Programa - Comunicação Oral - CO12.3 - Aprendizagem no território, integração ensino-serviço-comunidade e extensão II
19 DE SETEMBRO | SÁBADO
13:10 - 14:40
13:10 - 14:40
SUPERVISÃO DO ESTÁGIO OBRIGATÓRIO DA GRADUAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA: EXPERIÊNCIA NO SUDESTE PARAENSE
Comunicação Oral
1 Unifesspa - Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará
Contextualização
Os componentes curriculares Estágio Obrigatório Supervisionado I e II são atividades obrigatórias distribuídas nos últimos dois semestres do último ano do Curso de Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), Campus Marabá/PA. Dividem-se em um eixo focado em educação com objetivo de promover o aprendizado na área de educação permanente de profissionais de saúde e para a promoção da saúde e prevenção de agravos à saúde da população, a fim de contribuir para o desenvolvimento de futuros sanitaristas com autonomia para a tomada de decisões e uma percepção crítico-reflexiva sobre o cenário da educação permanente em saúde e da educação em saúde; e outro eixo em gestão e vigilância em saúde, com objetivo de desenvolver habilidades profissionais de natureza sócio-política e técnico-científica em gestão e vigilância em saúde, com vistas à formação profissional e social do sanitarista, estimulando o senso de responsabilidade, o compromisso com a carreira profissional e o desenvolvimento da capacidade crítico-reflexiva.
Descrição
Cada estagiário é inserido em um dos cenários diversificados de aprendizagem selecionados para o referido semestre, em que, por meio de imersão, irá acompanhar e apoiar cotidianamente processos de trabalho deste campo, ou, até mesmo criar novos processos de trabalho com o desenvolvimento de projetos inovadores. Os docentes responsáveis por cada campo desenvolvem tutorias semanais com os estagiários daquele campo, enquanto o coordenador de estágio faz supervisões mensais com todos os estagiários.
O processo de supervisão busca criar um espaço para reflexão coletiva sobre a experiência vivida no estágio, sendo ancorado em matrizes teórico-metodológicas da produção de subjetividades a partir das contribuições da filosofia da diferença, da educação pelo trabalho guiado pela Política Nacional de Educação Permanente e da problematização e construção compartilhada do conhecimento a partir do horizonte ético-político-pedagógico do campo da educação popular.
Período de Realização
Trata-se de uma atividade iniciada em 2022 e que tem sido desenvolvida até a atualidade.
Objetivo
Descrever o processo de supervisão dos estágios obrigatórios na formação do bacharelado em Saúde Coletiva numa universidade pública do sudeste paraense, identificando os elementos relativos às ações afirmativas que foram incorporadas no processo.
Resultados
A supervisão de estágio tem se constituído como momento em que se valoriza o encontro dos sujeitos implicados no seu processo formativo.Tem-se conseguido criar um espaço seguro para o acolhimento das demandas dos estudantes, bem como para o favorecimento da grupalidade, em que buscamos, coletivamente, refletir sobre os problemas enfrentados e ensejar inéditos-viáveis que nos guiam para possibilidades de superação. Diferentemente das tutorias semanais que lidam com a dimensão de apoio técnico-científico para qualificar as atividades designados aos estagiários, a supervisão tem sido um espaço de desenvolvimento de competências, habilidades e atitudes relacionadas à interação do sanitarista em formação com os demais profissionais e serviços de saúde com que tem lidado. Para tanto, lançamos mãos de metodologias ativas de ensino-aprendizagem, com a utilização de uma diversidade de dinâmicas, algumas criadas pela coordenação de estágio a partir da vivência das demandas na supervisão e outras adaptadas de dinâmicas já existentes: mandala de expectativas para compreender a percepção do estudante do processo de entrada, mapa de vínculos para a identificação das relações existentes, sistematização da experiência para a registro-reflexão-ação da vivência, estudo de caso de situações problemáticas experienciadas, sala de aula invertida para discussão de elementos que exigem maior aprofundamento teórico-conceitual e matriz FOFA para estabelecimento de críticas e autocríticas sobre a vivência realizada. Em termos de ações afirmativas, a supervisão tem sido um espaço para discutir sobre opressões existentes no mundo do trabalho com que os estagiários se deparam (muitas dessas sofridas pelos próprios estudantes no serviço), já sendo tematizadas questões relativas ao racismo, classismo/elitismo, misoginia, LEGBTQIAPN+fobia, capacitismo e etarismo.
Aprendizado e Análise Crítica
O processo de supervisão tem auxiliado no fortalecimento da rede de apoio entre os estagiários, no processo de reflexão-ação-reflexão com protagonismo dos sujeitos implicados, na tomada de decisão sobre oficialização de denúncias para o sistema de garantia de direitos, na percepção das dinâmicas de opressão da nossa sociedade e, sobretudo, nos direcionamentos de ação da coordenação de estágio junto aos campos selecionados, o que, por vezes, gera processos de educação permanente em saúde para os preceptores.
CARTOGRAFIAS DE CONVERGÊNCIAS: INTEGRAÇÃO ENSINO-SERVIÇO-COMUNIDADE-CONTROLE SOCIAL NA FORMAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA
Comunicação Oral
1 Universidade Federal de Juiz de Fora
Contextualização
A articulação entre ensino, serviço e comunidade (ESC) é eixo condutor das políticas de formação em saúde no Brasil e incide fortemente na formação em Saúde Coletiva. Presente nas Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos da saúde e nas políticas de reorientação da formação, busca integrar o processo formativo às práticas reais do Sistema Único de Saúde (SUS). (Ceccim & Feuerwerker, 2004). O Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde) se consolida como uma estratégia relevante nesse contexto, fomentando, ainda, o desenvolvimento de temas estratégicos. O PET-Saúde Equidade tem como foco a equidade de gênero e raça no contexto do trabalho e formação em saúde, se configurando como uma edição inovadora, tanto quanto desafiadora.
Descrição
A ação relatada ocorreu durante a realização da Conferência Municipal de Saúde das Trabalhadoras e dos Trabalhadores, em um município do interior da região Sudeste do Brasil, e envolveu a articulação entre ensino, serviço, comunidade e controle social, por meio da inserção de três discentes de cursos da área da saúde, uma tutora docente e uma preceptora trabalhadora de uma Unidade Básica de Saúde. Considerando o PET-Saúde Equidade ser orientado para a promoção da equidade no trabalho e formação em saúde, a tutora do grupo, que atualmente é conselheira municipal de saúde, sugeriu uma participação ativa na organização da Conferência Municipal de Saúde das Trabalhadoras e dos Trabalhadores do município. O grupo passou, então, a integrar a comissão organizadora da conferência, participando de reuniões periódicas para definição do conteúdo, convidados e dinâmicas. As reuniões para organização duraram cerca de dois meses e promoveram intensas reflexões. A conferência teve duração de três dias e o grupo atuou em ações como credenciamento, coordenação de grupos temáticos, relatoria e mediação da plenária final. A participação teve inicialmente como proposta incluir as discussões do PET-Saúde Equidade na conferência, sobretudo complexificar as categorias trabalho e formação em saúde a partir da categoria interseccionalidade. Após a conferência, o grupo realizou uma roda de conversa para discutir sobre a experiência.
Período de Realização
A experiência relatada ocorreu entre fevereiro e abril de 2025, durante a realização da Conferência Municipal de Saúde das Trabalhadoras e dos Trabalhadores, em um município do interior da região Sudeste do Brasil.
Objetivo
Relatar a participação de um grupo tutorial do PET-Saúde Equidade na Conferência Municipal de Saúde das Trabalhadoras e dos Trabalhadores, em um município do interior da região Sudeste do Brasil, refletindo sobre a formação em Saúde Coletiva a partir da integração entre ensino, serviço, comunidade e controle social.
Resultados
Embora o objetivo inicial tenha sido inserir as discussões sobre equidade no trabalho e formação em saúde, a experiência possibilitou reflexões sobre a possibilidade de trocas autênticas e horizontais, que beneficiam uma diversidade de sujeitos envolvidos. Sobretudo, na percepção do grupo, possibilitou a criação de um espaço/tempo peculiar e profícuo para a formação crítica em Saúde Coletiva, permitindo a retomada viva dos ideais da Reforma Sanitária Brasileira. A formação em Saúde a partir do controle social tem se tornado cada vez mais importante para a construção de indivíduos conscientes e participativos na política. Transpondo a formação de modelo tradicional de caráter estritamente teórico-técnico na Saúde, a inserção de discentes do Ensino Superior em cenários de participação política visa induzir uma sensibilização ao pensamento crítico e reflexivo sobre as pautas que permeiam a luta por direitos para as classes profissionais e para a melhoria da assistência.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência evidenciou como a forma do evento que envolve princípios como democracia, participação popular e pluralidade, reforça diretamente o conteúdo que se propõe a discutir: a equidade nas relações de trabalho. O próprio formato da conferência, que reúne trabalhadores, gestores, profissionais da saúde, representantes de movimentos sociais e estudantes, cria um espaço horizontal de escuta e construção coletiva. Essa estrutura permite que diferentes vivências e realidades sejam consideradas, sobretudo aquelas atravessadas por marcadores sociais como raça, gênero, território e ocupação. Dessa forma, a conferência não apenas discute a interseccionalidade, mas a pratica em sua metodologia. Além disso, a divisão em grupos temáticos, as rodas de conversa e os momentos de plenária reforçam o compromisso com uma abordagem dialógica e inclusiva. Essa configuração facilita a identificação de desigualdades específicas nos ambientes de trabalho e a formulação de propostas que atendam a essas demandas de maneira concreta.
SABERES EM MOVIMENTO: CURSO DE FORMAÇÃO PARA EQUIPES E-MULTI NO SUS E O CUIDADO COMPARTILHADO NO TERRITÓRIO
Comunicação Oral
1 FURB
Contextualização
A trajetória das equipes multiprofissionais na Atenção Primária à Saúde (APS) brasileira vive um momento de reconstrução. Após o desmonte e o desfinanciamento do NASF (Núcleo de Apoio Saúde da Família) a partir de 2019, a portaria GM/MS Nº 635/23, que institui as equipes e-Multi, representa a retomada de uma política importante para o fortalecimento dos SUS, e ampliação do escopo de práticas da Atenção Primária de Saúde. No município de Blumenau/SC, a recente implantação das equipes e-Multi revela que a simples alteração normativa não garante as mudanças nas práticas. Percebe-se a ausência de formações voltadas à realidade local, ainda marcada por uma atuação biomédica, individualizada e fragmentada. Nesse contexto, o curso "Saberes em Movimento: Formação para e-Multi – Cuidado Compartilhado no Território" surge como estratégia de Educação Permanente em Saúde (EPS) para problematizar o cotidiano e consolidar o apoio matricial e as práticas grupais no território.
Descrição
Trata-se de um relato de experiência descritivo e analítico sobre a construção de uma proposta formativa no município de Blumenau/SC. O processo é fruto da parceria entre a Secretaria Municipal de Promoção da Saúde (SEMUS) de Blumenau e o Programa de Mestrado Profissional em Saúde Coletiva (PPGSC/FURB). O planejamento, iniciado em julho de 2025, envolveu pesquisadores, gestores e profissionais. A formação possui carga horária de 72 horas, sendo 48h presenciais e 24h de dispersão com intervenção orientada no território. A proposta dos encontros fundamenta-se nas metodologias ativas e na concepção horizontal do conhecimento de Paulo Freire
Período de Realização
O planejamento do curso aconteceu de julho de 2025 a março de 2026, e a formação acontecerá de maio a agosto de 2026.
Objetivo
Relatar o processo de planejamento e metodologia de um curso de formação voltado às equipes e-Multi de Blumenau, com foco no apoio matricial, no cuidado compartilhado, fortalecimento de práticas colaborativas e práticas grupais no território.
Resultados
Um dos principais desafios identificados no planejamento foi a ausência de um histórico do modelo NASF no município, neste sentido, pensou-se que seria necessário a sensibilização dos participantes para o matriciamento contemplando desde a sua conceituação. Apesar do cadastro das equipes, predomina um modelo de atuação centrado no atendimento individual, com baixa articulação entre os profissionais, comprometendo o cuidado integral e longitudinal.
Diante desse cenário, o curso foi estruturado em três eixos principais. O primeiro prioriza o acolhimento, a identificação dos saberes prévios e o diagnóstico situacional do território, com ênfase na sensibilização para modelo de cuidado integral e compartilhado. Como estratégia metodológica, propõe-se aos profissionais a produção de registros fotográficos e narrativas do território nas horas de dispersão, culminando em uma exposição pública desse produto.
O segundo momento contempla o aprofundamento em temas prioritários da APS, como promoção de saúde, saúde mental, doenças crônicas, violências e reabilitação, com utilização da "Caixa de Ferramentas" para instrumentalizar a práticas profissional.
E por fim, o curso contempla a instrumentalização para o trabalho colaborativo, capacitando para a construção de Projetos Terapêuticos Singulares (PTS), discussão de casos com as equipes, e para o cuidado nos domicílios e abordagem familiar. Como produto final, cada equipe formulará um Plano de Intervenção aplicável nos territórios.
Como aprendizado, constata-se que o planejamento de processos formativos ultrapassa a dimensão técnica, sendo atravessado por negociações institucionais, condições materiais e disputas de projetos de cuidado. Em dois momentos houve o adiamento da execução do curso, decorrente de fluxos de gestão e da necessidade de pactuação institucional, e mudança de gestão neste ano de 2026. Ao mesmo tempo destaca-se essa iniciativa como a primeira pactuada advinda do interesse da gestão municipal.
Aprendizado e Análise Crítica
A consolidação das equipes e-Multi exige mais do que mudanças normativas, e demanda processos contínuos de formação capazes de sustentar mudanças nos modos de produzir cuidado. A formação profissional, nesse sentido, faz-se necessária para fomentar uma clínica ampliada, interdisciplinar e corresponsável. A construção do curso "Saberes em Movimento" destacou-se como potência ao articular ensino, serviço e compromisso com o SUS.
O processo de planejamento evidenciou-se como espaço de produção de saberes e de negociação política, atravessado por diferentes interesses e condições concretas de trabalho. Ao se constituir de forma coletiva, o planejamento assume um caráter político-pedagógico, configurando-se como dispositivo capaz de tensionar modelos hegemônicos de cuidado.
VOCES QUE TRANSMITEN VIDA: EL ROL DE LAS AUTORIDADES LOCALES EN SALUD COMO PUENTES DE COMUNICACIÓN COMUNITARIA EN EL PROYECTO CUIDA CHAGAS EN BOLIVIA
Comunicação Oral
1 Proyecto CUIDA Chagas, Instituto Nacional de Laboratorios de Salud, Bolivia
2 Proyecto CUIDA Chagas, Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI-Fiocruz)
Contextualização
La enfermedad de Chagas constituye una de las principales enfermedades desatendidas en Bolivia, particularmente en áreas rurales donde las barreras socioculturales, geográficas y de acceso a la información limitan el diagnóstico y tratamiento oportunos. En este contexto, el proyecto CUIDA Chagas, coordinado por la Fundación Oswaldo Cruz y ejecutado en Bolívia por el Instituto Nacional de Laboratorios de Salud (INLASA) en el marco de la política de Salud Familiar Comunitaria Intercultural (SAFCI), promueve la participación social y la articulación entre el sistema de salud y las comunidades, reconociendo el valor de actores locales como las Autoridades Locales en Salud (ALS). Siendo líderes voluntarias/os de la comunidad para la temática de salud, las ALS hacen parte de una cultura de organización político-territorial tradicional, típica de comunidades rurales, en especial en áreas de tradición indígena de los valles y el altiplano boliviano.
Descrição
A partir del estudio formativo del proyecto CUIDA Chagas, fue identificado que la adhesión a los servicios de salud y comunidades rurales es uno de los principales desafíos en las intervenciones en Bolivia. Existe dificultad de generar confianza, proximidad y participación, tendiendo a dificultar el acceso de esta población a los servicios. Conociendo esta situación, el proyecto CUIDA Chagas implementó una estrategia de comunicación comunitaria basada en el fortalecimiento de las ALS como mediadoras entre los servicios de salud y las comunidades. Los ALS fueron incluidos en las capacitaciones y flujo de trabajo del proyecto, junto con los profesionales de salud. A lo largo del proceso de capacitación, así como durante la implementación del proyecto, fueron desarrolladas con este grupo metodologías participativas, incluyendo procesos de coordinación interinstitucional, talleres de formación, espacios de diálogo comunitario y actividades de sensibilización. Esto viene permitiendo una mejor aceptación de las actividades de diagnosticar, tratar y cuidar, promovidas desde el proyecto CUIDA Chagas.
Período de Realização
La experiencia se ha llevado a cabo durante el año 2025 y 2026, continuando hasta el momento actual (marzo de 2026) en siete municipios rurales de Bolivia.
Objetivo
Describir y analizar la implementación de una estrategia de comunicación y participación comunitaria centrada en el fortalecimiento de las ALS como actores clave para la promoción del diagnóstico, prevención y tratamiento de la enfermedad de Chagas.
Resultados
Se realizaron nueve sesiones de capacitación con aproximadamente 60 ALS, abordando contenidos sobre la enfermedad de Chagas y comunicación en salud desde un enfoque participativo. Como resultado, las y los participantes diseñaron estrategias comunicacionales adaptadas a sus contextos locales. A lo largo del período en cuestión se implementaron más de 50 actividades comunitarias, tales como charlas educativas, ferias de salud, campeonatos deportivos y reuniones comunales, favoreciendo la circulación de información y la articulación entre actores comunitarios e institucionales.
Aprendizado e Análise Crítica
Aprendizajes:
La experiencia evidenció que la participación de las ALS fortalece la legitimidad de las intervenciones y facilita la apropiación comunitaria de los procesos de salud. Se destaca que la comunicación en salud resulta más efectiva cuando es construida en colaboración con actores locales, incorporando saberes y dinámicas culturales propias. Asimismo, el fortalecimiento de capacidades locales contribuye a la movilización social y al desarrollo de respuestas más autónomas frente a la enfermedad.
Análisis crítico:
Desde una perspectiva crítica, la experiencia cuestiona los enfoques tradicionales verticales de comunicación en salud, resaltando la necesidad de modelos dialógicos y participativos, en línea con marcos teóricos de comunicación para el cambio social. El rol de las ALS trasciende la transmisión de información, posicionándose como puentes culturales que fortalecen la confianza en el sistema de salud. Sin embargo, persisten desafíos relacionados con la sostenibilidad de las acciones, por lo cual se recomienda la valorización continua y el refuerzo de los procesos formativos y de la integración estructural en las políticas públicas.
ESTRATÉGIAS DE ENSINO E PROMOÇÃO DA SAÚDE COM ADOLESCENTES DE PROJETO SOCIAL EM FORTALEZA/CE
Comunicação Oral
1 UECE
Apresentação/Introdução
A adolescência representa uma fase de transição marcada por intensas transformações, que termina com inserção na sociedade adulta, considerando-se as dimensões social, profissional e econômica. Todavia, o contexto de desigualdades sociais pode atravessar a vida destas pessoas, reduzindo o acesso e a efetivação de direitos sociais, além de invisibilizá-las nos processos de decisão e participação social. Nesse contexto, estratégias de ensino e promoção da saúde configuram-se como dispositivos essenciais para o fortalecimento da cidadania, da autonomia e do protagonismo juvenil. Ancorado em perspectivas críticas da educação, como as teorias freireana, os processos educativos podem promover avanços na discussão de direitos, num sentido ampliado, entre os adolescentes.
Objetivos
Compreender as repercussões das estratégias de ensino e promoção da saúde para adolescentes participantes de um projeto social, analisando suas repercussões no desenvolvimento social, na construção de identidade e na percepção de direitos.
Metodologia
A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, fundamentada na metodologia da pesquisa-ação, em consonância com os pressupostos freireanos de construção coletiva do conhecimento e valorização dos saberes dos sujeitos. O tratamento das informações alcançadas foi realizado por meio da Análise de Conteúdo defendida por Bardin (2011). O cenário do estudo foi o Projeto Conexão em Movimento, executado pela Federação de Triathlon do Estado do Ceará (Fetriece) na cidade de Fortaleza em parceria com a Fundação da Família e da Criança Cidadã. O grupo participante foi composto por 18 adolescentes, com idades entre 12 e 17 anos, todos matriculados no ensino público. A construção dos dados ocorreu em três fases distintas: aplicação de um questionário semiestruturado para traçar o perfil socioeconômico; realização de uma roda de conversa temática intitulada "Como ser adolescente no cenário das decisões políticas?"; e a promoção do seminário "Histórias de Vida: Ensino e Promoção da Saúde", ambientado na Universidade Estadual do Ceará.
Resultados e Discussão
A roda de [2.1]conversa revelou uma realidade de vulnerabilidade social acentuada, onde a maioria das famílias dos participantes não possui vínculo formal de trabalho e depende de benefícios governamentais, como o Bolsa Família. Isto posto, evidencia um contexto marcado por fragilidades no acesso a direitos e baixa inserção em espaços de participação social. No que tange à percepção de direitos, os adolescentes indicaram que o ensino formal aborda o Estatuto da Criança e do Adolescente de forma superficial, não gerando o empoderamento necessário para a prática cidadã. As estratégias desenvolvidas possibilitaram refletir a emergência de categorias analíticas como pertencimento social, reconhecimento de direitos e valorização da escuta. Durante a roda de conversa, emergiram temas essenciais como o desejo de pertencimento social e a denúncia da escassez de espaços de fala e representatividade para adolescentes. Já o seminário realizado na universidade foi um marco divisor, pois permitiu aos participantes enxergarem o espaço acadêmico como um lugar acessível e transformador para suas próprias histórias. Evidenciou-se, ainda, que a construção de vínculos e a valorização das experiências destes foram centrais para o engajamento nas atividades, reforçando a dimensão relacional dos processos educativos em saúde. Como resultado prático, foi elaborado o documentário "Relatos e Contribuições do Ensino e da Promoção da Saúde: Vendo e Enxergando o Adolescente", que sistematiza o protagonismo juvenil observado. A discussão aponta que práticas educativas dialógicas e contextualizadas contribuem para a formação crítica e para o fortalecimento do protagonismo juvenil, tensionando perspectivas adultocêntricas ainda predominantes. Ademais, evidencia-se a necessidade de ampliação de estratégias intersetoriais que articulem educação, saúde e políticas públicas voltadas à juventude.
Conclusões/Considerações Finais
A pesquisa demonstrou que as estratégias de ensino e promoção da saúde são fundamentais para estabelecer o protagonismo e o empoderamento da população adolescente. Verificou-se que o significado dessas ações para eles reside não apenas no conteúdo técnico, mas na qualidade das relações estabelecidas e no reconhecimento de suas vozes no processo de tomada de decisão. Conclui-se que o desenvolvimento social desse público depende da superação de visões adultocêntricas e da implementação de políticas públicas que priorizem a escuta qualificada. Este estudo reforça a necessidade de fomentar novos modelos pedagógicos em espaços não formais de educação, visando a construção de uma identidade cidadã sólida e a mitigação das desigualdades históricas, contribuindo para o desenvolvimento de ações que promovam equidade e inclusão social.
FORMAÇÃO EM SAÚDE E TERRITÓRIO NA AMAZÔNIA: DESAFIOS DO CUIDADO EM ÁREAS DE DIFÍCIL ACESSO
Comunicação Oral
1 UEA
Apresentação/Introdução
A organização do trabalho em saúde na Amazônia é marcada por profundas desigualdades territoriais, sociais e estruturais, que impactam diretamente o acesso e a qualidade da atenção prestada às populações rurais e ribeirinhas. Caracterizada por extensas distâncias geográficas, dependência do transporte fluvial e limitações de infraestrutura, a região impõe desafios específicos à efetivação dos princípios do Sistema Único de Saúde. Nesse contexto, o território amazônico deve ser compreendido não apenas como espaço geográfico, mas como elemento que condiciona modos de vida, acesso aos serviços e práticas de cuidado (Ferla et al., 2020). Além disso, os modelos formativos em saúde ainda são predominantemente biomédicos, urbanos e hospitalocêntricos, mostrando-se insuficientes para responder às demandas complexas desses territórios (Ferreira et al., 2022; Santos, 2025). Dessa forma, torna-se fundamental compreender como a formação em saúde dialoga com as práticas profissionais desenvolvidas na Amazônia, especialmente no que se refere à organização do cuidado em contextos de difícil acesso.
Objetivos
Analisar a produção científica recente sobre a relação entre formação profissional em saúde e atuação em áreas rurais e ribeirinhas da Amazônia, buscando compreender os desafios do processo de trabalho e as limitações dos modelos formativos frente às especificidades territoriais.
Metodologia
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa, fundamentada no referencial metodológico de Botelho, Cunha e Macedo. A pesquisa foi conduzida a partir da estratégia PICO adaptada, a partir da qual se definiu a seguinte pergunta norteadora: Como os estudos científicos abordam a relação entre a formação acadêmica dos profissionais de saúde e a atuação em áreas rurais e ribeirinhas da Amazônia? As buscas foram realizadas nas bases SciELO, PubMed e Biblioteca Virtual em Saúde, considerando publicações entre 2020 e 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol. Foram utilizados descritores relacionados à formação em saúde, atenção primária, população rural e Amazônia, combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR, tais como: “Educação em Saúde”, “Força de Trabalho em Saúde”, “Atenção Primária à Saúde”, “População Rural” e “Amazônia”, além de seus correspondentes em inglês e espanhol. As buscas resultaram em um total de 70.148 registros, submetidos à remoção de duplicatas e aos critérios de elegibilidade. Foram excluídos editoriais, revisões narrativas e estudos que não abordavam diretamente o contexto amazônico. A seleção ocorreu por leitura de títulos, resumos e textos completos, resultando na inclusão de 15 estudos para compor a análise e discussão. Os dados foram organizados em categorias temáticas e analisados à luz da literatura da saúde coletiva
Resultados e Discussão
A análise evidenciou que a atuação em saúde na Amazônia é atravessada por desafios estruturais, logísticos e organizacionais que comprometem a continuidade do cuidado. Destacam-se a escassez e a alta rotatividade de profissionais, especialmente médicos, a centralidade da enfermagem e dos Agentes Comunitários de Saúde na organização da atenção e a fragilidade dos vínculos de trabalho (Dolzane & Schweickardt, 2020; observa-se que fatores como longas distâncias, sazonalidade dos rios e limitações de infraestrutura impactam diretamente o acesso aos serviços e a resolutividade das ações (Lima et al., 2021). No campo da formação, identifica-se a realidades amazônicas, com predomínio de abordagens urbanas e hospitalocêntricas, o que dificulta a adaptação profissional e contribui para a baixa fixação de trabalhadores (Ferreira et al., 2022; Santos, 2025). Além disso, persistem fragilidades na gestão, com reprodução de modelos organizacionais pouco sensíveis às especificidades territoriais (Ferla et al., 2020). Por outro lado, iniciativas como a interiorização da formação, a educação permanente em saúde e experiências de imersão no território demonstram potencial para qualificar a prática profissional e fortalecer um cuidado mais integral, contextualizado e culturalmente sensível (Fausto et al., 2022; Ferla et al., 2020).
Conclusões/Considerações Finais
Os achados evidenciam que os desafios da atenção à saúde na Amazônia estão diretamente relacionados à inadequação dos modelos formativos e organizacionais frente às especificidades territoriais. A superação dessas limitações exige investimentos em formação em saúde orientada para o território, fortalecimento de vínculos profissionais e valorização das experiências locais de cuidado. de modo a construir práticas de saúde mais equitativas, resolutivas e sensíveis às realidades das populações rurais e ribeirinhas, contribuindo para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde na região amazônica.
Realização: