foucault em que critica o lugar de liminaridade e exclusão social em que os “insanos” sofrem pelo estigma e discriminação. Vejamos, é justo ela quem traz a liberdade para ser conquistada. Vencer o dragão do mar e a tempestade é interpretado aqui como o conjunto de obstáculos que existe na vida de quem sofre estigmas. A luta por cuidado em liberdade, de maneira carinhosa, pode ser enxergada no verso “trouxe pra nossa casa a força da mocidade”. Por tanto, “saber do mar é isso, correr grande perigo”, para que possamos “cantar felicidade na vida nação”. Produzir conhecimento e compartilhar faz parte da cultura popular e nesse lugar há algo que a academia pode aprender mais.
Formatos e suportes necessários referentes à apresentação
Os formatos e suportes necessários à apresentação são de uma sala de aula, um projetor para exposição de textos, uma caixa de som para reprodução de músicas e playbacks, o autor levará instrumentos musicais para articular uma exposição poética-musical sobre alguns achados e descobertas da pesquisa.
Breve biografia do/a autor/a
Israel Dias de Castro, enfermeiro, especialista em saúde mental coletiva, mestre em modelos de decisão e saúde, doutor em saúde pública. Brincante e poeta, músico amador e palhaço cuidador.
O DEBATE SOBRE A (DES)MEDICALIZAÇÃO DA VIDA: EXPERIMENTANDO LINGUAGENS NO FÓRUM SOBRE MEDICALIZAÇÃO
Outras Linguagens
1 UFBA
2 UFOPA
Processo de escolha do tema e de produção da obra
O Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade (FMES) tem contribuído com a produção e difusão de conhecimento sobre a medicalização, destacando-se a realização de pesquisas, a organização de eventos (locais a internacionais) e a publicação científica. Para além dos muros da universidade, e no intuito de popularizar a crítica ao fenômeno, o FMES atua em diversas frentes e territórios. Assim, nas casas legislativas, provoca a realização de audiências públicas específicas sobre o tema, além de integrar audiências no campo da saúde e da educação nas quais o debate sobre a medicalização compõe aliança; busca, ainda, tensionar projetos de lei medicalizantes ou impulsionar aqueles que caminham na contramão (como a criação de Dias municipais e estaduais de luta contra a medicalização). No caso das mídias, o FMES tenta pautar canais de rádio, televisão e redes sociais. Por fim, tem apostado na relação direta com as pessoas, investindo energia na criação de atividades públicas e gratuitas, realizadas em praças, parques, praias e ruas. Nessas ações, tem experimentado diversas linguagens para realizar o debate rigoroso sobre a medicalização, tendo nas artes uma parceria fundamental.
Objetivos
O presente trabalho objetiva apresentar algumas linguagens experimentadas pelo FMES para popularizar o debate crítico sobre medicalização, pensando perspectivas e desafios abertos nessa construção.
Ano e local da produção
A Universidade Federal da Bahia possui outdoors em suas instalações, abrindo editais para seu uso. Apostando que a visibilidade das placas é uma forma de levar o debate sobre medicalização a público, o FMES utilizou tal espaço em 2018, 2023 e 2025, ocasiões em que houve eventos de grande dimensão organizados pelo coletivo. Para tanto, foram criadas artes, com imagem e texto enxuto, sintetizando o que está sendo posto em questão. Em um deles, lemos: “O mesmo sistema que rotula e adoece é o que depois promete tratar. Quem lucra com isso?”. Tais placas servem, ainda, para a produção de vídeos e postagens nas redes sociais, atingindo, portanto, não apenas quem circula pelos espaços onde estão fixados, mas também o mundo virtual. Outra estratégia que colocamos em destaque é a produção de materiais para distribuição gratuita pautando o tema de forma direta ou indireta. Já foram produzidos marcadores de livro, cartões postais, fitas do bonfim estilizadas (com a frase “só a luta coletiva mudará nossas vidas”), canecas, descansos de copo, cangas, roupas, leques, folhetos e pílulas (pequenos papéis com mensagens desmedicalizantes), merecendo destaque o aviso de “não perturbe” estilizado como crachá no evento cujo título falava em “perturbar os sentidos”. A terceira estratégia apresentada é a realização de atos em espaços públicos. Com divulgação prévia e mobilização coletiva, periodicamente são realizadas atividades com contação de histórias, brincadeiras, música, teatro, voltado tanto para crianças como para adultos, em geral as mães que as acompanham. Nesses momentos, a descontração alia-se à conversa informal e distribuição de materiais sobre o tema, buscando sensibilizar ou dar sentido a situações da vida que são atravessadas pela medicalização. Por fim, o Fórum tem produzido e sistematizado conteúdo digital, tendo um site (https://medicalizacao.org), um canal no youtube (forummedicalizacao) e perfis no facebook (forumsobremedicalizacao) e no instagram (@forumsobremedicalizacao, @desmedicalizaufu e @desmedicalizaufba). Nessa esfera, se soma e impulsiona outros perfis de maior alcance. Em 2025, esse conjunto compôs a exposição que marcou os 15 anos do Fórum, junto a outros materiais como notas técnicas, recomendações e livros.
Análise crítica da obra relacionada à Saúde Coletiva e ao tema do Congresso
Como ponto de partida, destaca-se uma tensão: o conceito “medicalização” não é de óbvio entendimento e fácil comunicação, trazendo desafios à ampliação do debate; ao mesmo tempo, todas as pessoas têm, em alguma medida e cada vez mais, suas vidas atravessadas pelo fenômeno, sendo sensíveis a ele. Assim, o exercício é produzir formas de conversa acessíveis a quem não é familiarizado com a discussão do fenômeno, embora esteja, muitas vezes, com a gramática medicalizante na ponta da língua. Nessa construção, a arte é uma aliada potente. O que nos move está registrado no pixo que também é nosso lema: “coragem, amor, coragem”.
Formatos e suportes necessários referentes à apresentação
O trabalho será apresentado em forma de vídeo, analisando as estratégias citadas acima. A intenção não é apenas apresentar tais produções, mas sobretudo partilhar desafios vivenciados em sua construção e difusão, bem como adensar trocas e criações coletivas com vistas à democratização do conhecimento sobre um tema contra-hegemônico.
Breve biografia do/a autor/a
O FMES é um movimento social fundado em 2010, composto por profissionais, estudantes e usuários de instituições, sobretudo, de educação e saúde, a fim de articular o debate e enfrentamento à medicalização. Em seus 15 anos, já realizou cinco eventos internacionais, além de outros locais. Também organizou livros e dossiês, produziu vídeos e outras mídias sobre o tema.
MULETA É CORPO: ARTICULAÇÕES ENTRE CRIPSTEMOLOGIA E O CAMPO DA SAÚDE COLETIVA
Outras Linguagens
1 ESP-MG
Processo de escolha do tema e de produção da obra
Alguns objetos são tidos como pertencentes ao universo da deficiência, como afirma Claire Cuningham, que com a dança percebeu que sua relação com as muletas poderia ter força e não apenas ser algo negativo. Como Claire, sou uma pessoa que usa muletas e tenho realizado pesquisa cartográfica, numa perspectiva situada e processual. Dialogo com a noção de corpo de Espinoza, com os estudos críticos feministas da deficiência, em especial, na Teoria Crip (Teoria Aleijada) e com improvisação em dança, numa abordagem encarnada e aleijada de criação de conhecimento. A escolha deste tema emerge da necessidade de tensionar os modos hegemônicos pelos quais a deficiência é compreendida, ainda marcada por perspectivas biomédicas, funcionalistas e reabilitadoras. Ao tomar as muletas não apenas como dispositivos de apoio, mas como corpos em relação — capazes de produzir estética e conhecimento — a obra propõe deslocar o olhar da falta para a potência, da limitação para a invenção, sem apelar para ideias de superação. Nesse sentido, a experiência encarnada e da deficiência na dança permite que se produza afetações e incorpora a linguagem artística não apenas como expressão, mas também como modo de produção de conhecimento [cripistemologia]. Uma resposta à urgência de produzir saberes situados que desestabilizem normas capacitistas, na articulação entre os campos das artes, dos estudos da deficiência e da Saúde Coletiva.
Objetivos
Este trabalho tem como objetivos provocar sensações que movam o pensamento sobre as significações possíveis para dispositivos de apoio como as muletas; produzir fissuras nas compreensões sobre corpo e deficiência; articular os modos de produção de conhecimento crip com a Saúde Coletiva
Ano e local da produção
produção em 2026, com apresentação no próprio espaço do congresso.
Análise crítica da obra relacionada à Saúde Coletiva e ao tema do Congresso
Os modelos explicativos da deficiência podem ser interpretados como maneiras de conceber corpo, o que produzer efeitos na maneira que agimos na relação com essas pessoas no cuidado em saúde. O campo da Saúde Coletiva é capturado por concepções hegemônicas? Essa segue sendo uma questão. A despeito das tentativas de abandonar o modelo biomédico, ele ainda se faz presente no fazer da Saúde. Neste trabalho, compreendemos a deficiência à luz da Teoria Crip (Robert McRuer) que propõe um giro epistemológico em torno da categoria conceitual de capacidade, ao questionar a existência do ser humano capaz e da condição fixa do binômio capaz/incapaz. Tem como aspectos-chave um movimento de identificação da deficiência (como modo de assegurar direitos e acesso), mas principalmente de desidentificação, na medida em que compreende que a deficiência não se materializa na estrutura do corpo ou não se mantem como caráter limitador em qualquer situação vivida de forma permanente. Isso possibilita visibilizar a potência do que hegemonicamente se entende como falta. Destaco que não se trata de adotar uma lógica romantizada de deficiência (denominada de supercrip), ao contrário, é entender o aleijar-se como modo de resistência à corponormatividade. Nessa direção, a performance faz uma crítica radical ao uso de padrões de referência que prescreve determinados modos de cuidar de pessoas com deficiência, utilizando da linguagem da dança, para abordar as relações entre corpo e tecnologias assistivas, como a muleta: muleta é objeto? É extensão do corpo? Define o que pode um corpo? Encarna a limitação do corpo? Quando uma muleta já não é mais muleta? Como produzir outros modos de agir e pensar junto a pessoas com deficiência na relação de cuidado no SUS? A abordagem do corpo-muletas ancora-se nas noções de transmobility - que compreende que a pessoa com deficiência pode transitar entre distintos dispositivos de mobilidade, sem hierarquia entre eles, desenvolvendo maneiras não tradicionais de movimento e mobilidade – e de cripborg, que se refere à possibilidade de uma pessoa com deficiência selecionar tecnologias antecipando o mundo que irá encontrar, tornando-se ciborgue crip. Acredito que essas ideias advindas do campo dos estudos críticos e feministas da deficiência na poética da dança podem tensionar o que se considera como modo adequado e técnico de agir no cuidado desse grupo e reverberar nas formulações dentro do campo da Saúde Coletiva.
Formatos e suportes necessários referentes à apresentação
A obra será performada pela autora no local do evento. Será necessário equipamento de som para reprodução da trilha sonora e espaço para movimentação, com aproximadamente 3 m2.
Breve biografia do/a autor/a
Pessoa com deficiência e bailarina da Kinesis Cia de Dança, mestre em Saúde Pública e atua na formação de profissionais para o SUS na Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais há 15 anos. Em sua pesquisa de doutorado em educação pela UFMG relaciona a prática da improvisação em dança com os estudos da deficiência, as noções de corpo e de saúde.
ILUSTRANDO A ESTIGMATIZAÇÃO DO HIV ATRAVÉS DE VIVÊNCIAS DE MULHERES TRANSEXUAIS
Outras Linguagens
1 FMT-AM, UEA
2 FMT-AM
Processo de escolha do tema e de produção da obra
A escolha do tema se fundamentou na necessidade de evidenciar processos de estigmatização que incidem sobre populações vulnerabilizadas, em especial, mulheres transexuais que vivem com HIV. A ilustração surge como recurso educativo para trazer visibilidade a vivências cotidianas marcadas por violências simbólicas e institucionais, bem como ao despreparo do sistema de saúde frente às especificidades dessa população. O diagnóstico do HIV, por si só é desafiador em uma sociedade permeada por preconceitos, o que se torna ainda mais complexo quando atravessado por marcadores como identidade de gênero, evidenciando a intersecção entre transfobia, sorofobia e outras formas de exclusão. A produção da obra ocorreu em etapas articuladas. Inicialmente, foi estruturado o referencial teórico e a delimitação dos conceitos centrais. Em seguida, foram realizadas entrevistas em profundidade, sem roteiro rígido, possibilitando que as participantes narrassem suas experiências de forma livre. A partir desse material, foi construída uma rede temática que orientou a organização dos blocos narrativos da história em quadrinhos. Posteriormente, os esboços foram elaborados para definição dos elementos visuais, incluindo cenários, paleta de cores e situações a serem representadas, priorizando uma abordagem sensível e objetiva, voltada à sensibilização do leitor. Ao todo, foram produzidas 12 ilustrações, organizadas em eixos: vivências cotidianas, sintomas inespecíficos, diagnóstico e experiências no SUS, rede de apoio, uso da terapia antirretroviral (TARV) e práticas como o “raqueamento”.
Objetivos
O estudo tem como objetivo ilustrar as narrativas e vivências de mulheres transexuais que vivem com HIV, por meio da elaboração de um dispositivo pedagógico fundamentado na educação popular em saúde, a história em quadrinhos, de modo a promover o acesso a uma narrativa sensível, crítica e de fácil compreensão. Busca, ainda, compreender como essas experiências evidenciam os impactos psicossociais do estigma associado ao HIV, bem como analisar de que forma tais narrativas podem contribuir com a construção de estratégias de enfrentamento, cuidado e inclusão social.
Ano e local da produção
A produção foi desenvolvida no primeiro semestre de 2025, na cidade de Manaus, com apoio da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado e da Universidade do Estado do Amazonas.
Análise crítica da obra relacionada à Saúde Coletiva e ao tema do Congresso
A noção de ambiente, ao ser analisada a partir das vivências de mulheres transexuais que vivem com HIV, se amplia para além da dimensão física, incorporando o território social e simbólico. Nesse contexto, podemos incluir o acesso aos serviços de saúde, especializado ou não, as redes de apoio e, sobretudo, as políticas públicas, elementos que incidem diretamente sobre os desfechos em Saúde Coletiva. Assim, tais vivências não se restringem ao campo biomédico, mas são produzidas em contextos sociais específicos, atravessados por exclusão, vulnerabilidade e violências estruturais. A valorização dessas narrativas como saberes legítimos fortalece a perspectiva intercultural e reafirma o pertencimento desses sujeitos ao ambiente. A transposição dessas experiências para a linguagem visual, por meio das ilustrações, tensiona modelos hegemônicos e concepções pré-estabelecidas, que se configura como estratégia de mediação cultural e pedagógica, capaz de promover o diálogo entre diferentes sujeitos, saberes e práticas. No âmbito da Saúde Coletiva, a análise crítica da obra evidencia os impactos psicossociais do estigma, da transfobia e da sorofobia enquanto determinantes sociais da saúde, ao mesmo tempo em que problematiza o papel das instituições na reprodução ou no enfrentamento dessas desigualdades. A produção artística, nesse sentido, assume caráter interventivo, contribuindo para a sensibilização, a humanização do cuidado e o fortalecimento de práticas mais inclusivas. Por fim, os desafios para a construção de vivências sustentáveis no século XXI extrapolam as questões ambientais clássicas, demandando a promoção da equidade, o reconhecimento das diversidades, o enfrentamento das iniquidades e o combate ao estigma como dimensões fundamentais para uma saúde verdadeiramente integral.
Formatos e suportes necessários referentes à apresentação
Para a apresentação das ilustrações, necessito de um recurso visual como projetor, ou até mesmo a disponibilização das ilustrações através de totens ou no formato impresso. Segue o link com as ilustrações desenvolvidas por mim: https://drive.google.com/drive/folders/1s84YOUuMkg8aZ9at9AJtSVydspAmnQO6?usp=sharing
Breve biografia do/a autor/a
Sarah Botero, ilustradora e enfermeira formada pela Universidade do Estado do Amazonas, 24 anos, trabalha com ilustrações desde o ano de 2020, e buscou uma forma de integrar a arte a saúde, promovendo assim educação popular em saúde de fácil acesso e entendimento. Usa do recurso visual para sensibilizar acerca de temáticas importantes e negligenciadas.
Realização: