Programa - Comunicação Oral - CO12.2 - Aprendizagem no território, integração ensino-serviço-comunidade e extensão I
18 DE SETEMBRO | SEXTA-FEIRA
13:10 - 14:40
13:10 - 14:40
A FORMAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA NO AMAZONAS: DESAFIOS TERRITORIAIS E DIÁLOGOS INTERCULTURAIS NO ESTÁGIO RURAL EM PARINTINS
Comunicação Oral
1 UEA
Contextualização
A formação em Saúde Coletiva no Amazonas enfrenta o desafio de integrar o conhecimento teórico aprendido na sala de aula às complexidades geográficas e culturais que a região apresenta. No estado, o Estágio Rural em Saúde Coletiva da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) é um componente curricular obrigatório que busca romper com visões centradas do espaço urbano, em especial a capital do estado, Manaus, promovendo a vivência de estudantes da área da saúde, como Medicina, Enfermagem e Odontologia, em contextos de vulnerabilidade e diversidade territorial, que muitas vezes não condizem com o que é aprendido na teoria e na prática urbana, fazendo com que os estudantes aprendam e desenvolvam novas modalidades de fazer saúde.
Descrição
As atividades envolveram a atuação em Unidades Básicas de Saúde (UBS) urbanas de Parintins, como a UBS Paulo Pereira e o Centro de Saúde Irmão Francisco Galliani, além de ações extensivas em comunidades rurais e ribeirinhas, como Vila Amazônia, Zé Açu e Santa Rita da Valéria, e participação em programa de rádio Momento Saúde.
Período de Realização
O estágio foi realizado no município de Parintins-AM, no período de 31 de julho a 02 de setembro de 2024.
Objetivo
Relatar a experiência de formação em Saúde Coletiva durante o estágio rural na cidade de Parintins, interior do Amazonas, analisando como o deslocamento da capital para o interior permite o reconhecimento das iniquidades em saúde, das barreiras territoriais, da importância do diálogo intercultural no Sistema Único de Saúde (SUS) e na importância dos saberes tradicionais na formação de saúde.
Resultados
A vivência na cidade de Parintins revelou um sistema de saúde que vai além das unidades, funcionando como um centro de cuidado para uma extensa região do “beiradão”. As iniciativas de educação em saúde, como o programa de rádio Momento Saúde, destacaram a força das mídias comunitárias na promoção do conhecimento e na criação de conexões que a clínica convencional, muitas vezes isolada na capital, não consegue atingir. Nas comunidades de Vila Amazônica, Zé Açu e Santa Rita da Valéria, a atuação profissional se deparou com a realidade das distâncias fluviais, em que a logística para transportar pacientes e a falta de suprimentos exigiram uma administração inventiva e resiliente. A experiência multiprofissional (Medicina, Enfermagem e Odontologia) revelou que a atenção à saúde no interior do estado está intrinsecamente ligada à estrutura social da região, na qual o CAPS e a telemedicina se destacam como pontos de resistência e apoio em uma rede que combate os vazios assistenciais. Deixar o ambiente controlado da capital, fazer saúde se transforma em um processo de adaptação contínua às desigualdades estruturais e às diversidades culturais do Baixo Amazonas.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência do Estágio Rural em Saúde Coletiva expôs um grande contraste entre a “saúde teórica” dos centros urbanos e a “saúde possível” no interior amazônico, demonstrando que a formação na capital muitas vezes é influenciada por uma abordagem tecnicista e uma branquitude acadêmica que impõe padrões universais de cuidado. O principal aprendizado foi a desconstrução do conhecimento hegemônico em favor de uma “clínica das águas”, na qual o tempo de cuidado é determinado pelos ritmos do território e a efetividade das ações depende da humildade cultural e do diálogo horizontal com a comunidade. A experiência indica que o estágio funciona como um mecanismo de reparação simbólica, uma vez que força as instituições acadêmicas a reconhecer as desigualdades estruturais e a legitimar os conhecimentos tradicionais que os manuais teóricos frequentemente ignoram. “Amazonizar” a formação em Saúde Coletiva é um ato político de descolonização do olhar, fundamental para preparar profissionais que não só atuem no interior, mas que entendam a interculturalidade e o território como elementos essenciais para promover justiça social e o bem-viver na Amazônia.
INTERNATO RURAL NA AMAZÔNIA: FORMAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA ENTRE EQUIDADE E DIVERSIDADE
Comunicação Oral
1 UEA
Contextualização
O Estágio Supervisionado em Internato Rural constitui componente curricular obrigatório e terminal dos cursos de Enfermagem, Medicina e Odontologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em consonância com as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) que orientam a formação em saúde para o SUS e pelo SUS. As DCN preconizam perfil generalista, humanista, crítico e reflexivo, com ênfase na integralidade, no trabalho em equipe multiprofissional e interprofissional e na articulação ensino-serviço-comunidade. Nesse sentido, o internato rural constitui espaço privilegiado de concretização dessas diretrizes, inserindo acadêmicos na Atenção Primária à Saúde (APS) em territórios de alta complexidade social e geográfica. No contexto amazônico, marcado por diversidades sociais, culturais e territoriais, a experiência evidencia que o processo saúde-doença é atravessado tanto por determinantes sociais quanto pela determinação social da saúde, relacionada às condições históricas e estruturais que produzem desigualdades em saúde. Nesse cenário, o internato rural atua como política afirmativa de formação, ao aproximar a universidade de populações ribeirinhas e rurais historicamente marginalizadas do cuidado em saúde, contribuindo para a reparação histórica e para a promoção da equidade.
Descrição
A experiência ocorreu no município de Careiro Castanho/AM, entre 20 de maio e 1º de julho de 2025, com a participação de seis acadêmicos finalistas dos cursos de Medicina, Enfermagem e Odontologia. A atuação concentrou-se na Unidade Básica de Saúde Deuzivana Marinho de Paula (zona urbana), com inserção em diferentes cenários do território, por meio de deslocamentos terrestres e fluviais. Foram desenvolvidas atividades assistenciais e coletivas, atendimentos clínicos e odontológicos, consultas de enfermagem, pré-natal, acompanhamento de doenças crônicas, vacinação, visitas domiciliares e ações educativas em escolas e creches. A atuação interprofissional entre acadêmicos dos três cursos e as equipes locais favoreceu um cuidado mais integral, resolutivo e sensível às realidades socioculturais da população.
Período de Realização
20 de maio e 1º de julho de 2025, no município de Careiro Castanho/AM
Objetivo
Relatar a experiência de formação em saúde coletiva a partir da inserção interprofissional de acadêmicos na APS em território amazônico, enfatizando o desenvolvimento de competências técnicas, humanísticas e interprofissionais, à luz das DCN dos cursos da saúde, e a compreensão dos determinantes e da determinação social da saúde em contextos do interior.
Resultados
As ações contribuíram para ampliar competências interprofissionais e a compreensão das práticas de cuidado em territórios de difícil acesso. Observou-se integração efetiva entre os acadêmicos dos três cursos e as equipes locais, expressando na prática os princípios da educação interprofissional: aprender sobre o outro, com o outro e entre si. Essa atuação colaborativa favoreceu a resolutividade da APS e o cuidado integral. A experiência permitiu reconhecer como acesso geográfico, condições de transporte, infraestrutura dos serviços e nível de informação da população atuam como determinantes sociais diretamente relacionados às condições de saúde das populações ribeirinhas e rurais do Amazonas, historicamente em situação de vulnerabilidade e invisibilizadas nas políticas de saúde.
Aprendizado e Análise Crítica
A vivência evidenciou o território como espaço formativo central, em consonância com o que as DCN propõem ao indicar a diversificação de cenários de aprendizagem como estratégia de formação para o SUS. A multiprofissionalidade, presença de distintos núcleos profissionais atuando lado a lado foi, em muitos momentos, superada pela interprofissionalidade, marcada pela construção dialógica de saberes, pela reflexão sobre os papéis profissionais e pela tomada de decisão compartilhada. Para além da identificação de determinantes isolados, a experiência possibilitou compreender a determinação social da saúde como processo complexo, articulado às condições históricas, sociais e econômicas que estruturam o acesso e a qualidade do cuidado. Foram identificadas limitações relevantes: dificuldades de acesso aos serviços, fragilidades logísticas, limitações estruturais nas unidades, falhas na articulação entre os níveis de atenção, predominância de práticas curativas e impacto da desinformação na adesão às ações de saúde. Esses elementos reforçam a necessidade de fortalecimento da APS com foco na equidade e na justiça social, e confirmam a centralidade do internato rural como dispositivo formativo alinhado às DCN, capaz de aproximar a formação profissional das reais necessidades do SUS. O internato rural opera, assim, como política afirmativa que valoriza os saberes, os modos de vida e as demandas das populações ribeirinhas e rurais, contribuindo para uma formação comprometida com o reconhecimento e o direito à saúde das populações das águas e da floresta amazônica.
APRENDIZADO SOCIAL E SENTIDOS TERRITORIAIS: DESAFIOS E PERSPECTIVAS DE UM PROJETO DE FORMAÇÃO PARA POLÍTICAS SOCIAIS
Comunicação Oral
1 Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP)
Apresentação/Introdução
Embora pesquisas e políticas públicas reconheçam a importância da intersetorialidade para a promoção da saúde (Akerman et al. 2014), a formação acadêmica e a atuação profissional ainda se mantêm relativamente isoladas (Monnerat e Souza 2009). Para enfrentar essa questão, em 2021, diante dos desafios da pandemia de covid-19 e em colaboração com uma rede de escolas públicas, criou-se o curso “Educação, Saúde e Assistência Social: redes complementares na proteção social básica”.
O curso, de matriz freireana (Freire 2017), busca investigar, apoiar e formar para a articulação local das políticas sociais; tem um programa de 100 horas (60 teóricas, em aulas; e 40 práticas, em atividades de pesquisa-ação) e dupla entrada: como disciplina optativa curricularizada para graduandos de diversas formações; e como curso de difusão para profissionais de serviços públicos e lideranças de quatro territórios da Região Metropolitana de São Paulo.
Aliou-se em 2022 às atividades de ensino e extensão um projeto de pesquisa de doutorado centrado no território de Perus. A escolha levou em conta experiências de aproximação entre agentes dos serviços e destes com as lideranças locais, e o histórico de lutas e movimentos sociais, com ênfase no enfrentamento da determinação social da saúde (Almeida-Filho 2009).
Objetivos
O trabalho busca expor um arranjo de ensino, pesquisa e extensão para a formação inicial e continuada de agentes de articulação das políticas sociais, com ênfase na experiência do território de Perus; e problematizar, à luz dos conceitos de aprendizado social (Botelho e Pereira 2025) e de sentidos territoriais (Sposati e Koga 2013), potenciais trazidos a este arranjo pela perspectiva territorial.
Metodologia
Tanto as atividades práticas de ensino e extensão como as de pesquisa neste caso são fundamentadas na metodologia de pesquisa-ação. A metodologia pressupõe explícita interação entre pesquisadores e pessoas implicadas na situação investigada (Thiollent 2005), e, sobretudo na tradição latinoamericana, incorpora fortes componentes sociais e políticos para combater os diversos contextos de desigualdade estrutural, implicando mudanças, inclusive, na relação entre academia e comunidades (Fals Borda 1970/2015).
Por isso, escolheu-se como campo o território de Perus, prenhe de aprendizados sociais e sentidos territoriais, sobretudo vinculados à construção popular do direito à saúde. Trata-se de um território periférico, com cerca de metade de sua população autodeclarada negra (Ibge 2023) e presença de cultura guarani-mbya. No plano das lutas sociais, como preconiza um dito local, “em Perus, tudo é lutado”: é o território em que o Movimento dos Queixadas realizou a greve mais longa do país, entre 1970 e 1977 (Moreira 2022), conectando condições ambientais e de trabalho através da luta por saúde. E no plano dos aprendizados, é nele também que se desenvolveu uma episteme popular, sobretudo ao redor de José Soró, importante liderança local, e de conceitos seus como “firmeza permanente”, “sevirologia”, e “ferve território”.
Resultados e Discussão
Entende-se que, ao abordar a expressão cotidiana da vida e dos serviços, articula-se uma dimensão conflitiva da vida social, sem deixar de levar em conta sua base semântica (Botelho e Pereira 2025); e questiona-se o que faz sentido na perspectiva territorial e por que faz sentido o território para compreender a dinâmica social local (Sposati e Koga 2013). Este movimento coloca em marcha uma dinâmica que potencializa tanto o aprendizado individual, trazendo a possibilidade de que o indivíduo interpele o aprendizado coletivo acumulado a dizer mais do que previsto anteriormente; quanto o coletivo, que também pode se nutrir das variações individuais que emergem do processo (Eder 2001 apud Botelho e Pereira 2025).
A capacidade de articular tais sentidos tem sido central, seja na sala de aula para uma experiência significativa de formação (percebida na ampliação da participação de profissionais e lideranças e no fortalecimento de suas redes, e na vivência de graduandos que se formam em contato com as lutas por direitos junto de movimentos sociais e dos próprios serviços); seja fora dela, à medida que inscreve o pesquisador em regimes de reconhecimento das redes locais de movimentos sociais e de políticas públicas, resultando, por exemplo, em sua escolha para a coordenação da Rede Socioassistencial Perus e Anhanguera (Resapa), uma rede intersetorial constituída em 2008.
Conclusões/Considerações Finais
Mostra-se assim que tanto a pesquisa favorece as atividades de ensino e extensão, à medida que criam vínculo no território por meio de uma presença continuada da universidade; quanto estas favorecem as de pesquisa, à medida que o curso constitui um dos locus de desenvolvimento de suas próprias atividades de campo. Isso é resultado de uma aliança de longo prazo, e que pode apontar caminhos para uma territorialização (Monken 2020) da própria universidade enquanto estratégia pedagógica de enfrentamento dos desafios contemporâneos dos territórios e de seus próprios.
EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA E PROMOÇÃO DA SAÚDE COLETIVA: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE ACADÊMICOS DE ENFERMAGEM
Comunicação Oral
1 Fametro
Contextualização
A saúde coletiva constitui um alicerce fundamental para a compreensão ampliada do processo saúde-doença, ao considerar não apenas os aspectos biológicos, mas também os determinantes sociais, culturais, econômicos e ambientais que influenciam a qualidade de vida da população. Nesse contexto, destaca-se a relevância de ações voltadas à promoção, prevenção e recuperação da saúde, especialmente em cenários marcados por vulnerabilidade social. Paralelamente, a extensão universitária consolida-se como eixo estruturante na formação do ensino superior, ao possibilitar a articulação entre ensino, pesquisa e as demandas sociais. Essa prática favorece a construção do conhecimento a partir de vivências concretas, promovendo a troca de saberes entre a universidade e a comunidade; além de contribuir para a formação de profissionais críticos, reflexivos e socialmente comprometidos.
Descrição
Nesse cenário, o programa de extensão Fametro Salutis Integra – Promoção de Saúde Coletiva, desenvolvido por discentes de enfermagem em uma instituição privada localizada na Zona Leste de Manaus, configura-se como estratégia de integração entre ensino, serviço e comunidade. O programa é fundamentado nos princípios da integralidade, equidade e humanização do cuidado, em consonância com as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS).
Período de Realização
Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, vivenciado em cenário comunitário, durante um período pontual de um dia, no mês de dezembro de 2025. A experiência ocorreu por meio da implementação de ações educativas, preventivas e assistenciais em saúde, previamente planejadas conforme as demandas do público atendido.
Objetivo
Diante disso, o presente estudo tem como objetivo relatar a experiência de uma acadêmica de enfermagem no desenvolvimento de ações de saúde coletiva no âmbito do referido projeto, com ênfase nas contribuições para a formação acadêmica e no aprimoramento de competências técnico-científicas e ético-profissionais.
Resultados
A experiência proporcionou à acadêmica a vivência prática em um contexto real, possibilitando a aplicação dos conhecimentos teóricos e a compreensão das necessidades da população. Durante a atividade, foram desenvolvidas ações de educação em saúde, aferição de sinais vitais, realização de testes rápidos e palestras voltadas à promoção da saúde e prevenção de doenças. Observou-se a existência de lacunas no acesso à informação em saúde entre os participantes, evidenciadas por dúvidas relacionadas ao autocuidado e à prevenção de agravos. Nesse sentido, foram realizadas intervenções educativas adaptadas ao contexto local, utilizando linguagem acessível e estratégias comunicativas que favoreceram a compreensão dos usuários.
Aprendizado e Análise Crítica
Como aprendizado, evidenciou-se que o exercício profissional em saúde transcende a dimensão técnica, exigindo sensibilidade para a identificação de necessidades não explicitadas e a adequação das práticas educativas às especificidades socioculturais da população. Ademais, verificou-se que intervenções pontuais, embora relevantes, são insuficientes para atender integralmente às demandas da comunidade, destacando-se a necessidade de continuidade do cuidado e o fortalecimento da articulação entre serviços de saúde e território. Por fim, a experiência evidenciou o potencial dos programas de extensão universitária como estratégia de integração entre teoria e prática, promovendo a aproximação com a realidade social. O projeto contribuiu significativamente para o desenvolvimento acadêmico, favorecendo o aprimoramento de competências essenciais à formação do enfermeiro, com perfil crítico, reflexivo e socialmente responsável. Destaca-se, ainda, o impacto positivo das ações na comunidade, especialmente no que se refere à ampliação do acesso à informação em saúde e ao fortalecimento do compromisso social da universidade.
SENSIBILIZAÇÃO DE PROFISSIONAIS DA APS SOBRE A IDENTIDADE DE GÊNERO DE PESSOAS TRANSGÊNERO: UMA EXPERIÊNCIA EDUCATIVA
Comunicação Oral
1 UFMS
Contextualização
Pessoas transgênero ainda enfrentam barreiras relacionadas ao preconceito, à exclusão, à desinformação, à invisibilidade e à violação de direitos no acesso aos serviços de saúde. A Política Nacional de Saúde Integral LGBT (Portaria nº 2.836/2011) estabelece diretrizes para um atendimento humanizado, porém, sua efetivação demanda processos formativos que promovam sensibilização e mudança de práticas na Atenção Primária à Saúde (APS). Nesse contexto, a formação de profissionais de saúde é necessária para superar as barreiras relacionadas ao cuidado em saúde dessa população. A formação do cuidado à população trans demanda não apenas conhecimento técnico, mas também mudanças nas dimensões éticas, relacionais e institucionais do trabalho em saúde e o fortalecimento dos atributos da APS, como o acolhimento e a coordenação do cuidado.
Descrição
Trata-se de um relato de experiência de uma atividade realizada na disciplina de Promoção e Educação em Saúde, do Mestrado Profissional em Saúde da Família da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Brasil, sobre o uso dos princípios da andragogia (como ciência que orienta a aprendizagem de adultos, focando na autonomia, experiências prévias e aplicabilidade prática do conhecimento) e de metodologias ativas de aprendizagem para alunos/profissionais de saúde que cursavam a disciplina. Inicialmente, foi disponibilizada para leitura dos profissionais a cartilha educativa, construída pelos autores, “Acolher para Cuidar: Direitos e Saúde da Pessoa Trans na Atenção Primária”, abordando conceitos de identidade de gênero, nome social, direitos e boas práticas. Posteriormente, realizou-se uma atividade em grupo com uso de gamificação, por meio de um “Escape Room” (jogo de resolução de problemas) adaptado à atividade, estruturado em seis situações-problema baseadas em vivências reais na APS. O objetivo desta atividade foi promover a sensibilização e reflexão crítica dos profissionais quanto ao acolhimento da pessoa trans na APS, a fim de estimular a empatia e discutir barreiras e preconceitos que interferem na atenção à saúde da pessoa trans, além da necessidade de conscientização sobre temas sensíveis e populações vulneráveis. Ao fim, foi disponibilizado um espaço para discussão e compartilhamento de experiências vivenciadas com essa temática.
Período de Realização
A preparação da ação foi realizada nos meses de setembro a outubro de 2025. A ação educativa ocorreu em sala de aula, em encontro único, com duração de 2 horas, no mês de outubro de 2025.
Objetivo
O objetivo deste estudo foi construir uma ação educativa de sensibilização sobre a identidade de gênero de pessoas transgênero para os profissionais da APS.
Resultados
A utilização dos princípios da andragogia e de metodologias ativas de aprendizagem, como a gamificação, mostrou-se eficaz na sensibilização dos alunos/profissionais de saúde. A dinâmica do "Escape Room" permitiu uma imersão nas situações-problema, facilitando a compreensão das barreiras enfrentadas pela população trans e estimulando a empatia. O espaço de discussão ao final da atividade propiciou troca de experiências, evidenciando a necessidade contínua de espaços formativos que abordem a temática de forma prática e reflexiva. Os participantes demonstraram maior clareza sobre a importância do uso do nome social e do respeito à identidade de gênero como elementos centrais para um cuidado humanizado e efetivo.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência evidenciou que a transformação das práticas de saúde na APS requer abordagens pedagógicas inovadoras que ultrapassem a transmissão de informações. A combinação de material educativo (cartilha) com metodologias ativas (gamificação) e o respeito ao princípio da Andragogia, potencializou o engajamento e a reflexão crítica dos profissionais. A estratégia contribuiu para o reconhecimento da identidade de gênero como elemento central do cuidado e se apresenta como importante ferramenta no campo da educação em saúde no SUS, com potencial para fortalecer práticas mais inclusivas e humanizadas no cuidado à população trans. A superação das barreiras de acesso exige um compromisso ético-político contínuo com a formação em saúde, alinhado às diretrizes da Política Nacional de Saúde Integral LGBT.
CARTOGRAFIAS DE CONVERGÊNCIAS: INTEGRAÇÃO ENSINO-SERVIÇO-COMUNIDADE-CONTROLE SOCIAL NA FORMAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA
Comunicação Oral
1 Universidade Federal de Juiz de Fora
Contextualização
A articulação entre ensino, serviço e comunidade (ESC) é eixo condutor das políticas de formação em saúde no Brasil e incide fortemente na formação em Saúde Coletiva. Presente nas Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos da saúde e nas políticas de reorientação da formação, busca integrar o processo formativo às práticas reais do Sistema Único de Saúde (SUS). (Ceccim & Feuerwerker, 2004). O Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde) se consolida como uma estratégia relevante nesse contexto, fomentando, ainda, o desenvolvimento de temas estratégicos. O PET-Saúde Equidade tem como foco a equidade de gênero e raça no contexto do trabalho e formação em saúde, se configurando como uma edição inovadora, tanto quanto desafiadora.
Descrição
A ação relatada ocorreu durante a realização da Conferência Municipal de Saúde das Trabalhadoras e dos Trabalhadores, em um município do interior da região Sudeste do Brasil, e envolveu a articulação entre ensino, serviço, comunidade e controle social, por meio da inserção de três discentes de cursos da área da saúde, uma tutora docente e uma preceptora trabalhadora de uma Unidade Básica de Saúde. Considerando o PET-Saúde Equidade ser orientado para a promoção da equidade no trabalho e formação em saúde, a tutora do grupo, que atualmente é conselheira municipal de saúde, sugeriu uma participação ativa na organização da Conferência Municipal de Saúde das Trabalhadoras e dos Trabalhadores do município. O grupo passou, então, a integrar a comissão organizadora da conferência, participando de reuniões periódicas para definição do conteúdo, convidados e dinâmicas. As reuniões para organização duraram cerca de dois meses e promoveram intensas reflexões. A conferência teve duração de três dias e o grupo atuou em ações como credenciamento, coordenação de grupos temáticos, relatoria e mediação da plenária final. A participação teve inicialmente como proposta incluir as discussões do PET-Saúde Equidade na conferência, sobretudo complexificar as categorias trabalho e formação em saúde a partir da categoria interseccionalidade. Após a conferência, o grupo realizou uma roda de conversa para discutir sobre a experiência.
Período de Realização
A experiência relatada ocorreu entre fevereiro e abril de 2025, durante a realização da Conferência Municipal de Saúde das Trabalhadoras e dos Trabalhadores, em um município do interior da região Sudeste do Brasil.
Objetivo
Relatar a participação de um grupo tutorial do PET-Saúde Equidade na Conferência Municipal de Saúde das Trabalhadoras e dos Trabalhadores, em um município do interior da região Sudeste do Brasil, refletindo sobre a formação em Saúde Coletiva a partir da integração entre ensino, serviço, comunidade e controle social.
Resultados
Embora o objetivo inicial tenha sido inserir as discussões sobre equidade no trabalho e formação em saúde, a experiência possibilitou reflexões sobre a possibilidade de trocas autênticas e horizontais, que beneficiam uma diversidade de sujeitos envolvidos. Sobretudo, na percepção do grupo, possibilitou a criação de um espaço/tempo peculiar e profícuo para a formação crítica em Saúde Coletiva, permitindo a retomada viva dos ideais da Reforma Sanitária Brasileira. A formação em Saúde a partir do controle social tem se tornado cada vez mais importante para a construção de indivíduos conscientes e participativos na política. Transpondo a formação de modelo tradicional de caráter estritamente teórico-técnico na Saúde, a inserção de discentes do Ensino Superior em cenários de participação política visa induzir uma sensibilização ao pensamento crítico e reflexivo sobre as pautas que permeiam a luta por direitos para as classes profissionais e para a melhoria da assistência.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência evidenciou como a forma do evento que envolve princípios como democracia, participação popular e pluralidade, reforça diretamente o conteúdo que se propõe a discutir: a equidade nas relações de trabalho. O próprio formato da conferência, que reúne trabalhadores, gestores, profissionais da saúde, representantes de movimentos sociais e estudantes, cria um espaço horizontal de escuta e construção coletiva. Essa estrutura permite que diferentes vivências e realidades sejam consideradas, sobretudo aquelas atravessadas por marcadores sociais como raça, gênero, território e ocupação. Dessa forma, a conferência não apenas discute a interseccionalidade, mas a pratica em sua metodologia. Além disso, a divisão em grupos temáticos, as rodas de conversa e os momentos de plenária reforçam o compromisso com uma abordagem dialógica e inclusiva. Essa configuração facilita a identificação de desigualdades específicas nos ambientes de trabalho e a formulação de propostas que atendam a essas demandas de maneira concreta.
Realização:
Apoio: