Programa - Comunicação Oral Curta - COC22.2 - Aplicativos e aplicações algorítimicas em saúde digital
19 DE SETEMBRO | SÁBADO
08:30 - 10:00
08:30 - 10:00
TELEDUCAÇÃO EM SAÚDE BUCAL NA AMAZÔNIA: EXPERIÊNCIA DE DISCENTES DE PÓS-GRADUAÇÃO NO PROJETO CRESCENDO SEM CÁRIE
Comunicação Oral Curta
1 Universidade do Estado do Amazonas
Contextualização
A Amazônia brasileira apresenta um dos maiores desafios logísticos na oferta de serviços de saúde no país. A imensidão territorial, a dispersão populacional e a escassez de profissionais qualificados em municípios do interior do Amazonas tornam a telessaúde não apenas uma alternativa tecnológica, mas uma estratégia estrutural de equidade em saúde. A Universidade do Estado do Amazonas (UEA), por meio do seu Núcleo de Telessaúde, desenvolve ações voltadas à promoção da saúde, formação de profissionais e educação em saúde para populações geograficamente isoladas. A saúde bucal, historicamente marginalizada nas políticas de atenção primária em contextos amazônicos, emerge como campo prioritário de intervenção, especialmente diante dos elevados índices de cárie dentária em crianças e adolescentes que documentam décadas de negligência sistêmica no Estado. Foi nesse cenário que a participação de discentes de pós-graduação no Projeto Crescendo Sem Cárie deixou de ser atividade curricular e tornou-se um aprendizado que a sala de aula não entregaria: um espaço fértil para a construção de práticas pedagógicas inovadoras e socialmente comprometidas.
Descrição
Trata-se de um relato de experiência de discentes do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da UEA que atuaram como facilitadores de ações de teleducação no âmbito do Projeto de Extensão Crescendo Sem Cárie, vinculado ao Núcleo de Telessaúde da UEA. O projeto trabalha com educação em saúde bucal dirigida a crianças, famílias, educadores e profissionais de saúde de municípios amazonenses, usando plataformas digitais síncronas e assíncronas, materiais adaptados à linguagem local e metodologias participativas mediadas por tecnologia. A participação dos discentes de pós-graduação abrangeu o planejamento pedagógico dos encontros virtuais, a condução de webconferências, a produção de conteúdos digitais acessíveis e o monitoramento das ações junto às equipes locais de saúde. A inserção no projeto ocorreu como parte das atividades de extensão do programa, articulando ensino, pesquisa e serviço.
Período de Realização
As atividades ocorreram ao longo de 2024, 2025 e seguem em 2026, com encontros regulares de teleducação envolvendo municípios de diferentes regiões de saúde do Amazonas.
Objetivo
Relatar a experiência de discentes de pós-graduação em Saúde Coletiva na condução de ações de teleducação em saúde bucal pelo Projeto Crescendo Sem Cárie, identificando contribuições, limites e aprendizados para a formação em saúde digital na Amazônia.
Resultados
As ações de teleducação alcançaram profissionais de saúde, agentes comunitários, professores e famílias em diversos municípios, superando barreiras geográficas que inviabilizam a presença física. Para os discentes, a experiência exigiu habilidades de comunicação em saúde mediada por tecnologia, planejamento instrucional para ambientes virtuais e adaptação de linguagem para públicos muito diferentes entre si. A experiência também favoreceu a produção de materiais educativos contextualizados à realidade amazônica, elemento que frequentemente está ausente nos recursos padronizados disponíveis. Observou-se maior engajamento dos participantes quando as abordagens incorporavam referências culturais locais e utilizavam ferramentas interativas de fácil acesso por dispositivos móveis, dado o perfil de conectividade predominante na região.
Aprendizado e Análise Crítica
A imersão na teleducação revelou que a formação em Saúde Coletiva precisa incorporar competências digitais críticas, não apenas o domínio técnico das ferramentas, mas a compreensão dos determinantes sociais que condicionam o acesso e o uso das tecnologias em saúde. A teleducação eficaz na Amazônia, exige escuta ativa das comunidades, flexibilidade metodológica diante de instabilidades de conectividade e compromisso ético com a não reprodução de desigualdades digitais. Ficou evidente que chegar com conteúdo pronto para populações amazônicas sem incorporar suas referências é, no melhor dos casos, ineficaz. A articulação com o Núcleo de Telessaúde demonstrou o potencial da universidade pública como indutora de inovações pedagógicas territorialmente situadas. A experiência evidencia que ao mesmo tempo em que a teleducação amplia o alcance das ações de saúde, reforça exclusões quando não se enfrenta o problema do acesso desigual à internet e aos dispositivos digitais. Mas a conectividade no Amazonas é desigual por razões que não são tecnológicas: são políticas e econômicas. Isso se manifesta em municípios com cobertura 3G intermitente, populações ribeirinhas sem acesso a dados móveis e comunidades indígenas com outras epistemologias de cuidado que desafiam uma padronização de saúde digital. A formação em Saúde Coletiva tem a responsabilidade de preparar profissionais capazes de usar ferramentas digitais como instrumento do direito à saúde. O Projeto Crescendo Sem Cárie, é um espaço de aprendizado real, não porque tudo funcionou, mas porque quando não funcionou também ensinou, constituindo um laboratório vivo de saúde digital comprometida com a equidade.
SUS SEGURO: PLATAFORMA DIGITAL PARA AUXILIAR A ATUAÇÃO DOS AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE NA ATENÇÃO PRIMÁRIA
Comunicação Oral Curta
1 Unifesspa
Apresentação/Introdução
A Atenção Primária à Saúde (APS) constitui é o eixo estruturante do organização do cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS), organizando o cuidado a partir da territorialização e a atuação das equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF), especialmente por meio do trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS). No entanto, em contextos marcados por desigualdades socioespaciais, como na Amazônia, persistem desafios relacionados à cobertura territorial, acesso à informação e organização do cuidado, especialmente em áreas descobertas por Agentes Comunitários de Saúde (ACS). Nessas situações, a população frequentemente desconhece sua condição territorial, o que pode resultar em dificuldades de acesso aos serviços, deslocamentos desnecessários à unidade e fragilidades no acompanhamento de grupos prioritários, como gestantes, idosos e usuários com doenças crônicas não transmissíveis. Diante desse cenário, a incorporação de tecnologias digitais apresenta-se como estratégia promissora para ampliar a transparência territorial, qualificar o acesso e fortalecer a gestão do cuidado na APS.
Objetivos
Apresentar a proposta de desenvolvimento da plataforma digital SUS Seguro, destinada a identificar a cobertura territorial de ACS, possibilitar o agendamento online de consultas e apoiar o acompanhamento de gestantes, idosos e pessoas com doenças crônicas na área de abrangência da Unidade Básica de Saúde Hiroshi Matsuda, no município de Marabá, Pará.
Metodologia
O estudo caracteriza-se como uma pesquisa aplicada com abordagem qualitativa e exploratória, desenvolvida no âmbito do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde). A coleta de dados ocorreu entre outubro e dezembro de 2025 por meio de visitas técnicas à UBS, observação do fluxo de atendimento, entrevistas com profissionais de saúde e aplicação de questionários com ACS, equipe administrativa e usuários da unidade. Os dados coletados permitiram identificar problemas operacionais relacionados à cobertura territorial, ao processo de agendamento de consultas e ao acompanhamento de gestantes, idosos e pessoas com doenças crônicas. Com base na análise situacional, foi elaborada a proposta de uma plataforma web responsiva, acessível por dispositivos móveis e computadores, estruturada em módulos funcionais voltados à população e à equipe de saúde.
Resultados e Discussão
A análise dos dados evidenciou que parte da população desconhece se sua área de residência possui cobertura por ACS, o que gera conflitos no atendimento, expectativas equivocadas sobre visitas domiciliares e deslocamentos desnecessários à UBS. Também foi identificado que usuários residentes em áreas descobertas dependem de filas presenciais para agendamento de consultas, enquanto aqueles em áreas cobertas têm acesso facilitado por meio do ACS. Outra questão observada refere-se ao acompanhamento de gestantes, especialmente nas áreas sem cobertura formal, o que pode impactar a produção de indicadores assistenciais e a organização do cuidado.
A partir dessas evidências, foi proposta a plataforma SUS Seguro, composta por três módulos principais: 1) mapa interativo de cobertura territorial que permite ao usuário identificar se sua quadra está coberta por ACS e quem é o profissional responsável; 2) sistema de agendamento online de consultas médicas, odontológicas e de enfermagem; e 3) módulo de acompanhamento de pré-natal com registro de consultas, lembretes de exames e orientações educativas. A plataforma também prevê funcionalidades administrativas, como atualização do mapa territorial e visualização de indicadores em painel digital. A proposta se insere no campo da saúde digital como estratégia de enfrentamento das iniquidades no acesso, promovendo maior transparência, equidade e organização do cuidado na APS, especialmente em territórios amazônicos.
Conclusões/Considerações Finais
A proposta da plataforma SUS Seguro evidencia o potencial das tecnologias digitais para apoiar a organização do cuidado na atenção primária à saúde, especialmente em contextos marcados por limitações estruturais e fragilidades na cobertura territorial. Ao facilitar o acesso à informação, reduzir barreiras no agendamento de consultas e fortalecer o acompanhamento de gestantes, a ferramenta pode contribuir para melhorar a relação entre usuários e serviços de saúde. Além disso, a iniciativa reforça a importância da integração entre universidade, serviço e comunidade, promovida pelo PET-Saúde, no desenvolvimento de soluções tecnológicas alinhadas às necessidades reais do SUS.
TELESSAÚDE NO CUIDADO À POPULAÇÃO INDÍGENA NA AMAZÔNIA: EXPERIÊNCIA FORMATIVA PARA PROFISSIONAIS DE SAÚDE NO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO GETÚLIO VARGAS
Comunicação Oral Curta
1 UFAM
2 HUGV
3 UEA
Contextualização
A transformação digital contemporânea, inserida na lógica da sociedade do conhecimento, tem reconfigurado práticas sociais, produtivas e assistenciais, impactando diretamente o campo da Saúde Coletiva. No contexto amazônico, marcado por desigualdades estruturais, barreiras geográficas e diversidade sociocultural, a telessaúde configura-se como estratégia relevante para ampliação do acesso, qualificação do cuidado e integração das redes de atenção, especialmente em relação às populações indígenas, com potencial para redução de iniquidades em regiões remotas. Esse cenário insere-se em um processo mais amplo de reconfiguração das relações entre tecnologia, cuidado e território, no qual emergem desafios relacionados à equidade digital, à proteção de dados sensíveis e à soberania tecnológica.
Descrição
A programação articulou exposições teóricas, oficinas clínicas e espaços dialógicos, abordando desde a organização da saúde digital no Sistema Único de Saúde até aplicações práticas em teleinterconsulta, teleconsultoria, telediagnóstico e teleducação, em articulação com estratégias de educação permanente e fortalecimento da atenção primária, com ênfase na integração entre níveis de atenção e na coordenação do cuidado. A programação do workshop foi estruturada a partir de uma perspectiva integradora entre formação técnico-clínica e problematização do uso da Telessaúde no contexto amazônico, articulando exposições teóricas, oficinas baseadas em casos e espaços dialógicos. As atividades contemplaram a discussão da organização da saúde digital no Sistema Único de Saúde, análise de dados do núcleo de Telessaúde e apresentação de iniciativas estratégicas, como o telemonitoramento de gestantes de alto risco, evidenciando sua inserção como dispositivo de apoio à rede de atenção.
As oficinas clínicas, centradas em situações-problema, abordaram áreas como semiologia cardiovascular, avaliação musculoesquelética, saúde mental na infância, estomaterapia e dermatologia, com ênfase no raciocínio clínico em cenários com restrição de acesso a especialistas. Paralelamente, foram desenvolvidas atividades voltadas à operacionalização das tecnologias digitais, incluindo uso da plataforma, organização dos fluxos assistenciais e discussão de aspectos ético-legais relacionados à proteção de dados sensíveis. As rodas de conversa possibilitaram a emergência de narrativas dos participantes, evidenciando tensões entre padronização tecnológica e especificidades socioculturais dos territórios indígenas, bem como limites estruturais e desafios na articulação entre tecnologia, cuidado e interculturalidade na região amazônica.
Período de Realização
Evento realizado entre 9 e 11 de março de 2026, que reuniu 50 profissionais dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas, gestores e equipe do Núcleo de Telessaúde.
Objetivo
Este estudo tem como objetivo descrever a experiência formativa do II Workshop de Telessaúde do Hospital Universitário Getúlio Vargas para profissionais de Saúde Indígena do Amazonas. Este estudo trata-se de um relato de experiência, de natureza descritiva.
Resultados
A avaliação do workshop atividade foi realizada por meio da aplicação de um formulário eletrônico - Google Forms - permitindo a análise sistematizada da percepção dos participantes. Nesse contexto, mais de 90% dos respondentes concordaram totalmente quanto à clareza e ao caráter objetivo do conteúdo apresentado, destacando sua aplicabilidade nas atividades desenvolvidas na área da saúde. Observou-se elevada concordância em relação à clareza na exposição, ao estímulo à participação durante a atividade e à qualidade do material didático, considerado coerente com os conteúdos abordados. Além disso, verificou-se alto nível de satisfação quanto à carga horária do curso, evidenciando adequação ao escopo e às necessidades formativas dos participantes.
Aprendizado e Análise Crítica
Como aprendizado, destaca-se que a incorporação da telessaúde está associada à necessidade de educação permanente, fortalecimento do raciocínio clínico e adaptação das práticas às especificidades territoriais e culturais. A experiência reforça a centralidade da interculturalidade, da escuta qualificada e do reconhecimento dos saberes locais na construção de estratégias de cuidado que respeitem os modos de vida dos povos indígenas, valorizando a integralidade e a territorialização das práticas em saúde.
O workshop constituiu espaço relevante para troca de experiências, qualificação profissional e fortalecimento das práticas em saúde digital. Evidencia-se a necessidade de continuidade de ações formativas, ampliação da infraestrutura e fortalecimento de políticas públicas que promovam o uso ético, seguro e equitativo das tecnologias digitais. Nesse contexto, a telessaúde apresenta potencial para contribuir com a redução de iniquidades no acesso e com a qualificação do cuidado, especialmente em territórios amazônicos, desde que orientada por princípios de equidade, integralidade e compromisso com as realidades socioculturais locais.
TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA NO DIAGNÓSTICO E ACOMPANHAMENTO DE PACIENTES COM COVID-19
Comunicação Oral Curta
1 IBMR
Apresentação/Introdução
A pandemia de COVID-19 representou um grande desafio para os sistemas de saúde, especialmente no que se refere ao diagnóstico rápido e ao manejo clínico dos pacientes acometidos. O teste molecular por RT-PCR é considerado o padrão-ouro para confirmação da infecção pelo SARS-CoV-2; contudo, durante o período pandêmico, apresentou limitações importantes, como indisponibilidade, tempo prolongado para liberação dos resultados e ocorrência de falsos negativos, sobretudo nos primeiros dias de sintomas. Nesse contexto, a tomografia computadorizada (TC) de tórax passou a ser amplamente utilizada como ferramenta complementar, permitindo a identificação precoce de alterações pulmonares compatíveis com pneumonia viral, além do acompanhamento da progressão da doença e de suas complicações. Apesar da alta sensibilidade, o uso da TC ainda gera debates quanto à sua especificidade e indicação clínica.
Objetivos
Analisar o papel da tomografia computadorizada no diagnóstico complementar e no acompanhamento clínico de pacientes com COVID-19, destacando suas contribuições, limitações e implicações para o manejo em saúde coletiva.
Metodologia
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada por meio de buscas nas bases PubMed, SciELO, CAPES e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Foram incluídos estudos publicados entre 2020 e 2024, em português, inglês, espanhol e chinês, envolvendo pacientes com suspeita ou diagnóstico confirmado de COVID-19 submetidos à avaliação clínica, laboratorial e tomográfica. Foram selecionados estudos observacionais, revisões sistemáticas e artigos de atualização que correlacionassem achados tomográficos com resultados de RT-PCR. Artigos duplicados ou sem metodologia claramente descrita foram excluídos. A análise dos dados seguiu o consenso da Radiological Society of North America (RSNA) para classificação dos achados tomográficos.
Resultados e Discussão
Os estudos analisados demonstraram alta sensibilidade da tomografia computadorizada na detecção de alterações pulmonares em pacientes com suspeita clínica moderada a alta de COVID-19. Os achados mais frequentes incluíram opacidades em vidro fosco bilaterais e periféricas, consolidações, broncograma aéreo e padrão de pavimentação em mosaico. Em diversos estudos, a TC identificou alterações pulmonares antes da positividade do RT-PCR, evidenciando sua utilidade em casos de falso-negativo laboratorial. Observou-se concordância moderada a alta entre TC e RT-PCR, especialmente em pacientes hospitalizados e com piora clínica. Entretanto, foi destacada a baixa especificidade da TC, uma vez que achados semelhantes podem ocorrer em outras pneumonias virais e doenças pulmonares inflamatórias.
Conclusões/Considerações Finais
A tomografia computadorizada de tórax apresenta papel relevante como método complementar no diagnóstico e acompanhamento da COVID-19, especialmente em contextos de indisponibilidade do RT-PCR, discrepância diagnóstica ou progressão clínica. Sua alta sensibilidade permite avaliação precoce do acometimento pulmonar e monitoramento da gravidade da doença, contribuindo para decisões clínicas oportunas. No entanto, devido à baixa especificidade, a TC não deve ser utilizada como método diagnóstico definitivo, sendo imprescindível sua integração à avaliação clínica e laboratorial. O uso criterioso da tomografia fortalece estratégias de cuidado, vigilância e manejo clínico no âmbito da saúde coletiva.
USO DE CIÊNCIA DE DADOS E IA NA VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA: UM ESTUDO COMPARATIVO ENTRE INICIATIVAS DE SAÚDE PÚBLICA DE REFERÊNCIA NO BRASIL
Comunicação Oral Curta
1 ENSP
Apresentação/Introdução
A aplicação da ciência de dados e da inteligência artificial na vigilância epidemiológica tem possibilitado o aprimoramento dos processos de detecção, monitoramento e resposta a surtos e epidemias por meio da integração, análise e da interpretação de grandes volumes de dados. Alguns estudos têm evidenciado a natureza interdisciplinar da ciência de dados, seja por sua característica de articulação entre diferentes áreas do conhecimento, como a estatística e a ciência da computação (NIST, 2015) ou pela convergência tecnológica, científica, acadêmica e filosófica (Saldanha et al., 2021), o que reforça seu potencial de aplicação em áreas complexas como a vigilância em saúde.
Objetivos
Partindo desta compreensão, o objetivo deste trabalho é analisar como duas iniciativas de referência na área da saúde pública no Brasil têm aplicado a ciência de dados e a inteligência artificial no campo da vigilância epidemiológica, identificando arranjos organizacionais, tecnológicos e metodológicos, com foco no fluxo de dados, resultados produzidos e potencial de replicação. Os casos selecionados para a investigação são o Centro de Inteligência Epidemiológica (CIE), da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, e o Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (CIDACS), vinculado à Fundação Oswaldo Cruz. Adota-se aqui o entendimento de que a diferença nos regimes de governança e nos modelos institucionais entre os dois casos pode fornecer uma perspectiva ampliada sobre usos da ciência de dados e IA na saúde, permitindo identificar padrões, convergências e desafios comuns.
Instituído em 2022, como desdobramento das experiências do Centro de Operações de Emergência durante a pandemia de Covid-19, o CIE tem ampliado, por meio da integração de múltiplas bases de dados e do desenvolvimento de painéis interativos, o monitoramento em tempo real de doenças, possibilitando o mapeamento espacial de riscos e a antecipação de surtos. Já o CIDACS tem se notabilizado pela utilização de técnicas avançadas de ciência de dados e IA para integrar, anonimizar e analisar grandes bases de dados administrativos e populacionais, permitindo o estudo de determinantes sociais, ambientais e de saúde de forma longitudinal e em larga escala, resultando na identificação de padrões de vulnerabilidade, avaliação de políticas públicas e modelagem preditiva de riscos sanitários.
Metodologia
Quais os recursos tecnológicos e os arranjos técnicos que sustentam as iniciativas? Que tipos de dados (sistemas de informação em saúde, administrativos, clínicos, etc.) são utilizados? Quais etapas são definidas no fluxo de ciência de dados aplicada à epidemiologia? Essas são algumas das perguntas que orientam o trabalho que, em termos metodológicos, adota uma abordagem qualitativa, baseada em análise documental, revisão de literatura (científica e institucional) e análise do fluxo de ciência de dados aplicada à epidemiologia.
No que se refere às fontes de dados, o estudo mapeia o uso tanto de fontes tradicionais, como os sistemas de informação em saúde, inquéritos populacionais e registros laboratoriais, quanto de fontes não-convencionais, como dados de mídias sociais, buscas na web e rastros digitais. A incorporação dessas novas fontes, acelerada pela pandemia de Covid-19, amplia o potencial analítico da vigilância epidemiológica, mas também tensiona de forma significativa os limites entre inovação e garantia de direitos fundamentais. Se, por um lado, a ciência de dados e a IA possibilitam respostas mais rápidas e precisas, por outro, intensificam riscos associados à coleta massiva, ao compartilhamento e ao reuso de dados pessoais sensíveis, o que reforça a importância do cumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados.
Resultados e Discussão
Afirma-se, de modo preliminar, que os casos aqui analisados não se organizam apenas em torno de algoritmos ou ferramentas, mas envolvem arranjos institucionais, fluxos de dados, modelos de governança, infraestruturas tecnológicas e relações entre pesquisa, gestão e serviço. As iniciativas do CIE e do CIDACS têm demonstrado resultados expressivos na aplicação da ciência de dados e IA na vigilância epidemiológica, fortalecendo a detecção precoce de agravos, a análise de tendências e o suporte à tomada de decisão baseada em evidências.
Conclusões/Considerações Finais
Ao promoverem a convergência estratégica entre a saúde, por meio de registros epidemiológicos, e a assistência social, com informações do Cadastro Único, por exemplo, o CIE e o CIDACS aprimoram as práticas institucionais e a análise de tendências, mas também fundamenta estratégias sustentáveis para o enfrentamento de vulnerabilidades sociais e crises sanitárias, garantindo uma rede de cuidado mais robusta e eficiente. Além disso, acredita-se que os resultados do projeto oferecem contributos para o aprimoramento de práticas institucionais, o fortalecimento da governança de dados e a formulação de estratégias mais integradas e sustentáveis para o uso de dados e IA na saúde pública.
SAÚDE DIGITAL E GEOPROCESSAMENTO APLICADOS À VIGILÂNCIA DA QUALIDADE DO AR NO CONTEXTO DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS: INTEGRAÇÃO DE DADOS AMBIENTAIS E DE SAÚDE NA BAHIA
Comunicação Oral Curta
1 SESAB/SUVISA/COVIAM
Contextualização
As mudanças climáticas e a poluição atmosférica configuram-se como importantes determinantes sociais e ambientais da saúde, impactando diretamente a morbimortalidade por doenças respiratórias e outras condições sensíveis ao ambiente. No contexto brasileiro, marcado por desigualdades territoriais e vulnerabilidades socioambientais, a Vigilância em Saúde Ambiental da Bahia demanda estratégias que possibilitem integrar diferentes fontes de dados e ampliar a capacidade analítica dos serviços. Nesse cenário, a saúde digital emerge como ferramenta estratégica para o fortalecimento do SUS, permitindo o uso de tecnologias para monitoramento, análise e apoio à tomada de decisão frente aos desafios impostos pelas transformações ambientais e climáticas.
Descrição
O presente trabalho descreve a implementação do painel VIGIAR no estado da Bahia, desenvolvido em Power BI, voltado à análise integrada da qualidade do ar, seus determinantes e impactos na saúde. A ferramenta está estruturada em quatro módulos analíticos integrados: (I) monitoramento da qualidade do ar, com base em dados do sistema Copernicus, obtidos por sensoriamento remoto via satélite; (II) análise de atividades industriais potencialmente poluidoras, a partir do Cadastro Técnico Federal de Atividades Potencialmente Poluidoras e Utilizadoras de Recursos Naturais (CTF/APP); (III) acompanhamento da frota veicular, considerando sua contribuição para a emissão de poluentes atmosféricos; e (IV) monitoramento de desfechos em saúde, incluindo internações e óbitos por doenças respiratórias.
O painel contempla indicadores como Índice de Qualidade do Ar (IQAr), material particulado (MP2.5 e MP10), ozônio (O₃), dióxido de nitrogênio (NO₂), dióxido de enxofre (SO₂) e monóxido de carbono (CO), considerando as limitações de disponibilidade de dados. As bases possuem diferentes periodicidades: dados ambientais com atualização conforme disponibilização do Copernicus; dados de saúde (SIM e SIH) com atualização mensal; e dados de atividades industriais (IBAMA/CTF-APP) e frota veicular (SENATRAN) com atualização anual. A integração dessas bases permite a análise espacial e temporal dos agravos, possibilitando observar padrões associados a eventos climáticos e variações ambientais.
Período de Realização
18 de setembro de 2025 á 24 de fevereiro de 2026
Objetivo
Descrever o uso de ferramenta de Business Intelligence como estratégia de apoio à análise da qualidade do ar, suas relações com mudanças climáticas e impactos na saúde, subsidiando a tomada de decisão na Vigilância em Saúde Ambiental da Bahia no SUS.
Resultados
A implementação do painel possibilitou a integração de múltiplas bases de dados em um ambiente único, promovendo maior agilidade na análise e visualização das informações. Observou-se a identificação de padrões espaciais e temporais da qualidade do ar e sua relação com agravos respiratórios, incluindo internações e óbitos. O painel também permitiu correlacionar períodos de maior concentração de poluentes com eventos ambientais e climáticos, como aumento de temperaturas e ocorrência de queimadas, evidenciando possíveis impactos na saúde da população. Além disso, a ferramenta favoreceu o monitoramento de fontes poluidoras, como atividades industriais e frota veicular, ampliando a capacidade de vigilância e planejamento de ações.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência evidenciou o potencial da integração entre saúde, ambiente e tecnologia, destacando o papel da saúde digital na qualificação da vigilância e no apoio à tomada de decisão. Observou-se a importância da interoperabilidade entre sistemas, da qualificação das equipes e do fortalecimento de uma cultura orientada por dados, além da incorporação das mudanças climáticas como elemento central na análise dos agravos à saúde.
Entretanto, foram identificados desafios relevantes, como a limitação na disponibilidade de dados ambientais, especialmente pela ausência de uma rede pública de sensores próprios no estado, o que implica dependência de dados secundários e reduz a capacidade de validação e precisão das análises. Soma-se a isso a fragmentação das bases de dados, com diferentes periodicidades de atualização, e dificuldades na integração e consistência das informações.
No campo da vigilância em saúde ambiental, destaca-se a fragilidade na notificação de agravos relacionados à poluição do ar, frequentemente registrados de forma inespecífica, o que compromete a identificação e mensuração dos impactos na saúde. Por fim, embora o painel permita identificar associações entre variáveis ambientais, climáticas e desfechos em saúde, ainda há limitações para o estabelecimento de relações causais, evidenciando a necessidade de investimentos em infraestrutura, qualificação dos dados e aprimoramento dos sistemas de informação no SUS.
ESTUDO COMPARATIVO DAS MODALIDADES MISTA E AUTOADMINISTRADA DE UMA INTERVENÇÃO ONLINE PARA AUMENTAR O BEM-ESTAR SUBJETIVO PARENTAL
Comunicação Oral Curta
1 UFBA
Apresentação/Introdução
A participação em programas parentais online tem promovido o bem-estar e a saúde mental de adultos que têm filhos pequenos, embora ainda se saiba pouco a respeito de como diferentes modalidades de entrega dos programas podem afetar seus efeitos. O PARAPAIS EM AÇÃO é um programa online de dez semanas, entregue nas modalidades autoadministrada (somente com o conteúdo online disponível na plataforma) ou mista (conteúdo online disponível na plataforma e videoconferência semanal com especialista), desenvolvido para mães e pais brasileiros de baixa escolaridade com filhos entre três e seis anos de idade.
Objetivos
O objetivo deste estudo foi examinar se a modalidade (mista vs. autoadministrada) de uma intervenção parental online afeta os efeitos da intervenção sobre o bem-estar subjetivo de mães e pais de baixa escolaridade com filhos entre três e seis anos.
Metodologia
Participaram do estudo 23 pais, distribuídos entre os grupos autoadministrado (n=11) e misto (n=12). A Escala de Afetos Positivos e Negativos (PANAS) e a Escala de Satisfação com a Vida (ESV) foram aplicados antes do início da intervenção e uma semana após a sua conclusão.
Resultados e Discussão
Os resultados da comparação dos escores de afeto positivo, afeto negativo e satisfação com a vida entre os participantes dos grupos intervenção mista e intervenção autoadministrada no pós-teste com o Teste de Mann-Whitney demonstraram que não houve diferença significativa em nenhuma das dimensões do bem-estar subjetivo entre as duas modalidades de intervenção. É possível que os 30 minutos semanais de videoconferência com especialista, focados na revisão do conteúdo dos vídeos da semana e em dificuldades nas atividades realizadas pelo participante, não representem uma customização significativa da intervenção a ponto de permitir o aprofundamento em aspectos da vida do participante relacionados ao tema da semana.
Conclusões/Considerações Finais
Talvez, a videoconferência semanal realizada na modalidade mista precise incluir outras estratégias além de apenas ajudar o participante nas atividades da intervenção, para tornar-se uma possível via de melhora no desempenho do grupo misto. Ademais, o tamanho da amostra ainda é muito pequeno, reduzindo o poder estatístico dos testes utilizados e impedindo análises mais robustas.
AVANÇOS E PERCALÇOS NA IMPLEMENTAÇÃO DE UM SISTEMA ELETRÔNICO DE CAPTURA DE DADOS PARA PESQUISA (REDCAP): A EXPERIÊNCIA DO PROJETO CUIDA CHAGAS NA AMÉRICA LATINA
Comunicação Oral Curta
1 Fiocruz/INI
2 INLASA/Bolivia
3 SENEPA/Paraguay
4 INS/Colombia
Apresentação/Introdução
O projeto CUIDA Chagas é uma iniciativa internacional que visa contribuir para a eliminação da transmissão congênita da doença de Chagas (DC). Por meio de uma combinação de pesquisa de implementação e inovação, o projeto foi implementado em um total de 37 municípios da Bolívia (9), Brasil (11), Colômbia (11) e Paraguai (6), e incluiu três estudos: pesquisa de implementação; validação de um algoritmo de diagnóstico baseado em testes de diagnóstico rápido e um ensaio clínico de tratamento.
Desde a fase de estruturação do projeto, tornou-se evidente sua complexidade, com especificidades que exigiram um processo de customização tecnológica, integração com outros sistemas e automação de fluxos para atender às necessidades do estudo nos quatro países. Nesse contexto, o Research Electronic Data Capture (REDCap) foi adotado como plataforma central para coleta, armazenamento e gestão dos dados.
Objetivos
Descrever os avanços, desafios e soluções adotadas na implementação do REDCap no projeto CUIDA Chagas em quatro países da América Latina.
Metodologia
O REDCap foi utilizado como principal ferramenta para apoiar a condução dos três estudos do projeto CUIDA Chagas. Ao explorar diversos recursos do REDCap foi possível realizar:
Estruturação e rastreabilidade: criação de identificador único (ID), capaz de codificar o país, estado, município e o estudo com um sequencial único, garantindo a rastreabilidade e confidencialidade dos dados dos participantes nos diferentes países; e controle centralizado de liberação de IDs, permitindo ativação no REDCap apenas após confirmação do recebimento físico dos instrumentos nos estabelecimentos de saúde.
Customizações e validações: com JavaScript para máscaras e validações dinâmicas de campos; filtragem condicional de variáveis, prevenção de valores inválidos ou fora de faixa e alertas dinâmicos para facilitar o preenchimento por parte do usuário e diminuir os erros de digitação; uso de queries no REDCap, permitindo cruzamento de informações entre projetos, instrumentos e braços do estudo; e desenvolvimento de scripts em PHP para controle de transição de dados participantes entre braços do estudo.
Integração: desenvolvimento de uma Interface de Programação de Aplicações (API) para consumo de dados no Power BI; e integração com webservices externos (CEP no Brasil; documento de identificação no Paraguai).
Governança: definição de perfis de acesso por nível hierárquico; e monitoramento contínuo da qualidade dos dados.
Resultados e Discussão
Foram desenvolvidos 20 projetos para coletar os dados de 154 instrumentos dos três estudos do projeto CUIDA Chagas. O REDCap possibilitou a coleta de dados de grandes populações em diferentes contextos, com mais de 120.000 registros incluídos até 15/03/26. Os percalços incluíram a necessidade de adaptações decorrentes das especificidades dos diferentes países incluídos no projeto; limitações das funcionalidades nativas do REDCap, exigindo a injeção de códigos por meio de módulos externos; implementação de validações e alertas no sistema, com o objetivo de facilitar o processo de preenchimento e minimizar erros de digitação; e brechas nas habilidades digitais necessárias para usar o REDCap, em algumas equipes coletoras de dados. Para superar estes percalços incluímos a padronização da identificação dos participantes entre os diferentes países, garantindo rastreabilidade dos registros; controle do fluxo de inclusão e acompanhamento dos participantes, permitindo monitoramento das etapas do estudo; redução de erros de digitação, por meio da implementação de validações automáticas e alertas na inserção dos dados; verificação de inconsistências, possibilitando identificação mais rápida e eficiente de divergências nos dados; reuniões regulares de equipe; e treinamento e procedimentos automatizados de verificação de erros de forma permanente. Também se criou a integração com o Power BI, que possibilitou o monitoramento em tempo real e de forma integrada dos dados de triagem, diagnóstico e tratamento, nos diferentes níveis (desde as equipes locais até os Ministérios de Saúde). Isto permitiu fazer adaptações e mudanças do foco para assegurar que os resultados seriam atingidos da melhor forma possível.
Conclusões/Considerações Finais
A implementação do REDCap no projeto CUIDA Chagas demonstrou que sistemas eletrônicos de captura de dados podem ser adaptados a estudos multicêntricos e multinacionais complexos. Apesar dos desafios relacionados às limitações da plataforma e às especificidades entre os países, as soluções adotadas contribuíram para a melhoria da qualidade dos dados, maior eficiência no monitoramento do projeto, apoio à tomada de decisões pela equipe central, e seguimento das participantes incluídas nos diferentes estudos.
Para os países incluídos no projeto os dados produzidos representam um avanço importante, no enfrentamento dos desafios de contar com dados confiáveis, disponíveis de forma oportuna e que sejam utilizados como evidência para a tomada de decisões, a formulação, monitoramento e avaliação das políticas.
AVALIAÇÃO DA USABILIDADE DO APLICATIVO NOTIVIVA PARA QUALIFICAÇÃO NA NOTIFICAÇÃO DE CASOS DE VIOLÊNCIA.
Comunicação Oral Curta
1 UFMG
Apresentação/Introdução
A violência é definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como “qualquer ação ou conduta, baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto no âmbito público como no privado”. O Estudo Carga Global de Doença, em 2019, estimou 4,3 milhões de mortes por acidentes e violências no mundo, no Brasil, correspondem à terceira causa de óbito. No Brasil, a prevalência estimada de violência doméstica ou familiar contra as mulheres pode chegar a 29%. Diante disso, constitui como problema de saúde pública, devido à alta prevalência e à grande carga que ocasiona para a sociedade, os sistemas de saúde e, principalmente, para suas vítimas. A notificação de suspeitos e/ou confirmado de casos de violências, é uma responsabilidade ética e técnica dos profissionais de saúde, que ocupam uma posição estratégica na linha de frente para a identificação precoce e a prevenção de novos agravos em ambos os níveis de atenção. Essa estratégia epidemiologia, visa estimar a magnitude e a seriedade desse agravo, além de permitir conhecer o perfil da violência no Brasil. Outra estratégia aliada a isso, é pelo o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e do sistema de Vigilância de Violência e Agravos (VIVA). No entanto, apesar dos avanços na vigilância epidemiológica no Brasil, ainda há desafios que persistem fragilidades nos sistemas de informação em saúde, evidenciando lacunas na vigilância epidemiológica. Para atuar na compreensão e capacitação dos profissionais de saúde sobre o reconhecimento de casos de violência, desenvolveu-se o aplicativo NotiVIVA, em parceria do grupo de pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais, com a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde e a Vital Strategies Brasil, para orientar a identificação dos tipos de violência e auxiliar no preenchimento qualificado da Ficha de Notificação Individual do Sistema de Informações de Agravos de Notificação (SINAN). A avaliação do aplicativo é crucial para garantir sua efetividade nos reconhecimentos de casos de violência, na notificação e na promoção da saúde e bem-estar das populações. Assim, há necessidade de compreender os desafios enfrentados por profissionais de saúde no uso do NotiVIVA, para subsidiar estratégias que melhorem a qualidade das notificações e, consequentemente, a vigilância em saúde relacionada às violências.
Objetivos
Avaliar a usabilidade do aplicativo NotiVIVA, segundo a percepção dos usuários do aplicativo.
Metodologia
Trata-se de um estudo descritivo de teste de usabilidade, no qual será avaliado satisfação, eficácia e eficiência do aplicativo. O teste está sendo realizado virtualmente por meio de um formulário do Google Forms. Primeiramente, os participantes realizam interações com o aplicativo NotiVIVA,observando suas funções e usabilidade. Em seguida, os participantes responderam o questionário de usabilidade. Os dados serão coletados e processados para posteriores análises. Este projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (COEP) da Universidade Federal de Minas Gerais sob o número 4.891.201 e CAAE 73593723.1.0000.5149.
Resultados e Discussão
Foram coletadas 264 respostas do formulário do Google Forms, o qual avaliaram a usabilidade do aplicativo NotiVIVA, sendo 79,8% mulheres residentes em sua maioria de Minas Gerais, com área de atuação 67,1% no setor público. Quanto às respostas sobre usabilidade do aplicativo, considerando a facilidade de uso, eficiência, simplicidade, consistência, e rapidez de aprendizagem foi avaliado como concordo totalmente para o aplicativo é fácil de usar, intuitivo e fácil de entender assim como as funções são bem integradas e se sentiram confiante ao usar o aplicativo. Quanto a opinião sobre utilidade do NotiVIVA para a sua prática profissional concordaram totalmente que o app é útil para aprimorar as práticas assistenciais, auxilia na identificação de casos de violência e quais devem ser notificados ajudando também a evitar inconsistências no preenchimento da ficha.
Conclusões/Considerações Finais
A avaliação da usabilidade do aplicativo NotiVIVA é fundamental para qualificar os profissionais de saúde na identificação de casos suspeitos e/ou confirmados de violências. Ainda, é necessário compreender os desafios enfrentados em sua prática, a fim de subsidiar estratégias que aprimorem a qualidade das notificações e fortaleçam a vigilância epidemiológica no território nacional, principalmente, no campo das notificações de violências interpessoais e autoprovocadas.
Realização: