Programa - Comunicação Oral - CO28.5 - Agravos à Saúde Relacionados ao Trabalho
18 DE SETEMBRO | SEXTA-FEIRA
13:10 - 14:40
13:10 - 14:40
CAMINHOS DO TRABALHO BRASIL - UNB: TRABALHO E SAÚDE, DESAFIOS DO SÉCULO XXI
Comunicação Oral
1 UnB
Contextualização
Com o avanço do neoliberalismo os(as) trabalhadores(as) são submetidos/as às condições degradantes de trabalho, violências e assédios, gerando adoecimento e acidentes relacionados ao trabalho e afetando a saúde da classe trabalhadora. No Distrito Federal (DF), essa realidade se materializa através da intensificação das jornadas, gestão por algoritmos e metas abusivas, assédio moral sistêmico e violências estruturais que acomete diversas categorias. Esse cenário agrava o desamparo social e demanda ações urgentes para confrontar a invisibilização e a subnotificação das doenças e acidentes relacionados ao trabalho, especialmente as lesões incapacitantes e o sofrimento psíquico.
Observa-se que tais processos de adoecimento relacionados ao trabalho não podem ser compreendidos apenas como questões individuais de saúde, mas como fenômenos sociais e jurídicos relacionados à forma como o trabalho é organizado, às desigualdades estruturais e às dificuldades de acesso à proteção social e à justiça trabalhista e previdenciária.
Descrição
O projeto de extensão "Caminhos do Trabalho Brasil - UnB" atua por meio de uma equipe multiprofissional e interdisciplinar (Saúde Coletiva, Medicina, Direito e Terapia Ocupacional) no acolhimento de trabalhadores(as) do DF. O fluxo metodológico, realizado no Laboratório de Saúde do Trabalhador da UnB e no Hospital Universitário de Brasília, baseia-se na escuta qualificada, análise do nexo causal e na construção colaborativa de documentação médico-jurídica individualizada para que os trabalhadores e as trabalhadoras busquem seus direitos previdenciários e trabalhistas.
Período de Realização
As atividades do projeto foram inauguradas no mês de setembro de 2023, mantendo-se em execução contínua até o presente momento.
Objetivo
Relatar a experiência interdisciplinar do projeto de extensão "Caminhos do Trabalho Brasil-UnB", descrevendo os principais achados de atendimento médico e jurídico prestado aos trabalhadores e trabalhadoras, identificação e notificação dos acidentes e adoecimentos relacionados ao trabalho para o enfrentamento à subnotificação dos agravos à saúde do Distrito Federal.
Resultados
Com atendimentos contínuos até o início de 2026, o projeto acolheu 64 trabalhadores e trabalhadoras, inclusive de setores historicamente vulnerabilizados. Identificou-se uma predominância alarmante de sofrimento mental (Síndrome de Burnout, depressão, transtornos de pânico e estresse pós-traumático) e de Lesões por Esforços Repetitivos/Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho. Os resultados de atendimento incluem a emissão de Comunicações de Acidente de Trabalho, a produção de laudos médicos e dossiê personalizados. Constatou-se a interseccionalidade de violências de gênero, raça e classe. Observa-se que as estruturas institucionais, jurídicas e administrativas podem tanto proteger quanto invisibilizar o adoecimento laboral, especialmente entre trabalhadores e trabalhadoras em situação de maior vulnerabilidade social.
A análise dos casos evidencia que muitos trabalhadores e trabalhadoras desconhecem seus direitos ou encontram barreiras institucionais para o reconhecimento do nexo causal, demonstrando que o adoecimento laboral também está relacionado ao acesso desigual à atenção à saúde, à informação jurídica e à proteção social. Nesse contexto, o projeto atua não apenas como instrumento técnico de acesso a benefícios e indenizações, mas como ferramenta de reconhecimento social do adoecimento relacionado ao trabalho, contribuindo para a efetivação dos direitos sociais previstos constitucionalmente.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência no projeto Caminhos do Trabalho evidencia que acidentes e adoecimentos no trabalho são resultados de um modelo de gestão que não prioriza o trabalho digno, saudável e seguro.
A subnotificação opera como ferramenta de invisibilização do sofrimento e desresponsabilização do capital. Além de subtraírem direitos e sonegarem impostos, os empregadores usam a ocultação para legitimar um padrão de gestão do trabalho predatório.
A união interdisciplinar entre o conhecimento técnico (médico e jurídico) e a escuta qualificada da história dos trabalhadores e das trabalhadoras é fundamental para romper esse ciclo. Notamos que novas formas de gestão frequentemente mascaram velhas práticas de exploração, exigindo dos profissionais uma postura crítica. Assim, a extensão universitária vai além do assistencialismo. Torna-se um espaço de resistência política que forma estudantes e profissionais capazes de compreender as reais causas dos agravos relacionados ao trabalho, devolvendo ao/a trabalhador/a o reconhecimento legítimo de adoecimento laboral. Por fim, a experiência demonstra que o reconhecimento do adoecimento relacionado ao trabalho é também uma disputa institucional e simbólica, na qual o saber técnico, jurídico, social e de saúde se torna instrumento de garantia de direitos, cidadania e dignidade da pessoa trabalhadora.
O AMBIENTE DE TRABALHO DO POLICIAL PENAL E SUA PERCEPÇÃO DE SAÚDE EM UMA PENITENCIÁRIA EM REGIÃO DE FRONTEIRA NA AMAZONIA OCIDENTAL
Comunicação Oral
1 PPGSC-UFAC
Apresentação/Introdução
O policial penal é o profissional responsável pela execução da ordem pública dos estabelecimentos prisionais, seu ambiente de trabalho é marcado pela violência, precarização do serviço. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), é a segunda profissão mais perigosa e estressante do mundo, a vista da mínima segurança em que exerce seu trabalho, com alto grau de periculosidade e insalubridade, com riscos de motins, rebeliões, agressões e morte (SOUZA et al., 2015). O constante estado de alerta dentro e fora das prisões, têm resultado em afastamentos por doenças psicossomáticas relacionadas à atividade profissional e, em casos mais graves, em suicídios.
Objetivos
A pesquisa objetivou compreender a percepção dos policiais penais acerca de sua saúde relacionando ao ambiente de trabalho prisional.
Metodologia
O estudo teve a abordagem qualitativa, sob o enfoque fenomenológico, com a realização de entrevista semi-estruturada com 15 policiais atuantes no complexo penitenciário de Rio Branco – Acre. A pesquisa foi aprovada pelo CEP da Universidade Federal do Acre. As informações coletadas foram analisadas com a técnica de Análise Temática de Braun e Clarke.
Resultados e Discussão
Foram elaboradas três unidades temáticas que refletem as percepções dos participantes da pesquisa: O cotidiano insalubre no sistema prisional; o ambiente de trabalho foi considerado, pelos policiais como insalubre, frágil, inseguro e precário comprometendo o desenvolvimento das atividades laborais. O profissional invisível; os policiais penais demonstraram uma percepção de desvalorização, o que afeta profundamente sua experiência diária e a forma como se relacionam com a sociedade. A falta de prestígio e visibilidade social contribui para um sentimento de desânimo, desmotivação e baixa autoestima entre os profissionais. Percepção dos policiais penais sobre sua saúde e a relação com o ambiente prisional; o Núcleo de Assistência Social (NASP) em visita institucional identificou os seguintes agravos entre os policiais: aumento do stress, ansiedade, burnout, obesidade, insônia, tabagismo, dependência química, tuberculose e transtornos mentais. O maior enfoque dos participantes quanto à percepção de sua saúde relacionado ao ambiente de trabalho foi devido à sintomas de ordem mental A partir da perspectiva fenomenológica, as experiências vividas por esses policiais refletem o contexto desfavorável e adoecedor característico da sua função, o qual desencadeia tensão e estresse. Assim, a tensão e o estresse emergem não apenas como reações a condições externas, mas como dimensões integradas da experiência vivida, oferecendo uma compreensão mais profunda do impacto do contexto laboral. Em relação ao uso abusivo de drogas, álcool e tabagismo entre os policiais penais, foi visto como uma tentativa de escapar do estresse diário enfrentado no trabalho, configurando uma estratégia para lidar com as pressões e desafios do ofício. Em decorrência disto, no último ano houveram muitos afastamentos para tratamento de dependência química. E, nos últimos cinco anos, cinco policiais penais, cometeram suicídio, nas unidades prisionais do estado. Outro aspecto mencionado foi a ocorrência de doenças infecto-contagiosas. Nos registros do sistema carcerário do estado, houve notificações de casos de tuberculose, sífilis, hanseníase, hepatites e HIV.
Conclusões/Considerações Finais
A presente pesquisa revela um cenário preocupante sobre as condições de trabalho dos policiais penais e os impactos diretos na sua saúde. Os resultados sugerem que o ambiente de trabalho dos policiais penais no Acre é marcado pela precariedade estrutural, insalubridade, déficit de efetivo e falta de recursos materiais. Essas condições adversas criam um ambiente hostil, onde o profissional enfrenta diariamente desafios que vão além de suas funções de segurança, afetando profundamente seu bem-estar e qualidade de vida. Os relatos indicam um estado constante de alerta e uma cultura de hipervigilância que afeta não só suas vidas profissionais, mas também pessoais, levando a um desgaste emocional significativo. O estudo também mostrou que os policiais penais trabalham em um segmento social que é amplamente indesejado e marginalizado. A sociedade tende a esquecer ou a relegar o sistema prisional e, por extensão, aqueles que trabalham dentro dele são igualmente marginalizados, vistos como figuras indesejáveis e desprovidas de direitos ou cuidados. Por fim, é crucial reconhecer o papel essencial dos policiais penais na manutenção da segurança pública e a necessidade de lhes oferecer melhores condições de trabalho e saúde. Isso não só contribuirá para a melhoria da qualidade de vida desses profissionais, mas também para o aprimoramento da gestão e funcionamento do sistema prisional como um todo.
OBSERVATÓRIO NACIONAL DE SAÚDE MENTAL E TRABALHO: DETERMINAÇÃO SOCIAL DO SOFRIMENTO PSÍQUICO E DESAFIOS PARA A VIGILÂNCIA NO SUS.
Comunicação Oral
1 UFPR
2 UEFS
3 Fiocruz/ENSP
4 UNICAMP
5 USP
6 UFRB
7 CEREST Vales (RS)
8 SINDISPREVRS
Apresentação/Introdução
Apresentação/Introdução: As transformações contemporâneas no mundo do trabalho, marcadas pela precarização, intensificação produtiva, flexibilização e insegurança laboral, têm aprofundado processos de adoecimento e sofrimento psíquico entre trabalhadores/as. Os transtornos mentais relacionados ao trabalho (TMRT) e o suicídio expressam, nesse cenário, a centralidade do trabalho como determinante social da saúde. No Brasil, a produção de conhecimento permanece fragmentada e a vigilância em saúde do trabalhador apresenta importantes lacunas. O Observatório Nacional de Saúde Mental e Trabalho emerge como estratégia de articulação interinstitucional para produção de evidências, análise crítica e fortalecimento de respostas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
Objetivos
Analisar a situação de saúde mental de trabalhadores/as no Brasil, identificar seus determinantes socioeconômicos e ocupacionais e desenvolver estratégias de vigilância e organização do cuidado no SUS.
Metodologia
Trata-se de pesquisa multicêntrica, de abordagem mista, que integra dados primários e secundários, incluindo construção e análise de bases nacionais, inquéritos populacionais, estudos quantitativos e qualitativos e mapeamento da rede de atenção, com ênfase nos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST) e na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Incorpora, ainda, estratégias participativas com trabalhadores/as e profissionais, articulando produção de conhecimento, formação e construção de diretrizes e protocolos para o SUS.
Resultados e Discussão
Resultados parciais indicam uma possível associação entre condições precárias de trabalho, desigualdades sociais e maior ocorrência de sintomas depressivos e ideação suicida entre trabalhadores/as. O estudo encontra-se em fase de análise de dados quantitativos, com previsão de conclusão em 2027. Observa-se, até o momento, fragilidade na integração entre vigilância e assistência, bem como heterogeneidade na oferta de ações em saúde mental nos serviços e ausência de articulação com as equipes de vigilância em saúde do trabalhador/a. Esses achados preliminares sugerem limites estruturais na organização das políticas públicas frente às dinâmicas contemporâneas do trabalho. A construção do Observatório tem contribuído para ampliar a visibilidade dos agravos, fortalecer redes colaborativas e fomentar a integração entre produção de dados, cuidado e ação no âmbito do SUS.
Conclusões/Considerações Finais
Os achados parciais reforçam a centralidade do trabalho como dimensão fundamental na determinação social da saúde mental, ainda que análises adicionais estejam em curso. Evidencia-se a necessidade de fortalecer a vigilância em saúde do trabalhador articulada à atenção psicossocial, superando a fragmentação das políticas e práticas no SUS. O Observatório configura-se como dispositivo estratégico para integração entre produção de conhecimento, gestão e cuidado, contribuindo para a qualificação das respostas institucionais e para o fortalecimento de práticas de defesa da vida e dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras.
TERRITÓRIO, TRABALHO E REPRODUÇÃO DA VIDA: SAÚDE, PARTICIPAÇÃO E JUSTIÇA SOCIOAMBIENTAL EM UMA COMUNIDADE QUILOMBOLA DA ZONA DA MATA NORTE DE PERNAMBUCO
Comunicação Oral
1 FIOCRUZ/PE
Apresentação/Introdução
A saúde, na perspectiva da determinação social e ambiental, resulta de processos históricos, políticos e econômicos que produzem formas desiguais de viver e adoecer. Em comunidades quilombolas, essas dinâmicas articulam memória, identidade, território e trabalho, tensionadas pelo avanço do modelo desenvolvimentista, pela expansão de grandes empreendimentos e pela lógica de exploração da natureza e da força de trabalho no capitalismo.
Objetivos
Analisar as relações entre território, trabalho, saúde e participação comunitária em uma comunidade quilombola, considerando as dimensões de gênero, juventude, meio ambiente e saúde mental.
Metodologia
Trata-se de um recorte de projeto de extensão e pesquisa qualitativa participativa, ancorado no pensamento crítico, no qual foi realizado um Diagnóstico Rápido Participativo (DRP) pautado no reconhecimento dos saberes do território como centrais na análise das condições de vida e de saúde, utilizando ferramentas orientadas pela escuta qualificada e pela construção compartilhada do conhecimento, articuladas a estratégias dos Círculos de Cultura. O DRP consistiu no desenvolvimento, em parceria com a comunidade tradicional, de seis etapas, que ocorreram entre outubro e dezembro de 2025: travessia, mapa mental, rio do tempo, círculo de vínculos, matriz de organização comunitária, priorização e árvore de problemas. Para o presente trabalho destacam-se duas estratégias metodológicas: a travessia, caminhada dialogada pelo território, e o rio do tempo, construção de linha do tempo, realizadas com moradoras e moradores da comunidade, permitindo identificar memórias e vínculos com o território, além de suas transformações. O trabalho integra o projeto Promoção da Saúde e Sustentabilidade em Comunidades Tradicionais da Zona da Mata Norte de Pernambuco, desenvolvido pela Coordenação de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz Pernambuco, em parceria com comunidade quilombola e da pesca artesanal. O projeto foi aprovado pelo CEP sob o nº CAAE: 91138325.80000.5190 e as atividades foram realizadas mediante o registro do consentimento livre e esclarecido.
Resultados e Discussão
Os resultados evidenciam no território a pesca artesanal como elemento central para compreender o trabalho, a cultura e as transformações da comunidade, inclusive na dimensão subjetiva e da reprodução da vida. As mudanças ambientais, associadas à expansão de empreendimentos e à lógica desenvolvimentista, impactam os ecossistemas e os modos de vida, expressando contradições do capitalismo baseado na exploração da natureza e no incentivo ao consumo.
Observa-se a precarização das relações de trabalho, agravada por transformações contemporâneas que intensificam a exploração, ampliam o desemprego e fragilizam a proteção social. Tais processos se articulam a uma divisão social e racial do trabalho que aprofunda desigualdades, incidindo sobre juventudes, mulheres e comunidades tradicionais.
A fragilidade de políticas públicas e a limitação de apoio à economia local comprometem a continuidade dos modos de vida, gerando sofrimento social e impactos na saúde mental, agravados pela descontinuidade de saberes tradicionais, experiências de racismo e outras violências.
Por outro lado, o território também se configura como espaço de resistência, sustentado por redes de solidariedade, espiritualidade, organização comunitária e pelo protagonismo das mulheres, fundamentais na reprodução da vida e na manutenção dos vínculos coletivos.
Conclusões/Considerações Finais
A promoção da saúde em territórios quilombolas exige enfrentar desigualdades estruturais produzidas pelo racismo e pelo modelo de desenvolvimento vigente. É fundamental fortalecer políticas públicas, garantir direitos territoriais e valorizar o trabalho tradicional como base da reprodução da vida, contribuindo para a justiça socioambiental.
VIGILÂNCIA DE POPULAÇÕES EXPOSTAS A AGROTÓXICOS (VSPEA) EM MINAS GERAIS: UMA INTERFACE ENTRE VIGILÂNCIA EM SAÚDE AMBIENTAL (VSA) E VIGILÂNCIA SAÚDE DO TRABALHADOR (VISAT)
Comunicação Oral
1 SES-MG
Contextualização
Dentre as principais substâncias químicas que podem contaminar as matrizes ambientais, os agrotóxicos são uma das mais comuns no meio ambiente, tendo sido introduzidos em larga escala no país principalmente na década de 60, poluindo então as matrizes ambientais (solo, ar, água), assim como alimentos destinados ao consumo humano. Podem contaminar trabalhadores(as) e população em geral.
Em 2023, Minas Gerais (MG) figurou em sexto lugar referente às vendas de agrotóxicos no Brasil. O território possui 607.557 estabelecimentos agropecuários, sendo mais de 38 milhões de hectares ocupados, sendo cerca de 1,8 milhões de trabalhadores empregados. Entre 2020 e 2025, foram 11.310 notificações de intoxicações exógenas por agrotóxicos no estado, conforme dados do Sinan em 20 de março de 2026. Dentre estas, 4.769 notificações foram por uso de raticidas, 3.869 por agrotóxicos do tipo agrícola e 1.381 por agrotóxicos de uso doméstico, seguidas de 1.071 por uso de produtos de uso veterinário e 220 por uso de agrotóxicos de interesse para saúde pública. Contudo, sabe-se que esse total é subnotificado. No ano de 2025, 54% dos municípios foram silenciosos para este agravo relacionado aos agrotóxicos. Corresponderam a casos relacionados ao trabalho 2.329 das notificações. Trabalhadores são um dos principais grupos vulneráveis à contaminação por agrotóxicos.
Nesse sentido, evidencia-se a urgência de trabalhar a sensibilização dos municípios do estado para a VSPEA, a qual abrange um conjunto de iniciativas integradas da Vigilância em Saúde (VS), que visam proteger e promover a qualidade de vida, prevenir a ocorrência de danos à saúde e reduzir, controlar ou eliminar a vulnerabilidade e os riscos enfrentados pela população exposta. As Diretrizes para a Implementação da VSPEA (Ministério da Saúde, 2017) reiteram a importância da condução intersetorial do programa no contexto da VS, estratégia adotada em MG.
Descrição
Diante do contexto estadual, os municípios prioritários para implantação da VSPEA em MG foram definidos utilizando os critérios: inclusão no Plano Nacional de Saúde (PNS); participação no Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA); sedes de Unidades Regionais de Saúde (URS); monitoramento de agrotóxicos em água (Sisagua e VSPEA); área plantada e uso de agrotóxicos (IBGE); e notificações de intoxicações exógenas por agrotóxicos na população em geral e relacionadas ao trabalho (Sinan).
Período de Realização
O projeto de fortalecimento da VSPEA iniciou-se em 2021 nos 10 municípios prioritários do estado via PNS, com expansão para 216 em 2025.
Objetivo
- Fortalecer, de forma contínua, a VSPEA em Minas Gerais, para reduzir, controlar ou eliminar a vulnerabilidade e os riscos à saúde dessas populações.
- Incentivar as ações de Vigilância em Saúde Ambiental (VSA), Vigilância em Saúde do Trabalhador (VISAT) e Vigilância Sanitária de Alimentos no contexto da VSPEA;
- Fortalecer a integração da VISAT e VSA intra e intersetorialmente;
- Promover melhoria de qualidade de vida dessas populações.
Resultados
A implantação da VSPEA é coordenada pela VSA e VISAT, com metas como a formação de Grupos de Trabalho intersetoriais, elaboração de Planos de Ação transversais, análise de água para consumo humano, notificação de intoxicações por agrotóxicos e inspeção de estabelecimentos comercializadores de alimentos vegetais frescos para avaliação de rastreabilidade. Os municípios são orientados e acompanhados bimestralmente desde 2021, com foco nos 10 prioritários do PNS e recente expansão para 216 municípios. Para o PNS de 2024-2027, 7 dos 10 municípios prioritários tiveram a VSPEA implantada. Quanto aos demais 206 municípios, estes estão em processo de acompanhamento, com a execução de atividades ocorrendo entre abril e dezembro de 2026.
Aprendizado e Análise Crítica
Devido à incipiência do projeto, as questões políticas envolvidas no uso dos agrotóxicos, e a falta de recursos humanos e tecnológicos nos territórios, percebe-se o reflexo nos resultados. Com a expansão para 216 municípios a partir de 2025, o desafio tornou-se maior, porém representou oportunidade de visibilização do problema e descentralização das ações. Nesse sentido, o projeto de fortalecimento da VSPEA trabalha a sensibilização das redes de atenção à saúde, com disponibilização de curso remoto, Webinário e indicadores específicos da VSPEA incluídos em programa de fomento da VS no estado (VigiMinas), o qual prevê repasse de recurso atrelado às metas exigidas, no âmbito da VSA, da VISAT e da Vigilância Sanitária de Alimentos. De forma a auxiliar nos desafios encontrados no território, as equipes da VS oferecem suporte técnico e matricial para a realização das ações planejadas. Além disso, o repasse de recursos aos municípios ocorrerá anualmente, assim como o incentivo constante à integração das áreas da VS a nível regional e municipal.
Realização: