Programa - Comunicação Oral Curta - COC22.1 - Saúde mental, Inteligência artificial e governança
18 DE SETEMBRO | SEXTA-FEIRA
08:30 - 10:00
08:30 - 10:00
ANTIDEPRESSIVOS E SEXUALIDADE NA MÍDIA DIGITAL DO BRASIL E PORTUGAL: ANÁLISE DA PRODUÇÃO DE SENTIDOS INFORMACIONAIS POR MEIO DA CATEGORIZAÇÃO LÉXICA DE NOTÍCIAS
Comunicação Oral Curta
1 Universidade Estadual de Campinas
2 Universidade do Porto
3 Universidade de Brasília
Apresentação/Introdução
: Os efeitos na sexualidade relacionados ao uso de antidepressivos impactam a subjetividade e a saúde das pessoas expostas a esse tratamento. A circulação dessa informação entre aqueles que se beneficiariam desse conhecimento depende das formas pelas quais são nomeadas, explicadas e hierarquizadas pela sociedade, sendo a mídia um importante veículo.
Objetivos
Analisar o conteúdo informacional jornalístico acerca das repercussões sexuais relacionadas ao uso de antidepressivos, buscando identificar padrões lexicais, agrupamentos temáticos e diferenças entre a infosfera brasileira e portuguesa.
Metodologia
Trata-se de análise de categorização lexical exploratória com análise de conteúdo desenvolvida a partir de notícias disponíveis rede digital brasileiras e portuguesas. A coleta ocorreu em fevereiro de 2026, em busca realizada no Google News, utilizando a estratégia (antidepressivo OR antidepressivos OR antidepressor OR antidepressores) AND (sexo OR sexual OR sexualidade), complementada no Google. Notícias duplicadas ou republicadas e de matérias que não tratavam de antidepressivos e sexualidade foram excluídas. Foi preparado o corpus textual com as notícias elegíveis, estruturado em JavaScript Object Notation (JSON). Análise lexical foi conduzida por classificação hierárquica descendente (CHD) e investigou-se a composição percentual de notícias provenientes do Brasil ou de Portugal. Em cada cluster, procedeu-se análise de similitude por coocorrência de verbetes, os quais foram categorizados como mais frequentes em cada país. As classes foram interpretadas tematicamente com base na especificidade lexical, frequência e coerência semântica dos termos. A análise de similitude, fundamentada na análise de redes, examinou as coocorrências entre os vocábulos e a estrutura relacional do corpus. Todas as análises foram realizadas no pacote estatístico R versão 4.5.2 em ambiente VS Code, mediante adaptação das rotinas de análise disponíveis no software Iramuteq.
Resultados e Discussão
Foram identificadas 53 notícias que abordavam sexualidade e antidepressivos, publicadas digitalmente entre 2005 e 2026. O corpus analisado totalizou 13.149 ocorrências lexicais, com 1.674 palavras distintas presentes em pelo menos duas notícias e 2.159 termos de aparição única (hápax). Entre os termos mais frequentes destacaram-se: desejo (n=173), disfunção (n=137), tomar (n=131), pessoa (n=124), mulher (n=116), paciente (n=116), homem (n=115), vida (n=100), saúde (n=94), sexo (n=80), colateral (n=79), serotonina (n=75) e orgasmo (n=69). A CHD subdividiu o corpus em quatro classes lexicais: “desejo e saúde mental”, “saúde sexual e psicológica”, “tratamento de transtornos mentais” e “saúde e sofrimento psicológico”. Na comparação entre os países, observou-se predominância da classe “saúde e sofrimento psicológico” em ambos os contextos, reunindo 21 notícias do Brasil e 25 de Portugal, enquanto “saúde sexual e psicológica” e “tratamento de transtornos mentais” foram compostas exclusivamente por notícias portuguesas. Na análise de similitude, a classe “saúde e sofrimento psicológico” apresentou as conexões lexicais mais intensas, expressas pelo número de coocorrências entre os termos. Destacaram-se os pares desejo–vida e serotonina–recaptação (n=26), desejo–serotonina (n=24), pessoa–serotonina (n=23) e desejo–disfunção (n=22). A sexualidade associada ao uso de antidepressivos aparece menos como experiência relacional, afetiva e cotidiana e mais como questão funcional, clínica e regulada por saberes especializados. O noticiário digital parece operar como um mediador de sentidos, selecionando quais aspectos ganham centralidade e quais permanecem em posições mais periféricas no debate público. Em temas atravessados por sofrimento psíquico, intimidade e medicalização, a circulação de informação também produz sentidos morais, terapêuticos e sociais. A comparação entre Brasil e Portugal revelou que embora exista um eixo comum de cobertura, há diferenças no foco. O contexto português concentrou agrupamentos mais específicos, enquanto o núcleo principal mostrou-se compartilhado entre os dois países. Em diálogo com o campo das Ciências Sociais e Humanas em Saúde, a análise sugere que as mídias digitais devem ser compreendidas não apenas como canais de difusão de informação, mas como instâncias que participam da construção social do que pode ser reconhecido, nomeado e discutido sobre sexualidade, sofrimento e uso de medicamentos.
Conclusões/Considerações Finais
A cobertura jornalística digital sobre os efeitos dos antidepressivos na sexualidade teve enquadramento predominantemente biomédico e terapêutico, que legitima o tema como questão de saúde, mas reduz a visibilidade de dimensões subjetivas. É necessário fortalecer a construção de abordagens comunicacionais mais amplas e críticas, que reconheçam a sexualidade como dimensão constitutiva da vida, das relações e do bem-estar, e não apenas como função clínica afetada pelo tratamento.
ATENÇÃO PSICOSSOCIAL NA ERA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: ENTRE LACUNAS ASSISTENCIAIS E A LÓGICA DO CAPITALISMO DE VIGILÂNCIA
Comunicação Oral Curta
1 Universidade Federal de São Carlos - UFSCar
Apresentação/Introdução
O século XXI é caracterizado pelo aumento do isolamento social, com consequente incremento do sofrimento psíquico e da percepção de solidão. Paradoxalmente, a sociedade contemporânea, embora munida de um vasto arsenal tecnológico e de múltiplas possibilidades comunicativas, acaba por fomentar ciclos de alienação e individualização. Esse cenário é agravado pelo distanciamento social no período pós-pandêmico, pela escassez de profissionais qualificados diante da crescente demanda pública, pelas barreiras estruturais do sistema de saúde, dentre outros aspectos. Como resultado, os contingentes populacionais desprovidos de alternativas terapêuticas viáveis demandam estratégias inovadoras de suporte. Nesse contexto, observa-se uma adesão global crescente ao uso das Inteligências Artificiais (IA), tais como ChatGPT e Gemini, como recurso para mitigar lacunas assistenciais na Atenção Psicossocial. Todavia, sob o domínio do denominado “Capitalismo de Vigilância”, as tecnologias de informação são projetadas para a autorreprodução do sistema, convertendo os dados derivados da experiência humana em matéria-prima gratuita. Esse processo visa a predição do mercado, transformando a subjetividade dos usuários em ativos econômicos comercializáveis, uma vez que tais tecnologias são projetadas para a simulação de concordância e a maximização do engajamento, o que frequentemente resulta na validação de crenças distorcidas.
Objetivos
O objetivo deste trabalho foi analisar a relação entre a negligência estatal ao preencher lacunas informativas e assistenciais e a introdução de IAs na saúde mental no contexto da Saúde Digital.
Metodologia
A presente pesquisa caracteriza-se como um estudo qualitativo bibliográfico e documental, de caráter exploratório e crítico, fundamentada na articulação entre a perspectiva Foucaultiana e os referenciais teóricos da Saúde Coletiva. A metodologia de coleta de dados foi realizada através de pesquisa bibliográfica e documental, a partir do levantamento de livros e artigos na temática do uso da IA na Atenção Psicossocial. No que tange à análise documental, utilizaram-se notícias e documentários sobre o uso da IA como dispositivo não especializado em Atenção Psicossocial. A metodologia de análise de dados foi a Análise do Discurso, sob a ótica de Foucault, a abordagem opera como uma ferramenta para evidenciar que as construções veiculadas pela linguagem são desprovidas de uma naturalidade inata. Complementarmente, a investigação a partir da visão da Saúde Coletiva, trata da saúde como um objeto complexo e um processo histórico-social, cuja ênfase se dá na centralidade do sujeito e na produção de subjetividade. A convergência entre o pensamento Foucaultiano e a Saúde Coletiva possibilita, portanto, uma análise crítica das ferramentas da IA, que reconfigura as práticas de saúde mental e as formas de subjetivação.
Resultados e Discussão
A partir da investigação sob a ótica da Saúde Coletiva, argumenta-se que o uso inadequado das ferramentas de IA generalistas como meio para “saúde mental”, reflete uma lógica mundial de precarização do cuidado, na qual a tecnologia substitui a presença humana em comunidades historicamente desassistidas, não sendo uma escolha puramente tecnológica, mas um sintoma das barreiras estruturais do sistema de saúde. Evidenciam assim, que as ferramentas estão sendo utilizadas para mascarar a precarização do investimento na saúde mental, como no caso da Rede de Atenção Psicossocial, pois estão operando em um "limbo" legislativo e sem supervisão adequada. Sob a perspectiva Foucaultiana e da crítica ao “Capitalismo de Vigilância”, a gestão da saúde mental é delegada a empresas privadas, cujos interesses comerciais sobrepõem-se às necessidades éticas do cuidado. Por fim, há uma forte relação entre o afastamento de si e dos outros na medida em que a mercadoria ganha forças, observando-se a objetificação do sujeito: ao ser reduzido a um número lucrativo, sofre um processo de alienação, culminando na dissociação da noção de individualidade e no estabelecimento de uma dependência em relação às ferramentas digitais. Consequentemente, observa-se uma instrumentalização inadequada da saúde mental coletiva, na qual o cuidado é reduzido a processos automatizados que desconsideram as necessidades reais da sociedade.
Conclusões/Considerações Finais
O levantamento realizado aponta para a necessidade de se pensar diretrizes éticas para o uso de tecnologias digitais que, em última instância, apontem para soluções não pautadas por interesses mercadológicos. Desde a escolha dos conteúdos utilizados para compor as respostas da IA, até as decisões sobre como esses sistemas são programados, treinados e empregados, trata-se de escolhas humanas que influenciam seus impactos. Além disso, faz-se necessário o acompanhamento longitudinal dos efeitos destas tecnologias sobre o psiquismo, com a criação de marcos legais para que a sua utilização seja realizada de forma complementar ao sistema de saúde, e não substitutiva, entendendo a centralidade no humano como parte da rede de cuidado.
AUDITORIA, SAÚDE DIGITAL E GOVERNANÇA NO SUS: ANÁLISE DO PAINEL DE AUDITORIA DO SUS-MG
Comunicação Oral Curta
1 Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais
Contextualização
A transformação digital tem ocupado papel central na modernização das políticas públicas de saúde, redefinindo práticas de gestão, monitoramento e controle no Sistema Único de Saúde (SUS). Nesse cenário, a auditoria assume função estratégica ao articular transparência e qualificação da gestão. A incorporação de ferramentas de saúde digital aos processos de auditoria amplia não apenas a capacidade operacional do Estado, mas também a produção de conhecimento sobre as dinâmicas institucionais, territoriais e organizacionais do SUS.
Descrição
O Painel desenvolvido pela Auditoria do SUS da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, constitui uma plataforma digital de Business Intelligence que integra dados provenientes do Sistema de Auditoria do SUS (SISAUD) e de bases de dados próprias. O painel organiza informações relativas a auditorias em andamento e encerradas, cobertura territorial, achados técnicos, valores financeiros devolvidos, monitoramento de recomendações emitidas, tempo de tramitação processual e estudos estatísticos para priorização de auditorias com base em risco. Trata-se de uma ferramenta que materializa o uso da saúde digital como suporte à governança e à tomada de decisão no âmbito da auditoria.
Período de Realização
O painel foi construído em 2025, utilizando dados desde o ano de 2011, contemplando séries históricas consolidadas e atualizações contínuas registradas no SISAUD e sistemas administrativos correlatos.
Objetivo
Analisar de que forma a utilização de um painel digital de auditoria contribui para o fortalecimento da governança do SUS em Minas Gerais, articulando práticas de auditoria, uso de tecnologias digitais e produção de evidências para gestão pública em saúde.
Resultados
As auditorias atualmente em andamento concentram-se em 26 municípios e 45 unidades de saúde, distribuídas em diferentes fases processuais. Os dados das auditorias encerradas demonstram ampla cobertura territorial, com 352 municípios auditados e 751 unidades de saúde avaliadas. No histórico das auditorias encerradas, observa-se elevada proporção de não conformidades (aproximadamente 55%), especialmente nos campos da assistência de média e alta complexidade, atenção básica, regulação e assistência farmacêutica, revelando fragilidades estruturais persistentes na gestão e na organização dos serviços.
No eixo financeiro, verificou-se crescimento significativo dos valores devolvidos aos fundos municipal, estadual e nacional de saúde a partir de 2017, reforçando o papel da auditoria como instrumento de verificação da adequada utilização dos recursos do SUS.
O monitoramento das recomendações revelou baixa resolutividade: parcela expressiva permanece não resolvida ou sem manifestação, apontando limites institucionais na efetividade das ações corretivas.
Quanto ao tempo de tramitação, identificou-se redução expressiva no tempo médio de resposta às demandas, sobretudo após 2020, contrastando com a manutenção de prazos elevados para a conclusão dos processos administrativos.
Destaca-se a incorporação de análises estatísticas avançadas, como a estimativa da razão de prevalência de não conformidades por território e porte populacional, permitindo priorização de auditorias orientada por risco.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência evidencia que a Saúde Digital amplia a capacidade analítica da auditoria ao integrar grandes volumes de dados, favorecer a visualização de padrões e apoiar decisões baseadas em evidências. O painel fortalece a auditoria como prática estratégica de governança, ao permitir monitoramento contínuo, leitura territorializada dos problemas e indução de melhorias na gestão do SUS.
Embora o painel represente avanço significativo na digitalização da auditoria, persistem desafios estruturais que extrapolam o campo tecnológico. A baixa efetividade das recomendações e a morosidade processual indicam que a Saúde Digital, isoladamente, não é suficiente para transformar práticas institucionais consolidadas. O fortalecimento da governança do SUS demanda articulação entre tecnologia, capacidade institucional, responsabilização política e participação social. Assim, o painel configura-se como ferramenta potente, porém dependente de condições organizacionais e decisórias mais amplas para produzir impactos sustentáveis na qualidade da gestão e da assistência.
COMPORTAMENTO SOCIAL EM JOGOS ONLINE: REVISÃO DAS ESCALAS BRASILEIRAS
Comunicação Oral Curta
1 UFAM
Apresentação/Introdução
No decorrer da vida os sujeitos são expostos a diferentes contextos e reagem a eles de formas igualmente diversas, ambos variam em natureza e conteúdo, sendo influenciados por fatores sociais, históricos, pessoais e biológicos (Pettigrew & Cherry 2012), às situações e reações que acontecem entre pelo menos dois sujeitos chamamos de comportamentos de natureza social, estes são tradicionalmente executados a partir da linguagem, gestos, ou movimentos, e sempre dirigidos a outro sujeito, se alterando em função dos diferentes contextos (Allport, 1924). Constituindo o cotidiano de cerca de 5.5 bilhões pessoas (Facts and Figures 2024 - Internet use s.d.), os contextos digitais complexificam as interações e execuções dos comportamentos sociais (Simpson, 2002), compondo fenômenos psicológicos parcialmente digitais.
Devemos considerar se suas origens são ciberinatas, atos que não poderiam ser executados além do digital, cibernaturalizadas, ações analógicas executadas por meio de tecnologias digitais, ou virtualmente capturadas, com episódios físicos registrados por tecnologias eletrônicas ou digitais. Comportamentos que assim se originam e possuem apresentação online chamamos de, exclusivos do online, mediados pelo online ou disponíveis online, com nuances das interacionais a cada ciberespaço (Kaye et al., 2022).
Nos jogos online os sujeitos interagem usando diferentes ferramentas determinadas a cada jogo, direcionado as formas de interação outros jogadores, e Non-Playable-Characters, contudo alguns comportamentos digitais sinalizam a presença de sintomas depressivos, alteram comportamentos presenciais e permitem a socialização remota, (Fullwood et al. 2025; Griffiths, Davies, e Chappell 2004; Yokotani e Takano 2022) compondo uma nova categoria analítica que deve ser considerada na construção de instrumentos psicológicos.
Objetivos
O objetivo desta revisão é identificar uma lista de escalas desenvolvidas para mensuração de construtos psicológicos ciberlocalizados em jogos online em contextos brasileiros e prover uma revisão exaustiva da validade estrutural, de construto e das suas consistências internas de cada uma delas.
Metodologia
Os artigos contiveram escalas de auto-reporte, propriedades psicométricas, comportamentos online em jogos, foram escritos em inglês, português ou espanhol, e publicados entre 2000-2025, focando em artigos de desenvolvimento e validação de instrumentos, foram excluídos artigos qualitativos, mistos, de revisão e literatura cinzenta. Foi realizada busca nas bases da Science Direct, Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), Portal de Periódicos da CAPES e Psyinfo para descobrir se a temática já havia sido trabalhada, confirmando a ausência de artigos.
Os descritores e os operadores booleanos utilizados foram Comportamento social AND escala AND Jogo online nas plataformas em português e Social behavior AND scale AND online game. Foram recuperados 502 artigos na Science Direct, 36 artigos da BVS, 7 artigos do Portal de Periódicos da CAPES e 54 artigos da Psyinfo, com 599 artigos indexados ao Rayyan com a remoção das duplicatas restaram 597, após a avaliação dos seus títulos e resumos por dois juízes independentes, os conflitos foram resolvidos por um terceiro juiz, com 16 artigos foram lidos na íntegra restando 1 artigo incluído na revisão. Avaliando a consistência interna, a validade estrutural e as associações com outros instrumentos que mensuram o mesmo construto, construtos similares (Hair et al. 2021; Hayes e Coutts 2020; Mokkink, Elsman, e Terwee 2024).
Resultados e Discussão
A Game Behavior Scale-Electronic contou com dois estudos no artigo, a partir do individualismo e coletivismo (Melo e Giavoni 2010). O primeiro contou com 409 respondentes brasileiros, realizou-se AFE, com rotação promin, seus 31 itens carregaram em 2 fatores (ωIndividual Behavior = .79; ωCollective Behavior = .78) explicando 41% da variância com CFI = 0.98. Sem validade convergente e discriminante, e apresentou comportamentos exclusivamente online realizados em e-sports. O segundo teve 373 respondentes brasileiros, realizou-se AFC e 2PL, para o modelo completo, e AFC para a versão breve. GBS contou com 29 itens carregando em 2 fatores (ωIndividual Behavior = .79; ωCollective Behavior = .78) sem coeficientes de confiabilidade, a AFC apresentou os seguintes índices: CFI = 0.97; TLI = 0.96; RMSEA = 0.098, a versão curta teve 10 itens carregando em 2 fatores (ωIndividual Behavior = .83; ωCollective Behavior = .82), com os índices de ajuste: CFI = 0.92; TLI = 0.9; RMSEA = 0.064. Não apresentou validade convergente e discriminante (Soares et al, 2022).
Conclusões/Considerações Finais
A GBS possui dados suficientes para a consistência interna das análises fatoriais, não apresentando coeficientes de confiabilidade, nem testes para validade convergente e discriminante, e apresenta índices de ajuste insuficientes. Pesquisas posteriores devem explorar novos modelos e associações com outras variáveis, agregando evidências sobre a qualidade e uso da escala.
EM TEMPOS DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, DESAFIOS PRIMÁRIOS NO ACESSO À SAÚDE DIGITAL: UM RELATO A PARTIR DA EXPERIÊNCIA NO PET-SAÚDE DIGITAL EM SANTARÉM-PA
Comunicação Oral Curta
1 UFOPA
Contextualização
O Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde) foi criado em 2009 a partir de uma parceria entre os Ministérios da Saúde e da Educação com o objetivo de integrar ensino, serviço e comunidade. No ano passado, as Secretarias de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI) e de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES) propuseram uma edição do programa focado na Informação e Saúde Digital com vistas à capacitação de estudantes e profissionais, do uso ético, estratégico e qualificado de tecnologias digitais. O desenvolvimento da interoperabilidade dos sistemas de gestão do SUS e a promoção da cultura de dados seguros configuram-se como foco desta edição. Desta forma, instituições de ensino superior foram provocadas a pensar em projetos que integrassem não só ensino, serviço e comunidade, mas também diferentes áreas do saber. Atendendo este chamado, o Instituto de Saúde Coletiva (ISCO) da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), submeteu uma proposta visando qualificar a gestão do cuidado com foco na Atenção Primária à Saúde na realidade da Amazônia brasileira.
Descrição
O PET-Saúde: Informação e Saúde Digital proposto pelo ISCO/UFOPA foi estruturado para atuar em Unidades Básicas de Saúde tradicional, ribeirinha e fluvial, Núcleo de Vigilância em Saúde e Secretaria Municipal de Saúde de Santarém-PA. Ao todo o projeto contempla 13 cenários de atuação, envolve mais de 200 pessoas entre tutores, preceptores, orientadores de serviço e monitores e integra sete cursos de graduação nos campos da saúde e da computação. Este relato de experiência foi desenvolvido a partir das vivências de dez acadêmicos no Núcleo Técnico de Vigilância em Saúde (NTVS) de Santarém-PA e discutirá os resultados alcançados até o momento.
Período de Realização
Para realizar este diagnóstico, aplicamos questionários semi estruturados ao longo dos meses de outubro a dezembro de 2025 no NTVS do município de Santarém-PA
Objetivo
Objetivamos compreender os desafios para a transformação tecnológica e acesso à saúde digital no campo da saúde coletiva a partir de um diagnóstico situacional realizado no NTVS.
Resultados
Foram visitados setores de vigilâncias epidemiológica, ambiental, sanitária, animal e de saúde do trabalhador. Realizamos observações na rotina de trabalho de cada setor levantamos informações sobre a disponibilidade e estado de conservação de computadores e periféricos, qualidade da conexão de internet, uso de sistemas, mapeamento do itinerário dos dados até a inserção digital dos mesmos nos sistemas e, existência de treinamentos e capacitações voltadas ao meio digital. A partir das visitas in loco observamos as limitações estruturais enfrentadas pelos funcionários de alguns setores, com espaços físicos inadequados para o trabalho, com pouca ou nenhuma acessibilidade física, o que dificultou até mesmo nossa presença física nos espaços. Observou-se a presença de equipamentos antigos, componentes periféricos defeituosos como teclados apagados, ausência de equipamentos de proteção como estabilizadores e nobreaks e necessidade de divulgação de informações sobre os serviços desenvolvidos pelo núcleo. A partir da sistematização dos dados coletados identificamos equipamentos em quantidade insuficiente ou obsoletos, dificuldades no uso de sistemas, necessidade de capacitação dos profissionais, baixa qualidade da internet e desafios no fluxo de trabalho.
Aprendizado e Análise Crítica
Os resultados sistematizados foram inicialmente apresentados e discutidos pelos monitores e tutores do grupo de aprendizagem tutorial (GAT) responsável pelo NTVS. Este GAT possui monitores dos cursos de Bacharelado Interdisciplinar em Saúde, Saúde Coletiva, Farmácia, Medicina, Ciências da Computação e Sistemas de Informação. A discussão coletiva dos resultados permitiu trocas de saberes entre os diferentes campos do conhecimento culminando em propostas de soluções multissetoriais. As visitas e as entrevistas no NTVS permitiram aprendizados acerca da vigilância em saúde que tem instigado estudos teóricos que complementam a compreensão do processo de trabalho no NTVS. Esta edição do PET-Saúde e o trabalho realizado até agora no NTVS, reforçam a importância da intersetorialidade na busca e desenvolvimento de soluções para o cuidado integral na saúde possibilitando a qualificação da formação profissional dos envolvidos. De forma crítica percebemos que a Saúde Digital tem sido amplamente estimulada e disseminada atualmente como por exemplo as ferramentas de telessaúde e inteligência artificial. Entretanto o campo da saúde coletiva enfrenta desafios primários do campo da tecnologia como a disponibilização de equipamentos suficientes, adequados e modernos para trabalho, acesso estável à internet, espaços físicos de trabalho adequados para uma análise de situações de saúde pelas equipes multiprofissionais e ainda a oferta de treinamentos e capacitações contínuas para os profissionais. Esses desafios primários intensificam iniquidades em saúde que já são existentes no nosso país, especialmente na amazônia brasileira.
FEED INFINITO DE EMOÇÕES: UMA ANÁLISE DA RELAÇÃO ENTRE A DESINFORMAÇÃO E A ANSIEDADE NO TIKTOK
Comunicação Oral Curta
1 Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Informação e Comunicação em Saúde (PPGICS) / Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict) / Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)
2 Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Informação e Comunicação em Saúde (PPGICS) / Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict) / Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Faculdade de Administração e Ciências Contábeis da
Apresentação/Introdução
Nas filas, transportes públicos ou antes de dormir, as mídias sociais digitais estão presentes no cotidiano. O TikTok, plataforma digital de vídeos curtos, cresceu na pandemia com participação relevante (mas não exclusiva) entre jovens nas dinâmicas de produção e uso de milhares de conteúdos colaborativos sobre os diferentes temas. De acordo com pesquisa YPulse (2024), 21% dos jovens iniciam buscas no TikTok, e estudo Adobe (2024) aponta que 2 em cada 5 norte-americanos recorrem à plataforma para pesquisas. Dentre esses conteúdos estão aqueles relacionados à saúde mental, que impactam sobremaneira nas práticas de saúde, especialmente quando representam algum tipo de desinformação que causam prejuízo às pessoas e às comunidades.
Objetivos
Como vistas a observar este fenômeno propõe-se uma análise da produção científica interdisciplinar nacional sobre a relação entre desinformação, saúde mental, ansiedade e TikTok.
Metodologia
A pesquisa é bibliográfica, de abordagem qualitativa e natureza básica. Os dados foram recuperados na Brapci, BVS, Portal Capes e Scielo no dia 30 de março de 2026 utilizando a estratégia de busca “(desinformação OR disinformation) AND ("saúde mental" OR "mental health") AND (ansiedade OR anxiety OR "transtorno* menta*" OR "mental disorder*") AND ("tik tok" OR tiktok OR "mídia* socia*" OR "social media*" OR “rede* socia*” OR “plataforma* digita*” OR "digital platform*")”. Quanto aos recortes, foram adotados como critérios: artigos em texto completo, publicados em periódicos situados no Brasil ou produzidos por pessoas vínculo institucional no território brasileiro e sem delimitação temporal. A partir de tais estratégias para recuperação e seleção não foi possível recuperar nenhum artigo na Base de Dados em Ciência da Informação, Biblioteca Virtual em Saúde ou na Scientific Electronic Library Online e 9 artigos em texto completo no Portal de Periódicos da Capes, sendo nenhuma dessas produções nacionais e/ou com vínculo no Brasil. Por conta desse panorama, optou-se por analisar os 9 artigos recuperados.
Resultados e Discussão
Dos artigos recuperados, foi observado um período de publicação entre 2021-2025 e quanto aos países afiliados das pessoas autoras: Austrália e Estados Unidos (3 cada), Índia (2) e Marrocos, República Democrática do Congo, China e Suécia (1 cada), sendo apenas um título contendo colaboração internacional com a participação de pessoas autoras com origem de diferentes instituições. Quanto à relação com a saúde mental, os estudos ressaltam que a constante exposição ao imenso volume de informações disponível nas mídias digitais, a incerteza em distinguir informações adulteradas e/ou falsas e o acesso desigual às informações são alguns dos fatores que levam ao aumento de sentimentos relacionados à ansiedade, à depressão e ao estresse no contexto informacional. Quanto às mídias digitais (como Zoom, Tik Tok, Facebook, Twitter, Instagram etc.), os estudos apontam que podem ser espaços para a disseminação de desinformação e polarização política, bem como podem criar e estabelecer comunidades de apoio coletivo para diversas questões.
Conclusões/Considerações Finais
A literatura analisada demonstrou que a infodemia e a desinfodemia de informações verídicas e adulteradas nas mídias digitais bem como as formas de acesso e uso desses dispositivos podem desencadear sentimentos ansiosos depressivos, de estresse e demais sofrimentos mentais. Apesar de ser um dos focos do estudo, foi notada a ausência de pesquisas nacionais sobre o tema. Por isso, dado o uso crescente das mídias sociais, em especial o TikTok, por jovens brasileiros, urge mais pesquisas sobre seus impactos na saúde mental.
MÍDIAS SOCIAIS: IMPACTO NA AUTOESTIMA E NO COMPORTAMENTO DE ALUNAS UNIVERSITÁRIAS
Comunicação Oral Curta
1 UFRN
2 CAPSi- Mataraca/PB
3 UFCG
Apresentação/Introdução
A revisão histórica dos padrões de beleza demonstra que, embora tenham se modificado ao longo do tempo, a pressão para adequação a ideais específicos permanece constante. Na contemporaneidade, essa exigência é intensificada pelas redes sociais, que difundem padrões estéticos normativos e frequentemente inatingíveis, favorecendo a insatisfação corporal, gerando sofrimento e o surgimento de transtornos, sobretudo entre mulheres jovens. Nesse contexto, as mídias digitais surgem como ferramentas de controle e dominação, intensificando a comparação social e a busca por validação, impactando negativamente a saúde mental. Além disso, o ambiente digital articula lógicas patriarcais e capitalistas, reforçando desigualdades de gênero por meio da objetificação dos corpos femininos.
Objetivos
Investigar as repercussões do uso das redes sociais na autoestima e no comportamento de alunas universitárias.
Metodologia
Trata-se de uma pesquisa quantitativa, de caráter exploratório, realizada com 30 mulheres estudantes de graduação do Curso de Enfermagem da Universidade Federal de Campina Grande, no município de Cuité-PB. Os instrumentos utilizados para coleta de dados foram a Escala de Atitudes Socioculturais em Relação à Aparência (SATAQ-3), a Escala de Autoestima de Rosenberg e um questionário com dados socioeconômicos e com questionamentos sobre mídias digitais produzidos pelas autoras. Os critérios de inclusão utilizados foram: ter 18 anos ou mais; estarem com matrículas ativas entre o 2º ao 8º período do curso e consumirem mais de uma mídia digital. Os dados coletados foram analisados utilizando a plataforma do Epi Info, um software gratuito dedicado à análise quantitativa. A pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), liderado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP).
Resultados e Discussão
A faixa etária das estudantes variou entre 18 e 26 anos. Quanto à raça, das 30 estudantes, 60% (n=18) se identificam como brancas e 40% (n=12) como pardas. Em relação à sexualidade, 96% (n=29) se identificaram como heterossexual e 4% (n=1) como bissexual. Observou-se que 100% (n=30) das participantes utilizam redes sociais diariamente, com destaque para Instagram e TikTok, e o tempo médio de uso de 50% das entrevistadas foram entre 4 e 6 horas por dia. Como também, 100% relataram sentir-se pressionadas pelos padrões de beleza difundidos nas mídias e experimentarem sentimentos de inadequação ao se comparar com conteúdos digitais. Ademais, cerca de 83% afirmaram já ter se sentido constrangidas com a própria aparência ao visualizar publicações. Quanto aos conteúdos mais consumidos pelas participantes, estão os relacionados à moda, estética, estilo de vida e corpos “ideais”. Após aplicação da Escala de Atitudes Socioculturais em Relação à Aparência (SATAQ-3), observou-se que 57,67% (n=17) atingiram pontuações mais elevadas, revelando estarem mais propensas a moldar suas atitudes com base nas mídias. Com a aplicação da Escala de Rosemberg observou-se que a média foi de 11 pontos em 50% das participantes, considerando uma autoestima mediana. Esses achados evidenciam que a exposição contínua a padrões idealizados contribui para a internalização de normas estéticas, intensificando a insatisfação corporal, a autoavaliação negativa e o sofrimento psíquico, além de reforçar dinâmicas de consumo e pertencimento social.
Conclusões/Considerações Finais
Percebe-se que as mídias sociais exercem influência significativa na construção da autoimagem e no comportamento de mulheres jovens. No entanto, essa influência depende da singularidade de cada pessoa, de sua realidade pessoal e de suas vivências e interações sociais. As sutilezas da percepção e interpretação dos conteúdos midiáticos diferem de indivíduo para indivíduo, o que destaca a complexidade de compreender o efeito das mídias.
REDEDIA BRASIL: USO DA LITERACIA NA SAÚDE DIGITAL
Comunicação Oral Curta
1 Instituto Aggeu Magalhães - IAM/Fiocruz Pernambuco
2 Universidade Federal de Pernambuco – UFPE
3 Universidade Federal de Pernambuco - UFPE
4 Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca - ENSP/Fiocruz
5 Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco – SES/PE
Apresentação/Introdução
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a saúde digital é considerada um campo de conhecimento e prática que envolve o desenvolvimento e uso de tecnologias digitais na saúde. Considerando a Estratégia global sobre saúde digital 2020-2025 da OMS, reforça-se a importância do desenvolvimento e a adoção de soluções de saúde digital centradas na pessoa como forma de subsidiar o fortalecimento e ampliação da promoção da saúde, prevenção e cuidado com as doenças. A literacia em saúde, por sua vez, é um conceito que envolve habilidades cognitivas e sociais essenciais para que os indivíduos obtenham, compreendam e utilizem informações de saúde de forma eficaz. Para as doenças crônicas, como a Diabetes Mellitus (DM), esta se torna crucial para a autogestão dessas patologias, contribuindo para um melhor controle glicêmico e utilização eficiente dos cuidados de saúde.
Objetivos
Socializar o conhecimento produzido na pesquisa RedeDIA Brasil envolvendo o uso da literacia na saúde digital
Metodologia
Trata-se de um relato de pesquisa sobre o projeto de pesquisa intitulado “Avaliação da implementação da Rede de Atenção às Pessoas com Diabetes Mellitus, nas cinco regiões do Brasil”, através de pesquisa avaliativa do tipo análise de implantação 1b, desenvolvida por estudo de casos múltiplos com níveis de análise imbricados nas cinco regiões do Brasil. Visando a promoção e tradução do conhecimento acerca da DM, utiliza-se a criação de uma rede social como estratégia de aplicação da saúde digital e literacia em saúde para fins de disseminação do conhecimento no campo da saúde. O estudo foi aprovado e financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico · CNPq, através do Edital CNPq nº 29/2024 com foco em Doenças e Agravos Não Transmissíveis (DANT).
Resultados e Discussão
A criação da rede social pelo instagram RedeDIA Brasil foi realizada em novembro de 2025. Optou-se pelo instagram por ser considerada uma das mais populares redes sociais do mundo, com amplo uso no Brasil. Durante o planejamento da pesquisa, foram realizadas reuniões para definição dos tipos de conteúdos e compartilhamento visual a serem disseminados pelo instagram da pesquisa. O público-alvo das publicações é a sociedade em geral, com ênfase nos usuários com DM, cuidadores, profissionais de saúde e gestores.
As publicações do RedeDIA se baseiam na utilização de linguagem acessível para favorecer a compreensão pelos diferentes estratos sociais que navegam pela plataforma. No instagram RedeDIA Brasil são produzidas publicações nos formatos de reels e posts com uma periodicidade de três vezes na semana. Ao todo já foram realizadas 48 publicações, versando sobre conhecimentos específicos sobre DM (definição, tipos, fatores de risco, dados epidemiológicos), organização e gestão dos serviços de saúde, incluindo a linha de cuidado e a Rede de Atenção à Saúde ao doente crônico no Sistema Único de Saúde (SUS). Destaca-se a criação da série “Bem Viver com Diabetes” voltada especialmente para quem convive com DM, a partir de conteúdos que abordam sobre cuidado, acolhimento, qualidade de vida e informação. No período de dezembro/2025 a março/2026 foram identificadas mais de 13 mil visualizações e 750 interações, evidenciando a disseminação e ampliação de conhecimento sobre DM através da RedeDIA Brasil. É importante destacar que o instagram e ferramentas de mídias sociais tem se consolidado como um eixo estratégico na saúde digital que dialoga fortemente com o campo da Saúde Coletiva, ao discutir a incorporação de tecnologias da informação e comunicação na promoção, prevenção e gestão do cuidado. Essas estratégias potencializam a ampliação do acesso ao conhecimento, contribuindo para que a população, inclusive as pessoas com DM, possa obter e utilizar informações de saúde de forma eficaz.
Conclusões/Considerações Finais
A utilização da rede social RedeDIA Brasil permite a ampliação do acesso e uso do conhecimento sobre a DM, considerando a possibilidade do acesso na palma da mão. A ampliação desse acesso e cuidado se dá para além das redes assistenciais, tornando-se um dispositivo agregador de conhecimento e promotor de autocuidado. Ressalta-se como desafio a questão de a saúde digital ainda enfrentar dilemas éticos e políticos, principalmente considerando o cenário de desigualdades sociais enquanto barreiras de acesso a informação em saúde no formato digital (iniquidades digitais).
SAÚDE DIGITAL, TRANSPARÊNCIA E GOVERNANÇA DE DADOS: A EXPERIÊNCIA DO PROGRAMA MAIS MÉDICOS NA IMPLEMENTAÇÃO DE PAINEL DE MONITORAMENTO
Comunicação Oral Curta
1 Ministério da Saúde
Contextualização
A segurança dos dados pessoais no Brasil foi impulsionada na última década pela promulgação da Lei de Acesso à Informação (LAI), nº 12.527/2011, e da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), nº 13.709/2018, em um contexto de expansão da saúde digital e do acesso a serviços públicos via plataformas digitais (e-Gov). No campo da saúde, a digitalização dos processos intensificou a necessidade de estratégias que conciliem inovação tecnológica, transparência e proteção de dados sensíveis.
No âmbito da Atenção Primária à Saúde, o Ministério da Saúde tem adotado iniciativas voltadas à governança de dados, com destaque para o Programa Mais Médicos (PMM), que passou a estruturar ferramentas digitais para qualificar o monitoramento e a gestão. A padronização de dados e a implementação de soluções tecnológicas contribuem para maior controle, rastreabilidade e confiabilidade das informações, alinhando-se aos princípios da saúde digital e da gestão baseada em evidências.
Descrição
Com a expansão do PMM e o aumento da complexidade operacional, emergiu a necessidade de estruturar bases de dados mais robustas e padronizadas. A implementação de estratégias de governança da informação ocorreu de forma gradual, envolvendo a reorganização de fluxos, definição de protocolos e desenvolvimento de ferramentas digitais.
Nesse contexto, destacam-se a Nota Técnica nº 52/2024, que aborda a proteção de dados sensíveis no âmbito do programa, e a Nota Técnica nº 53/2024, que institui o Painel de Monitoramento do PMM. O painel configura-se como uma ferramenta de saúde digital que integra dados do PMM, permitindo o acompanhamento em tempo real da ocupação de vagas, distribuição de profissionais e cobertura em territórios prioritários.
A iniciativa reforça a transparência ativa e amplia o acesso a informações estratégicas, ao mesmo tempo em que incorpora diretrizes de segurança da informação e proteção de dados pessoais, essenciais no contexto da transformação digital no SUS.
Período de Realização
A experiência teve início em 2023, com o desenvolvimento do Painel de Monitoramento e a estruturação de normativas técnicas. Em 2024, o painel foi publicado nos canais oficiais do Ministério da Saúde. Em 2025, houve a ampliação da ferramenta, com incorporação de novos dados e integração com o Programa Mais Médicos Especialistas.
Objetivo
Aprimorar a gestão do Programa Mais Médicos por meio de soluções em saúde digital que qualifiquem o monitoramento, a transparência e a tomada de decisão.
Resultados
A implementação do Painel de Monitoramento consolidou-se como uma estratégia de saúde digital no âmbito do PMM, ao integrar, padronizar e disponibilizar dados em ambiente digital de acesso público e em tempo oportuno. A ferramenta ampliou significativamente a transparência ativa, permitindo que gestores, pesquisadores e a sociedade acompanhem, de forma dinâmica, indicadores relacionados à ocupação de vagas, distribuição de profissionais e cobertura populacional.
A organização de dados em painéis interativos possibilitou maior rastreabilidade das informações, redução de inconsistências e maior confiabilidade das bases utilizadas na gestão do programa. Além disso, o painel favoreceu a democratização do acesso à informação, como ação para mitigar assimetrias informacionais entre os entes federativos e fortalecendo o controle social no SUS. A ferramenta passou a subsidiar processos estratégicos, como planejamento de editais, movimentação de profissionais e monitoramento contínuo das políticas de provimento.
Dessa forma, o Painel de Monitoramento configura-se como uma inovação em saúde digital que articula tecnologia, transparência e governança de dados, contribuindo para uma gestão mais eficiente, responsiva e orientada por dados no Sistema Único de Saúde.
Aprendizado e Análise Crítica
Destaca-se a relevância da integração entre tecnologia, gestão e normatização para a consolidação da saúde digital. A experiência evidenciou que a padronização de dados e a qualificação dos fluxos informacionais são fundamentais para garantir eficiência, transparência e segurança na gestão pública em saúde. A implementação enfrentou desafios relacionados à adaptação institucional, à complexidade dos dados e à necessidade de capacitação dos atores envolvidos. A incorporação de tecnologias digitais exige mudanças culturais e estruturais, além de constante atualização frente às exigências legais e tecnológicas. Apesar dos desafios, a experiência demonstra que a adoção de estratégias de saúde digital é essencial para qualificar a gestão do SUS, desde que acompanhada de mecanismos robustos de governança e proteção de dados.
SAÚDE MENTAL NA ATENÇÃO BÁSICA E TRANSFORMAÇÃO DIGITAL: UMA EXPERIÊNCIA DO NÚLEO DE SAÚDE DIGITAL DA UNIFESP.
Comunicação Oral Curta
1 Unifesp
Contextualização
O cenário da saúde mental global, conforme o Relatório Mundial da OMS (2022), aponta para um aumento do sofrimento psíquico, exacerbado por crises sanitárias e disparidades estruturais. No Brasil, o desmonte temporário dos sistemas de monitoramento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) gerou vazios assistenciais que demandam respostas complexas e articuladas. É neste contexto que o Núcleo de Saúde Digital da Unifesp (NSD) propõe o uso da tecnologia como mecanismo de capilarização do cuidado, focando na Atenção Básica e no suporte a populações específicas, com destaque para a interlocução e suporte especializado para Atenção Básica.
Descrição
O projeto consiste em uma intervenção interdisciplinar que articula os campi São Paulo, Baixada Santista e Diadema da Unifesp. A ação descrita neste resumo foca no suporte especializado de saúde mental para Atenção Básica em demandas específicas. A metodologia utiliza recursos de telessaúde, teleconsultoria e monitoramento remoto para conectar profissionais que atuam no Núcleo de Saúde Digital à profissionais da rede de saúde e usuários(as), visando expandir e qualificar o cuidado.
Período de Realização
As ações do Núcleo de Saúde Digital iniciaram-se em novembro de 2024 e seguem em desenvolvimento contínuo através de ciclos de educação permanente, matriciamento remoto e acompanhamento longitudinal dos casos complexos em vazios existenciais e com grandes barreiras de acesso.
Objetivo
O objetivo é oferecer suporte especializado que permita intervenções não medicalizantes, pautadas na promoção da saúde e na prevenção de agravos que são fenômenos frequentemente vinculados ao estresse socioeconômico e a deslocamentos. Busca-se ainda aprimorar a interoperabilidade de dados para garantir a continuidade do cuidado entre os subsistemas de saúde.
Resultados
A implementação de fluxos de teleatendimento e de discussão de casos permitiu a identificação de situações de risco e de sofrimento mental, garantindo suporte técnico às equipes de campo. Além disso, a criação de um repositório de dados integrados (interoperabilidade) facilitou o acompanhamento e desfechos favoráveis na integração de planos de cuidados evitando a fragmentação.
Aprendizado e Análise Crítica
A efetivação do cuidado em saúde mental na atenção básica exige a superação da lógica médica e psiquiátrica tradicional, que muitas vezes reduz o sofrimento a diagnósticos e estigmas. Diante dos vazios assistenciais e das barreiras de acesso, a tecnologia deve ser moldada pela interculturalidade; isso significa reconhecer que o território é o espaço de cura e que o cuidado só é possível a partir do diálogo com os saberes em busca de equilíbrio entre o corpo coletivo e o sofrimento identificado.
Realização: