Programa - Comunicação Oral Curta - COC19.2 - Corpos racializados, violência estrutural, resistência e cuidado – crianças, jovens e encarcerados
19 DE SETEMBRO | SÁBADO
08:30 - 10:00
08:30 - 10:00
RACISMO E EXPERIÊNCIAS AFETIVAS NA INFÂNCIA: IMPLICAÇÕES PARA A SAÚDE MENTAL DE CRIANÇAS EM TERRITÓRIO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
Comunicação Oral Curta
1 UNIFESP
Apresentação/Introdução
O racismo constitui um importante determinante social das desigualdades em saúde mental no Brasil, afetando de maneira particular populações negras e periféricas, durante todas as fases da vida, inclusive na infância. A infância é um período fundamental para a construção da subjetividade, do pertencimento social e da regulação das emoções, sendo também um momento em que normas sociais e hierarquias raciais passam a ser aprendidas e reproduzidas nas interações cotidianas. Nesse contexto, compreender como o racismo se manifesta nas relações entre crianças torna-se fundamental para ampliar o debate sobre os determinantes sociais da saúde mental infantil.
Objetivos
Analisar como experiências de racismo se manifestam nas interações afetivas entre crianças participantes de um projeto social localizado em território de vulnerabilidade social na Zona Noroeste de Santos/SP e discutir suas implicações para a saúde mental e para os processos de pertencimento e construção da subjetividade infantil
Metodologia
Trata-se de uma pesquisa qualitativa de natureza etnográfica realizada com crianças de 11 à 14 anos, participantes de um projeto social comunitário situado em território periférico. O trabalho de campo incluiu observação participante das atividades e interações cotidianas entre as crianças, além de registros em diário de campo. A análise foi orientada por referenciais da sociologia da infância, que compreende as crianças como sujeitos sociais ativos na produção de suas culturas de pares, articulados à antropologia das emoções e à perspectiva interseccional para compreender como raça, classe e gênero atravessam as experiências afetivas e as formas de sociabilidade infantil.
Resultados e Discussão
Os resultados indicam que as interações afetivas entre as crianças constituem um espaço ambíguo, marcado simultaneamente por relações de amizade, solidariedade e pertencimento, mas também por práticas de provocação, exclusão e disputas simbólicas. Durante as interações observadas, emergiram situações em que características fenotípicas associadas à raça, especialmente relacionadas à textura do cabelo e à aparência física, foram mobilizadas como elementos de classificação e hierarquização entre as crianças, principalmente a partir de falas racistas contra os colegas, estabelecendo uma hierarquia com base no tom de pele; além de adotarem posturas e falas estereotipadas que reforçam características raciais que associam a pessoa negra como “violenta e perigosa” e os distanciava de uma postura que julgavam “emotiva”, a exemplo de trechos: “Eu não expresso nada, fico de cara fechada” ou “Eu sou bandido". Essas práticas evidenciam processos precoces de racialização nas sociabilidades infantis, nos quais o racismo se manifesta de forma cotidiana nas brincadeiras, apelidos e conflitos entre pares. Tais experiências podem produzir sentimentos de vergonha, constrangimento e rejeição, afetando as formas de pertencimento ao grupo e as experiências emocionais das crianças. Nesse sentido, as interações afetivas constituem um espaço relevante para compreender como desigualdades raciais e territoriais se inscrevem nas experiências subjetivas desde a infância, configurando fatores que podem impactar a saúde mental infantil, especialmente em contextos marcados por vulnerabilidade social e racismo estrutural.
Conclusões/Considerações Finais
Os achados evidenciam que o racismo atravessa as interações cotidianas entre crianças e participa da produção de experiências afetivas que influenciam processos de pertencimento, reconhecimento e exclusão. Ao evidenciar como essas dinâmicas se manifestam nas sociabilidades infantis, o estudo contribui para ampliar a compreensão dos determinantes sociais da saúde mental na infância. Os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas e práticas educativas e comunitárias que considerem o enfrentamento do racismo como dimensão fundamental na promoção da saúde mental de crianças em contextos de vulnerabilidade social.
INVISIBILIDADE DIAGNÓSTICA EM SAÚDE MENTAL INFANTIL: UMA REVISÃO NARRATIVA SOBRE CRIANÇAS NEGRAS E INDÍGENAS NO CONTEXTO AMAZÔNICO
Comunicação Oral Curta
1 UFAM
Apresentação/Introdução
O racismo estrutural, como definido por Silvio Almeida (2019), transcende o comportamento individual, impactando camadas sociais, econômicas e, principalmente, a saúde. A revista The Lancet (2022) alerta que racismo, xenofobia e discriminação são determinantes sociais globais e uma emergência de saúde pública, perpetuando a invisibilidade das queixas de corpos negros perante profissionais de saúde. No Brasil, essa negligência atinge crianças e adolescentes atendidos pelo SUS, evidenciando a urgência de um olhar crítico sobre a fragilidade na capacitação profissional no atendimento a pacientes racializados. Na saúde mental infantil, isso se manifesta pela medicalização de sintomas emocionais tratados como queixas orgânicas. No cenário amazônico, essas barreiras sociorraciais sobrepõem-se à escassez da produção científica sobre o tema e à incompatibilidade entre saberes biomédicos e tradicionais no cuidado das populações indígenas, ribeirinhas, quilombolas e afro-indígenas, silenciando o sofrimento psíquico infantil em territórios periféricos e tradicionais.
Objetivos
Analisar, a partir da literatura científica e cinzenta brasileira, evidências sobre o subdiagnóstico e a invisibilidade diagnóstica em saúde mental de crianças negras e indígenas, considerando os reflexos do racismo estrutural e as especificidades do contexto amazônico.
Metodologia
Trata-se de uma revisão narrativa e crítica da literatura. A busca foi realizada em março de 2026 nas bases PubMed, SciELO, BVS/LILACS e Google Acadêmico, incluindo literatura cinzenta intermediária (teses e dissertações), com termos livres e descritores DeCS/MeSH combinados por operadores booleanos. Adotou-se a classificação de raça/etnia do IBGE (negros, pardos e indígenas autodeclarados). Os critérios de inclusão foram: estudos realizados no Brasil; foco em crianças e/ou adolescentes (0 a 18 anos); saúde mental, transtorno mental ou diagnóstico psiquiátrico como desfecho principal; raça e etnia como variável explícita; texto completo disponível em português, inglês ou espanhol. Foram excluídos estudos sem contexto brasileiro, sem recorte etário infantojuvenil, sem desfecho em saúde mental, sem variável racial ou duplicados. O referencial teórico adotado foi a interseccionalidade.
Resultados e Discussão
Foram selecionados 9 estudos (publicados entre 2010 e 2024), refletindo a escassez histórica de produção sobre o tema — 7 em bases indexadas e 2 na literatura cinzenta. Apenas 2 estudos eram especificamente amazônicos; os demais abrangiam RS, RJ e Mato Grosso do Sul, ou tinham escopo nacional, o que reforça a lacuna regional. Os resultados organizam-se em três eixos. Primeiro, a inequidade racial no acesso: estudos epidemiológicos evidenciam perfil hegemônico branco no diagnóstico especializado ambulatorial (91,5% em serviços do Sul do país). Segundo, a invisibilidade e medicalização da criança negra: o racismo cria uma barreira interpretativa na qual comportamentos neurodivergentes — como no Transtorno do Espectro Autista — são lidos como indisciplina, gerando subdiagnóstico. Quando o laudo ocorre, frequentemente atua como dispositivo de regulação racial que justifica exclusão escolar. O cuidado psicossocial no SUS esbarra ainda na falta de letramento racial dos profissionais. Terceiro, a desassistência indígena: no contexto amazônico, há lacunas severas de instrumentos diagnósticos culturalmente validados, cuja expressão mais grave é a mortalidade — a taxa de suicídio em crianças indígenas de 10 a 14 anos é 18,5 vezes maior do que em não indígenas, ocorrendo majoritariamente fora de ambientes hospitalares.
Conclusões/Considerações Finais
A pesquisa confirma que o subdiagnóstico psiquiátrico é uma ferramenta ativa de manutenção da iniquidade racial no Brasil, evidenciando que o acesso diagnóstico ainda reproduz o perfil racial da exclusão, que comportamentos neurodivergentes de crianças negras são sistematicamente criminalizados antes de serem diagnosticados, e que crianças indígenas morrem por ausência de cuidado culturalmente competente. É urgente a descolonização das ferramentas diagnósticas, a incorporação do letramento racial nas grades de formação médica e multiprofissional, e o fomento de pesquisas sobre saúde mental infantil na Amazônia, transformando a atual invisibilidade em políticas públicas de cuidado que considerem as especificidades raciais, territoriais e culturais.
FATORES ESTRESSORES E SOFRIMENTO PSÍQUICO EM ESTUDANTES NEGROS NO ENSINO SUPERIOR: UMA ANALISE MULTIFATORIAL EM UM SERVIÇO DE SAÚDE UNIVERSITARIO
Comunicação Oral Curta
1 Universidade Federal da Bahia
2 University of Warwick
Apresentação/Introdução
O sofrimento psíquico entre estudantes universitários negros é um fenômeno complexo, produzido na interseção entre desigualdades raciais, sociais e institucionais, com impacto na permanência e no bem viver no ensino superior. A universidade pode reproduzir iniquidades, especialmente por conta do racismo estrutural. Nesse sentido, estudantes de grupos historicamente excluídos podem enfrentar fragilidades nas políticas de assistência estudantil, desigualdades e vulnerabilidades. Compreender esses fatores é fundamental para qualificar o cuidado em saúde mental e promover respostas institucionais baseadas na equidade.
Objetivos
Analisar os fatores estressores associados à experiência do sofrimento psiquico em estudantes negros atendidos em um serviço de saude universitário.
Metodologia
Estudo transversal, exploratório e documental realizado em um serviço de saúde de uma universidade pública federal da Bahia. A população do estudo compreende estudantes atendidos pela equipe de saúde mental entre 2018 a 2025, com um universo populacional de 3.330 estudantes. A amostra foi definida por cálculo amostral. Neste trabalho, apresentam-se resultados parciais da análise descritiva de 440 prontuários da pesquisa em andamento. Desses prontuários, foram incluídos 146 estudantes com registro de raça/cor autodeclarada preta ou parda e, em seguida, analisadas as variáveis referente aos fatores estressores.
Resultados e Discussão
Os resultados revelam que fatores estressores associados ao sofrimento psíquico se apresentam de forma simultânea e interdependente. Os fatores estressores mais frequentemente autorrelatados pelos estudantes estiveram relacionados ao enfrentamento pessoal e ao contexto acadêmico, seguido por contexto familiar e condições de saúde, enquanto a categoria trabalho apresentou menor frequência. No contexto acadêmico, destacaram-se dificuldades de aprendizagem, obstáculos no acompanhamento de componentes curriculares e sobrecarga de estudos. Também foram identificados conflitos interpessoais, dificuldade na escrita do trabalho de conclusão de curso e situações de vulnerabilidade institucional, como atraso ou perda de auxílios estudantis, processos de jubilamento, além de assédio e violência sexual no ambiente universitário. Destaca-se, ainda, a presença de capacitismo, expresso na ausência de recursos de acessibilidade, como o intérprete de libras. No âmbito familiar, observou-se conflitos familiares, morte e adoecimento de membros da família, além de situação de violência intrafamiliar, uso abusivo de álcool e LGBTQIAPN+fobia (com destaque para a transfobia), indicando rejeição e ruptura de vínculos em um espaço que deveria oferecer suporte emocional, mas que também se constitui como fonte de sofrimento. Na dimensão do enfrentamento pessoal fora da universidade, destacaram-se dificuldades nas relações interpessoais, dificuldades financeiras, vivências de violência, término de relacionamentos e impactos da pandemia. Além disso, foram registradas questões relacionadas à identidade de gênero e ao processo de transição, à orientação sexual, ao racismo e ao capacitismo. No que se refere aos fatores relacionados às condições de saúde, observou-se predominância de intensificação e manutenção dos sintomas de saúde mental, sugerindo limites e fragilidades na efetividade do cuidado ofertado. Esses achados podem estar relacionados à baixa adesão ao tratamento, barreiras de acesso, sobretudo à psicoterapia, descontinuidade e fragmentação do cuidado. A persistência do sofrimento psíquico também pode estar associada à manutenção dos fatores estressores em diferentes contexto de vida, indicando que intervenções centradas apenas no indivíduo são insuficientes diante de determinantes sociais e estruturais.
Conclusões/Considerações Finais
Os achados demonstram que o sofrimento psíquico não pode ser compreendido de forma isolada ou individual, mas como expressão das desigualdades sociais e raciais historicamente produzidas e mantidas no ambiente universitário. Destaca-se a necessidade de fortalecimento das políticas de permanência estudantil, ampliação das ações de acessibilidade e construção de práticas de cuidado em saúde mental pautadas na equidade. Torna-se fundamental reconhecer o racismo e iniquidades sociais como estruturantes dessas desigualdades, com efeitos para a saúde mental universitária. Isso exige o enfrentamento do racismo institucional e das iniquidades que atravessam o acesso, a permanência e o cuidado no ensino superior.
O PRIVILÉGIO ESPACIAL DA INDIVIDUALIDADE: RACISMO, VIGILÂNCIA E SAÚDE MENTAL
Comunicação Oral Curta
1 FIOCRUZ
Apresentação/Introdução
No campo da saúde coletiva, a incorporação das contribuições de Michel Foucault tem exercido papel decisivo na formulação de diagnósticos sobre poder, subjetividade e cuidado em saúde mental. No entanto, este trabalho parte do incômodo diante da circulação, frequentemente pouco tensionada, das teses foucaultianas acerca dos processos de individualização do sujeito moderno em um contexto histórico e territorial profundamente marcado pela escravidão, pela colonialidade e pela organização racializada do espaço. Argumenta-se que a apropriação brasileira do paradigma disciplinar tende a assumir como universal uma forma de constituição do indivíduo que nunca se realizou de maneira generalizada no território brasileiro, sobretudo para a população negra.
Objetivos
Analisar criticamente os limites da recepção brasileira das teses foucaultianas sobre o regime disciplinar e a constituição do indivíduo moderno, evidenciando como a experiência histórica da escravidão e suas implicações territoriais e fundiárias inviabilizam a universalização dessa forma-sujeito. Busca-se, a partir do diálogo com Saidiya Hartman e Simone Browne, repensar os processos de produção do sofrimento psíquico da população negra, articulando racismo, espacialidade, vigilância e saúde mental.
Metodologia
Trata-se de uma pesquisa teórico-analítica que revisita a noção foucaultiana de panoptismo e seus efeitos individualizantes, confrontando-a com contribuições da teoria crítica negra e dos estudos sobre vigilância racializada. A análise apoia-se principalmente nos trabalhos de Saidiya Hartman, a partir da crítica ao apagamento da escravidão nas narrativas da modernidade, e de Simone Browne, que propõe a leitura do navio negreiro como tecnologia fundante da vigilância moderna. O trabalho dialoga ainda com a tradição da saúde coletiva, mobilizando o conceito de determinação social da saúde e dados secundários sobre habitação, encarceramento e mobilidade urbana no Brasil.
Resultados e Discussão
A análise demonstra que a ênfase foucaultiana nos efeitos individualizantes da disciplina, quando transposta de forma acrítica para o contexto brasileiro, obscurece a centralidade histórica de dispositivos de massificação racializada dos corpos. Arquiteturas como o navio negreiro, a senzala, o sistema prisional e, contemporaneamente, as favelas e os transportes públicos superlotados revelam regimes espaciais nos quais a vigilância opera articulada à aglomeração, e não à separação individualizante. A partir de Hartman e Browne, evidencia-se que esses regimes produzem subjetividades marcadas pela exaustão, pela hiperexposição e pela impossibilidade material da privacidade, comprometendo a própria condição de emergência do indivíduo pressuposto pelas políticas e práticas de saúde mental.
Conclusões/Considerações Finais
Conclui-se que a crítica à apropriação brasileira das teses foucaultianas sobre a subjetividade moderna é fundamental para a compreensão do sofrimento psíquico da população negra. A individualização, longe de constituir uma experiência universal, revela-se como um privilégio social e racialmente distribuído. Ao repensar o panoptismo desde a plantation, o trabalho contribui para o campo da saúde coletiva, evidenciando que a saúde mental não pode ser dissociada de uma análise territorial e histórica do racismo, apontando para a necessidade de políticas públicas antirracistas, territorializadas e comprometidas com outras formas de cuidado e de subjetivação.
VIOLÊNCIA ARMADA E SAÚDE MENTAL: IMPLICAÇÕES DE SER NEGRO NA ZONA NORTE DO RIO DE JANEIRO
Comunicação Oral Curta
1 ENSP/ FIOCRUZ
2 DEFENSORIA PÚBLICA DA UNIÃO
Apresentação/Introdução
O racismo, enquanto marca estruturante da formação histórica e social do Brasil, opera como um determinante social fundamental que molda as relações e marcadores sociais, resultando em tratamento desigual e marginalização. Para moradores de favelas, essa dinâmica manifesta-se através da falta de oportunidades, acesso precário a serviços básicos e violência policial baseada em estereótipos raciais, criando um ambiente de medo e insegurança permanente que impacta negativamente a qualidade de vida e a saúde mental.
Objetivos
O estudo teve como objetivo geral analisar as experiências de moradores de áreas conflagradas da zona norte do Rio de Janeiro, focando nos sentidos produzidos para os conflitos armados e suas implicações para a saúde mental. Especificamente, buscou-se contar histórias de usuários negros do Sistema Único de Saúde (SUS)e avaliar os impactos psicológicos da exposição à violência armada.
Metodologia
Tratou-se de uma pesquisa qualitativa, exploratória e descritiva, realizada com usuários negros do SUS, com idade entre 18 a 54 anos e histórico de sofrimento psíquico. Os participantes foram identificados através de escuta qualificada de profissionais de saúde atuantes em 10 Unidades de Atenção Primária presentes na Área de Planejamento 3.2 (Méier e bairros adjacentes), territórios em risco constante de conflitos armados que utilizam a plataforma Acesso Mais Seguro. A coleta de dados ocorreu por meio de 20 entrevistas roteirizadas, utilizando a escrevivência como ferramenta metodológica e epistemológica.
Resultados e Discussão
Os resultados revelaram a interseção estruturante entre racismo, violência armada e sofrimento psíquico, organizada em seis eixos temáticos que evidenciam sua retroalimentação em um ciclo de opressão. Identificou-se que o acesso à Atenção Primária à Saúde é marcado por descontinuidade e medicalização reducionista, sem considerar raízes históricas e sociais. A violência armada configura-se como fenômeno cotidiano que gera estado permanente de alerta.
Conclusões/Considerações Finais
O sofrimento psíquico manifesta-se por meio de ansiedade, depressão, Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) e luto antecipado, compreendidos como respostas racionais a um contexto irracionalmente violento. Os achados reforçam a necessidade de políticas antirracistas que reconheçam o racismo como determinante social fundamental do adoecimento psíquico. Conclui-se que o enfrentamento ao sofrimento psíquico nas favelas exige uma abordagem que vá além do consultório e do medicamento, demandando uma reforma psiquiátrica antimanicolonial e o reconhecimento da favela como território racializado onde a vida insiste em pulsar mesmo sob fogo cruzado.
SAÚDE MENTAL, RACISMO E ENCARCERAMENTO EM MASSA: ESCREVIVÊNCIAS NEGRAS POR UMA ÉTICA DA LIBERDADE
Comunicação Oral Curta
1 Universidade Federal Fluminense
Apresentação/Introdução
Esta pesquisa, inscrita no percurso da dissertação de mestrado, investiga como as prisões, sistematicamente estruturadas pelo racismo, engendram o adoecimento psíquico de adolescentes, jovens e mulheres negras, a partir da experiência da autora cujo próprio corpo, enquanto mulher negra, é atravessado por essas dinâmicas. O trabalho evidencia o encarceramento em massa que, legitimado pelo discurso da Guerra às Drogas, opera como dispositivo central de produção de morte, sofrimento e controle racializado no Brasil, articulando-se ao que Achille Mbembe conceitua como necropolítica, uma administração estatal da vida e da morte que, ao criminalizar e conflituar com adolescentes e jovens negros, os transforma em alvos preferenciais dessa guerra.
Objetivos
A questão que orienta a pesquisa diz respeito à postura ética e política que profissionais do Campo da Saúde Mental, frente ao adoecimento produzido pelo cárcere, considerando que este atua como continuidade de práticas coloniais de controle e extermínio: cárcere e Saúde Mental cabem em uma mesma sentença?
Metodologia
A Escrevivência, conforme formulada por Conceição Evaristo, é adotada como método que articula vivências, memórias, afetos e práticas coletivas na produção do conhecimento, traduzido em histórias que atravessam o campo no início ou decorrer de cada capítulo, permitindo que a análise se inscreva a partir de um corpo situado e de uma experiência compartilhada, pela qual é possível evidenciar o papel histórico da mulher negra, especialmente da mãe negra como sugere Lélia Gonzalez, como sustentáculo afetivo e comunitário diante da violência prisional, ao mesmo tempo em que ela mesma é submetida às dinâmicas de luto, sobrecarga e destruição.
Resultados e Discussão
As análises realizadas a partir de evidências empíricas coletadas em 2025, junto à experiência situada dentro de um cárcere para adolescentes do interior do Rio de Janeiro em 2019, demonstram que esta específica população, nomeada neste trabalho como adolescentes e jovens que a lei conflitua (negros de 15-29 anos), compõem hoje uma expressiva maioria tanto entre vítimas de mortes violentas como entre população privada de liberdade, evidenciando um padrão sistemático de seletividade racial que determina quais corpos serão continuamente produzidos como inimigos internos e submetidos ao permanente combate estatal. As condições insalubres do sistema prisional, a precarização do acesso ao cuidado em saúde e a exposição contínua à violência institucional contribuem para a disseminação de agravos físicos e psíquicos, evidenciando o cárcere como um dispositivo que adoece e mata, e não como espaço de cuidado ou ressocialização. Nesse sentido, o campo da saúde coletiva se apresenta como eixo fundamental de análise, ao compreender o processo saúde-doença como socialmente determinado e atravessado por marcadores como raça, classe e território. A dissertação é uma composição de diversos escritos vividos que revelam este cenário no contexto pesquisado.
Conclusões/Considerações Finais
A partir dessas articulações e escritos vividos, compreende-se o encarceramento em massa como questão de saúde coletiva e de violação de direitos humanos, gerando impactos negativos sobre a saúde física/mental que atravessam corpos já vulnerabilizados, territórios e comunidades inteiras. As reflexões apontam que perspectivas abolicionistas de Angela Davis, e contracoloniais quilombola de Nego Bispo, ancoradas na experiência e na memória negra do quilombo, oferecem caminhos para pensar práticas de liberdade e cuidado como horizonte para a produção de vida e saúde mental da população negra.
SAÚDE MENTAL, RACISMO E INIQUIDADES NO CÂNCER INFANTIL: NARRATIVAS AUTOBIOGRÁFICAS PARENTAIS, INTERSECCIONALIDADE E JUSTIÇA SOCIAL NO CUIDADO
Comunicação Oral Curta
1 Universidade de Fortaleza (UNIFOR)
2 Instituto Federal do Ceará (IFCE)
3 Universidade Estadual do Ceará (UECE)
Apresentação/Introdução
O câncer infantil, enquanto condição crônica complexa, evidencia a atuação dos determinantes sociais da saúde e das desigualdades estruturais que marcam o acesso, a qualidade e a continuidade do cuidado no Brasil. Em contextos de vulnerabilidade estrutural, famílias, especialmente aquelas pertencentes a grupos racializados, enfrentam iniquidades que se expressam na precarização das condições de vida, no acesso desigual aos serviços de saúde e na produção de sofrimento psíquico. Sob a perspectiva da equidade e da justiça social, torna-se fundamental compreender como racismo estrutural, interseccionalidade e desigualdades sociais atravessam as experiências parentais no enfrentamento do câncer infantil. As narrativas autobiográficas configuram-se como potencial dispositivo para compreender os sentidos atribuídos ao adoecimento, às práticas de cuidado e às experiências de saúde mental, articulando dimensões subjetivas, sociais e culturais.
Objetivos
Compreender as narrativas autobiográficas parentais no enfrentamento do câncer infantil, analisando os efeitos dos determinantes sociais, das iniquidades raciais e da vulnerabilidade estrutural na saúde mental, nas dinâmicas familiares e nas práticas de cuidado.
Metodologia
Estudo qualitativo, descritivo e analítico, realizado em um centro de referência em oncologia pediátrica no Nordeste brasileiro, localizado na cidade de Fortaleza, estado do Ceará. Participaram pais de crianças em tratamento quimioterápico, com diagnóstico mínimo de seis meses. A produção dos dados ocorreu por meio da Entrevista Narrativa Autobiográfica, permitindo a apreensão das trajetórias de vida e dos contextos socioculturais. A análise seguiu a proposta de Schütze, articulada à análise lexical com apoio do IRAMUTEQ e interpretada pela Análise de Conteúdo Temática de Bardin. O referencial teórico dialogou com a Etnometodologia, a Teoria das Transições e abordagens críticas sobre determinantes sociais da saúde, racismo estrutural e interseccionalidade. O estudo foi aprovado por Comitê de Ética em Pesquisa.
Resultados e Discussão
As narrativas evidenciaram que o câncer infantil produz uma ruptura biográfica profunda, atravessada por sofrimento psíquico intenso, agravado pelas condições de vulnerabilidade estrutural e pelas iniquidades sociais e raciais. Observou-se que os determinantes sociais da saúde, como renda, escolaridade, acesso a serviços e condições territoriais, influenciam diretamente as experiências parentais, revelando desigualdades no acesso, na permanência e na qualidade do cuidado. A parentalidade em contextos de maior vulnerabilidade precariedade foi expressa em relatos de dificuldades relacionadas a deslocamento, insegurança alimentar, fragilidade das redes de apoio e barreiras institucionais, evidenciando a materialidade das iniquidades no cotidiano do cuidado. A saúde mental configurou-se como dimensão fortemente tensionada, evidenciada por manifestações de ansiedade, exaustão, medo e sofrimento persistente, relacionadas à sobrecarga do cuidado e à incerteza do tratamento. Observou-se uma reconfiguração parental, com redefinição de papéis e reorganização das dinâmicas familiares. A análise interseccional revelou que marcadores sociais como raça, classe e território se articulam na produção de desigualdades, indicando que o racismo estrutural opera como determinante das condições de cuidado e das experiências de sofrimento. As estratégias de enfrentamento incluem redes de apoio, espiritualidade, solidariedade comunitária e ressignificação da experiência, configurando práticas de cuidado ampliado que integram dimensões subjetivas, sociais e culturais. Os achados reforçam a necessidade de abordagens em saúde que incorporem a equidade como princípio orientador, reconhecendo as especificidades dos sujeitos e territórios, e enfrentando as desigualdades estruturais que produzem adoecimento e limitam o cuidado.
Conclusões/Considerações Finais
As narrativas autobiográficas parentais evidenciam que o enfrentamento do câncer infantil é atravessado pelos determinantes sociais da saúde, pelas iniquidades raciais e pela vulnerabilidade estrutural, com impactos significativos na saúde mental e nas práticas de cuidado. Destaca-se a necessidade de políticas públicas e práticas em saúde orientadas pela equidade e pela justiça social, capazes de enfrentar o racismo estrutural e promover cuidado integral, ampliado e territorializado. A escuta qualificada das experiências parentais constitui estratégia fundamental para a construção de intervenções sensíveis, interseccionais e comprometidas com os princípios da Saúde Coletiva.
“VULNERABILIDADE É QUANDO VOCÊ NÃO ENCAIXA NO PADRÃO BRANCO”: RACISMO E DETERMINAÇÃO SOCIAL DA SAÚDE MENTAL NA PERSPECTIVA DE USUÁRIOS DE UM CAPSAD
Comunicação Oral Curta
1 UFRJ
2 UERJ
Apresentação/Introdução
Nas últimas décadas, diferentes estudos veem demonstrando como os determinantes sociais da saúde, tais como renda, emprego, educação e moradia, influenciam os processos de adoecimento e cuidado em saúde mental. Por outro lado, a determinação social da saúde, sob a perspectiva latino-americana, tem buscado entender o processo saúde-doença, a partir das relações sociais e históricas. Esses conceitos tem gerado grandes debates no campo da saúde coletiva e da atenção psicossocial. Nesse sentido, a pesquisa que se apresenta, analisa como condições sociais de vida, especialmente relacionadas ao trabalho, renda e desigualdades estruturais, como o racismo, atravessam as experiências de sofrimento psíquico de usuários de um Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Outras Drogas (CAPSad) do município do Rio de Janeiro – RJ, a partir de suas próprias percepções e narrativas.
Objetivos
O objetivo principal desse estudo foi compreender como os usuários de um CAPSad percebem e interpretam suas trajetórias de vida à luz da determinação social do processo saúde-doença. Como objetivos específicos, buscou-se qualificar o grupo em relação a seus marcadores sociais, como: gênero, sexo/sexualidade, raça/cor, escolaridade, idade, moradia, emprego e renda e como eles se reconhecem.
Metodologia
Trata-se de uma pesquisa qualitativa, com inspiração etnográfica, desenvolvida desde a experiência do autor principal, proveniente de sua observação enquanto trabalhador da saúde mental na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), dos frequentadores de um CAPSad, a partir de encontros cotidianos, atendimentos em grupos e individuais, até essa investigação. O desenho metodológico foi pensado em quatro tempos. Tempo I, pré-campo: foram estabelecidos os critérios de inclusão e exclusão dos indivíduos atendidos no CAPSad, sendo a renda inferior a um salário mínimo o recorte. Tempo II: abordagem e convite aos usuários, a partir das idas ao serviço, em grupos e nos espaços de convivência. Tempo III: realização do campo, com a roda de conversa e entrevistas individuais, em dois encontros. Tempo IV: revisão de prontuário dos participantes para obter dados sociodemográficos. As entrevistas foram transcritas e analisadas a partir da perspectiva analítica interseccional e do sofrimento encruzilhado, através das categorias: itinerários de vulnerabilização e itinerários de encruzilhamento.
Resultados e Discussão
Ao todo, 25 usuários tiveram sua participação validada, dos quais 96% são do sexo masculino, com idades entre 29 e 59 anos (92%), heterossexuais (68%), com baixa escolaridade (60% com menos de nove anos de estudo), pretos e pardos (88%), residindo em casa própria ou alugada (80%), vivendo na pobreza ou extrema pobreza (68%), sem emprego formal (96%), embora 48% receba algum benefício assistencial. As entrevistas evidenciaram trajetórias marcadas por itinerários de vulnerabilização social, expressos na precarização das condições de trabalho, na ausência de renda estável, em carreiras educacionais precocemente interrompidas e em experiências recorrentes de racismo e discriminação. Ao mesmo tempo, revelaram itinerários de encruzilhamento e reconstrução da vida, nos quais o CAPSad aparece como espaço fundamental de cuidado, acolhimento e produção de novos sentidos para as experiências de sofrimento. Desse modo, a pesquisa resultou na produção de um material que poderá fomentar novos debates e, potencialmente, contribuir para reflexões sobre políticas públicas voltadas ao enfrentamento das desigualdades sociais, ao racismo e à promoção do cuidado em saúde mental.
Conclusões/Considerações Finais
Esse estudo mostrou-se de suma importância, pois permitiu pensar a determinação social da saúde, sob a perspectiva dos usuários de um CAPSad, através de suas narrativas, cuja experiência e trajetória ultrapassam dados e instrumentos quantitativos. A centralidade do racismo (a qual muitas vezes se dilui em um debate mais amplo e generalista dentro do tema), revelou-se preponderante na percepção dos usuários, expresso em suas falas como experiências negativas e limitadoras de acessos, possibilidades e cuidados. Assim, as experiências de adoecimento psíquico relatadas pelos participantes, não podem ser compreendidas de forma dissociada das desigualdades sociais que estruturam suas trajetórias, evidenciando a necessidade de fortalecer políticas públicas que considerem as dimensões sociais, raciais e territoriais na produção do cuidado em saúde mental. Dentre as limitações do estudo, considera-se a necessidade de se aprofundar em questões como a relação entre racismo e determinação social da saúde e do adoecimento psíquico, bem como a escassez de estudos qualitativos que dialoguem com o tema. Diante disso, como estratégia de enfrentamento ao racismo e à discriminação, é essencial encruzilhar o sofrimento e adotar posturas antimanicoloniais, capazes de instrumentalizar e fortalecer os sujeitos que sofrem as consequências da determinação social, para que possam contornar e ressignificar suas trajetórias de vida.
PRÁTICAS TRADICIONAIS E POPULARES AFRO-BRASILEIRAS: CAMINHOS PARA O ANTIRRACISMO NAS PRÁTICAS INTEGRATIVAS E O CUIDADO INTERCULTURAL NO CAMPO DA SAÚDE
Comunicação Oral Curta
1 Universidade Federal da Bahia
Apresentação/Introdução
O racismo produz desigualdades que atravessam o acesso, a qualidade do cuidado e a disponibilidade de serviços no sistema de saúde. No campo da saúde mental, a invisibilização das experiências de racismo contribui para a individualização do sofrimento psíquico e para a limitada incorporação de abordagens culturalmente situadas. Nesse cenário, a introdução das Práticas Integrativas em Saúde tem sido apontada como uma possibilidade de promoção da diversidade cultural em saúde. Entretanto, sua inserção institucional pode reproduzir hierarquias e disputas epistemológicas. Discutir a inserção das Práticas Integrativas em serviços de saúde implica na reflexão sobre racismo/antirracismo, interculturalidade e reconhecimento da pluralidade na produção do cuidado.
Objetivos
Analisar a presença das Práticas Integrativas em um serviço universitário de saúde e discutir suas implicações para o enfrentamento do racismo e a construção da interculturalidade.
Metodologia
Esta é uma pesquisa qualitativa desenvolvida em um serviço universitário que oferece cuidado em saúde mental a estudantes, docentes, servidores técnico-administrativos e trabalhadores terceirizados de uma instituição brasileira de ensino superior. A produção de dados foi realizada através de observação participante e registros em diário de campo. A análise foi orientada por um referencial formado pelos estudos sobre raça e racismos, o arcabouço desenvolvido desde as racionalidades médicas e práticas integrativas e a perspectiva decolonial. O estudo foi aprovado por um Comitê de Ética em Pesquisa.
Resultados e Discussão
Os registros de campo indicam a presença das Práticas Integrativas de forma heterogênea no serviço, com diferentes modos de inserção no cuidado em saúde mental, em atividades individuais e coletivas. Observou-se a presença de profissionais que se organizam prioritariamente a partir dessas práticas, destacando-se a equipe de enfermagem, que possui uma responsável pela articulação do cuidado com as práticas integrativas no serviço. Entre as práticas identificadas estão o reiki, reflexologia podal, terapia comunitária integrativa, homeopatia e acupuntura, exercidas por profissionais de formações diversas, como enfermagem, medicina, psicologia e fisioterapia. Entendemos que a presença dessas práticas alarga as possibilidades terapêuticas e tensiona a centralidade da biomedicina no cuidado. Contudo, destacamos a ausência de práticas tradicionais e populares de origem afro-brasileira, evidenciando limites à incorporação de saberes de matriz africana. Esse cenário reproduz hierarquias presentes na institucionalização das práticas integrativas através das políticas de saúde, em que as práticas submetidas aos critérios de validação da cultura ocidental contemporânea, como as de origem asiática, tenderam a ocupar maior prestígio e reconhecimento, enquanto as associadas à população negra permaneceram invisibilizadas e marginalizadas nos serviços de saúde. Como reflexo da colonialidade, produziu-se a deslegitimação dos recursos materiais e simbólicos da população negra, mesmo que tenham se mantido vivos em seus territórios de resistência. Considerando os efeitos do racismo sobre o sofrimento psíquico, a ausência de práticas tradicionais e populares afro-brasileiras limita a construção de abordagens culturalmente sensíveis. Nesse sentido, as práticas afro-brasileiras apresentam potencial antirracista ao possibilitar o fortalecimento da autoestima, da representatividade e da valorização de saberes historicamente subalternizados. Sua presença nos serviços de saúde mental pode contribuir para a construção de estratégias de cuidado que reconheçam dimensões invisibilizadas do sofrimento, expandindo as formas de enfrentamento do racismo e de produção de saúde. Porém, a incorporação dessas práticas demanda o sobrepujamento das hierarquias epistemológicas existentes, de modo a considerar seus critérios próprios de validação e respeitar suas cosmologias, modos de transmissão e contextos socioculturais. Desse modo, a inserção de práticas afro-brasileiras nos serviços de saúde e nos currículos de formação universitária pode contribuir para a construção de um cuidado intercultural e promoção da diversidade em saúde.
Conclusões/Considerações Finais
A presença das Práticas Integrativas no serviço investigado indica possibilidades de ampliação do cuidado em saúde mental e de incorporação de diferentes racionalidades. Entretanto, a ausência de práticas afro-brasileiras evidencia limites na construção de abordagens interculturais e antirracistas. Os achados apontam para a necessidade de enfrentar hierarquias epistemológicas e fortalecer a justiça cognitiva na institucionalização dessas práticas. A incorporação de saberes afro-brasileiros nos serviços de saúde mental e na formação acadêmica pode contribuir para a valorização de conhecimentos historicamente marginalizados, para o fortalecimento da autoestima e representatividade da população negra e para a construção de propostas antirracistas, culturalmente sensíveis e comprometidas com os territórios.
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