Programa - Comunicação Oral - CO12.2 - Aprendizagem no território, integração ensino-serviço-comunidade e extensão I
18 DE SETEMBRO | SEXTA-FEIRA
13:10 - 14:40
13:10 - 14:40
A FORMAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA NO AMAZONAS: DESAFIOS TERRITORIAIS E DIÁLOGOS INTERCULTURAIS NO ESTÁGIO RURAL EM PARINTINS
Comunicação Oral
1 UEA
Contextualização
A formação em Saúde Coletiva no Amazonas enfrenta o desafio de integrar o conhecimento teórico aprendido na sala de aula às complexidades geográficas e culturais que a região apresenta. No estado, o Estágio Rural em Saúde Coletiva da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) é um componente curricular obrigatório que busca romper com visões centradas do espaço urbano, em especial a capital do estado, Manaus, promovendo a vivência de estudantes da área da saúde, como Medicina, Enfermagem e Odontologia, em contextos de vulnerabilidade e diversidade territorial, que muitas vezes não condizem com o que é aprendido na teoria e na prática urbana, fazendo com que os estudantes aprendam e desenvolvam novas modalidades de fazer saúde.
Descrição
As atividades envolveram a atuação em Unidades Básicas de Saúde (UBS) urbanas de Parintins, como a UBS Paulo Pereira e o Centro de Saúde Irmão Francisco Galliani, além de ações extensivas em comunidades rurais e ribeirinhas, como Vila Amazônia, Zé Açu e Santa Rita da Valéria, e participação em programa de rádio Momento Saúde.
Período de Realização
O estágio foi realizado no município de Parintins-AM, no período de 31 de julho a 02 de setembro de 2024.
Objetivo
Relatar a experiência de formação em Saúde Coletiva durante o estágio rural na cidade de Parintins, interior do Amazonas, analisando como o deslocamento da capital para o interior permite o reconhecimento das iniquidades em saúde, das barreiras territoriais, da importância do diálogo intercultural no Sistema Único de Saúde (SUS) e na importância dos saberes tradicionais na formação de saúde.
Resultados
A vivência na cidade de Parintins revelou um sistema de saúde que vai além das unidades, funcionando como um centro de cuidado para uma extensa região do “beiradão”. As iniciativas de educação em saúde, como o programa de rádio Momento Saúde, destacaram a força das mídias comunitárias na promoção do conhecimento e na criação de conexões que a clínica convencional, muitas vezes isolada na capital, não consegue atingir. Nas comunidades de Vila Amazônica, Zé Açu e Santa Rita da Valéria, a atuação profissional se deparou com a realidade das distâncias fluviais, em que a logística para transportar pacientes e a falta de suprimentos exigiram uma administração inventiva e resiliente. A experiência multiprofissional (Medicina, Enfermagem e Odontologia) revelou que a atenção à saúde no interior do estado está intrinsecamente ligada à estrutura social da região, na qual o CAPS e a telemedicina se destacam como pontos de resistência e apoio em uma rede que combate os vazios assistenciais. Deixar o ambiente controlado da capital, fazer saúde se transforma em um processo de adaptação contínua às desigualdades estruturais e às diversidades culturais do Baixo Amazonas.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência do Estágio Rural em Saúde Coletiva expôs um grande contraste entre a “saúde teórica” dos centros urbanos e a “saúde possível” no interior amazônico, demonstrando que a formação na capital muitas vezes é influenciada por uma abordagem tecnicista e uma branquitude acadêmica que impõe padrões universais de cuidado. O principal aprendizado foi a desconstrução do conhecimento hegemônico em favor de uma “clínica das águas”, na qual o tempo de cuidado é determinado pelos ritmos do território e a efetividade das ações depende da humildade cultural e do diálogo horizontal com a comunidade. A experiência indica que o estágio funciona como um mecanismo de reparação simbólica, uma vez que força as instituições acadêmicas a reconhecer as desigualdades estruturais e a legitimar os conhecimentos tradicionais que os manuais teóricos frequentemente ignoram. “Amazonizar” a formação em Saúde Coletiva é um ato político de descolonização do olhar, fundamental para preparar profissionais que não só atuem no interior, mas que entendam a interculturalidade e o território como elementos essenciais para promover justiça social e o bem-viver na Amazônia.
EXPERIÊNCIA DE DIAGNÓSTICO TERRITORIAL EM SAÚDE EM UM BAIRRO PERIFÉRICO DE UM MUNICÍPIO DO CARIRI CEARENSE: APRENDIZADOS DA PRECEPTORIA NA APS
Comunicação Oral
1 (FIOCRUZ
2 UFC
3 Faculdade CECAP
4 Secretaria de Saúde de Juazeiro do Norte - CE.
5 Centro Universitário Paraíso (UniFAP)
Contextualização
A experiência originou-se no âmbito do curso de especialização em Preceptoria para Educação Profissional em Saúde, com ênfase em Atenção Primária à Saúde (APS) e Vigilância em Saúde, ofertado pela EPSJV/FIOCRUZ. O cenário foi o bairro Barrosão, território adscrito à Unidade Básica de Saúde (UBS) José Marcondes Granjeiro, em Mauriti-CE, município de médio porte do Cariri cearense. O território foi formado pela remoção de famílias atingidas pela construção de uma rodovia interestadual, há cerca de vinte anos. Antes das habitações, o terreno servia à criação de suínos. Essa origem marca o bairro com vulnerabilidades estruturais que reverberam nas condições de saúde dos moradores. Para Barcellos et al. (2002), o território na Saúde Coletiva transcende a dimensão geográfica: é dotado de poder, potencialidades e fragilidades que condicionam o processo saúde-doença-cuidado. Conhecer os Determinantes Sociais da Saúde (DSS) de um território é ponto fulcral para o planejamento de ações de promoção e prevenção na APS, especialmente em populações em situação de vulnerabilidade social.
Descrição
Foi realizado um diagnóstico das condições de vida e saúde da população adscrita à UBS, envolvendo: (a) reunião com a coordenação da UBS e das vigilâncias municipais; (b) visitas às creches com ações do Programa Saúde na Escola (PSE) e aos moradores; e (c) envio, via WhatsApp, de formulário com 14 itens de múltipla escolha aos profissionais da UBS, equipes da Estratégia Saúde da Família, equipe multiprofissional (e-Multi) e coordenadores das vigilâncias Epidemiológica, Sanitária, Ambiental e do Trabalhador, abordando condições de moradia, água, esgotamento sanitário, resíduos sólidos e problemas de saúde ambiental do território, elaborado a partir do caderno de atividades de campo do curso.
Período de Realização
Desenvolvida como atividade prática do curso de especialização, a experiência teve início em junho de 2025 e previsão de conclusão em julho de 2026, com coleta de dados ainda em curso.
Objetivo
Analisar os DSS do Barrosão como parte da prática formativa da especialização em preceptoria, visando subsidiar o planejamento de ações da APS pautadas nas necessidades reais da população.
Resultados
As visitas ao território revelaram um bairro marcado por vulnerabilidades sobrepostas: casas em mau estado de conservação, com sinais de mofo e infiltrações, esgoto a céu aberto, lixo acumulado nas vias públicas e ausência de espaços de convivência, lazer e cultura. Esse cenário é o retrato de uma política habitacional que transferiu famílias em extrema pobreza para um espaço sem o correspondente investimento em infraestrutura. A precariedade encontra explicação na própria origem do bairro: as famílias foram selecionadas por não possuírem moradia própria e por renda inferior a um salário mínimo, condição que, passados mais de 20 anos, permanece inalterada. A ausência de saneamento adequado, com esgoto escoando por sumidouros, quintais e terrenos baldios, evidencia o que Matos e Barcellos (2022) apontam: água, esgotamento sanitário e coleta de lixo precisam ser tratados como conjunto indissociável. A coleta de lixo realizada apenas duas vezes por semana contribui para o descarte irregular, favorecendo a proliferação de vetores. A ausência de espaços de lazer expõe crianças e adolescentes a situações de vulnerabilidade. Os resultados refletem a observação direta no território. Formulários, visitas às creches e aos moradores e reuniões ainda estão em curso, o que aprofundará a compreensão sobre os DSS do Barrosão.
Aprendizado e Análise Crítica
A vivência evidenciou que conhecer o território exige compreender os condicionantes históricos que o moldaram. A origem do Barrosão a partir de famílias removidas sem protagonismo é, em si, uma expressão da iniquidade social e um determinante da situação de saúde. As vulnerabilidades identificadas são resultado de décadas de ausência do Estado na infraestrutura, no saneamento e na criação de espaços dignos de convivência. Reconhecer essa população como sujeito historicamente negligenciado pelas políticas públicas é um aprendizado formativo: a preceptoria comprometida com a Saúde Coletiva não pode ser neutra diante de territórios que carregam as marcas da desigualdade social. Formar profissionais críticos implica enxergar nos DSS não apenas condicionantes técnicos, mas expressões de processos históricos que demandam respostas políticas, intersetoriais e afirmativas. É no encontro com a realidade concreta das populações que se constrói um olhar crítico sobre o papel da APS na superação das iniquidades. Mais do que produzir dados, a imersão no território produziu inquietações, e é dessas inquietações que se espera nascer um plano de trabalho territorializado na UBS, com ações integradas de promoção da saúde, vigilância ambiental e fortalecimento dos espaços comunitários.
INTERNATO RURAL NA AMAZÔNIA: FORMAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA ENTRE EQUIDADE E DIVERSIDADE
Comunicação Oral
1 UEA
Contextualização
O Estágio Supervisionado em Internato Rural constitui componente curricular obrigatório e terminal dos cursos de Enfermagem, Medicina e Odontologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em consonância com as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) que orientam a formação em saúde para o SUS e pelo SUS. As DCN preconizam perfil generalista, humanista, crítico e reflexivo, com ênfase na integralidade, no trabalho em equipe multiprofissional e interprofissional e na articulação ensino-serviço-comunidade. Nesse sentido, o internato rural constitui espaço privilegiado de concretização dessas diretrizes, inserindo acadêmicos na Atenção Primária à Saúde (APS) em territórios de alta complexidade social e geográfica. No contexto amazônico, marcado por diversidades sociais, culturais e territoriais, a experiência evidencia que o processo saúde-doença é atravessado tanto por determinantes sociais quanto pela determinação social da saúde, relacionada às condições históricas e estruturais que produzem desigualdades em saúde. Nesse cenário, o internato rural atua como política afirmativa de formação, ao aproximar a universidade de populações ribeirinhas e rurais historicamente marginalizadas do cuidado em saúde, contribuindo para a reparação histórica e para a promoção da equidade.
Descrição
A experiência ocorreu no município de Careiro Castanho/AM, entre 20 de maio e 1º de julho de 2025, com a participação de seis acadêmicos finalistas dos cursos de Medicina, Enfermagem e Odontologia. A atuação concentrou-se na Unidade Básica de Saúde Deuzivana Marinho de Paula (zona urbana), com inserção em diferentes cenários do território, por meio de deslocamentos terrestres e fluviais. Foram desenvolvidas atividades assistenciais e coletivas, atendimentos clínicos e odontológicos, consultas de enfermagem, pré-natal, acompanhamento de doenças crônicas, vacinação, visitas domiciliares e ações educativas em escolas e creches. A atuação interprofissional entre acadêmicos dos três cursos e as equipes locais favoreceu um cuidado mais integral, resolutivo e sensível às realidades socioculturais da população.
Período de Realização
20 de maio e 1º de julho de 2025, no município de Careiro Castanho/AM
Objetivo
Relatar a experiência de formação em saúde coletiva a partir da inserção interprofissional de acadêmicos na APS em território amazônico, enfatizando o desenvolvimento de competências técnicas, humanísticas e interprofissionais, à luz das DCN dos cursos da saúde, e a compreensão dos determinantes e da determinação social da saúde em contextos do interior.
Resultados
As ações contribuíram para ampliar competências interprofissionais e a compreensão das práticas de cuidado em territórios de difícil acesso. Observou-se integração efetiva entre os acadêmicos dos três cursos e as equipes locais, expressando na prática os princípios da educação interprofissional: aprender sobre o outro, com o outro e entre si. Essa atuação colaborativa favoreceu a resolutividade da APS e o cuidado integral. A experiência permitiu reconhecer como acesso geográfico, condições de transporte, infraestrutura dos serviços e nível de informação da população atuam como determinantes sociais diretamente relacionados às condições de saúde das populações ribeirinhas e rurais do Amazonas, historicamente em situação de vulnerabilidade e invisibilizadas nas políticas de saúde.
Aprendizado e Análise Crítica
A vivência evidenciou o território como espaço formativo central, em consonância com o que as DCN propõem ao indicar a diversificação de cenários de aprendizagem como estratégia de formação para o SUS. A multiprofissionalidade, presença de distintos núcleos profissionais atuando lado a lado foi, em muitos momentos, superada pela interprofissionalidade, marcada pela construção dialógica de saberes, pela reflexão sobre os papéis profissionais e pela tomada de decisão compartilhada. Para além da identificação de determinantes isolados, a experiência possibilitou compreender a determinação social da saúde como processo complexo, articulado às condições históricas, sociais e econômicas que estruturam o acesso e a qualidade do cuidado. Foram identificadas limitações relevantes: dificuldades de acesso aos serviços, fragilidades logísticas, limitações estruturais nas unidades, falhas na articulação entre os níveis de atenção, predominância de práticas curativas e impacto da desinformação na adesão às ações de saúde. Esses elementos reforçam a necessidade de fortalecimento da APS com foco na equidade e na justiça social, e confirmam a centralidade do internato rural como dispositivo formativo alinhado às DCN, capaz de aproximar a formação profissional das reais necessidades do SUS. O internato rural opera, assim, como política afirmativa que valoriza os saberes, os modos de vida e as demandas das populações ribeirinhas e rurais, contribuindo para uma formação comprometida com o reconhecimento e o direito à saúde das populações das águas e da floresta amazônica.
APRENDIZADO SOCIAL E SENTIDOS TERRITORIAIS: DESAFIOS E PERSPECTIVAS DE UM PROJETO DE FORMAÇÃO PARA POLÍTICAS SOCIAIS
Comunicação Oral
1 Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP)
Apresentação/Introdução
Embora pesquisas e políticas públicas reconheçam a importância da intersetorialidade para a promoção da saúde (Akerman et al. 2014), a formação acadêmica e a atuação profissional ainda se mantêm relativamente isoladas (Monnerat e Souza 2009). Para enfrentar essa questão, em 2021, diante dos desafios da pandemia de covid-19 e em colaboração com uma rede de escolas públicas, criou-se o curso “Educação, Saúde e Assistência Social: redes complementares na proteção social básica”.
O curso, de matriz freireana (Freire 2017), busca investigar, apoiar e formar para a articulação local das políticas sociais; tem um programa de 100 horas (60 teóricas, em aulas; e 40 práticas, em atividades de pesquisa-ação) e dupla entrada: como disciplina optativa curricularizada para graduandos de diversas formações; e como curso de difusão para profissionais de serviços públicos e lideranças de quatro territórios da Região Metropolitana de São Paulo.
Aliou-se em 2022 às atividades de ensino e extensão um projeto de pesquisa de doutorado centrado no território de Perus. A escolha levou em conta experiências de aproximação entre agentes dos serviços e destes com as lideranças locais, e o histórico de lutas e movimentos sociais, com ênfase no enfrentamento da determinação social da saúde (Almeida-Filho 2009).
Objetivos
O trabalho busca expor um arranjo de ensino, pesquisa e extensão para a formação inicial e continuada de agentes de articulação das políticas sociais, com ênfase na experiência do território de Perus; e problematizar, à luz dos conceitos de aprendizado social (Botelho e Pereira 2025) e de sentidos territoriais (Sposati e Koga 2013), potenciais trazidos a este arranjo pela perspectiva territorial.
Metodologia
Tanto as atividades práticas de ensino e extensão como as de pesquisa neste caso são fundamentadas na metodologia de pesquisa-ação. A metodologia pressupõe explícita interação entre pesquisadores e pessoas implicadas na situação investigada (Thiollent 2005), e, sobretudo na tradição latinoamericana, incorpora fortes componentes sociais e políticos para combater os diversos contextos de desigualdade estrutural, implicando mudanças, inclusive, na relação entre academia e comunidades (Fals Borda 1970/2015).
Por isso, escolheu-se como campo o território de Perus, prenhe de aprendizados sociais e sentidos territoriais, sobretudo vinculados à construção popular do direito à saúde. Trata-se de um território periférico, com cerca de metade de sua população autodeclarada negra (Ibge 2023) e presença de cultura guarani-mbya. No plano das lutas sociais, como preconiza um dito local, “em Perus, tudo é lutado”: é o território em que o Movimento dos Queixadas realizou a greve mais longa do país, entre 1970 e 1977 (Moreira 2022), conectando condições ambientais e de trabalho através da luta por saúde. E no plano dos aprendizados, é nele também que se desenvolveu uma episteme popular, sobretudo ao redor de José Soró, importante liderança local, e de conceitos seus como “firmeza permanente”, “sevirologia”, e “ferve território”.
Resultados e Discussão
Entende-se que, ao abordar a expressão cotidiana da vida e dos serviços, articula-se uma dimensão conflitiva da vida social, sem deixar de levar em conta sua base semântica (Botelho e Pereira 2025); e questiona-se o que faz sentido na perspectiva territorial e por que faz sentido o território para compreender a dinâmica social local (Sposati e Koga 2013). Este movimento coloca em marcha uma dinâmica que potencializa tanto o aprendizado individual, trazendo a possibilidade de que o indivíduo interpele o aprendizado coletivo acumulado a dizer mais do que previsto anteriormente; quanto o coletivo, que também pode se nutrir das variações individuais que emergem do processo (Eder 2001 apud Botelho e Pereira 2025).
A capacidade de articular tais sentidos tem sido central, seja na sala de aula para uma experiência significativa de formação (percebida na ampliação da participação de profissionais e lideranças e no fortalecimento de suas redes, e na vivência de graduandos que se formam em contato com as lutas por direitos junto de movimentos sociais e dos próprios serviços); seja fora dela, à medida que inscreve o pesquisador em regimes de reconhecimento das redes locais de movimentos sociais e de políticas públicas, resultando, por exemplo, em sua escolha para a coordenação da Rede Socioassistencial Perus e Anhanguera (Resapa), uma rede intersetorial constituída em 2008.
Conclusões/Considerações Finais
Mostra-se assim que tanto a pesquisa favorece as atividades de ensino e extensão, à medida que criam vínculo no território por meio de uma presença continuada da universidade; quanto estas favorecem as de pesquisa, à medida que o curso constitui um dos locus de desenvolvimento de suas próprias atividades de campo. Isso é resultado de uma aliança de longo prazo, e que pode apontar caminhos para uma territorialização (Monken 2020) da própria universidade enquanto estratégia pedagógica de enfrentamento dos desafios contemporâneos dos territórios e de seus próprios.
EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA E PROMOÇÃO DA SAÚDE COLETIVA: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE ACADÊMICOS DE ENFERMAGEM
Comunicação Oral
1 Fametro
Contextualização
A saúde coletiva constitui um alicerce fundamental para a compreensão ampliada do processo saúde-doença, ao considerar não apenas os aspectos biológicos, mas também os determinantes sociais, culturais, econômicos e ambientais que influenciam a qualidade de vida da população. Nesse contexto, destaca-se a relevância de ações voltadas à promoção, prevenção e recuperação da saúde, especialmente em cenários marcados por vulnerabilidade social. Paralelamente, a extensão universitária consolida-se como eixo estruturante na formação do ensino superior, ao possibilitar a articulação entre ensino, pesquisa e as demandas sociais. Essa prática favorece a construção do conhecimento a partir de vivências concretas, promovendo a troca de saberes entre a universidade e a comunidade; além de contribuir para a formação de profissionais críticos, reflexivos e socialmente comprometidos.
Descrição
Nesse cenário, o programa de extensão Fametro Salutis Integra – Promoção de Saúde Coletiva, desenvolvido por discentes de enfermagem em uma instituição privada localizada na Zona Leste de Manaus, configura-se como estratégia de integração entre ensino, serviço e comunidade. O programa é fundamentado nos princípios da integralidade, equidade e humanização do cuidado, em consonância com as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS).
Período de Realização
Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, vivenciado em cenário comunitário, durante um período pontual de um dia, no mês de dezembro de 2025. A experiência ocorreu por meio da implementação de ações educativas, preventivas e assistenciais em saúde, previamente planejadas conforme as demandas do público atendido.
Objetivo
Diante disso, o presente estudo tem como objetivo relatar a experiência de uma acadêmica de enfermagem no desenvolvimento de ações de saúde coletiva no âmbito do referido projeto, com ênfase nas contribuições para a formação acadêmica e no aprimoramento de competências técnico-científicas e ético-profissionais.
Resultados
A experiência proporcionou à acadêmica a vivência prática em um contexto real, possibilitando a aplicação dos conhecimentos teóricos e a compreensão das necessidades da população. Durante a atividade, foram desenvolvidas ações de educação em saúde, aferição de sinais vitais, realização de testes rápidos e palestras voltadas à promoção da saúde e prevenção de doenças. Observou-se a existência de lacunas no acesso à informação em saúde entre os participantes, evidenciadas por dúvidas relacionadas ao autocuidado e à prevenção de agravos. Nesse sentido, foram realizadas intervenções educativas adaptadas ao contexto local, utilizando linguagem acessível e estratégias comunicativas que favoreceram a compreensão dos usuários.
Aprendizado e Análise Crítica
Como aprendizado, evidenciou-se que o exercício profissional em saúde transcende a dimensão técnica, exigindo sensibilidade para a identificação de necessidades não explicitadas e a adequação das práticas educativas às especificidades socioculturais da população. Ademais, verificou-se que intervenções pontuais, embora relevantes, são insuficientes para atender integralmente às demandas da comunidade, destacando-se a necessidade de continuidade do cuidado e o fortalecimento da articulação entre serviços de saúde e território. Por fim, a experiência evidenciou o potencial dos programas de extensão universitária como estratégia de integração entre teoria e prática, promovendo a aproximação com a realidade social. O projeto contribuiu significativamente para o desenvolvimento acadêmico, favorecendo o aprimoramento de competências essenciais à formação do enfermeiro, com perfil crítico, reflexivo e socialmente responsável. Destaca-se, ainda, o impacto positivo das ações na comunidade, especialmente no que se refere à ampliação do acesso à informação em saúde e ao fortalecimento do compromisso social da universidade.
Realização: